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Guia da World Series by Renault 2014

abril 9, 2014
Na World Series é assim: às vezes o inimigo mora ao lado

Na World Series é assim: às vezes o inimigo mora ao lado

A temporada 2014 da World Series by Renault começa neste fim de semana, em Monza, cercada de expectativa. Afinal, com o título de Kevin Magnussen no ano passado, e a promoção do dinamarquês ao posto de titular da McLaren – onde até já conquistou um pódio –, todo mundo quer ver quem será a próxima revelação do automobilismo.

Dado o sucesso de Magnussen, era de se esperar que as 26 vagas do campeonato fossem extremamente disputadas por pilotos de todo o mundo, de olho em repetir a ascensão do nórdico, certo?

Errado! Apesar de ter revelado nomes como o próprio dinamarquês campeão, além de Stoffel Vandoorne e António Félix da Costa no ano passado, não foi isso o que aconteceu. A World Series começa 2014 com um grid minguado e muitos acordos tendo sido costurados de última hora, valendo apenas para a etapa italiana.

A situação foi tão complicada que a tradicional Carlin – bicampeã com Robert Wickens e Mikhail Aleshin – sequer conseguiu fechar com algum piloto e está de fora da prova de abertura. O time ainda negocia para voltar às pistas a partir da segunda rodada, mas já fala em tirar 2014 como um ano sabático, caso a Renault permita.

O curioso disso tudo é que não há uma explicação óbvia para a falta de pilotos. Sempre apontado como causa de todos os problemas, o dinheiro nem é um grande questão dessa vez. É verdade que o campeonato é caro, mas não custa mais que a GP2, e o orçamento não aumentou consideravelmente em relação ao ano passado. Isso sem falar que os piores momentos da crise econômica global já passaram.

Pierre Gasly é o atual campeão da F-Renault Europeia

Pierre Gasly é o atual campeão da F-Renault Eurocup

Talvez a melhor resposta seja a falta de pilotos de uma forma macro. De uma forma atípica, poucos atletas subiram de categoria em 2014. Geralmente a WSbR consegue atrair nomes da F3 Europeia, de outras F3 nacionais, da GP3 e da F-Renault. Mas neste ano muita gente optou por fazer mais um ano nesses campeonatos na tentativa de lutar pelo título. É uma tendência em praticamente todas as categoria – principalmente na GP2 –, mas que nem sempre dá certo.

Como resultado, até o momento apenas oito novatos estão fechados para 2014, sendo que dois só estão confirmados para correr em Monza. Ano passado foram dez estreantes na prova de abertura e, há dois anos, tivemos 16.

Outro fator que não pode ser ignorado é a concorrência com a GP2. A principal categoria de acesso da F1 implantou algumas medidas para reduzir o custo e aumentar o tempo de pista, o que agradou. Daí eles conseguiram atrair nomes importantes, como o próprio Vandoorne, além de André Negrão e Arthur Pic, que estavam na World Series.

Isso sem falar em Raffaele Marciello. O atual campeão da F3 Euro treinou pelos dois campeonatos durante o inverno, mas acabou optando pela GP2. Assim, com a ida do italiano, o campeonato de Bruno Michel começou 2014 com a presença direta ou indireta de Ferrari, McLaren, Williams, Caterham e Force India.

A World Series, por sua vez, ainda mantém um bom número de times da F1, com quatro (Red Bull, Caterham, Lotus e Sauber). Mas é menos que os seis ou sete dos últimos anos.

Oliver Rowland impressionou na pré-temporada

Oliver Rowland impressionou na pré-temporada

Ainda assim, ter um grid enxuto não significa que a World Series by Renault não tenha bons pilotos. Pelo contrário. O campeonato começa 2014 com a chance de um novo embate entre Pierre Gasly e Oliver Rowland. Os dois lutaram pelo título da F-Renault no ano passado, com francês levando a melhor após um acidente entre os dois na última prova. No entanto, o britânico acabou tendo um desempenho superior durante a pré-temporada.

