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Treinos da World Series by Renault em Jerez

março 26, 2014
Oliver Rowland foi o mais rápido em Jerez

Oliver Rowland foi o mais rápido em Jerez

Com a temporada 2014 da World Series by Renault começando no dia 12 de abril, as equipes se reuniram nesta semana, em Jerez de la Frontera, para os últimos três dias de testes coletivos antes do início do campeonato.

Como essa foi a terceira vez que os competidores foram à pista, já dá para ver quem pode ser apontado como favorito antes do início das disputas. Depois de ficar com o segundo tempo nas atividades em Aragón, Oliver Rowland colocou o carro da Fortec na primeira colocação jem Jerez ao superar o companheiro de equipe, Sergey Sirotkin, por apenas 0s095.

O bom desempenho do inglês não é por acaso. Vale lembrar que o garoto está usando o mesmo equipamento que levou Robin Frijns ao título há dois anos e Stoffel Vandoorne ao vice-campeonato no ano passado.

Sirotkin, por sua vez, não parece abalado por ter ficado sem a vaga na Sauber neste ano. O russo , que espera se juntar à F1 no ano que vem, foi um dos pilotos mais constantes durante todas as sessões realizadas no circuito andaluz e chegou a ficar com a primeira colocação na última ida à pista. No entanto, o tempo obtido não foi o suficiente para desbancar o parceiro.

Pietro Fantin foi o líder no terceiro dia dos treinos

Pietro Fantin foi o líder no terceiro dia dos treinos

A terceira posição ficou com Pierre Gasly, da Red Bull. Atual campeão da F-Renault Europeia, o francês não conseguiu mostrar o mesmo desempenho de Aragón. É verdade que ele fechou no top-3 em Jerez, mas o tempo foi obtido durante a segunda manhã de atividades. Nas demais sessões, ele acumulou dois oitavos e um nono lugar antes de voltar aos primeiros postos no último dia.

Mais rápido nos testes de Paul Ricard, Jazeman Jaafar ficou em quarto, se recuperando do desempenho não tão bom em Motorland. Carlos Sainz Jr, o outro piloto da Red Bull no certame, foi o quinto. O espanhol chegou a ser o mais rápido na segunda tarde de treinos, mas o resultado não foi o suficiente para catapultá-lo à liderança no combinado.

O sexto lugar foi de Pietro Fantin. Assim como Sainz, o brasileiro também liderou uma das sessões, mas acabou um pouco mais distante do topo. Apesar disso, o paranaense tem bons motivos para ficar satisfeito. A equipe Draco começou os treinos em Jerez com o carro saindo de frente, o que custou um pouco de desempenho. Entretanto, a escuderia conseguiu solucionar o problema, permitindo que Fantin voltasse a andar entre os ponteiros.

Norman Nato fechou em sétimo, sendo presença constante no top-10 no segundo carro da Dams. Marlon Stockinger colocou o equipamento da Lotus Charouz em oitavo, com Nikolay Martsenko aparecendo em nono. Ainda sem o futuro garantido na categoria, Nigel Melker completou em décimo.

Reserva da Mercedes no DTM, Robeto Merhi terminou em 14º ao andar novamente com a Zeta Corse. Outras novidades da lista de inscritos foram Tio Ellinas – pela Pons e pela Tech 1 – e Robert Visoiu no segundo carro da equipe de Sito Pons. Nenhum desses três pilotos ainda está confirmado para 2014. Eles também negociam com a GP3.

Beitske Visser é a primeira mulher na World Series desde Pippa Mann, em 2009

Beitske Visser é a primeira mulher na World Series desde Pippa Mann, em 2009

Os treinos em Jerez ainda viu a confirmação de Beitske Visser como titular da AVF. Depois de ser dispensada pelo programa de pilotos da Red Bull ao fim do ano passado, a holandesa vem tentando dar a volta por cima na carreira e para isso competirá na World Series by Renault após duas temporadas na Adac Masters.

O pulo da categoria alemã para o campeonato da Renault não deixa de ser grande, mas a escuderia liderada por Adrian Vallés confia em poder lapidar o talento da garota e recolocá-la no caminho das vitórias. Beitske terminou com o oitavo tempo na última sessão de treinos, ma foi apenas a 21ª no combinado.

De qualquer forma, o resultado já mostra uma evolução. Em Aragón ela finalizou 2s4 atrás do melhor tempo, enquanto em Jerez essa diferença diminuiu para 1s5. É verdade que o circuito andaluz é menor em extensão, mas a evolução de 1s não pode ser ignorada.

Por fim, a última sessão de treinos coletivos novamente viu a ausência da Carlin. Bicampeã da categoria com Mikhail Aleshin e Robert Wickens, a escuderia inglesa ainda não conseguiu acertar com algum piloto e já fala em tirar 2014 como um ano sabático do campeonato. O time reclama do preço cobrado por equipes concorrentes, sendo muito abaixo do mercado.

Confira o combinado dos tempos em Jerez:

tempows

Treinos da World Series by Renault em Paul Ricard

fevereiro 15, 2014
Jazeman Jaafar começou o ano na frente na World Series

Jazeman Jaafar começou o ano na frente na World Series

Por causa do frio na Europa e nos Estados Unidos, as primeiras semanas do ano são mais paradas no automobilismo. Por isso, alguns pilotos aproveitam para participar de torneios de verão, principalmente no hemisfério sul, onde a temperatura é mais quente.

Só que nem todo mundo pensa assim. Enquanto países como Brasil, Nova Zelândia e os próprios EUA (na região da Flórida) recebem jovens do mundo todo, alguns campeonatos já começaram as atividades de olho em 2014. Um deles é a World Series by Renault, que teve dois dias de testes nesta semana em Paul Ricard.

