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Reencontro

abril 3, 2013
Ben Barker é um dos poucos pilotos que pode dizer que já venceu Mitch Evans

Ben Barker é um dos poucos pilotos que pode dizer que já venceu Mitch Evans

Ben Barker é um dos cerca de 20 pilotos confirmados para a disputa da temporada 2013 da Porsche Supercup. Aos 21 anos de idade, o britânico não é o competidor mais famoso do grid nem o favorito. Entretanto, é dono de uma história bastante curiosa dentro do certame. É que ele foi rival – e venceu (!) – o badalado Mitch Evans nas categorias de base.

Ao contrário de grande parte dos pilotos da Inglaterra, Barker decidiu fazer carreira na Austrália. Após disputar a F-Ford na ilha da Grã-Bretanha, em 2009, o garoto foi contratado pela equipe BRM para defender o título da F3 Australiana no ano seguinte. Contudo, havia um único problema: ele seria companheiro de Mitch Evans, com então apenas 15 anos de idade, e um estraçalhador de recordes em diversos campeonatos da Oceania.

O neozelandês havia chamado a atenção da categoria na última rodada de 2009, quando foi convocado pela BRM para ajudar o principal piloto do time na campanha do título. A ideia era que Evans conseguisse roubar pontos dos adversários para que o companheiro terminasse com a taça. E foi mais ou menos isso o que aconteceu. O garoto largou na primeira corrida da rodada dupla na terceira colocação e terminou em quarto. Como o parceiro venceu, a situação ainda continuou positiva.

Na segunda prova, Evans não quis nem saber de ajudar a equipe. O garoto partiu rumo à bandeira quadriculada e se tornou o mais jovem competidor a ganhar uma corrida de F3 na Austrália. O outro piloto da BRM terminou em segundo e foi campeão, o que aumentou ainda mais a comemoração na equipe.

Portanto, em 2010, o neozelandês obviamente era o favorito. E obviamente ele correspondeu as expectativas ao vencer todas as corridas da rodada tripla de abertura daquele ano. Como havia marcado quase o dobro de pontos dos demais pilotos, Evans decidiu perder a segunda etapa para que pudesse treinar pela F-Abarth, já de olho na transição para o automobilismo europeu.

Só que esse tempo longe da Austrália não afetou a sua habilidade. Nas três corridas no retorno à F3, Evans conquistou mais três vitórias, permanecendo 100% na tabela e se recuperando na luta pelo título. Parecia que ele seria campeão fácil, certo? Quase. Só faltou combinar com Ben Barker, o companheiro de equipe.

Evans havia vencido as seis corridas das quais havia participado

Evans havia vencido as seis corridas das quais havia participado

Enquanto o neozelandês havia vencido seis das nove primeiras corridas do ano, o britânico teve dois segundos lugares e um terceiro como melhores resultados. Parecia uma batalha desigual. Só que a situação mudou a partir da quarta etapa. Com uma sequência de quatro vitórias consecutivas, além de outros dois triunfos e três segundos lugares, Barker chegou à última etapa do ano na ponta da tabela de pontos.

As chances de Evans, no entanto, não eram ruins. Se ele conquistasse as três vitórias e marcasse uma única volta mais rápida ou largasse na pole, seria campeão independentemente do resultado do rival. O neozelandês de fato teve um ritmo melhor que o companheiro de equipe durante todo o fim de semana, conquistando dois segundos lugares nas duas baterias disputadas, enquanto o inglês fechou apenas com a quarta colocação.

Porém, não houve tempo para que o duelo fosse definido. É que dois graves acidentes cancelaram a segunda corrida do fim de semana. O primeiro envolveu justamente Barker, que quase foi atingido no capacete pelo pneu de um adversário. O outro foi entre dois competidores veteranos, sendo que um dos carros decolou.

Como Barker teria abandonado a corrida, bastava que Evans chegasse ao final para ser campeão. Mas a direção de prova acabou abandonando a prova, o que fez com que, após a bateria final, o britânico ficasse com o título por apenas um ponto de vantagem sobre Evans. Ele somou 220 contra 219 do protegido de Mark Webber.

Depois disso, cada um seguiu o seu caminho. Evans foi correr na GP3, onde conquistou o título de 2012, e agora está na GP2, tendo obtido um pódio na rodada de estreia, na Malásia. Barker, por sua vez, mesmo com a taça, não teve um futuro tão glamouroso. Ele venceu corridas tanto na Porsche Cup Australiana quanto na Inglesa, na qual terminou com o vice-campeonato no ano passado.

O bom desempenho o fez subir para a Supercup, que faz a preliminar da F1 durante as corridas europeias. Como a GP2 também faz parte do cronograma da principal categoria do automobilismo mundial, Evans e Barker voltam a se encontrar em 2013, após dois anos da disputa do título. Mesmo ofuscado pelo sucesso do antigo rival, o britânico é um dos poucos que pode dizer a todos que já venceu o famoso neozelandês.

Mais do mesmo

outubro 30, 2012

Os treinos da GP2 começaram com três brasileiros: André Negrão, Lucas Foresti e Felipe Nasr

Depois de uma temporada sonolenta, sem brilho e ignorada pelos campeões das demais categorias de base, a GP2 voltou à pista nesta terça-feira, dia 30, para o primeiro dos dois dias de treinos coletivos no circuito de Barcelona. Dessa vez, a lista de inscritos prometia um pouco mais de emoção que o último ano.

Se nos primeiros treinos da pós-temporada de 2011 nomes como Fabio Onidi, Fabrizio Crestani e Giancarlo Serenelli eram o que havia de novidade – além da ausência de Valtteri Bottas, então campeão da GP3 –, agora 15 dos 27 pilotos presentes não haviam disputado o campeonato encerrado no mês passado.

Entre os estreantes, estavam Mitch Evans (campeão da GP3), Daniel Abt (vice da mesma GP3), Daniel Juncadella (campeão da F3 Euro), Adrian Quaife-Hobbs (campeão da AutoGP) e Gianmarco Raimondo (campeão da antiga F3 Espanhola). Além deles, os brasileiros André Negrão e Lucas Foreti, oriundos da World Series by Renault, também tomaram parte do treino.