Quem também deve entrar na briga são os companheiros dos dois. É verdade que Rowland assumiu o carro que já foi pilotado por Robin Frijns e Stoffel Vandoorne na Fortec, mas o inglês não terá vida fácil, pois tem Sergey Sirotkin como parceiro. Mesmo tendo ficado de fora na F1 neste ano, o russo não desanimou e foi um dos nomes mais constantes nos treinos de inverno.

Gasly, por sua vez, correrá pela Arden neste ano, mas a maior ameaça a ele será o colega de Red Bull Junior Team Carlos Sainz Jr. O espanhol foi contratado pela Dams para substituir Kevin Magnussen e, portanto, terá um equipamento comprovadamente vencedor. Depois de ter sido ofuscado por Daniil Kvyat em 2013, Sainz espera dar a volta por cima e pavimentar o caminho a uma vaga na Toro Rosso.

O outro piloto da Dams será Norman Nato, que renovou o contrato com a equipe. O francês teve altos e baixos durante o inverno, mas pode usar a experiência acumulada para andar na frente. O segundo nome da Arden, William Buller, também não deve ser descartado.

Pietro Fantin é o único brasileiro no campeonato

Pietro Fantin é o único brasileiro no campeonato

Se no ano passado o Brasil teve quatro representantes na World Series by Renault, agora apenas Pietro Fantin continua no campeonato. Porém, as chances de bons resultados aumentaram. O paranaense trocou a Arden Caterham pela ítalo-brasileira Draco e, pela primeira vez nos últimos anos, terá a maior parte da atenção da equipe.

E os resultados não demoraram a vir. Fantin esteve sempre entre os mais rápidos da pré-temporada, chegando até mesmo a liderar algumas sessões. Além disso, ele conta com um equipamento que conquistou duas vitórias no último campeonato, com Nico Müller. Vale lembrar que o último triunfo de um brasileiro no certame foi em 2008 com Fabio Carbone.

Para encerrar o grid de 2014, Marco Sorensen, agora na Tech 1, quer tentar dar à Dinamarca o bicampeonato do certame após mostrar momentos de muito arrojo nos dois últimos anos. Will Stevens, por sua vez, não teve uma boa pré-temporada, mas é dono de muita velocidade ao longo da carreira e corre por fora na luta pela taça.

Jazeman Jaafar, na ISR, é outro nome que pode surpreender após um inverno de altos e baixos. O campeonato ainda viu a chegada de Roberto Merhi (ex-piloto da Mercedes no DTM) e Beitske Visser (ex-Red Bull). A holandesa, aliás, será a primeira mulher a competir na categoria desde Pippa Mann, em 2008.

Desde que deixou o kartismo, Beitske disputou duas temporadas nos carros na Adac Masters, conquistando três vitórias, mas sempre ficando longe da luta pelo título. Por causa disso, o pulo para a World Series by Renault pode ser considerado grande demais. Para conferir todo o grid de 2014, basta clicar aqui.

A volta às aulas da F-Renault em 2012

fevereiro 26, 2012
Heikki Kovalainen Mikko Pakari

No primeiro dia da F-Renault em 2012, Heikki Kovalainen foi um dos professores em Valência

A F-Renault está realizando três dias de treinos privados coletivos na pista de Valência, entre dias 25 a 27 de fevereiro. É a primeira atividade em que boa parte do grid de 2012 da categoria está presente na pista espanhola.

Por algum motivo desconhecido, apesar de a pista ter sido alugada para três dias de treinos, a maioria das equipes optou por treinar apenas em dois, ou seja, apenas no domingo a turma esteve completa.

E que turma. Apesar da organização da F-Renault Europeia ter limitado o número de participantes em 2012 para 38 carros por etapa (!), os treinos contaram com 41 participantes, já que algumas equipes das versões ALPS (Itália + Suíça) e UK também estiveram presentes.

Entre os pilotos, foram três brasileiros: Guilherme Silva, atual campeão da F-Futuro, que recentemente acertou com a Interwetten, Victor Franzoni, da Cram, e Gustavo Lima, que vai competir pela Koiranen – a principal equipe do campeonato –, mas apenas na versão ALPS da categoria.

