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Felipe Nasr na GP2 2012

fevereiro 15, 2012
Felipe Nasr GP2 2012 Dams

No final, a ida de Felipe Nasr para a GP2 é uma boa. Aliás, viram os patrocínios novos do rapaz? Eike, Banco do Brasil, Governo... nada mal hein?

O mistério enfim acabou. Nesta quarta-feira, dia 15, Felipe Nasr anunciou para o Brasil todo, com direito à matéria no Jornal Nacional, que vai disputar a temporada 2012 da GP2 pela equipe francesa Dams, a mesma pela qual Romain Grosjean conquistou o título na temporada anterior.

Até então, o brasileiro vinha mantendo um suspense sobre onde iria correr, embora muitas vezes tivesse admitido que a preferência era tomar parte da World Series by Renault. Apesar disso, com a chegada de investidores de peso, Nasr conseguiu fechar o orçamento necessário para competir na categoria de acesso direto da F1.

O brasiliense, que passou boa parte da temporada 2011 com o carro na F3 sem qualquer adesivo de patrocinador, já exibe no site oficial os logos das empresas de Eike Batista e do Banco do Brasil.

No final das contas, a ida do brasileiro para a GP2 até que pode dar certo. Em primeiro lugar, Nasr já afirmou que o objetivo é chegar à F1 em 2014, portanto ele cogita disputar duas temporadas no campeonato de acesso. Ou seja, esse ano ele chega para aprender e, no próximo, competirá para valer.

A estratégia é boa e vem num timing muito bom. Até o momento, levando em conta os pilotos já confirmados, o grid da categoria parece ser um dos mais fracos dos últimos anos, com garotos de qualidade questionável assumindo as vagas nas principais equipes. Dessa forma, chamar a atenção no primeiro ano não parece uma tarefa tão difícil para Nasr. Com tantos adversários menos habilidosos, o brasiliense tem boas chances de terminar constantemente na zona de pontos. Assim, no ano que vem, ele pode se transferir para uma equipe maior e lutar para conquistar o caneco.

Outro ponto positivo é ter se afastado da World Series by Renault. É bem verdade que o grid da categoria rival parece muito mais forte para 2012, principalmente com gente como Robin Frijns, Kevin Korjus e Jules Bianchi já confirmados. Ficar longe da atenção pode ser uma boa para evitar a pressão extra por resultados. E não falo aqui da cobrança em cima do brasileiro, mas de todos os pilotos, no geral. Afinal, quanto mais pressionados, maior o risco de errarem.

Se envolver em uma série de acidentes no primeiro ano em um campeonato – com acesso tão restrito à F1 como é a World Series – é uma das piores coisas que pode acontecer a um jovem piloto, especialmente um tão em evidência quanto Felipe, independe de quem for a culpa das batidas. Nessas circunstâncias, a chance de queimar a carreira é muito grande e é uma tarefa muito árdua – Romain Grosjean que o diga – reconstruir uma boa imagem perante às equipes da F1.

Dams GP2

Felipe Nasr será o substituto de Pal Varhaug em 2012. E essa é a máquina que o norueguês usou no ano passado

Por outro lado, a GP2 também traz algumas armadilhas para o brasileiro. Nasr assinou com a Dams, onde substitui o norueguês Pal Varhaug. A antiga vaga de Grosjean foi ocupada pelo italiano Davide Valsecchi, que já havia sido anunciado, e isso precisa ficar claro. Aliás, em 2011, todos os pontos da equipe foram marcados pelo francês. Será que os dois pilotos tinham equipamento igual na época e a diferença foi apenas a habilidade de cada um? Difícil dizer.

Ainda falando sobre Valsecchi, o italiano é bom piloto e é o favorito ao título da temporada 2012 da GP2, justamente pela experiência que tem na categoria. Davide estreou no campeonato em 2008, pela Durango. A efeito de comparação, Nasr disputou a primeira corrida da carreira nos monopostos no final daquele mesmo ano, na F-BMW Americas. Ou seja, o europeu tem mais tempo na GP2 do que o brasileiro fora do kart.

