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Treinos da World Series by Renault em Aragón

fevereiro 28, 2014
Carlos Sainz Jr foi o mais rápido em Aragón

Carlos Sainz Jr foi o mais rápido em Aragón

Não foi apenas a F-Renault Europeia que esteve na pista nesta última semana em Aragón. Quem também andou testando no circuito espanhol foi a irmã mais velha, a World Series by Renault, que conta com um grid com pilotos muito mais experientes e de olho em repetir o sucesso de Kevin Magnussen, o campeão do ano passado e novo titular da McLaren na F1.

Falando em Magnussen, com a saída do dinamarquês, com a graduação de António Félix da Costa ao DTM e a transferência de Stoffel Vandoorne para a GP2, a World Series vive um ano de transição em 2014. Afinal, os nomes que dominaram o certame nas últimas duas temporadas foram embora.

Isso abriu espaço para que novos pilotos aparecessem, como Pierre Gasly e Oliver Rowland, que disputaram o título do ano passado da F-Renault. E, em Aragón, a dupla voltou a mostrar um bom ritmo. Enquanto o francês foi o mais rápido na última das seis sessões de pista, o britânico liderou os treinos na tarde do primeiro dia.

Mas quem acabou na frente na classificação geral foi Carlos Sainz Jr. Depois de perder a vaga na Toro Rosso para Daniil Kvyat, o espanhol é o principal nome do Red Bull Junior Team em 2014. E para confirmar a confiança depositada pela fabricante de energéticos, o piloto terá à disposição o mesmo carro da Dams que levou Magnussen ao título do ano passado.

Nesse primeiro ensaio, as coisas saíram conforme o planejado, e Sainz superou Rowland por Blink 0s182. Só que as coisas não foram tão tranquilas para o espanhol. Embora tenha dominado o segundo dia de treinos – quando as condições de pista eram melhores –, o piloto teve um desempenho de altos e baixos. Mais rápido no geral, ele amargou apenas o 13º posto na primeira sessão e foi o nono na última.

Rowland também foi outro que não teve muitos motivos para comemorar o segundo lugar. Apesar de ter marcado o tempo logo na segunda sessão, ele ainda somou um 16º, um 17º e um 23º lugares (tendo enfrentado problema neste último), em Arágon.

Por outro lado, quem não pecou pela regularidade foi o outro piloto da Fortec, Sergey Sirotkin. Após aquela novela envolvendo a ida para a F1, o russo acabou ficando na World Series by Renault para mais uma temporada – também assumindo o posto de reserva na Sauber – e não fez feio. De todos os pilotos, ele foi o único que terminou todas as atividades no top-5, incluindo tendo liderado duas delas. No final, ficou com a terceira posição no combinado.

Pietro Fantin esteve sempre entre os mais velozes

Pietro Fantin esteve sempre entre os mais velozes

Pierre Gasly, o outro piloto do Red Bull Junior Team, foi o quarto. Ao contrário de Sainz, a regularidade não foi um problema para ele. Salvo um décimo lugar na primeira ida à pista, o francês fechou as demais sessões entre os quatro primeiros, com dois segundos lugares e tendo sido o mais veloz no último dia.

Desempenho parecido teve o brasileiro Pietro Fantin, que completou todas as seis sessões no top-6. Ainda que não tenha brigado pela liderança no geral, o paranaense sempre esteve presente entre os ponteiros, assim como já havia acontecido nas atividades privadas em Paul Ricard.

Como eu já escrevi aqui, esse ano é bastante importante para que Fantin recupere o bom momento da carreira. Ele surgiu muito bem na F3 Inglesa há três anos, mas enfrentou tempos difíceis em 2012 e 2013 quando competiu por Carlin e Arden Caterham, respectivamente, mas não tinha a atenção das equipes. É a chance de ele provar o que pode fazer.

O top-10 em Aragón ainda teve William Buller, Will Stevens, Nigel Melker, Norman Nato e Nikolay Martsenko. Outros detalhes da atividade foram a presença de Tom Dillmann e Roberto Merhi, que parecem buscar uma vaga na World Series by Renault depois de terem as portas fechadas na GP2 e no DTM, respectivamente. São bons nomes que, caso disputem a temporada completa, não devem demorar a estar brigando na frente.