Na realidade, o trio foi bem. Levando em conta o nível e a experiência internacional – além do apoio das equipes da F1 – dos rivais, os brasileiros estiveram bem classificados. Franzoni foi o melhor. Mesmo competindo pela Cram, que é uma equipe apenas mediana, o paulista fechou o sábado na décima colocação, enquanto foi o 11º no segundo dia.

Guilherme, por sua vez, fechou o sábado na 11ª posição – logo atrás do compatriota –, mas caiu para 21º no dia seguinte. Gustavo Lima, por fim, foi o 29º e depois o 37º. Levando em conta que o brasiliense acabou de fazer a transição dos karts para os monopostos e tinha uma experiência internacional próxima do zero, é difícil fazer qualquer julgamento nesse momento.

Outra coisa que é importante lembrar, só pela tabela de tempos não é possível saber as condições de cada carro no momento da volta mais rápida. Embora as equipes tenham uma noção de quem estava com tanque cheio e quem estava com pouco combustível, não dá para assegurar que todo mundo estivesse em configurações iguais. Ainda mais porque há vagas em aberto para a nova temporada, então alguns times podem ter aproveitado para colocar pilotos experientes, pouco combustível e liderar as atividades para atrair para garotos interessados, mostrando uma falsa (?) sensação de equipamento de ponta.

É lógico que os times da F-Renault têm bem menos coisas para mudar no equipamento na hora de fabricar o melhor tempo que uma equipe da F1, mas o interesse de atrair pilotos endinheirados e patrocinadores oportunistas é similar.

Nyck de Vries

Nyck de Vries parece não estar encontrando dificuldades para terminar a transição dos karts para os monopostos

Apesar de tudo isso, no sábado, o melhor tempo ficou com Nyck De Vries. Dificilmente o garoto da McLaren tenha se valido de algum tipo de blefe para terminar na frente, mas mesmo assim o resultado foi de surpreender. Como essa é a primeira temporada do holandês depois de ter saído do kart – onde conquistou o bicampeonato mundial –, a expectativa era que ele enfrentasse alguma dificuldade natural nessa transição. Em um dia ele mostrou que não vai ter nada disso. Alex Riberas e Stoffel Vandoorne, ambos da equipe de Josef Kauffmann e favoritíssimos ao título, terminaram em segundo e terceiro, respectivamente.

No domingo, com a turma toda na pista, Norman Nato, da novata RC foi o mais veloz. Apesar de o francês ter competido na categoria em 2011, o resultado não deixa de ser surpreendente. Talvez o novo time esteja tentando um pulo do gato falso e impressionar com o resultado do treino. Bom, nunca se sabe. A segunda colocação ficou com Vandoorne, enquanto Riberas finalizou em terceiro. Na sequência, Daniil Kyvat, da Red Bull, foi o quarto e De Vries completou em quinto.

Antes de terminar, um detalhe curioso é a presença de alguns pilotos digamos, veteranos. Por exemplo, Javier Tarancón, companheiro de Nato na RC, pode iniciar a quarta temporada nas categorias de acesso pós-kart. O espanhol estreou na F-BMW em 2009, junto com Felipe Nasr. Mas enquanto o brasileiro se prepara para o primeiro treino com o carro da GP2, o contemporâneo ainda não deu o primeiro passo na carreira.

De qualquer forma, o primeiro treino coletivo serviu para ter uma ideia melhor da lista de inscritos que a F-Renault terá em 2012. Como o certame praticamente não enfrenta concorrência nas categorias de base, já era esperada a presença das principais jovens promessas do esporte a motor para os próximos anos.

Então, além da possibilidade de ver aqueles pilotos que estarão nos principais campeonatos do mundo daqui uns sete ou oito anos, também é interessante ver que os brasileiros estão fazendo parte desse grupo. Até porque, tanto Guilherme Silva quanto Victor Franzoni disputaram a F-Futuro em 2011, então teoricamente essa é a primeira comparação que eles têm com adversários internacionais. O que também acaba com aquela máxima de que ‘F-Futuro não dá futuro’, que nunca condisse com a realidade.