A consequência disso é óbvia. Enquanto Nasr vai ter que se adaptar ao carro, às pistas, à equipe e à categoria, o italiano já conhece tudo e mais um pouco. Tomar tempo nesse momento, não é o fim do mundo para Felipe. Só não pode cometer erros bobos na pista.

Valsecchi, aliás, tem um desempenho muito bom contra brasileiros na GP2. Foi companheiro de Alberto Valério, em 2008, e de Luiz Razia, na temporada passada. Sempre terminou na frente e com direito a vitórias. O italiano, no entanto, é um piloto bastante irregular. Costuma começar bem a temporada e terminar tremendamente apagado. É por isso que ele está na categoria faz tempo e jamais foi cogitado na F1.

O grande problema para Nasr nesse caso é acontecer o mesmo que aconteceu com Razia, em 2010. Na ocasião, o baiano assinou com a Rapax, onde foi companheiro de Pastor Maldonado. Embora não tivesse feito uma temporada tão ruim, Luiz ficou bastante apagado justamente pelos excelentes resultados do parceiro, que conquistaria o título. Cabe a Nasr não deixar que Valsecchi se destaque tanto, ou então consiga ter seus momentos de brilho mesmo em uma eventual conquista do italiano.

Eu não acredito em título de Felipe Nasr em 2012, mas acho que será possível vê-lo brigando pelas vitórias, principalmente a partir da segunda metade da temporada. Caso isso aconteça, ele se coloca em uma boa posição para o mercado de pilotos de 2013, visto a fragilidade dos planteis das principais equipes da categoria.

Para encerrar, um detalhe curioso. Lucas Foresti também foi anunciado como piloto da Dams nesta quarta-feira. Ele, porém, vai competir pela equipe francesa na World Series by Renault. Nasr e Foresti, portanto, voltam a ser companheiros de equipe mesmo que em equipes difrentes. Você sabe dizer quando, onde e qual equipe eles haviam dividido anteriormente?

Felipe Nasr e a sorte de campeão em Paul Ricard

julho 17, 2011
Felipe Nasr

Felipe Nasr conquistou a sexta e a sétima vitória de 2011 em Paul Ricard

Há duas semanas, quando a F3 Inglesa esteve em Nurburgring para a disputa da rodada alemã da categoria, escrevi que Felipe Nasr teve um desempenho digno de campeão, pois mesmo sem o melhor carro do final de semana o brasileiro tinha sido o maior pontuador da etapa e aberto uma importante diferença no campeonato.

Dessa vez, a F3 Inglesa foi a Paul Ricard para a etapa francesa do certame. Nasr voltou a ter um bom desempenho e , mais do que isso, provou que tem outro trunfo para brigar pelo título: sorte de campeão.

Na França, ao contrário do que havia acontecido na Alemanha, Felipe começou na frente desde o primeiro treino e perdeu por pouco a pole-position para o companheiro Kevin Magnussen. Depois, na primeira corrida (que você pode ler como foi clicando aqui), o brasileiro aproveitou um erro do dinamarquês logo na largada para conquistar a vitória.

Na segunda prova da etapa, Nasr não foi bem. Cometeu erros e acabou sendo punido, terminando com a 16ª colocação apenas. Na terceira disputa, o brasileiro voltou a mostrar que continua no auge. Para ler como foi a corrida decisiva em Paul Ricard, basta clicar aqui.

De qualquer forma, eu resumo. Nasr largou bem, mas não conseguiu ultrapassar Kevin Magnussen. Os dois, ao lado do português Antonio Félix da Costa, começaram a duelar desde o início da prova, ficando sempre com uma diferença inferior de 2s entre o trio. Em meio a toques entre os três, o luso ultrapassou o piloto da Carlin depois de um emocionante duelo e partiu para cima do dinamarquês na última volta. Na curva final, Félix da Costa bateu em Magnussen e a vitória caiu no colo de Felipe Nasr. Sorte de campeão, portanto.