É claro que a presença de tantos novatos nessa primeira atividade não significa um grid mais competitivo em 2013. Daqui até o início do campeonato, muita coisa ainda vai mudar. Mas esse primeiro treino já é uma esperança de que poderemos ter uma disputa melhor no próximo ano.

Daniel Abt testou pela Lotus. Juro que nunca vi tanto patrocínio em um carro da GP2 antes

No entanto, se levarmos em conta apenas o resultado deste primeiro dia de atividades, já podemos começar a pensar em 2014. Quem terminou na frente foi o veteraníssimo Luca Filippi, que colocou o carro da Coloni na primeira colocação. Porém, é preciso fazer uma ressalva aqui. A escuderia italiana já anunciou que não vai participar do campeonato de 2013, depois de se desentender com a organização da GP2. Não li nada a respeito, mas acredito que os treinos da pós-temporada façam parte do contrato das equipes, ou seja, se a Coloni não participasse dessa atividade seria obrigada a pagar uma multa altíssima.

Por isso, eles escolheram dois pilotos – Filippi e Daniel de Jong – sem se preocupar com o desenvolvimento do carro. Colocaram pneus novos, pouco combustível e lideraram a sessão. Não deixa de ser um jeito de, quando saírem de vez, tentaram mostrar que a GP2 está perdendo uma equipe grande, que esteve na frente em todos os treinos. Sendo que não é bem essa a verdade.

Levando em conta o desempenho da Ocean – que mal completou voltas com Kevin Ceccon e Ramon Piñeiro – também não duvido que a equipe portuguesa siga o mesmo caminho. Ou seja, ela está no treino porque é obrigada, mas terminando o ano vão desistir do campeonato, tentando achar algum comprador.

Voltando ao que aconteceu na pista, os pilotos mais experientes obviamente levaram vantagem. Dos dez primeiros, apenas três foram novatos: Quaife-Hobbs, Evans e Jake Rosenzweig. E isso é mais do que natural. Até os estreantes se adaptarem totalmente à categoria, eles ainda vão tomar tempo dos mais velhos.

Felipe Nasr assumiu o carro usado por Max Chilton em 2012

Por isso, nessa onda, a 13ª colocação de Felipe Nasr deixou um pouco a desejar. Pelo que vi, a Carlin não se preocupou em fazer voltas rápidas nesse primeiro dia, por isso o brasileiro não conseguiu entrar na briga pelo top-10. Por outro lado, ele também terminou 0s2 atrás do companheiro de equipe, Rio Haryanto, que ficou com a sexta colocação.

É claro que o primeiro treino não quer dizer nada e, em 2012, a pré-temporada de Nasr foi bastante ruim, tanto que o bom rendimento dele nas primeiras etapas do ano foi de certa forma surpreendente. Mas para quem precisa puxar para si o rótulo de favorito, não foi um bom começo.

Justamente pela necessidade de mostrar resultado no próximo ano, acho uma furada competir pela Carlin. Pelo time britânico, Nasr foi campeão da F3 Inglesa, em 2011, e terminou a corrida de Macau na segunda colocação. Como eles já estão trabalhando de olho em uma nova participação na etapa asiática, em novembro, era mais do que natural que o trabalho se estendesse até a GP2.

Por isso, até o momento, foi só um teste, e o brasileiro não tem nada fechado com a escuderia. O que Felipe pode apostar para 2013 é se juntar a um time o qual já conhece e tentar aproveitar o bom momento da escuderia, que terminou o último campeonato na quarta colocação, com Max Chilton conquistando duas vitórias.

Campeão da Auto GP, Adrian Quaife-Hobbs foi um dos pilotos da Addax

O problema, é que o bom rendimento da equipe inglesa se deu muito mais pela experiência de Chilton. Assim como a Arden teve um bom ano porque Luiz Razia estava lá e não porque o equipamento em si era um foguete. Esse, aliás, é um erro comum de acontecer. Na história recente da GP2, alguns pilotos fecharam contrato com equipes pensando em repetir o desempenho delas no ano anterior. Só que, na pista, a realidade foi bastante diferente.

Para citar alguns exemplos, Stefano Coletti acertou com a Coloni, em 2012, esperando andar no mesmo ritmo de Luca Filippi, que havia dominado a segunda metade da temporada anterior. O monegasco sequer aguentou até o fim do campeonato e trocou de time. No ano anterior, Fabio Leimer havia apostado na Rapax, esperando ter um desempenho similar ao de Pastor Maldonado na campanha pelo título. É claro que os quatro anos de experiência do venezuelano falaram mais alto, e Leimer foi apenas o 14º. Portanto, não é errado dizer que esses pilotos perderam um ano da carreira a partir de escolhas erradas.

Pessoalmente, ainda acredito que as equipes grandes são o porto seguro da GP2. Competir pela Lotus (ART) e pela Addax (e em grau menor pela Racing Engineering e pela iSport), ainda é uma vantagem muito grande. Essas escuderias fornecem bons equipamentos aos pilotos e, mesmo em um dia ruim dos competidores, elas conseguem fazer com que somem pontos importantes. Basta ver o oitavo lugar de James Calado, em Valência (onde poderia ter sido um prejuízo muito maior), e a vitória de Johnny Cecotto Jr em Hockenheimring.

Para encerrar, vale destacar o bom desempenho de André Negrão nesta terça. Depois de dois anos na World Series, o piloto paulista testou na GP2 pela Racing Engineering e terminou com a 12ª posição, colocando quase 1s em Gianmarco Raimondo, o outro piloto da escuderia.

Para ler a história completa e ver os tempos desse primeiro dia de atividades da GP2, basta clicar aqui.

O preço da GP2

outubro 9, 2012

Mitch Evans pode ficar sem correr em 2013

O futuro do campeão da GP3, Mitch Evans, pode estar em risco. O garoto de apenas 18 anos convocou uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, dia 9, dizendo que ia anunciar os planos para a próxima temporada. Com isso, as especulações de que ele teria assinado com a Arden para a disputa da GP2 em 2013 aumentaram.

No entanto, a entrevista pareceu apenas um pano de fundo, e Evans não fez nenhuma revelação importante. Na verdade, o neozelandês apenas afirmou que decidiu não se juntar a nenhum programa de desenvolvimento da F1 para seguir carreira sozinho. Dessa maneira, ele está livre para negociar com qualquer time no futuro.