Ah sim, antes de terminar, o treino da F-Renault também é um desfile de pilotos de várias gerações. Keke Rosberg, por exemplo, esteve na sede da Koiranen (que também é finlandesa) para desejar sorte aos garotos. Já confirmado na Stock Car, Vitor Meria apareceu na pista espanhola como coach de Gustavo Lima, enquanto Heikki Kovalainen foi visitar a Fortec, onde corre o compatriota Mikko Pakari, uma das principais revelações do país. Vale lembrar que foi o time inglês quem primeiro apostou em Kova uns dez anos atrás.

P.S.: para ver os tempos completos do sábado, basta clicar aqui. Os do domingo estão aqui.

P.S.2: Como prometido, nesta segunda-feira, 35 pilotos dos mais diversos campeonatos da F-Renault continuaram em Valência para o terceiro dia de atividades. Oliver Rowland, que é um dos favoritos ao título, terminou na frente. De Vries manteve a boa fase e encerrou em segundo, seguido por Danill Kyvat da Red Bull. Entre os brasileiros, o desempenho não foi bom. Victor Franzoni completou em 18º, Guilherme Silva, em 23º e Gustavo Lima finalizou 34º. O resultado completo é só clicar aqui.

Crise na ART Grand Prix

maio 31, 2011
ART  Grand Prix

Soberana das divisões de base, a ART Grand Prix vive uma crise profunda em 2011

Durante anos, a ART Grand Prix dominou o automobilismo europeu de base. O time de Frederic Vasseur e Nicolas Todt conquistou o hexacampeonato da F3 Euro Series entre pilotos (de 2004 a 2009) e arrematou três títulos da GP2 no mesmo período.

Nesse intervalo, o time teve ao volante nomes como Nico Rosberg, Lewis Hamilton, Lucas Di Grassi, Pastor Maldonado, Romain Grosjean, Paul Di Resta, Sebastian Vettel, Kamui Kobayashi e Nico Hulkenberg. Pouco né?

Só que desde o final de 2009 o time entrou em uma crise sem precedentes. A supremacia na F3 Euro Series foi encerrada com uma derrota acachapante para a Signature em 2010. Na ocasião, Edoardo Mortara conquistou o título ao somar 101 pontos, enquanto Valtteri Bottas marcou apenas 74, finalizando em terceiro. Os pilotos da Signature capturaram oito vitórias contra somente quatro da ART.

No entanto, a crise parecia controlada já que a própria equipe francesa não fez lá muito esforço para defender o título. Era inegável que o foco estivesse da GP3, onde Esteban Gutierrez garantiu a taça à ART com impressionantes cinco vitórias e três pole-positions. Na GP2, o acidente de Jules Bianchi em Hungaroring e uma dupla formada por dois novatos fizeram com que Vasseur e Todt minimizassem a terceira colocação na tabela de equipes.

Jules Bianchi ART Grand Prix

A supremacia da ART Grand Prix na F3 acabou em 2010 com o título de Edoardo Mortara, da Signature

Ainda nos meados de 2010, a ART se tornou favorita à 13ª vaga na F1. O time francês, no entanto, acabou sendo obrigado a desistir do posto pois contava com a Michelin como principal investidora. Como a Pirelli foi escolhida fornecedora de pneus, os franceses precisaram desistir do passo à frente.

Mesmo com o fracasso na F1, para 2011, a ART seguiu a tendência dos últimos anos em formas elencos para a disputa das divisões menores com pilotos consagrados e campeões por onde passaram. O time resolveu fechar as portas na F3 para se dedicar somente a GP2, GP3 e F-Renault Eurocup.

Assim, Bianchi foi mantido no plantel da GP2 e passou a ter Gutierrez como parceiro. Na GP3, o mexicano foi substituído por James Calado, vice-campeão da F3 Inglesa e apoiado pela Racing Steps Foundation. Valtteri Bottas permaneceu no time e se juntou a Calado, tomando a vaga que era de Alexander Rossi, enquanto Pedro Nunes completou o trio. Na F-Renault, correndo com a alcunha de R-Ace GP, a ART apostou no experiente Côme Ledogar, vindo da F-BMW e assinou também com Norman Nato e Pieter Schothorst.