Falando nisso, assim como é na F1, os treinos da pré-temporada geralmente não dizem muito o que pode acontecer durante o campeonato. Basta lembrar que a Lotus Charouz foi a equipe dominante nos últimos dois invernos, mas a gente praticamente não os viu na pista no restante do ano.

A World Series agora faz uma pausa e volta à pista na segunda metade de março, em Jerez. A expectativa para essa segunda atividade é que o grid esteja completo, já que a Carlin não viajou até a Espanha por ainda não ter definido os pilotos para o campeonato. A ISR também só teve um carro.

Confira os tempos de Aragón:

tempos WS

As novas equipes da GP2

julho 2, 2013

Robin Frijns deu a primeira vitória à Hilmer em 2013

Robin Frijns deu a primeira vitória à Hilmer em 2013

No post anterior aqui no World of Motorsport, eu disse que acredito estarmos vendo uma das melhores gerações da GP2 de todos os tempos. Para explicar por qual razão o grid é tão bom, é preciso destacar a chegada de duas novas escuderias em 2013, a Hilmer e a Russian Time.

Praticamente sem histórico no automobilismo, esses dois times entraram na categoria no início do ano ao comprar equipes que estavam fechando as portas. Enquanto a Hilmer – cujo proprietário é um fornecedor de material para times da F1 – entrou no lugar da Ocean, a Russian Time abocanhou a vaga da tradicional iSport, obrigada a encerrar as operações sem dinheiro.

Assim, neste ano, essas duas equipes não viveram o drama de precisar contar com um piloto pagante. A Russian Time, cujo proprietário é um russo aficionado por automobilismo, lembra um pouco aqueles magnatas do Leste Europeu, que aproveitaram a grana feita no fim da União Soviética para comprar times de futebol tradicionais, algo parecido com o que Roman Abramovich fez no Chelsea.

Sem poupar dinheiro, Igor Mazepa contratou o que tinha de melhor para 2013. Além de aproveitar a estrutura comprovadamente vencedora da iSport, o dirigente deu uma chance a Tom Dillmann, que já havia vencido uma corrida no ano passado e dominado os primeiros treinos da pré-temporada.

Se a chegada do francês já era certeza de lutar por pódios e vitórias, Mazepa deu uma tacada de mestre às vésperas da primeira rodada do campeonato ao acertar com o veterano Sam Bird, que estava na World Series, mas já havia disputado duas temporadas da GP2. Como o britânico sabe que não vai ter chances de pilotar o carro da Mercedes (onde é reserva), ele aceitou retornar à categoria de acesso, para brigar pelo título.

Já a Hilmer não vive essa gastança toda. Ligada a uma empresa do ramo automobilístico, a escuderia demorou a definir os pilotos de 2013. Depois de testar com Dillmann na pré-temporada, o time foi para a primeira rodada com Conor Daly e Pal Varhaug. A dupla, porém, acabou mudando nas etapas seguintes, com a equipe trazendo o atual campeão da World Series, Robin Frijns, e o veterano Jon Lancaster.

O sucesso de Sam Bird e Jon Lancaster comprovam o bom momento das novas equipes

O sucesso de Sam Bird e Jon Lancaster comprovam o bom momento das novas equipes

E os resultados não demoraram a aparecer. Frijns conquistou a primeira vitória da carreira na corrida longa de Barcelona, enquanto Lancaster se aproveitou da regra do grid invertido para triunfar na corrida curta de Silverstone.

Assim, somando essas duas vitórias da Hilmer às três conquistas de Sam Bird – na prova curta do Bahrein e nas longas de Mônaco e de Silverstone –, temos que cinco das última sete corridas disputadas na GP2 foram vencidas pelas equipes estreantes. O único a quebrar essa sequência foi o líder do campeonato, Stefano Coletti, que ganhou as sprint races de Barcelona e de Monte Carlo.

Não há dúvidas de que, por não precisarem recorrer a pilotos pagantes, as duas escuderias já estão conseguindo bons resultados. A grande questão agora é até quando isso vai durar. Até que ponto eles vão continuar tirando dinheiro do próprio bolso para brigar pelas primeiras colocações e quando será necessário apelar para algum garoto endinheirado.

Talvez essa seja uma estratégia a longo prazo. Gastam neste ano para brigar por vitórias para tentar atrair algum piloto pagante, empolgado com os bons resultados, a partir da temporada que vem.