Eu diria que não sou nenhum especialista, mas não me parece muito razoável convocar uma entrevista coletiva para anunciar que você não vai fazer parte de nenhum programa de pilotos. Quero dizer, por ser protegido de Mark Webber, Evans sempre foi especulado na Red Bull, mas nunca houve rumores muito grandes que ele pudesse se juntar aos rubro-taurinos, então a entrevista também não serviu para desmentir esse boato.

Na verdade, o principal anúncio feito pelo piloto foi que pretende correr na GP2 em 2013 – algo que já havia sido dito – e por isso negocia principalmente com as equipes Dams e Arden (campeã e vice de 2012) para o próximo ano. No entanto, esses times estariam pedindo cerca de US$ 3 milhões para que ele fique com a vaga.

Eu não vejo o menor motivo para uma equipe cobrar tudo isso, para falar a verdade. Nos últimos anos, o preço nas equipe de ponta da GP2 variavam de US$ 1,5 a US$ 2 milhões, então não faz sentido essa inflação nesse momento. Dito isso, não é por acaso que o grid da categoria no último campeonato tenha sido um dos mais fracos da história.

Quer dizer, me parece um pouco exagerado cobrar de um garoto de 18 anos a quantia de US$ 3 milhões para correr. Quem tem esse dinheiro, geralmente não tem talento. E o contrário também acontece. Portanto, se os valores forem realmente esses, acho que as equipes da GP2 perderam a noção em algum momento e agora vivem em um modelo de negócio praticamente inviável.

Eu duvido, mas Evans pode correr na Dams em 2013

Porém, nem tudo está perdido para Evans. Na mesma entrevista, ele afirmou que foi bastante elogiado pelo chefão da Lotus, Eric Boullier, que estaria até disposto a investir o próprio dinheiro no neozelandês. O dirigente, aliás, era o diretor da Dams antes de se transferir para a F1.

A outra opção é seguir na Arden. Por ser campeão da GP3, Evans ganhou uma bolsa da Pirelli para poder seguir carreira. No entanto, o dinheiro dado pela fabricante de pneus não chega perto dos US$ 3 milhões. Como a Arden também conta com alguns patrocinadores próprios, o valor que Evans precisa levantar seria menor que o total pedido.

Por fim, não tenho a menor dúvida de que Mitch estará na GP2 em 2012 e acho muito difícil que não seja pela própria Arden. Dessa forma, a entrevista não foi apenas um anúncio de que ele estará sozinho nos próximos anos, mas, sim um aviso. Primeiro, para as empresas da Nova Zelândia. Se elas não o apoiarem na próxima temporada, o pequeno país da Oceania vai seguir sem um representante na F1.

O outro foi para a própria GP2. Ao revelar o valor necessário para correr Evans foi bem direto em apontar essa escalada de preços quase inviável para o esporte de base. E quem sai perdendo com tudo isso também a GP3. Se o seu campeão não conseguir uma ida para a categoria maior, imagine o que restará aos demais pilotos.

Mitch Evans é campeão da GP3 2012

setembro 12, 2012

Mitch Evans chegou à GP3 2012 como favorito, convenceu e saiu com taça

Se você viu a GP3 em 2012, viu. Caso contrário, não dá mais tempo porque já acabou. Talvez estejamos falando do campeonato mais curto da Europa. São apenas quatro meses, e quando você começa a se acostumar com os pilotos o certame termina. Frustrante.

No entanto, quem assistiu às corridas de 2012 viu um campeonato muito legal, bem disputado e que coroou Mitch Evans como campeão após apenas oito etapas em um final épico em Monza, quando o jovem neozelandês ficou com a taça, já que Tio Ellinas ultrapassou Daniel Abt – o vice-campeão – na penúltima volta da última corrida.

Mas hoje falo sobre Evans. Talvez a GP3 nunca teve um piloto tão favorito ao título quanto o protegido de Mark Webber. Desde o primeiro treino de pós-temporada, ainda em 2011, o garoto de apenas 18 anos se colocou na primeira colocação e se manteve assim até o final. Ou algo parecido. Nas últimas cinco corrida, o piloto somou apenas 15 pontos (de 95 possíveis), mas mesmo com todo o esforço para perder o título conseguiu terminar com a taça.

Evans, aliás, é um caso curioso no automobilismo. Desde muito jovem já era apontado como um piloto fora de série e que tinha tudo para ser dar bem no esporte a motor. Ou seja, nada mais natural que disputar os principais campeonatos do mundo sempre com o melhor equipamento disponível, certo?

No caso do neozelandês errado. Como a maior parte dos pilotos nascidos na Oceania, Evans disputou pequenos campeonatos locais antes de cair na Toyota Racing Series – onde foi bicampeão correndo pela equipe do pai – e na F-Ford Australiana, um campeonato que costuma reunir jovens da própria Oceania e teve gente como Nick Percat (vencedor em Bathurst) e Richie Stanaway descobertos na mesma geração.

Vou me entregar que vejo novela, mas nessa foto Mitch Evans não está a cara de Fabian, da novela das 7?

No entanto, o mais surpreendente aconteceu em 2010, quando o piloto decidiu participar da F3 Australiana, um campeonato com equipamento extremamente defasado com relação às demais F3 e que mal consegue colocar dez carros no grid. Parece familiar, não é mesmo?

Pois é, Evans terminou aquele ano como vice-campeão, mas já tinha chamado a atenção de Mark Webber, que acabou levando-o para a Inglaterra. Aí fica a pergunta. Por que Evans pode disputar um campeonato como a F3 Australiana, sequer ser campeão e mesmo assim chegar à Europa como um piloto valorizado? Por que isso não acontece aqui na F3 Sul-americana? Será que os pilotos daqui são piores que os de lá?

Eu acho que não. A cada ano fica mais provado que dizer que um determinado campeonato não pode desenvolver um bom piloto é besteira. Qualquer certame tem potencial, sim, para revelar jovens talentos. Então por que nós vemos um ex-piloto da F3 Australiana em um lado da tabela da GP3 e os ex-F3 Sudam do outro?

Acho essa resposta simples. Sem levar em conta o combustível financeiro, um piloto com talento natural e que trabalhe muito duro sempre vai levar vantagem, independentemente de onde correr. Mitch Evans aproveitou cada oportunidade e está próximo de se tornar apenas o segundo neozelandês a disputar a GP2. Enquanto isso, ainda esperamos a tal renovação dos pilotos brasileiros.