Como a atividade serviu para que as equipes pudessem gastar o que sobrou dos motores do ano passado, além de avaliar os novos compostos da Michelin, apenas 13 dos 26 carros estiveram na pista. A principal ausência foi a Fortec, que já anunciou Oliver Rowland e Sergey Sirotkin como dupla na próxima temporada.

No resto, dos demais 12 pilotos confirmados, Nikolay Martsenko, da Comtec, também não participou, mas o grid acabou reforçado por Nigel Melker, em um segundo carro da ISR, enquanto Zoel Amberg andou pela Tech 1.

Pietro Fantin comandou o trabalho da Draco

Pietro Fantin comandou o trabalho da Draco

Falando na ISR, a equipe tcheca foi o grande destaque dos treinos, com Jazeman Jaafar liderando três das quatro sessões e marcando o melhor tempo no combinado. O malaio só foi superado justamente na primeira atividade de pista, quando Carlos Sainz Jr colocou o carro da Dams – levado ao título do ano passado por Kevin Magnusen – na frente.

Os treinos também tiveram a presença de um brasileiro. Pietro Fantin, que já foi anunciado pela Draco, andou constantemente no top-5 e encerrou com a quarta colocação no geral. Além do desempenho positivo do piloto paranaense, a escuderia ítalo-brasileira aproveitou para testar novos componentes e acertos de olho no novo campeonato.

O bom rendimento de Fantin também foi importante, já que neste ano ele assume a função de principal piloto da escuderia, uma vez que o companheiro – Luca Ghiotto – está estreando no certame. Depois de ser colocado de lado pela Arden Caterham no ano passado, o brasileiro precisará recuperar os bons resultados do início da carreira.

Confira a soma dos tempos da World Series em Paul Ricard:

Tempos WS

F1 2013 na Malásia

março 4, 2013
Jazeman Jaafar não é titular da Mercedes. Mas ele nasceu na Malásia

Jazeman Jaafar não é titular da Mercedes. Mas ele nasceu na Malásia

Há quatro dias, Kimi Raikkonen venceu o GP da Austrália e mudou tudo o que sabíamos da F1 2013. Se Red Bull e Mercedes pareciam à frente das demais equipes após a pré-temporada, agora é a Lotus que surge como time a ser batido, principalmente porque o carro aurinegro é o que menos desgasta os pneus entre as equipes de ponta.

Entretanto, seria o resultado do GP da Austrália um presságio de que o finlandês pode entrar na briga pelo título de 2013 de uma forma muito mais aguda que na temporada passada ou o resultado não passa de algo semelhante ao GP de Abu Dhabi de 2012, apenas uma vitória por acaso, quando tudo deu certo?

Talvez a resposta sejam as duas coisas. É verdade, sim, que o grande trunfo da Lotus é não degradar os pneus. Por isso, Kimi conseguiu vencer o GP da Austrália, mesmo largando da sétima posição, ao forçar o ritmo nos momentos em que os adversários estavam com problemas para se manter na pista devido ao desgaste da borracha.

Por outro lado, é muito cedo para dizer o que poderia ter acontecido caso o finlandês fosse obrigado a fazer mais uma parada. Afinal, se a Lotus conseguiu fazer uma estratégia de apenas dois pit-stops, a temperatura amena de Melbourne certamente colaborou para isso. Situação bastante diferente deste fim de semana, na Malásia, onde a expectativa é de forte calor, na casa de 40ºC.

Por isso, não é absurdo pensar que Kimi só ganhou na Austrália porque dentro das condições específicas em que a corrida foi disputada, a Lotus se mostrou o melhor carro. Isso já havia acontecido em Abu Dhabi, no ano passado, e esteve perto de acontecer no Bahrein, Canadá, Valência e Hungria, quando os carros aurinegros terminaram na segunda colocação, faltando superar apenas um rival.

A1 GP da Malásia

A1 GP da Malásia

De qualquer forma, o triunfo de Kimi colocou os pneus em evidencia. Se não chover em Sepang, a expectativa é de mais uma corrida onde os produtos da Pirelli façam a diferença, mesmo que as escuderias tenham a opção de usar o composto médio e o duro (ao invés do médio e o supermacio em Melbourne) devido ao já citado calor.

Justamente pela importância dos pneus, o treino classificatório pode definir o que vai acontecer na corrida. Se passar ao Q3 não é mais uma certeza de bom resultado no fim de semana, a 11ª posição está mais cobiçada do que nunca. Como os pilotos eliminados no Q2 podem trocar de pneu antes da corrida, eles têm mais liberdade para montar a estratégia, além de começar a prova com a borracha sem estar gasta.

Foi por isso que Adrian Sutil chegou a liderar o GP da Austrália. Contando com o bom carro da Force India, o alemão saiu na 12ª posição – o 11º, Nico Hulkenberg, não largou – e conseguiu avançar até a liderança conforme os adversários foram indo aos boxes. Em Melbourne, o germânico não conseguiu manter o mesmo ritmo com os supermacios e terminou em sétimo. Na Malásia, pode ser que o 11º no grid tenha condições de fazer um trabalho melhor.

Falando nas equipes menores, mais uma vez a Marussia é o destaque indo para Sepang. Depois de deixarem a Caterham para trás com facilidade na última corrida, os carros rubro-negros terão mais uma oportunidade para provarem que não são a pior escuderia do grid. E no caso de uma tempestade, nunca é demais pensar em pontos para Jules Bianchi e Max Chilton.

Meu palpite para o GP da Malásia é vitória de Fernando Alonso, com os outros dois carros da Lotus terminando no pódio. No entanto, para a corrida da Austrália eu havia dito que dificilmente a vitória ficaria com outra equipe senão Red Bull e Ferrari e deu no que deu. Este é mais um palpite furado, portanto.