Kevin Magnussen

Kevin Magnussen mais uma vez não conseguiu converter as pole-position em vitória

Apesar disso, há algumas coisas que é necessário ressaltar sobre essa disputa. Em primeiro lugar, falando assim, parece que Nasr venceu por acaso e talvez não merecesse a conquista. É uma tremenda besteira pensar assim. Acidentes acontecem em qualquer corrida e fazem parte do automobilismo. Então não dá para falar que Magnussen foi o vencedor moral, ou que o brasileiro só teve sorte.

Um bom contra-argumento é mostrar os tempos de volta. Não é por acaso que Felipe herdou a vitória. Ele estava no lugar certo na hora certa e, evidentemente, se aproveitou da batida entre os rivais para ganhar a prova. Nesse caso, o detalhe é que a volta mais rápida do brasileiro na corrida foi justamente a última. Isso demonstra, principalmente, que ele não desistiu da vitória e que tinha condições de brigar na pista por um resultado melhor que o terceiro posto.

O outro ponto interessante sobre o duelo contra Magnussen e Félix da Costa é que é o primeiro grande embate do brasileiro com pilotos considerados acima da média. Se levar em conta que Felipe terá todos esses garotos como rivais em uma eventual disputa por vaga na F1, ele precisa mostrar que está o mais preparado possível para isso. Como o grid da F3 Inglesa nessa temporada aparenta ser relativamente fraco, é bom que o brasileiro consiga sair-se vencedor contra pilotos bem cotados no cenário internacional.

Isso porque, no desenvolvimento de Felipe até aqui, há uma lacuna de duelos contra grandes adversários. Além do grid enfraquecido deste ano, na última temporada da F3 o brasileiro pouco pode fazer contra James Calado ou Jean-Eric Vergne devido ao equipamento. Basta ver o desempenho de Nasr, hoje, com a Carlin, em relação aos pilotos da Double R, a antiga equipe.

Na F-BMW, o brasileiro também não teve grandes adversários. Michael Christensen e Daniel Juncadella ainda não demonstraram que podem ser considerados fora de série. Assim, a grande conquista do brasileiro anteriormente, além de ter feito uma temporada impecável na categoria germano-europeia, foi ter batido Robin Frijns – esse, sim, muito acima da média – com extrema facilidade em um ano que os dois eram novatos e o holandês tinha melhor equipamento.

Felipe Nasr em Paul Ricard

Felipe Nasr mais uma vez foi o maior pontuador - com folga - do final de semana da F3 Inglesa

Voltando ao desempenho do brasileiro na F3, bater Félix da Costa e Magnussen é uma prova de que ele está em condições de brigar de igual para igual com os grandes nomes das categorias de base do automobilismo mundial.

E atenção quando eu falo brigar. Talvez até me contradizendo, o que acontecer na F3 Inglesa talvez não sirva de parâmetro para analisar o piloto brasileiro. Isso porque Nasr tem um campeonato a perder e os dois rivais, não. Felipe reclamou que Magnussen foi agressivo demais. Certamente o dinamarquês poderá fazer a mesma observação sobre o português que lhe tirou a vitória, embora, sem as imagens, fique difícil dizer de quem foi a culpa.

Superar Magnussen, aliás, parece ser o caminho mais rápido para a conquista da F3 Inglesa por antecipação. Como o dinamarquês tem feito uma segunda parte de temporada muito boa, parece que o vice-campeão em potencial é ele.