Nick Cassidy é o primeiro campeão de 2012

fevereiro 11, 2012
Nick Cassidy

Nick Cassidy foi campeão da Toyota Racing Series em um final de semana que voltou a ter polêmica

Nick Cassidy é o primeiro campeão no automobilismo em 2012. Depois de cinco semanas, o jovem neozelandês de apenas 17 anos conquistou o título da Toyota Racing Series de maneira inquestionável. O garoto venceu cinco corridas e foi o maior pontuador em três etapas para garantir a taça daquele que é conhecido como o primeiro campeonato do ano.

Cassidy não teve muitas dificuldades ao longo do final de semana decisivo em Manfield, estando entre os ponteiros desde as primeiras atividades. Nos treinos livres, terminou na frente ao lado de Mitch Evans, Josh Hill e do brasileiro Bruno Bonifácio. Depois, na complicada definição da pole-position, com o treino dividido em três etapas, ficou em segundo, sendo superado apenas pelo pole Evans. Aliás, ainda falando no grid de largada, Hannes van Asseldonk ficou com a terceira colocação e Bonifácio foi o quarto.

As duas primeiras corridas da rodada tripla foram bastante chatas. Na primeira, Evans ganhou de ponta a ponta, com o pódio completado por Van Asseldonk e por Cassidy. Bruno Bonifácio vinha em quinto – depois de mais uma péssima largada – quando escapou na curva 1 e terminou a prova em sétimo.

Como a regra do grid invertido para a segunda corrida só vale para os seis primeiros, o brasileiro perdeu a chance de sair primeira fila, e foi obrigado a partir apenas da sétima posição. Melhor para o porto-riquenho Felix Serralles, que herdou a pole-position e a converteu em vitória.

Nessa segunda prova, um dos destaques foi Evans, que saiu em sexto e terminou na segunda colocação. Josh Hill completou o pódio. Com a quinta colocação e o abandono de Van Asseldonk, Nick Cassidy garantiu matematicamente o título. Bonifácio, que mais uma vez pecou nas largadas e relargadas encerrou em oitavo.

Equipe Gilles Toyota Racing Series

Os seis integrantes da equipe Gilles na TRS 2012: Mitch Evans, Lucas Auer, Félix Serralles, Bruno Bonifácio, Hannes Van Asseldonk e Nick Cassidy

A última corrida do final de semana foi, sem dúvidas, a melhor. O chamado GP da Nova Zelândia – uma das poucas provas no mundo fora da F1 que a FIA permite ser chamada de GP – também se encaminhava para uma disputa monótona como as corridas anteriores.

No entanto, com a distância total sendo de 35 voltas, muitos pilotos não souberam poupar equipamento e/ou se concentrar por tanto tempo. O primeiro a abandonar foi Jordan King, depois Hill e Raffaele Marciello deixaram a prova e, por fim, Damon Leitch e Shanaan Engineer tiveram problemas.

Mas o grande destaque acabou sendo o desempenho de Evans. O neozelandês dominou até sete voltas para o final, quando teve um problema no motor – no momento em que detinha uma vantagem de 6s – e lentamente foi forçado a se encaminhar à área de escape.

Com Evans fora da disputa, Cassidy e Van Asseldonk duelaram pela vitória, com o holandês tentando atacar até o final, mas sem sucesso. Assim, além do título, Nick também ficou com a vitória no tradicional GP da Nova Zelândia. A terceira colocação foi de Lucas Auer, com Bruno Bonifácio terminando em quarto.

Pronto, fim da temporada, podemos voltar à vida normal, certo?

Errado! Ainda não falei do mais legal. Por algum motivo, durante a etapa da Toyota Racing Series em Manfield, a Ferrari não ficou satisfeita com o que aconteceu com Raffaele Marciello, que é piloto em desenvolvimento da equipe italiana, e resolveu, digamos, soltar os cachorros.

Pelo Twitter, Luca Baldisseri, responsável pela FDA criticou pesadamente a organização do campeonato. O dirigente disse: “Um adeus a todos os fãs e organizadores da TRS na Nova Zelândia… não tenho certeza se a FDA vai ver vocês novamente depois da má organização em 2012. Um simples aviso para o futuro: mantenha com você os pilotos neozelandeses nas competições na Nova Zelândia.. é um bom jeito de vencer”.

Raffale Marciello

O carro de Raffale Marciello com os pneus invertidos. Bom, não dá para notar nada mesmo..

É claro que ninguém faz ideia sobre o que Baldisseri estava se referindo, mas há algumas pistas. Marciello teve um péssimo resultado em Manfield porque a equipe da qual ele fez parte montou o carro de forma errada e colocou os pneus traseiros na frente e vice-versa. Talvez frustrado pelo amadorismo, o dirigente resolveu protestar. Paciência né? Esse tipo de coisa acontece. Acho que Enrique Bernoldi teve problemas com algo assim no GT1 e, bom, quem não se lembra do macaco no carro de Rubens Barrichello na F1 em 2002? A Ferrari não é tão inocente assim…

A segunda hipótese é um pouco mais aceitável. Seria em referência a uma possível proteção da organização aos pilotos neozelandeses – algo que eu já havia falado sobre no post da primeira etapa da temporada, que você pode clicar aqui para relembrar. Agora, neste final de semana, além do domínio de Cassidy, Mitch Evans chegou como queria e se colocou entre os ponteiros com tremenda facilidade.

Verdade seja dita, Evans é bom piloto mesmo, conhece as pistas e o carro da categoria como ninguém, então o domínio já era esperado. No entanto, isso acaba queimando um pouco o campeonato. Como a TRS cresceu bastante em 2012, atraindo pilotos como Marciello, Lucas Auer, Hannes Van Asseldonk e Nathanael Berthon, ela acabou recebendo mais atenção. Mas aí, ao invés de disputa justa entre esses pilotos, o cara que ganha as últimas corridas é o filho do dono da principal equipe. Aí você junta a isso o suposto protecionismo aos neozelandeses e o resultado são essas polêmicas.

Mas no final das contas todos nós sabemos que a reclamação da Ferrari acontece porque Marciello não ganhou. Talvez os italianos estejam percebendo que o garoto está muito longe de ser um fora de série e agora precisam arrumar uma justificativa pela falta de vitórias.