Confira os horários do GP da Malásia de 2013:

Treino livre 1 – 23h quinta-feira
Treino livre 2 – 3h sexta-feira
Treino livre 3 – 2h sábado
Treino Classificatório – 5h sábado
Corrida – 5h domingo

Velhos conhecidos

janeiro 13, 2013
Jazeman Jaafar está de volta à Carlin em 2013

Jazeman Jaafar está de volta à Carlin em 2013

Sempre favorita ao título da World Series by Renault, a Carlin confirmou nesta semana a dupla para a nova temporada. O malaio Jazeman Jaafar, atual vice-campeão da F3 Inglesa, terá como companheiro o colombiano Carlos Huertas, que estava na Fortec.

Curiosamente, essa não é a primeira vez que esses dois pilotos vão dividir a equipe. Eles foram parceiros em 2011, na F3 Inglesa, quando Huertas terminou com a terceira colocação e Jaafar foi o sexto.

Para uma escuderia que teve Will Power, Sebastian Vettel, Jean-Éric Vergne, Oliver Turvey e Jaime Alguersuari em suas canteras, a nova dupla foi recebida com certo desanimo, afinal trata-se de dois pilotos que pouco mostraram até agora em suas carreiras.

Jaafar é, de longe, quem teve mais sucesso. O malaio foi campeão da F-BMW Asiática antes de se mudar para a Europa. No entanto, no Velho Continente precisou de três temporadas na F3 Inglesa para ganhar a primeira corrida, terminando com o vice em 2012.

Huertas, por sua vez, também disputou o campeonato inglês por três anos – conquistando uma única vitória nesse período – antes de fechar 2011 com o terceiro lugar. O colombiano disputou, ainda, a World Series by Renault no ano passado, marcando apenas 35 pontos, sendo o 16º na classificação final.

Mesmo com a nova dupla não empolgando, a Carlin espera repetir uma receita de sucesso para ficar com o título de 2013. Nas duas vezes que a escuderia inglesa conquistou a taça da World Series by Renault, seus pilotos já eram velhos conhecidos.

Mikhail Aleshin só conseguiu bons resultados depois que passou um ano longe da Carlin

Mikhail Aleshin só conseguiu bons resultados depois que passou um ano longe da Carlin

Entre 2006 e 2008, a equipe inscreveu um carro para Mikhail Aleshin e, a partir de 2007, outro para Robert Wickens. Ambos faziam parte do programa de jovens pilotos da Red Bull, mas pouco renderam na categoria. Nesse tempo, eles conseguiram somente uma vitória cada, enquanto o russo teve o melhor resultado final com o quinto lugar em 2008.

Na temporada seguinte, a Red Bull decidiu que ambos iriam competir na então recém-criada F2, fazendo com que a Carlin fosse obrigada a apostar em outros pilotos. Na categoria da FIA, Wickens fechou com o vice-campeonato, enquanto Aleshin terminou com o terceiro lugar. Insatisfeita com o resultado, a empresa rubro-taurina acabou dispensando os dois.

Aí, quem entrou em cena foi a Carlin. Em 2010, a equipe inglesa resolveu dar uma nova chance a Aleshin. Mesmo competindo contra Daniel Ricciardo, da poderosa Tech 1, o russo finalmente conquistou o título da World Series, com três vitórias na campanha.

Em 2011, foi a vez de Wickens voltar ao time. Depois de ter ficado com o vice-campeonato da GP3, o canadense foi chamado pela escuderia inglesa para ser parceiro de Jean-Éric Vergne. Mesmo pressionado pelo francês até a última corrida, Robert conseguiu levantar a taça de campeão com cinco vitórias e sete poles.

Para a nova temporada, a estratégia é a mesma: apostar que o retorno de Huertas à escuderia seja o suficiente para levá-lo ao título.

A Carlin, na verdade, é uma das equipes que melhor trabalha a relação com os pilotos. Desde quando começou a participar da World Series, a escuderia ajudou na transição da F3 para os carros maiores de nomes como Narain Karthikeyan, Alguersuari, Turvey, Vergne e Kevin Magnussen, além de agora Jaafar. Isso sem contar Antonio Félix da Costa, que começou o relacionamento do time em Macau, em 2010, rendeu uma participação na GP3 e foi coroada com o título no Circuito da Guia no ano passado.

Apesar disso, o maior exemplo para nós aqui no Brasil é o de Felipe Nasr. Depois de conquistar o título da F3 Inglesa, em 2011, pela Carlin, o brasiliense acertou o retorno à escuderia no fim do ano passado, onde já competiu no GP de Macau, além de competir na GP2 neste ano.

Harvey, Serralles ou Jaafar?

setembro 26, 2012

Jazeman Jaafar, Jack Harvey e Felix Serralles. Um dos três vai sair de Donington Park conhecido como campeão

Não é só a F-Abarth – assunto do post de ontem – que vive clima de decisão neste final de semana. Quem também vai conhecer o campeão de 2012 é a F3 Inglesa. Ou seja, será a vez de Felipe Nasr passar o bastão para mais uma jovem promessa do automobilismo mundial.

A exemplo do que acontece na F-Abarth, três pilotos chegam a Donington Park com chances de saírem com a taça. No entanto, ao contrário do campeonato italiano, a F3 está totalmente em aberto, já que apenas seis pontos separam os três concorrentes, Jazeman Jaafar, Felix Serralles e Jack Harvey.

Eu queria ter escrito sobre a F3 um pouco antes, mas preferi esperar até agora, pois nesta quarta-feira, dia 26, foi julgado o recurso da equipe Carlin contra a punição de Harvey na última rodada, em Silverstone. A federação inglesa – MSA – deu ganho de causa ao time britânico e com isso o piloto conseguiu anular os 30s tomados.

Explicando o que aconteceu, na segunda corrida de Silverstone, Harvey foi considerado culpado pela direção de prova por ter causado o acidente com o então pole-position, Pipo Derani, que levou ao abandono do brasileiro. Como resultado, o britânico teve 30s acrescidos ao seu tempo e caiu da segunda colocação naquela prova para o 12º posto.