O resultado, até o momento, vem sendo um fracasso retumbante. Bianchi, que faz o segundo ano na GP2, é apenas o 13º com oito pontos marcados em seis corridas. Mesmo sendo piloto da Ferrari, o francês vem cometendo erros bobos, que estão comprometendo os resultados. Gutierrez, então, está ainda pior. O mexicano ainda não pontuou e ocupa somente a 23ª posição. Sam Bird, por outro lado, arrumou uma vaga na iSport e lidera o certame ao lado de Romain Grosjean.

Esteban Gutierrez

O título de Esteban Gutierrez na GP3 serviu para esconder os problemas da ART Grand Prix em 2010

Na GP3, ainda que Calado ocupe a quinta colocação com oito pontos, o inglês só pontuou uma vez até agora em quatro corridas. Nas demais, ele sequer chegou entre os dez primeiros. Bottas, mesmo com dois anos de F3 nas costas, tem seis pontos, mas uma média um pouco melhor que a do companheiro. Pedro Nunes tem um 15º lugar como melhor resultado.

Na F-Renault, Ledogar tem sete pontos e é o 14º. Nato, com quatro pontos, aparece três posições depois, enquanto o holandês ainda não pontuou. É muito pouco para um time que prometia brigar com as grandes Koiranen, Tech 1, Kauffmann e Fortec.

As causas da crise na ART podem ser vistas em dois momentos. No primeiro, a politicagem deve ter imperado no time. Sendo o lugar mais cobiçado em todo o automobilismo de base, passou que só talento começou a não bastar para os franceses. Assim, mesmo decepcionante em 2010, Bianchi conseguiu manter a vaga na GP2, onde não consegue fazer uma boa apresentação. Além disso, o garoto é empresariado por Nicolas Todt, um dos sócios do time. O dirigente, então, vive um conflito de interesses enorme ao não poder demitir ou substituir o francês sendo que o desempenho dele não é bom.

Entretanto, Bianchi também é vítima da situação. Por ser piloto da Ferrari e principal nome de Todt e da ART para negociar na F1, o francês não tem tempo para cometer erros nem para se recuperar de um fraco resultado. Como dito acima, o piloto foi parar no hospital após um acidente em Hungaroring, em 2010, e apareceu para correr na etapa seguinte sem nenhum problema. Quem garante que ele estava em condições de correr? Será que ele não foi pressionado para ir à pista quando ainda não estava recuperado? Não que signifique algo, mas na etapa seguinte, na Bélgica, ele terminou em 14º em uma corrida e abandonou a outra.

O outro problema é o foco excessivo em várias categorias. O time está presente em todas as divisões do esporte a motor. Então, é bem possível que um piloto não precise sair da equipe francesa para avançar do kart até a boca da F1. Talvez, seria melhor só focar em GP2 e GP3 para garantir o trabalho bem feito nessas categorias, assim como aconteceu anteriormente. A tentativa de chegar à F1 deve ter ainda mais desviado o foco dos franceses.

É bom que a ART consiga se reestruturar rápido pois as equipes que aproveitaram o espaço cedido pelos franceses nessas categorias não estão dispostos a devolvê-lo à antiga campeã.

Academia de pilotos da FIA

janeiro 21, 2011

Alexander Rossi

Alexander Rossi é o principal piloto do FIA YDEA. (P.S.: não é ele na foto)

A FIA anunciou nesta sexta-feira, dia 21, os 19 pilotos finalistas para as vagas do novíssimo FIA Young Driver Excellence Academy, mais um desses centros de gerenciamento de carreira de jovens pilotos como o Ferrari Driver Academy ou o Red Bull Junior Team.