No outro ponto da tabela, eu destacaria Hannes Van Asseldonk e Felix Serralles como os destaques do campeonato. O holandês foi o único que conseguiu desafiar Cassidy e Evans ao longo da temporada. Serralles, por sua vez, representou os pilotos de Porto Rico (tem algum outro?) muito bem, sendo deveras consistente. O garoto só não terminou a competição em terceiro, pois predeu três corridas devido a um grave acidente sofrido em Hamptons Downs. Para compensar, venceu no retorno, em Manfield.

Quanto a Bruno Bonifácio, o brasileiro supreendeu ao andar no ritmo dos mais rápidos, liderando várias e várias sessões de treinos livres. Porém, ele errou muito nas corridas, principalmente em largadas e relargadas e também comprometeu resultados com treinos classificatórios não tão bons. No entanto, é preciso lembrar que essa foi a primeira competição de verdade que o brasileiro competiu na carreira. Ano passado ele disputou literalmente sozinho a divisão Light a F3 Sudam e algumas etapas da F-Abarth, que apesar de ser uma boa categoria ele pegou já pela metade. Pela falta de experiência, a décima classificação no geral e o segundo posto entre os novatos – atrás apenas e Lucas Auer – foi um bom resultado.

Para ver a classificação final da temporada 2012 basta clicar aqui. Agora todos nós esperamos para o campeonato retornar no próximo ano – caso o mundo não acabe – com ainda mais jovens pilotos. Digo, todos nós menos o cara enfurecido da Ferrari.

O retorno de Mitch Evans à Toyota Racing Series

fevereiro 5, 2012
Mitch Evans

A participação do bicampeão Mitch Evans, que estava treinando com Mark Webber, foi o destaque da TRS em Hampton Downs

Depois de três semanas de competição, a temporada 2012 da Toyota Racing Series chega aos momentos decisivos. Neste primeiro final de semana de fevereiro, a categoria foi a Hampton Downs para a disputa da quarta das cinco rodadas do campeonato.

Para esse final de semana, o torneio teve como principal novidade o retorno do bicampeão Mitch Evans. O garoto, que já renovou com a MW Arden para a disputa da GP3, estava em um centro de treinamento na Austrália ao lado de Mark Webber. Com o australiano indo para a Espanha, onde a F1 realiza a primeira bateria de treinos coletivos, o garoto pôde voltar à Nova Zelândia e aproveitar a folga correndo pela equipe do próprio pai na TRS.

Na pista, Evans mostrou o resultado do treinamento de Webber. Contando também com a vantagem de conhecer a categoria como a palma da mão, o garoto conquistou a pole-position para a primeira e para a terceira corrida da rodada tripla e vencendo a prova de abertura.

A corrida em si não teve muita emoção, já que ultrapassar em Hampton Downs se mostrou impossível. Assim, Evans venceu fácil, seguido pelo compatriota Nick Cassidy e por Hannes Van Asseldonk.

Na segunda corrida, com a regra do grid invertido, Cassidy e Evans tentaram avançar posições desde o início, mas os dois acabaram se tocando. Pior para o protegido de Mark Webber, que abandonou a prova depois de ser acertado por Josh Hill.

Mitch Evans

Apesar da comemoração pelo retorno, Mitch Evans encerrou a segunda corrida com o carro bem danificado

No final, vitória de Raffaele Marciello, a primeira do italiano na competição. O triunfo, aliás, foi bastante importante para o garoto, já que a participação dele na Toyota Racing Series estava sendo bastante contestada. Tendo competido na F3 Italiana em 2011 e fazendo parte da Ferrari Driver Academy, a expectativa era que Marciello brigasse pelo título do campeonato. O piloto, no entanto, sequer está entre os cinco primeiro na tabela de pontos e conseguiu apenas dois pódios, mas sempre dependendo da regra do grid invertido. Muito pouco para quem tem o apoio de Maranello desde que saiu do kart.

Na terceira corrida, Evans largou na pole-position, mas tracionou muito mal. Cassidy e Van Asseldonk se aproveitaram para assumir as duas primeiras colocações. Mitch ainda recuperou a posição do holandês, só que não teve ritmo para alcançar o compatriota, que chegou ao quatro triunfo na temporada.

No final, Cassidy manteve a liderança do campeonato, abrindo 126 pontos de vantagem para Van Asseldonk. Com 225 pontos em jogo na etapa decisiva, o neozelandês tem grandes chances de levar o título para casa. Ocupando a terceira colocação na tabela e pontos, Damon Leitch foi a grande decepção do final de semana.

Depois de liderar o certame após a primeira etapa, Leitch marcou apenas 54 pontos no final de semana (só dois pilotos foram pior) e deu adeus ao título com 571. A impressão que fica é que o neozelandês conquistou os bons resultados no início da temporada porque já conhecia o carro da TRS e as pistas locais. Mas bastou os pilotos internacionais se adaptarem à competição para que o desempenho de Leitch desabasse vertiginosamente.

No outro extremo está Lucas Auer. A exemplo de Marciello, o sobrinho de Gerhard Berger vinha sendo bastante criticado pelas exibições abaixo do esperado, até porque ele era um dos favoritos ao título após os testes da pré-temporada. Depois de desapontar nas duas primeiras etapas, Auer foi melhorando e conseguiu o primeiro pódio de 2012 ao terminar a segunda corrida atrás apenas do italiano da Ferrari.

Por fim, Bruno Bonifácio mais uma vez teve um final de semana de altos e baixos. O brasileiro mais uma vez dominou os treinos livres, mas não conseguiu fazer o bom ritmo valer no treino classificatório. Largando no meio da galera, Bruno não conseguiu avançar. Pelo contrário, terminou cada vez mais para trás e ainda abandonou uma corrida.

O piloto continua em décimo na classificação geral, mas perdeu a vice-liderança entre os novatos para Lucas Auer. O líder entre os debutantes é Jono Lester, com 49 pontos a mais que Bonifácio.

A última etapa da temporada 2012 da Toyota Racing Series será realizada entre os dias 10 e 12 de fevereiro, em Mansfield. Na ocasião, o GP da Nova Zelândia será realizado. Essa é uma das poucas corridas do mundo que não faz parte do calendário da F1, mas pode carregar a denominação ‘GP’. Na briga pelo campeonato, Cassidy precisa de um milagre para perder.