A equipe Carlin apelou do resultado, ganhou e Harvey retornou à segunda posição. Assim, ao invés de o britânico chegar a Donington com 23 pontos de desvantagem, ele estará apenas seis atrás de Jazeman Jaafar. Ou seja, é difícil falar que há favoritos para ficar com o título.

Harvey voltou à briga depois de uma decisão do tribunal

Entretanto, apesar de a decisão do campeonato ter ficado para o que acontecer na pista, acho muito ruim o veredito da F3 Inglesa. Não tenho absolutamente nada contra Harvey, mas questiono se não houve algum tipo de proteção ao piloto já que ele é um inglês disputando o título da categoria do próprio país. E um piloto nascido na ilha da Grã-Bretanha não fica com a taça desde 2006, com Mike Conway.

Eu entendo o direito da MSA de tentar corrigir uma punição mal aplicada pelos comissários. Só que eu já coloquei aqui no World of Motorsport um vídeo do mesmo Harvey na mesma etapa de Silverstone, em que ele bloqueia Serralles e sequer é punido. Acho que se os dois incidentes tivessem acontecidos na F1, a direção de prova, sem dúvida alguma, teria agido. Dessa vez, deixaram passar. Não quero dizer que houve proteção ao britânico, mas questiono por que essas decisões são tão diferentes das que acontecem nas demais categorias do esporte a motor. Talvez seja por essa falta de critério que os pilotos cheguem tão mal preparados à F1.

Dito isso, vamos ao que interessa, o duelo na pista. Nesta quinta-feira, a F3 vai realizar um treino coletivo em Donington, com todos os carros presentes. A partir daí ficará mais fácil dizer quem é favorito nessa luta pelo título.

No entanto, já é possível clarear um pouco esse cenário. Pelo que fizeram em 2012, eu diria que Harvey é de fato quem tem mais chances de ser campeão. Nas corridas dentro da Inglaterra, foi o piloto da Carlin quem levou a melhor. Aí você pode até pensar que isso é natural, afinal ele conhece as pistas inglesas como poucos, já que cresceu correndo nesses traçados. Mas não. Desde que largou o kart, Jack disputou a F-BMW Europeia, então só conheceu lugares como Snetterton e Oulton Park quando se juntou à F3 no ano passado. Apesar disso, o desempenho caseiro foi tão bom que todas as cinco vitórias e oito pole-position vieram dentro das pistas localizadas no Reino Unido.

Se Serralles for campeão, será o primeiro título da Fortec na categoria e o primeiro de uma equipe diferente da Carlin desde 2007 (quando Marko Asmer/Hitech venceu)

O desempenho de Serralles foi o contrário. Na primeira parte da temporada, o porto-riquenho fez boas corridas, mas esteve longe da briga pelo título. No entanto, bastou que a F3 voasse para as etapas de Norisring (na Alemanha) e de Spa-Francorchamps (na Bélgica) para que ele tivesse uma reação impressionante e entrasse de vez na luta pelo caneco.

Felix venceu duas vezes na Inglaterra e duas fora dela, mas todas as suas três poles foram conquistadas longe da ilha. Apesar desse equilíbrio, a grande vantagem do piloto da Fortec aconteceu nas corridas estrangeiras. Nessas provas, os favoritos da F3 Inglesa não foram bem, e Serralles pode descontar grandes pontuações. Nas etapas no próprio Reino Unido, devido aos grids enxutos, todo mundo marcou muitos pontos, então por pior que tenham sido os resultados do piloto ele pôde se manter na briga pela taça.

Quem não teve nada a ver com essa situação foi Jazeman Jaafar. O malaio aproveitou os três anos de experiência na F3 Inglesa para brigar sempre por top-5. Assim, enquanto Harvey e Serralles tinham problemas de adaptação a algumas pistas ou não conseguiam colocar resultados consistentes, o piloto asiático somava pontos importantes. Dessa forma, ele saiu da posição de azarão e, com um final de semana quase perfeito em Silverstone, assumiu a liderança do campeonato.

Com uma batalha tão apertada, é difícil tentar prever o que vai acontecer. Mas algumas coisas são óbvias. Os três pilotos precisam, a todo custo, marcar pontos nas corridas. Um mau resultado no treino classificatório ou um abandono deve significar fim das chances de título. Outra coisa importante é que temos um carro da Fortec (Serralles) lutando contra dois da Carlin (Harvey e Jaafar). Ou seja, um deles vai ter tudo do bom e do melhor e atenção exclusiva da equipe. Já para os outros dois a guerra vai começar dentro da própria garagem.

Sainz ainda pode se recuperar?

julho 29, 2012

Carlos Sainz precisa quase de um milagre para ficar com o título da F3 Inglesa

A temporada 2012 da F3 Inglesa entra na fase decisiva restando apenas três etapas para o final. Depois de duas rodadas fora da ilha da Grã-Bretanha, com o grid se juntando aos carros da F3 Euro em Norisring e em Spa-Francorchamps, chegou a vez de os competidores se dedicarem apenas aos traçados britânicos para decidir quem vai fica com a taça de campeão.

Após as primeiras sete etapas, praticamente restam quatro pilotos na briga pelo título: Felix Serralles, Jack Harvey, Jazeman Jaafar e, correndo por fora, Carlos Sainz Jr.

Em primeiro lugar, essa é a temporada mais emocionante do certame desde 2008, quando Jaime Alguersuari, Oliver Turvey, Brendon Hartley e Sergio Pérez estavam na briga pela taça faltando as mesmas três rodadas. Desde então, os demais campeonatos foram marcados pelo domínio de um só atleta. Daniel Ricciardo não teve maiores problemas para ficar com o título em 2009, com o mesmo acontecendo a Jean-Éric Vergne e Felipe Nasr nos anos seguintes.

Isso nos leva a um segundo ponto de destaque. Se as coisas continuarem do jeito que estão, Carlos Sainz Jr pode se tornar o primeiro piloto da Red Bull a não conquistar o título da F3 desde que a parceria entre a Carlin e os rubro-taurinos foi formada em 2008.