Antes de ir aos nomes em si, vou dar a minha opinião sobre o FIA YDEA – que chamarei assim. Primeiro, quem escolhe 19 finalistas para dez vagas? Creio que eram 20 os candidatos, mas um acabou recebendo uma proposta melhor e deu adeus à turma de Jean Todt.

Segundo, sou extremamente contra o dono da bola participar da partida. Ninguém, a princípio, vê o time da CBF participar do campeonato brasileiro de futebol nem o da FIFA jogar a Copa do Mundo. Tampouco essas entidades estão ligadas ao gerenciamento de atletas. Quer dizer, se no futuro houver uma decisão polêmica de algum comissário de prova beneficiando um dos pilotos da FIA, mesmo que involuntariamente, criará uma situação desconfortável e que poderia ter sido evitada.

E por último, o que vejo como a parte mais estranha. O presidente da FIA, como todos sabem, é Jean Todt. Logo, ele é o chefão-mor da nova academia de jovens pilotos. Só que essas duas tarefas não representam conflito de interesse, certo? Exato. Mas talvez o fato de ele ser pai de Nicolas Todt, agente de pilotos como Felipe Massa e Jules Bianchi, não é algo que deva ser suspeitado? Ou ninguém acha que existe a possibilidade de em um jantar em família em Mônaco, Nicolas sondar o paizão sobre algum nome em específico, ou vice-versa?

Timmy Hansen

Um dos mais jovens do grupo, Timmy Hansen, de 18 anos, corre por fora para ser escolhido

Desconfianças a parte, vamos aos finalistas. Os 19 garotos foram avaliados por Alexander Wurz, ex-piloto de F1, e Robert Reid, ex-navegador do WRC. Salvo os meninos do rali, os demais já apareceram alguma vez aqui nas páginas do World of Motorsport. De qualquer forma, vamos a eles:

O principal nome é o de Alexander Rossi, ex-piloto da ART na GP3 e que deve correr na GP2 nesta temporada. Aliás, sabia que Nicolas Todt é um dos sócios da ART e justamente um antigo funcionário do time se tornou a maior estrela do FIA YDEA? Coincidência, hein?

Pode ser até implicância minha, mas alguém tem que ficar de olho nessa academia da FIA. Enquanto ninguém fiscaliza, vou continuar a apresentar os pilotos. Entre eles, assim como Rossi, há alguns campeões das categorias de acesso ao redor do mundo: Richie Stanaway (vencedor da F-ADAC Masters), Albert Costa (F-Renault Europeia em 2009), Robin Frijns (F-BMW europeia), Stoffel Vandoorne (F4) e Alon Day (V6 Asia em 2009).

A eles se juntam jovens com alguns destaques como o bahrenita Hamad Al Fardan (ex-GP2 Asia e F3 Alemã), Paul-Lop Chatin e Norman Nato (ex-F4), Josef Newgarden (ex-GP3), Timmy Hansen (ex- F-BMW europeia) e Phillip Eng (ex-F2).

Molly Taylor

Molly Taylor é uma das principais apostas da FIA. A outra mulher da foto é a mãe da australiana

Do rali aparecem Kevin Abbring, Andreas Mikkelsen, Adam Gould, Egon Kaur, Jan Skala, além da australiana Molly Taylor – única mulher do grupo. Por fim temos o finlandês Joni Wilman, que já competiu tanto de rali quanto de monopostos e teve a última aparição na F-Renault britânica.

É um grupo forte que já dá para tirar algumas conclusões. A FIA está tentando pegar pilotos de diversas partes do mundo. Mesmo que a América do Sul não esteja representada, o plano até que deu certo. Por isso, não seria absurdo apontar Rossi, Stanaway, Abbring, Costa, Frinjns e Al-Fardan como eventuais favoritos. Também colocaria Molly Taylor como uma forte candidata justamente por ser mulher.

Por fim, vale a pena ficar de olho também como esses jovens vão se comportar na hora de escolher uma equipe para competir. Afinal, ao contrário de quem é apoiado pelas equipes de F1, os garotos da FIA não terão como fazer parceria envolvendo times, afinal a entidade não é uma equipe.


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