Clicando aqui você pode ver a classificação completa da Toyota Racing Series em 2012.

Toyota Racing Series 2012

janeiro 10, 2012
Josh Hill

Josh Hill (filho de Damon Hill) é uma das atrações do TRS 2012. Reconheceu o capacete?

Demorou pouco mais de dez dias, mas a temporada 2012 do automobilismo começou. Neste final de semana tem início a Toyota Racing Series (TRS), categoria neozelandesa que é um meio termo entre a F-Renault e a F3.

Em primeiro lugar, você pode estar se perguntando por que uma categoria da distante Nova Zelândia merece destaque no cenário internacional do automobilismo. Então, o importante da TRS é justamente por ser o campeonato que abre o calendário da FIA e do esporte a motor em todos os anos.

Para 2012, a Toyota Racing Series tem algumas mudanças em relação aos anos anteriores. Dessa vez, o torneio terá cinco rodadas triplas em semanas consecutivas, acabando com a divisão do certame entre nacional e internacional.

Isto é, até 2011, os pilotos dos outros países corriam quatro rodadas, mas ficavam de fora da última, já que propositalmente havia conflito de data com o início da preparação dos campeonatos europeus. Assim, a divisão internacional acabava com quatro etapas, mas havia mais uma rodada para os pilotos da casa, que acabavam melhorando a pontuação. É por isso que ao pegar a tabela de anos anteriores, os atletas de fora sempre ficam com uma rodada sem correr.

Esse ano a organização da Toyota Racing Series resolveu acabar com isso. As cinco rodadas acontecem de forma consecutiva e não existe mais proteção aos pilotos da casa. Talvez por isso o número de inscritos bateu todos os recordes: 20 jovens confirmados sendo apenas cinco neozelandeses.

Apesar do domínio dos pilotos de fora, os favoritos são justamente os nascidos na ‘Austrália B’. Mitch Evans, protegido de Mark Webber e que foi a grande revelação da GP3 no último ano, é o atual bicampeão do certame e, correndo pela equipe do próprio pai, teria tudo para levantar a taça pela terceira vez seguida, mas como o garoto só deve disputar duas rodadas as chances de título são nulas. O principal nome da Nova Zelândia, então, passa a ser o de Nicky Cassidy, que será companheiro de equipe de Evans.

Os demais integrantes da equipe são uma atração à parte. Para começar, tem o brasileiro Bruno Bonifácio, um dos poucos pilotos revelados por aqui no ano passado. Bruno foi campeão da F3 Sudam na categoria Light, onde literalmente não teve adversários, então essa é a primeira competição para valer da carreira. Justamente pela falta de experiência, não dá para esperar grandes resultados.

Lucas Auer, o sobrinho do Berger e protagonista do post de ontem – que você pode clicar aqui para relembrar – é o quarto piloto confirmado. O porto-riquenho Felix Serralles, companheiro de Pipo Derano na Fortec na F3 Inglesa, é o quinto membro, enquanto Hannes Van Asseldonk encerra o sexteto. O holandês disputou a F3 Alemã em 2011 e não foi bem. Mas na F3 Internacional, aquele campeonato da FIA que reúne as principais provas do mundo, ele teve grande destaque e quase brigou pela vitória em Macau.

Chris van der Drift

Chris van der Drift foi revelado pelo Toyota Racing Series. Ele voltou para conferir de perto o que acontece na categoria neste final de semana

Apesar desse alto garbo dos pilotos citados até aqui, o principal nome da competição é Raffaele Marciello, da Ferrari. Em 2011, Daniil Kyvat, da Red Bull, participou do campeonato, agora é a vez da equipe de Maranelo mandar um garoto para o certame. E você aí achando que a categoria neozelandesa não prestava… francamente, hein.

Marciello será companheiro de equipe de Nathanael Berthon, que deve competir na GP2, e de Jordan King, um inglês muito rápido (ídolo do Leandro Verde), que estreou nos monopostos em 2011, mas tem uma tendência de queimar a carreira ao pular etapas no desenvolvimento.

Para finalizar a lista, Josh Hill, filho de Damon Hill, retorna para o segundo ano na TRS e deve ser beneficiado pela experiência. O piloto será companheiro de equipe do francês Victor Sendin, que acabou de fazer a transição do kart e do malaio Melvin Moh, protegido da Petrona$, digo, Petronas.

Por fim, Michela Cerruti, da GP3, e Chris Vlok, único neozelandês estreante em 2011, fecham a lista de notáveis. Os demais pilotos e o calendário completo, que começa neste final de semana em Teretonga,  você pode ver clicando aqui.

Acho a Toyota Racing Series um campeonato bastante interessante. Como fã do automobilismo, é legal ver competições de alto nível logo no início do ano, além de acompanhar como esses pilotos internacionais se sairão contra os locais.

Se eu fosse piloto, certamente faria de tudo para correr na TRS ao menos uma vez na carreira. Acho que é uma experiência deveras importante para quem está fazendo a transição para a Europa. Primeiro, serve como intercâmbio para os garotos, que podem usar essas cinco semanas para aprender a língua inglesa e também os termos do automobilismo. E, segundo, quebra a ansiedade de pilotar.

Depois de 15 corridas e um título em jogo, quando esses meninos forem para os torneios europeus não vão ter mais aquele frio na barriga na hora de correr, porque já disputaram um campeonato para valer no ano. E essa também é uma boa experiência para poder mexer no carro e testar coisas novas, embora eu não saiba o quanto o regulamento permita de ajustes.

Minha aposta será num embate entre Nicky Cassidy e Hannes Van Asseldonk pelo título, mas acho que o neozelandês será campeão pela experiência que tem.

P.S.: para acessar o site oficial da categoria basta clicar aqui. Eu linkei com a página de resultados de propósito para você pode se divertir

2012: Nick Cassidy e a fábrica neozelandesa de pilotos

dezembro 18, 2011
Nick Cassidy

Nick Cassidy é o próximo nome na lista de pilotos saídos da Nova Zelândia

Dando continuidade à série Promessas de 2012, apontando que garotos podem se destacar no automobilismo na próxima temporada, hoje é dia de falar de um dos mercados mais promissores no esporte a motor: a Nova Zelândia.