Na verdade, a situação não anda nada boa para o espanhol. Mesmo tendo vencido uma das corridas do final de semana, em Spa-Francorchamps, o piloto ocupa apenas a quarta colocação na tabela, com 176 pontos. Enquanto isso, Serralles, o líder, tem 212.

O problema para Sainz é que em momento algum ele conseguiu engrenar no campeonato. Nas primeiras seis rodadas – 17 corridas – o piloto venceu apenas três vezes. Ainda assim, era o suficiente para se colocar na briga pela taça de campeão. Só que a má-fase começou na terceira corrida de Brands Hatch, quando o piloto da Carlin iniciou um jejum de quatro corridas seguidas tendo marcado apenas dois pontos no total.

Mesmo sem brilhar, Jack Harvey é o favorito ao título

Com isso, não só Harvey, Jaafar e Serralles se aproveitaram para ultrapassar o espanhol como também dispararam na tabela de pontos.

O que deixa a situação de Sainz ainda mais difícil é que só faltam três rodadas para o fim da temporada e apenas 12 carros competem na divisão principal da F3. Ou seja, a menos que os rivais abandonem, é muito difícil descontar uma grande quantidade de pontos em uma só corrida. Não são muito os carros competitivos, então é difícil pensar que os ponteiros vão terminar fora do top 5 as etapas restantes.

Nesse cenário, quem sai como favorito é Jack Harvey. Apesar de não ser um superpiloto, o britânico se mostrou o mais constante até agora. Foram quatro vitórias e dez pódios, além de seis pole-position, mas seus melhores resultados aconteceram todos dentro da Inglaterra, o que pode ser fundamental nessa reta final.

Com três anos na categoria, Jazeman Jaafar aparece em terceiro na tabela, com 204 pontos, mas eu o colocaria como segundo nas chances de título, justamente por essa experiência. Só que em todo esse tempo no certame, o malaio só venceu duas vezes – ambas esse ano –, então mesmo que ele leve a taça no final da temporada é difícil colocá-lo como um piloto promissor.

Mas quem lidera o campeonato é o surpreendente Felix Serralles

Por fim, temos Felix Serralles, a grande surpresa de 2012. Quem no início do ano poderia imaginar que um piloto de Porto Rico estaria na briga pelo título e liderando o campeonato nesse momento? Talvez nem o próprio garoto.

Só que Serralles foi muito bem ao longo de toda a temporada. Venceu corridas e subiu ao pódio de uma forma até que constante, mas também cometeu alguns erros típicos de um novato. Esse desempenho, claro, não o colocaria na briga pelo título. Mas tudo mudou da água para o vinho nas últimas rodadas.

Nas duas últimas etapas, a F3 Inglesa dividiu as pistas com os carros da F3 Euro, em Norisring e em Spa. Com 29 competidores, a chance de Serralles sobressair era muito menor, certo? Curiosamente, aconteceu justamente o contrário. Das cinco provas disputadas, o porto-riquenho terminou todas entre os cinco primeiros. Valendo apenas entre os participantes do certame britânico, Felix venceu duas e foi três vezes segundo.

Essa recuperação meteórica o colocou no topo da tabela de pontos. O grande desafio é se agora, apenas com os carros da F3 Inglesa na pista, ele vai conseguir manter a boa fase.

O grande trunfo de Serralles é correr pela Fortec, equipe que jamais foi campeã da F3 Inglesa, enquanto Sainz, Jaafar e Harvey devem roubar pontos um do outro por competirem pela Carlin. Quer dizer, alguma dúvida que o porto-riquenho terá o melhor equipamento do time?

A incoerência da F3

maio 15, 2012

Em Pau, o grid da F3 Inglesa chegou a 24 carros com a ajuda dos colegas da F3 Euro

Em 2011, Yann Cunha terminou a temporada da F3 Inglesa com 36 pontos negativos. Ao longo das 30 corridas daquele ano, o brasileiro marcou quatro pontos, mas acabou sendo punido em 40 por ter participado da etapa de Spa-Francorchamps da F3 Espanhola.

Na ocasião, o regulamento da categoria determinava que um piloto não poderia disputar uma etapa de outro campeonato da F3 caso o certame inglês ainda fosse correr nesse circuito. Assim, Cunha correu na pista belga pelo torneio espanhol, nos dias 25 e 26 de junho, e retornou ao circuito um mês mais tarde para correr pela F3 Inglesa.

Assim que ficou sabendo do descumprimento da regra, a organização da F3 puniu o piloto, que acabou terminando a temporada na lanterninha. O brasileiro até tentou recorrer afirmando que o regulamento da categoria espanhola é diferente da inglesa e por isso não acarretaria na infração da regra, mas acabou não dando certo.

Avançando um pouco no tempo, nesta terça-feira, dia 15, a equipe Double R (da F3 Inglesa) anunciou que vai participar da rodada de Brands Hatch da F3 Euro e F3 Europeia marcada para este final de semana. De acordo com o dono da equipe, Anthony Hieatt, o objetivo é fazer com que os pilotos se adaptem aos pneus Hankook, que serão usados no round de Norisring, quando F3 Inglesa e F3 Euro voltam a dividir às pistas.

Além da Double R, a Carlin também estará presente em Brands Hatch, com Carlos Sainz Jr., Jazeman Jaafar e Harry Tincknell.

A equipe inglesa, como eu já escrevi aqui em outras oportunidades, foi um dos times recrutados pela Volkswagen para participar do novo campeonato Europeu de F3. Esse novo torneio, aliás, nada mais é do que um amontoado de etapas da F3 Inglesa e da F3 Euro. A ideia da FIA foi atrair as equipes de ambos os certames para aumentar os respectivos grids.