Com as duas vitórias, o brasileiro foi, obviamente, o maior pontuador do final de semana. Felipe marcou 41 dos 54 pontos possíveis em uma etapa (em Nurburgring, havia levado 42). Magnussen, que aparece somente em quinto no campeonato, marcou apenas 17 mesmo largando na pole-position em duas oportunidades. Félix da Costa, por sua vez, acumulou 29, mas sem nenhuma pretensão de título.

Entre os ponteiros, Carlos Huertas marcou 26; Lucas Foresti, apenas seis, e Jazeman Jaafar só cinco. Muito pouco para quem pensa em brigar pelo título. Por outro lado, o destaque do final de semana foi William Buller, companheiro de Foresti na Fortec, que ganhou 31. Rupert Svendsen-Cook garantiu 25, assim como Jack Harvey.

Dessa forma, Nasr detém uma vantagem de 104 pontos para Huertas e pode ser tornar campeão com pelo menos duas rodadas de antecipação. Lembrando que as próximas corridas da categoria são em Spa-Francorchamps e em Rockingham, onde o brasileiro é amplo favorito. Na Bélgica, porém, será interessante ver como a corrida vai se desenvolver devido ao elevado número de pilotos convidados por dividir a pista com o campeonato da FIA de F3.

Felipe Nasr no topo em Rockingham

junho 7, 2011
Felipe Nasr

Felipe Nasr foi o mais veloz no primeiro dia de treinos coletivos da F3 Inglesa em Rockingham

A F3 Inglesa está realizando neste terça e quarta-feira, dias 7 e 8, treinos coletivos na pista de Rockingham, em preparação para as próximas etapas do campeonato da categoria. No entanto, não é preciso esperar o segundo dia para comentar sobre o desempenho de Felipe Nasr.

Mais uma vez o brasileiro da Carlin fechou o dia na ponta da tabela de tempos. Na realidade, dessa vez ele não fez mais que a obrigação. Quando Nasr fez aquela atuação histórica na rodada de abertura em Monza – que você pode ler o post que fiz clicando aqui – eu disse que o brasileiro era realmente muito bom nesse tipo de circuito de alta velocidade. Assim, não é surpresa nenhuma que ele tenha terminado na frente nesse quase-oval.

Parece um pouco duro demais falar que o piloto não fez mais que a obrigação de terminar na frente, mas isso não é nenhum demérito. Pelo contrário, ao dizer isso me baseio naquela conta de corridas que um piloto não pode perder se quiser pensar em título. E perder pontos em Rockingham seria algo frustrante para o brasiliense.

Digo isso porque foi justamente nesse circuito onde ele conquistou a primeira vitória na carreira na F3 Inglesa, ainda na temporada passada. Com um carro muito superior ao da Double R de 2010, a expectativa é que, no mínimo, ele possa igualar o resultado.

Outro fator positivo que pesa em favor do brasileiro é o bom resultado em treinos classificatórios. Embora em Monza ele tenha decepcionado e largado lá atrás, a pista italiana é um convite às ultrapassagens. Nos dois circuitos seguintes, Oulton e Snetterton, infinitamente mais travados, Nasr conquistou três pole-positions em quatro corridas e largou na primeira fila em todas elas.

Como alerta, ficam tanto o fraco aproveitamento em converter pole em vitória (apenas uma nas três) e o fato de que mesmo em Rockingham, o brasileiro ter sido pressionado de perto por Jazeman Jaafar. O malaio, na realidade, foi o mais rápido durante todo o dia, menos no momento em que as condições de pista estavam melhores, que foi quando Felipe aproveitou para cravar o melhor tempo.

Deixando Rockingham para trás, Nasr chega a Brands Hatch com duas importantes tarefas. A primeira é conseguir pontos importantes para se distanciar ainda mais na frente do campeonato, enquanto a segunda é conseguir dar ao Brasil novamente um triunfo nessa tradicional pista. Afinal, desde Nelsinho Piquet, que era um especialista por lá, o país não consegue convencer por aqueles lados.

P.S.: clique aqui para ver os tempos dos treinos em Rockingham


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