Também conhecida como Austrália B – que maldade –, o pequeno país do outro lado do mundo ganhou importância na última década por revelar uma série de pilotos a rodo. Em questão de anos, surgiu Chris van der Drift, Johnny Reid, Brandon Hartley e Earl Bamber. Todos tiveram destaque na Europa, mas nenhum foi capaz sequer de se estabelecer na GP2.

Na atual década, a fábrica de pilotos continua, e o país já conta com Richie Stanaway e Mitch Evans como os principais expoentes. Evans já era considerado uma promessa desde que saiu do kart, tanto é que Mark Webber percebeu o talento do garoto e o levou para morar na Inglaterra. Em 2011, pela MW Arden, o piloto venceu uma corrida na GP3 e chegou até a liderar o campeonato, mesmo sendo o atleta mais jovem da categoria.

Stanaway, por sua vez, sempre ficou à sombra de Evans, mesmo sendo mais velho. Só que desde a transição para Europa, o garoto passou a se destacar. Enquanto Evans deixou a Oceania para viver na Inglaterra – algo deveras comum –, Stanaway foi competir na Alemanha pela equipe ma-con, na recém criada ADAC Masters.

O piloto esteou no fim de 2009, quando chamou a atenção, mas a glória veio no ano seguinte com a taça conquistada de forma dominante – terminou todas as corridas menos uma entre os dois primeiros colocados. Depois, o neozelandês mudou-se para a F3 Alemã ao assinar com a Van Amersfoort, um dos principais times do certame, mas conhecido por trabalhar apenas com garotos vindos dos Países Baixos. Evidentemente, Stanaway não se importou com isso e foi campeão ao vencer 13 das 18 corridas. O piloto ainda arrumou tempo para estrear na GP3 pela Lotus ART e vencer a corrida curta da etapa em que debutou. Esse sucesso fez com que a Gravity notasse o garoto e o incluísse como um dos mais promissores em sua extensa carta de atletas.

Com Evans e Stanaway já firmados na Europa, a questão que fica é se a Nova Zelândia será capaz de continuar com a fábrica de pilotos, afinal, já está na hora de saber qual será o novo grande nome do país. Aí chegamos ao próximo nome da lista: Nick Cassidy. Aos 17 anos, o piloto é, na verdade, apenas dois meses mais novo que Evans, mas devido à precocidade do compatriota, Nick está mais atrás na carreira.

Cassidy e Evans, aliás, sempre foram grandes rivais no kartismo neozelandês, mas mesmo assim conseguiram se tornar amigos.

Nick Cassidy

Nick Cassidy logo se aventurou pela Alemanha a exemplo dos compatriotas

Com isso, Nick pôde se aproveitar da trilha aberta pelos compatriotas na Europa para dar os próximos passos na carreira. O piloto foi convidado a participar da penúltima etapa da ADAC Masters de 2011 pela mesma ma-con onde Stanaway havia competido. Cassidy terminou duas provas entre os dez primeiros, marcando cinco pontos. Menos impressionante que o debute do compatriota, há dois anos.

O piloto também testou pela F-Abarth na Itália em um carro preparado pela Ferrari, assim como Evans já havia feito no ano anterior. Andou entre os primeiros contando apenas os novatos e com isso ganhou o convite da Composit para fazer algumas etapas no certame ainda em 2011. O desempenho não foi diferente da ADAC Masters.

Cassidy, portanto, tem bons motivos para ficar animado com o futuro na Europa. Fã assumido de Scott Dixon, o piloto já testou na Alemanha e na Itália e pode escolher tranquilamente onde competir no próximo ano. Apesar disso, também ficou claro que ao contrário de Evans e Stanaway, ele deixa a Nova Zelândia sem estar formado como piloto, precisando se desenvolver nessas categorias de base para ter o mesmo rendimento dominante dos compatriotas.

Assim, a fábrica de pilotos da Nova Zelândia conta com Nick Cassidy para manter a tradição de revelar bons atletas saídos do kart. Quanto ao piloto, resta  a responsabilidade de manter o patamar estabelecido pelos antecessores.

Para ver os outros pilotos da série Promessas 2012, basta clicar aqui.

Ninguém quer ser campeão da GP3 em 2011…

julho 24, 2011
Valtteri Bottas

Valtteri Bottas foi o décimo vencedor diferente em dez provas da GP3 em 2011

A GP3 é um campeonato que foi construído nas coxas para preencher um vazio que existia no final de semana da F1 entre a extinta F-BMW e a GP2. Como não era possível pular de uma categoria para a outra, Bernie Ecclestone resolveu criar o novo certame e encaixá-lo de qualquer jeito no meio da agenda de um GP.

Por isso, pouco se treina durante o final de semana, então a grande vantagem para os jovens pilotos é estar ali na frente dos dirigentes da F1 e da GP2. E esse é o motivo de tanta gente ter interesse em participar da categoria. São absurdas 30 vagas para a pontuação que premia apenas os oito primeiros (e lembrar que a F1 mudou o formato na última temporada devido à entrada das novas equipes).

Ainda com essa injustiça bonificatória, a temporada 2010 pouco empolgou. Havia três pilotos acima da média: Esteban Gutierrez, Robert Wickens e Nico Muller, que dividiram praticamente as vitórias entre eles. O mexicano, por exemplo, antes de conquistar o título no final do ano venceu três corridas principais seguidas, deixando a disputa pela taça entediante.

Com a ida de Gutierrez para a GP2 e de Wickens para a World Series by Renault, a tendência era que 2011 fosse um domínio completo de Muller. Por algum bom motivo, não é isso o que está acontecendo. Na realidade, a atual temporada da GP3 está divertidíssima. Já foram disputadas 10 das 16 corridas previstas e até agora ninguém conseguiu ganhar duas vezes. Para aumentar a imprevisibilidade, as últimas três provas, por exemplo, foram disputadas na chuva e água teve papel fundamental no resultado embaralhado.

Assim, no campeonato, a diferença entre o líder Alexander Sims para Valtteri Bottas, o sexto colocado, é de apenas dez pontos. Mas mesmo com essa margem tão pequena na tabela de pontos, os pilotos parecem que não querem ganhar o campeonato – talvez por isso tanto equilíbrio na pontuação.