O primeiro treino de Felipe Nasr na GP2

março 1, 2012
Felipe Nasr GP2 2012

Felipe Nasr teve muito trabalho na primeira semana de treinos coletivos em Jerez. Apesar disso, a adaptação do brasileiro à categoria pode ser considerada satisfatória

Cercado de grande expectativa, Felipe Nasr completou nesta semana o primeiro treino em um carro da GP2. O brasileiro participou dos testes coletivos da categoria no circuito de Jerez de la Frontera, entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, ao lado dos principais adversários na luta pelo título de 2012.

O desempenho do atual campeão da F3 Inglesa não foi um estouro, mas foi dentro do esperado. O piloto começou muito mal, no primeiro dia de atividades, sendo apenas o 25º entre os 26 participantes – superando apenas o limitado Vittorio Ghirelli. No entanto, depois, pouco a pouco o brasileiro cresceu na tabela de tempos.

A efeito de comparação, Nasr terminou o primeiro dia de treinos 2s atrás do companheiro de equipe, Davide Valsecchi. Na última atividade, nesta quinta-feira, o brasiliense tomou menos de 0s6.

É claro que esses tempos também não indicam muita coisa. Por exemplo, Valsecchi está no quinto ano na GP2. Sabendo a pressão que sofre por ser o favorito, não seria impossível pensar que a Dams colocou pneus novos no carro do italiano e pouco combustível para que ele terminasse sempre na primeira colocação, jogando a pressão para os rivais.

Por outro lado, também não seria absurdo pensar que a equipe francesa tenha usado esse tipo de artifício no carro do brasileiro como uma forma de justificar os investimentos recebidos para 2012. Repito, não dá para saber o que cada equipe esteve testando, mas pela média dá para se chegar a uma conclusão de que houve, sim, uma evolução no desempenho de Felipe.

Felipe Nasr GP2 2012

A tendência é esperar um resultado melhor do brasileiro já na próxima sessão de treinos coletivos, na próxima semana, em Barcelona

Na realidade, esse é um resultado natural. Conforme Felipe Nasr vai se adaptando ao carro da GP2, a tendência é que ele fique cada vez mais rápido. Vale lembrar que ele jamais havia testado pela categoria. Ou seja, tanto o brasiliense quanto Ghirelli e Daniel De Jong, começaram os treinos desta semana atrás dos demais adversários. Todos os demais novatos participaram dos treinos da pós-temporada de 2011 e/ou da etapa extra da categoria em Abu Dhabi. Então eles já estavam minimamente adaptados ao equipamento.

E vendo apenas entre os pilotos que estão no primeiro ano na categoria, o desempenho de Nasr pode ser considerado satisfatório. Na quinta-feira, ele foi o quarto, terminando atrás de Tom Dillmann, James Calado e Nigel Melker. Muito melhor que a penúltima posição do primeiro dia.

Dito isso, a pergunta nesse momento é saber o que podemos esperar do brasileiro nesse primeiro ano da GP2. Levando em conta que a categoria volta à pista na próxima semana, em Barcelona, então muita coisa pode mudar. Mas eu diria que Nasr deveria mirar a oitava colocação como um resultado desejável.

Seria bastante interessante para ele, em pelo menos duas etapas, terminar a corrida principal do final de semana na oitava posição e conseguir converter a pole-position obtida com a regra do grid invertido em vitória. Em geral, é dessa forma que os pilotos novatos chamam atenção, então é uma tática satisfatória. Caso ele consiga algum pódio na corrida longa também seria um resultado bastante impressionante.

Entretanto, é preciso lembrar que o automobilismo é um esporte competitivo. Não adianta colocar esse tipo de meta nesse momento, e os demais novatos conseguirem resultados ainda melhores. Mas levando em conta o retrospecto dos rookies nos últimos anos, o caminho das pedras é mais ou menos esse.

P.S.: para ver os tempos do primeiro dia de treinos basta clicar aqui. O segundo dia está aqui. E o terceiro, aqui.

O primeiro dia da GP2 2012

setembro 27, 2011
GP2

Luca Filippi em segundo. Entra ano, sai ano e certas coisas não mudam

A GP2 inicia a preparação para a temporada 2012 da categoria nesta quarta-feira, dia 28, com o primeiro dos dois dias de treinos coletivos em Jerez de la Frontera. Nessa primeira atividade, os times costumam optar por dar maior quilometragem a novatos antes de escolher quem serão os pilotos para a próxima temporada.