O problema agora é que a F3 Euro corre em Brands Hatch um mês antes da etapa da F3 Inglesa no local

Assim, na semana passada, a F3 Europeia disputou a rodada de Pau, que originalmente faz parte do calendário da F3 Inglesa. Ao invés dos 14 carros que participaram das primeiras rodadas do certame britânico, a etapa teve 24 inscritos, já que dez pilotos da F3 Euro se inscreveram para a competição. Agora, a etapa da F3 Europeia acontece em Brands Hatch, que é da F3 Euro. Mas algumas equipes da F3 Inglesa também se inscreveram para correr e o grid deve ter 19 carros.

A princípio, podemos dizer que essa medida foi um sucesso e conseguiu fazer com que os dois principais campeonatos de F3 do mundo voltassem a ter grids respeitáveis. O problema é a incoerência da medida. A rodada desse final de semana da F3 Europeia é válida pelo campeonato da F3 Euro Series. Só que a F3 Inglesa também volta a correr no tradicional circuito inglês nos dias 23 e 24 de junho. Então, teoricamente, aquela regra que puniu Yann Cunha no ano passado está sendo desrespeitada.

Evidentemente, esse trecho do regulamento não existe mais, e as equipes são livres para competir onde quiserem agora.

E nem é isso – a possibilidade de punição a Sainz, Jaafar, Tincknell e à dupla da Double R – que deveria ser discutido agora. O problema é como o regulamento original da categoria era primitivo.

A regra original servia em dois momentos. No primeiro, evitava uma escalada de custos nos campeonatos. Ou seja, uma equipe que tivesse mais recurso, na época em que as F3 de toda a Europa tinham mais ou menos o mesmo pacote técnico, poderia levar seus pilotos aos outros campeonatos para ganhar quilometragem nesses circuitos onde eles ainda iriam correr. Com essa vantagem, eles já sairiam na frente quando chegasse a hora de competir para valer.

Do outro lado, os campeonatos também adotaram essa regra como protecionismo. A maioria dos times ficou impedida de conhecer outros campeonatos, evitando que fossem atraídas por um certame com um custo menor ou maior competitividade. Dessa forma, todo mundo saiu ganhando.

Agora, com as F3 tradicionais cada vez mais esvaziadas, chegou-se a um consenso de que ou os grid juntam e se ajudam, ou as categorias acabam. Então, a pergunta que fica é por que essa regra não caiu antes?

Por uma lógica até que óbvia, se o novo campeonato europeu conseguiu aumentar o grid dos campeonatos, significa que a regra antiga foi uma das responsáveis pelo esvaziamento das F3 nos últimos anos. No fim, é possível concluir que a F3 agora luta contra ela mesma – e suas medidas conservadoras – para voltar ao posto de principal campeonato no automobilismo de base.

Preview da F3 Inglesa 2012

abril 4, 2012
F3 Inglesa 2012

A F3 Inglesa começa a temporada 2012 com um grid enxuto, mas ainda sem um favorito definido

A temporada 2011 da F3 Inglesa foi um sucesso para os pilotos brasileiros. Felipe Nasr conquistou o título da categoria, enquanto Lucas Foresti e Pietro Fantin também venceram corridas no certame. Além do trio, Yann Cunha e Pipo Derani foram os outros representantes do país no campeonato.

Seguindo o caminho natural das carreiras, Nasr foi o primeiro a se despedir da F3 e escolheu competir na GP2, sempre de acordo com o objetivo de chegar à F1. Lucas Foresti e Yann Cunha – de forma curiosa, os três nascidos em Brasília – também deixaram o campeonato e vão se dedicar à World Series em 2012.

Assim, a F3 Inglesa inicia a nova temporada sem a volumosa delegação brasileira do ano anterior. Na realidade, o campeonato conta com o menor número de pilotos do país desde 2008 – quando Adriano Buzaid e Clemente de Faria Jr. participaram de poucas etapas – já que apenas Fantin e Derani estão confirmados.

No entanto, não foi apenas o número de pilotos brasileiros que encolheu para 2012. O grid, como um todo, diminui. A F3 Inglesa resolveu adotar o novo Dallara F312 para a nova temporada, o que aumentou os custos da categoria, que já não era barata. Dessa maneira, a previsão é que apenas 14 carros estejam presentes em Oulton Park na abertura do novo campeonato neste final de semana da Páscoa.

Essa diminuição no grid não é uma crise devastadora. Praticamente todos os campeonatos que resolveram adotar o F312 estão sofrendo. A F3 Euro, por exemplo, deve ter apenas dez carros, enquanto a Italiana, que ainda manteve o modelo antigo, contou com apenas 11 na rodada de abertura.

No caso da Inglaterra em específico, a nova regra de motores, que só entra em vigor no próximo ano, acabou afugentando algumas equipes, que já declararam interesse de se juntar à competição, mas preferiram esperar esse ano para não ter que comprar os propulsores duas vezes. Assim, é natural que o grid da F3 consiga se expandir ao longo de 2012, embora a tendência é que os pilotos que entrem utilizem o campeonato apenas para se adaptarem.

Mas chega de falar do futuro da F3 Inglesa. O que interessa é essa nova temporada que começa agora. Afinal, será que Pietro Fantin e Pipo Derani têm condições de seguir os passos de Felipe Nasr e garantir o 13º triunfo do Brasil no campeonato?

Carlos Sainz Jr F3 Inglesa

Pelo histórico e pelo rendimento na pré-temporada, Carlos Sainz Jr será o piloto a ser batido em 2012

Infelizmente, ao que tudo indica, não. É verdade que os testes de pré-temporada foram bastante inconclusivos, com praticamente todos os pilotos terminando na frente em algum momento. Entretanto, os brasileiros não foram bem. Fantin geralmente ocupou a quinta colocação entre os cinco atletas da Carlin, enquanto Derani teve problemas para se manter n top-10 na classificação geral.