Para se ter uma ideia, Sims chegou à etapa da Alemanha vindo de três pódios seguidos. Aí, na corrida principal em Nürburgring, quando tinha tudo para dispara na tabela, a equipe Status o ordenou a entrar nos boxes nas voltas finais para colocar pneus de chuva. Caiu a tormenta esperada, mas o britânico não foi além do 12º lugar. Antes da parada, o piloto era o sexto. Menos mal que ele terminou em segundo no domingo e pôde se distanciar na pontuação.

Mitch Evans é outro que não quer ser campeão. Protegido de Mark Webber (tá explicado…), o neozelandês era o piloto dominante após as primeiras três etapas. O que não deixa de ser algo surpreendente, pois tirando o leitor do World of Motorsport antes do campeonato ninguém tinha ouvido falar no garoto que mal completou 17 anos. Só que aí veio a maré de azar. Na Inglaterra, Evans foi um dos que abriu mão da posição de largada para ir trocar pneus antes da corrida. O piloto, porém, não conseguiu recuperar o tempo perdido por largar nos doxes e ficou sem pontuar. Na Alemanha foi ainda pior. O garoto conseguiu a pole-position, mas a equipe MW Arden fez o favor de se esquecer de deixar os pneus prontos antes do aviso de três minutos para a largada. Assim, na corrida, Evans era líder absoluto antes da tempestade, mas foi punido com um drive-through pela falha da equipe quanto aos pneus e terminou apenas em 19º. Terrível.

E não são só esses os casos. Andrea Caldarelli largou o campeonato na segunda etapa, mas ainda é o oitavo, com 20 pontos. Tom Dillmann, que dominou a pré-temporada, trocou a poderosa Carlin pela Addax, onde ainda não conseguiu se encontrar. Nigel Melker completou cinco corridas de jejum de pontos, marca parecida com a ‘obtida’ por Lewis Williamson e Valtteri Bottas em seus momentos mais críticos.

No final, com tudo isso exposto, é muito divertido ver um campeonato extremamente imprevisível quanto ao resultado final. Por outro lado, parece que nenhum dos 30 (!!) garotos está pronto para subir à GP2. Ainda que o mercado na categoria de cima seja bastante travado, é triste constatar que não tem renovação. Para piorar, enquanto Evans é um novato na Europa, Valtteri Bottas e Alex Sims já estão no terceiro ano de F3 ou GP3, Melker e Calado, no segundo. Ficar mais um ano na categoria debaixo seria desastroso para eles.

Se está difícil ver quem quer ganhar a GP3, pelo menos está bastante divertido acompanhar quem está se esforçando mais para perder.

Primeiro dia da GP3 2011

março 4, 2011

 

Nico Muller

Nico Muller confirmou todo o favoritismo e foi o mais rápido em Paul Ricard

A GP3 realizou o primeiro treino coletivo de 2011 nesta quinta e sexta-feira, dias 3 e 4, no circuito de Paul Ricard, na França. Apesar de terem sido dois dias de testes, a chuva atrapalhou as atividades em um deles, o que tornou ainda mais difícil fazer qualquer comentário.

Levando em conta apenas as marcas obtidas apenas nesta sexta-feira, com sol, - que você pode conferir clicando aqui – já dá para afirmar algumas coisas:

Se ano passado as equipes Jenzer e Status, as menos conhecidas da categoria, fizeram bons campeonatos e disputaram o título com a ART, do campeão Esteban Gutierrez, esse ano esses dois times querem provar que o histórico nas divisões de acesso da Europa não é tão importante assim em se tratando da GP3. Neste único dia de treinos, Nico Muller, da Jenzer foi o mais veloz, confirmando o favoritismo de quem surpreendentemente não subiu à GP2.

James Calado

O carro de James Calado é uma maravilha. Juntou o verde e amarelo da Lotus Group com o branco, vermelho e azul da Racing Steps Foundation e deu isso aí

A segunda colocação ficou com o britânico Alexander Sims, da Status, experiente piloto vindo da F3 Euro Series. Em 2010, apostei nele para a conquista do título, mas o garoto ficou apenas na quarta colocação do certame europeu. Agora serei mais cuidadoso e acho que ele terá grandes dificuldades para superar o companheiro de equipe Antonio Félix da Costa, 7º nos treinos.

O terceiro lugar ficou com o surpreendente Mitch Evans, da MW Arden. O neozelandês, de apenas 16 anos, é o piloto mais jovem da GP3. Apesar dessa estatística curiosa, não apostaria nele para o campeonato, embora ache que ele tenha todas as condições de terminar o ano entre os primeiros colocados para que, em 2012, possa lutar pelo título.

Na sequência, apareceram os pilotos da RSC Mucke, com Nigel Melker e Michael Christensen, em quarto e quinto lugar, respectivamente. Ano passado a Mucke começou como grande força da temporada, incluindo duas pole-positions para Melker. Nada disso adiantou e o time terminou o campeonato de equipes na última colocação. Por isso, o pé atrás agora nessa pré-temporada. Eles vão precisar provar na pista que podem lutar com ART, Jenzer e Status em 2011.

 

Mika Hakkinen

Mika Hakkinen esteve em Paul Ricard para conferir de perto o desempenho de Valtteri Bottas, protegido do bicampeão

Para terminar o post, restou falar da ART e do brasileiro Pedro Nunes. Agora chamada de Lotus ART, a equipe francesa volta em 2011 como favorita e apostando naquilo que sempre deu certo: um piloto campeão. O escolhido foi Valtteri Bottas, que conquistou a F-Renault em 2008 e está no time desde então. Bottas correu com os franceses nos dois últimos anos  F3 Euro Series, mas não conseguiu o pulo para a GP2, agora ele precisa conquistar o título para dar prosseguimento a carreira.

Só que o protegido de Mika Hakkinen não foi tão bem assim no primeiro dia de treinos, terminando apenas na 10ª posição. No entanto, vale lembrar que Esteban Gutierrez só foi dominar os treinos da pré-temporada 2010 praticamente às portas da prova de abertura. O finlandês merece tempo e pode confirmar o favoritismo. Na batalha interna da Lotus ART, ele foi o melhor, com o brasileiro Pedro Nunes terminando em 17º e James Calado em 19º.

A exemplo de Bottas, é muito cedo para falar qualquer coisa sobre o desempenho do brasileiro e do companheiro de equipe. Acho que Nunes vai ter mais um ano difícil, embora, mais experiente, ele tenha chances de melhores resultados.


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