Apesar disso, é seguro dizer que o grid da categoria em 2012 será formado pelos participantes deste primeiro teste somados aos pilotos que disputaram o campeonato de 2011 e ficaram de fora dessa atividade inicial. Salvo uma ou outra surpresa que possa aparecer.

A lista de inscritos para este primeiro dia – que você pode conferir clicando aqui – chama a atenção pela divisão entre novatos e velhos conhecidos.

De um lado, 11 dos 27 pilotos jamais disputaram uma corrida da categoria: Daniel Zampieri, Valtteri Bottas, Nathanael Berthon, Nico Müller, Rio Haryanto, Simon Trummer, Nigel Melker, Fabio Onidi, James Calado e Antonio Félix da Costa, além de Stéphane Richelmi, que só correu a rodada final de Monza.

Do outro, veteranos como Javier Villa, Adam Carroll, Yelmer Buurman, Luca Filippi entre outro, são lembrados pelos times. Na realidade, não é nenhuma surpresa que esse pessoal cada vez mais experiente ganhe espaço na GP2. Basta ver que Pastor Maldonado e Romain Grosjean, os dois últimos campeões, levantaram a taça da categoria depois de disputarem o certame por quatro anos.

Filippi, porém, pode entrar na sétima temporada (!!!!) na categoria. Carroll (praticamente um vovô aos 28 anos), na sexta – ainda que as duas últimas tenham sido incompletas. Villa, de apenas 23 anos, estaria na quinta temporada, assim como Álvaro Parente. E mesmo que Buurman só tenha competido em metade de 2008, o nome do holandês é o que causa mais espanto. Só falta o Roldan Rodríguez aparecer e a festa fica completa.

Essa participação de pilotos mais experientes – assim como a quantidade elevada de novatos – não significa necessariamente que as equipes possam apostar nesses nomes para 2012. Alguns times podem escolher fazer os primeiros treinos com gente que conhece a categoria, com o objetivo de acertar o carro para depois escolher ($) quem vai correr. A Carlin, por exemplo, é um exemplo de time que precisa pensar no equipamento depois de terminar a última temporada em uma humilhante última colocação com apenas quatro pontos.

A Super Nova, por outro lado, é uma equipe que aposta em veteranos sem explicação. Em 2011, eles competiram inicialmente com Fairuz Fauzy e Luca Filippi. Embora os dois pilotos tenham nove temporadas somadas entre eles, pouco conseguiram fazer. Juntos obtiveram 12 pontos até a etapa da Alemanha, quando o italiano se mandou para a Coloni e não parou mais de vencer. O substituto, Adam Carroll, conseguiu a façanha de elevar a média de idade da equipe para 28 anos! A efeito de comparação, a media da Toro Rosso é de 20,5 e a da McLaren, 28,5.

No restante das equipes, algumas combinações se destacam. Com a vaga que pertencia a Giedo van de Garde em tese livre, Dani Clos apareceu em um dos carros da Addax e pode ser alguém a ser considerado para o título da temporada. Fabio Leimer na Racing Engineering também é interessante, já que o suíço foi muito rápido em alguns momentos da última temporada, mas sofreu com os próprios erros e com um carro limitado como o da Rapax.

A equipe italiana, aliás, parece apostar em Daniel Zampieri, que faz uma péssima temporada na World Series by Renault, e ainda vai testar Sam Bird. O inglês parece ter sido o grande perdedor ao sair da iSport e testar carros de segundo/terceiro escalão.

Entre os novatos, o principal nome é o de Valtteri Bottas, campeão da GP3, que deve ser confirmado na Lotus ART para 2012. A imprensa finlandesa diz que ele negocia também com a iSport, mas acho difícil que ele fique fora da equipe francesa. Os outros nomes que merecem destaque são os de Nico Muller, Rio Haryanto, Antonio Félix da Costa, James Calado e Tom Dillmann. Vai ser interessante ver o desempenho deles.

Por fim, a ausência mais sentida nesse primeiro treino é Robert Wickens. O canadense, que briga pelo título da World Series by Renault, não apareceu na lista do primeiro dia e pode não treinar no segundo. Aí resta saber se ele optou em continuar focado em tentar ser campeão, já que a taça será definida neste final de semana (e assim Álvaro Parente estaria esquentando lugar para ele), ou se ele não conseguiu vaga.


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