Nem mesmo em Rockingham, onde Fantin conhece como a própria mão, o paranaense foi bem. E por causa desse tipo de resultado não dá para falar que os brasileiros são favoritos. No entanto, vale lembrar que treino é treino e corrida é corrida. Apesar de parecer batido, em 2011, ninguém apostava em um bom desempenho de Lucas Foresti desde o começo, mas o brasiliense chegou a ser o principal rival de Nasr nas primeiras etapas. Por outro lado, Kevin Magnussen teve um início de ano complicado – o que acabaria custando o título – e, de acordo com os resultados da pré-temporada – Jack Harvey seria o favorito ao campeonato.

É por essa razão que não dá para colocar Fantin e Derani fora da briga, mas os dois terão muito trabalho em 2012 se quiserem conquistar o título da F3 Inglesa.

Até porque, favorito mesmo o campeonato já tem um: Carlos Sainz Jr. O espanhol, protegido pela Red Bull, chega à Inglaterra com a responsabilidade de seguir os passos de Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne, que foram campeões da F3 antes de alcançarem a F1.

Como os outros três foram campeões, o espanhol é mais do que favorito, mas isso não quer dizer que ele vai ter vida fácil. Sainz chega à F3 bastante pressionado pela falta de títulos na carreira. Quando estreou na F-BMW, em 2010, o piloto teve a responsabilidade de substituir Felipe Nasr na equipe Eurointernational, mas, mesmo contando com o suporte da Red Bull, o garoto passou longe da briga pelo título.

Jack Harvey F3 Inglesa

Apoiado pela Racing Steps Foundation, Jack Harvey está de volta à F3 em 2012

No último ano, o espanhol correu tanto na F-Renault Eurocup quanto na NEC, onde conquistou o título. No entanto, no campeonato principal, acabou perdendo a taça para Robin Frijns (que já havia sido o campeão da F-BMW em 2010), o que colocou dúvidas quanto ao seu talento. Só que vale lembrar que o último campeão da Red Bull em uma F-Renault foi Brendon Hartley. E, em termos de pressão, Vergne havia chegado ao campeonato inglês com a corda muito mais no pescoço que o colega de Junior Team, então a situação de Sainz não é uma novidade em terras rubro-taurinas.

Mas é difícil apontar quem pode vencer Carlos Sainz. Entre os próprios pilotos da Carlin, nenhum inspira confiança em relação ao título. Jazeman Jaafar, que inicia o terceiro ano no campeonato, em tese deveria ser o principal rival, mas o malaio jamais venceu uma corrida na categoria e sempre foi um piloto bastante veloz na pré-temporada, mas que deixou a desejar ao longo das corridas.

Jack Harvey é outro que pode ameaçar. O inglês conhece Sainz da época em que dividiram a F-BMW, quando saiu-se vencedor. A situação é bastante parecida em 2012. Harvey inicia o segundo ano na F3, enquanto o companheiro de equipe é um novato. O favoritismo, claro, agora é do espanhol, mas o inglês tem todas as condições de surpreender novamente.

Por fim, ainda falando da Carlin, se Fantin não fez uma boa temporada, o mesmo não pode ser dito de Harry Tincknell. O quinto piloto do time foi um dos mais constantes dos treinos do inverno europeu e corre por fora na briga pelo título. Tincknell fará de tudo para encerrar um jejum de título dos ingleses na F3 local, que já dura desde 2006, quando Mike Conway foi campeão.

Nas demais equipes, a única que pode ameaçar a Carlin é a Fortec. O time de Richard Dutton aposta em Alex Lynn, atual campeão da F-Renault UK, para superar os carros da equipe rival. Para você ter uma ideia da rivalidade entre essas duas escuderias, no press release oficial da confirmação dos pilotos para 2012, Dutton disse a palavra ‘Carlin’ mais do que a própria palavra ‘Fortec’. O dirigente tá com sanguenozóio para acabar com a supremacia da adversária.

Além de Lynn, o time ainda conta com Pipo Derani, contratado da Double R, e Hannes Van Asseldonk, que veio da F3 Alemã com status de sucessor de Kevin Magnussen – que havia trilhado o mesmo caminho na carreira – mas acabou decepcionando na pré-temporada. O quarto piloto é o porto-riquenho Felix Serralles, conhecido pela regularidade e pela consistência.

Nick McBride

Nick McBride conta com o apoio da Nissan para tentar vencer Carlin e Fortec em 2012

Para finalizar as últimas equipes, chegou a hora de falar dos australianos. Em 2012, a F3 Inglesa terá um sotaque típico de Down Under, já que quatro pilotos da terra dos cangurus vão tomar parte do certame. É a maior delegação de 2012, vencendo até mesmo os ingleses, que têm três representantes.

Nick McBride e Spike Goddard vão competir pela T-Sport, enquanto Geoff Uhrhane e Duvashen Padayachee são os atletas da Double R. Os quatro vão tentar seguir os passos de Will Power e de Daniel Ricciardo, que disputaram a F3 Inglesa antes de fazerem sucesso no mundo do esporte ao motor.

Para não falar de cada um deles de forma isolada, cito algumas curiosidades gerais. McBride é o único dos 14 pilotos confirmados a correr com motores Nissan. Aliás, além dele, Uhrhane e Goddard vieram direto da F-Ford inglesa, enquanto Padayachee correu na F-BMW do Pacífico. Esses dois últimos, aliás, são os únicos concorrentes da National Class.

O outro piloto que disputa a F3 Inglesa em 2012 é Fahmi Ilyas, que correrá pela Double R.

Para finalizar, existe a possibilidade de a CF, comandada pelo ex-piloto Hywel Lloyd entrar no campeonato com dois carros da National Class. A ideia era já estar presente em Oulton, mas, ao que tudo indica, o time ainda não conseguiu fechar com algum piloto.

Para ver o calendário completo da F3 Inglesa basta clicar aqui.

O recomeço da F3 Inglesa em 2012

março 7, 2012
Carlos Sainz Jr.

O primeiro treino da F3 Inglesa mostrou o que deve ser a categoria em 2012: grid reduzido e domínio da Carlin/Red Bull

Em 2011, os brasileiros comemoram o título de Felipe Nasr na F3 Inglesa, quando o piloto se tornou o 12º campeão do país neste tradicional campeonato das categorias de base. Agora, em 2012, as celebrações ficaram para trás, e a F3 inicia a nova temporada, que vai consagrar um novo garoto daqui a alguns meses.

O primeiro passo do novo campeonato foi dado nesta semana, quando a F3 Inglesa se reuniu na pista de Snetterton para a realização de dois dias de treinos coletivos no local. Apesar de as equipes já estarem treinando de forma privada desde o final do ano passado, essa foi a primeira oportunidade que os times tiveram para se reunir e levar à pista o novo Dallara F312.

Como a chuva esteve presente durante os dois dias de treinos, fica muito difícil avaliar o desempenho de cada um, afinal, bastava ter a sorte de sair dos boxes no momento em que as condições eram menos ruins para conseguir fazer a volta mais rápida.

No entanto, esse primeiro treino confirmou algumas expectativas para o novo campeonato que dificilmente devem mudar durante a temporada. A Carlin é mais uma vez a equipe favorita e será muito complicado para a Fortec tirar o título deles.

Entre os pilotos, a tendência é que Carlos Sainz Jr, apoiado pela Red Bull e pilotando o poderoso carro número 31, seja o cara a ser batido, mas o espanhol deverá encontrar mais dificuldades que Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne tiveram em suas campanhas vitoriosas. Nos treinos, o filho de Carlos Sainz terminou como o mais rápido no segundo dia de treinos e foi o quarto na atividade inicial.

Ainda falando sobre o primeiro dia de treinos, a liderança ficou com o experiente Jazeman Jaafar, que inicia a terceira temporada na categoria. Contando com o apoio da Petronas e ambientado à Carlin, a expectativa é que o malaio possa usar a experiência para levantar a taça. Nos treinos, a liderança da primeira sessão foi um bom sinal, mas o piloto terminou apenas em décimo no segundo dia.

Ainda na esquadra de Trevor Carlin, Jack Harvey (2º e 5º) e Pietro Fantin (3º e 6º) também são candidatos ao título, mas vão precisar capitalizar em cima de eventuais maus resultados de Sainz.

Do lado da Fortec, o destaque do treino ficou com Alex Lynn. O atual campeão da F-Renault UK abriu as atividades como o sétimo colocado, mas encerrou na terceira posição no último dia de treinos. Pipo Derani terminou logo atrás, em oitavo e em quarto.

O ponto negativo dos treinos em Snetterton – e que deve se manter durante todo o ano de 2012 – é a baixa adesão de participantes. Apenas 16 carros estiveram na pista ao longo dos dois dias de atividade. Para piorar, a equipe sueca Performance, que disputa a F3 Alemã, levou três pilotos aos treinos, o que diminui o número de ingleses para 13. A Carlin também inscreveu um sexto carro para Richard Bradley, mas o singapuriano já renovou com a TOM’S para a F3 Japonesa, então, na realidade, foram apenas 12 participantes, dos quais três guiaram pela National Class.

Pietro Fantin F3 Inglesa

Ao que tudo indica, Pietro Fantin corre por fora na disputa do título da F3 Inglesa em 2012

Esse número deve melhorar para a próxima semana, quando a categoria segue para Rockingham para continuar a pré-temporada. A Double R, por exemplo, deverá estar presente com o japonês Yuki Shiraishi e com o australiano Duvashen Padayachee, mas ambos devem competir pela National Class, já que a tradicional equipe vive uma crise financeira e não comprou os novos F312.

A National Class também deve ganhar a adesão dos pilotos da CF, comandada por Hywel Lloyd. O britânico, que até a temporada passada pilotou na F3, resolveu se dedicar apenas à administração da própria equipe e já anunciou que planeja inscrever três carros em 2012. Ele foi um dos pilotos em Snetterton, mas a tendência é que ao menos um novo contratado já esteja em Rockingham.

Para terminar, a T-Sport não contou com os novíssimos motores Nissan, o que obrigou a Nick McBride a treinar com o carro antigo. O australiano também deve ter um novo equipamento na próxima semana, quando estreará na divisão principal.

Apesar dessas mudanças na escalação, seja 12 ou 15, a verdade é que a F3 Inglesa muito provavelmente vá ter um grid reduzido na nova temporada. Com o aumento do custo por causa da mudança do carro coincidindo com a crise econômica na Europa, as equipes menores se mostraram cautelosas na hora de planejar o novo campeonato e não seria surpresa se alguma fechar as portas neste ano.

Entretanto, é necessário encarar o problema do tamanho que ele realmente é, sem criar um falso medo. O grid realmente vai ser pequeno, mas esse parece ser um problema pontual. A F3 Inglesa não está em crise, ao contrário do que acontece com a Euro Series, nem corre o risco de desaparecer.

Ainda falando de 2012, em algumas etapas deve haver a presença de equipes de outros certames, como a própria Performance, o que ameniza a situação. Lembrando que as etapas de Pau e de Spa-Francorchamps fazem parte da F3 International e devem atrair os times do certame europeu. Além disso, é comum que alguns pilotos sejam confirmados já às vésperas da primeira corrida, então é possível que haja mais algumas novidades na lista de inscritos.

Dito isso e pensando um pouco mais adiante, em 2013, o campeonato deve voltar a um grid mais parecido ao que nos acostumamos nos últimos anos. Lembrando que o World of Motorsport acompanha tudo o que acontece na F3 Inglesa, para que você tenha a melhor análise possível do que acontece nas pistas da Inglaterra.

P.S.: os tempos do primeiro dia de treinos da F3 Inglesa você pode ver clicando aqui. E os do segundo dia, clicando aqui.


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