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dezembro 5, 2012
Uma das poucas coisas legais da F3 Italiana foi o retorno da Mygale como construtora. O problema é que isso decidiu o campeonato...

Uma das poucas coisas legais da F3 Italiana foi o retorno da Mygale como construtora. O problema é que isso decidiu o campeonato…

Foi só eu falar que não gosto de dar notícias de fim de categorias, que os campeonatos começaram a se extinguir um a um. Nesta quinta-feira, dia 6, foi a vez de os organizadores da F2 e da F3 Italiana anunciarem que esses certames não vão acontecer no próximo ano.

Para quem acompanha, essa não é exatamente uma novidade. O campeonato italiano, por exemplo, sofreu com grids minúsculos nas últimas duas temporadas, sendo que em 2012 apenas oito pilotos participaram de todas as provas. Isso, aliás, já havia sido assunto de outro post aqui do World of Motorsport, basta clicar aqui para relembrar.

Pior do que isso foi o jeito patético de como o título deste ano foi decidido. Os carros da Dallara – todos os concorrentes menos Riccardo Agostini e Nicholas Latifi – foram desclassificados da última etapa por causa de uma irregularidade técnica. Dessa forma, o italiano ficou com o título do campeonato ao praticamente correr sozinho na prova decisiva.

A F2, por sua vez, sofreu com as próprias regras que criou. Como o certame pregava o baixo custo, o jeito de fazer a conta fechar no fim do ano era cortar todo o tipo de gasto extra. Ou seja, os pilotos eram obrigados a conviver com poucos engenheiros, terem uma série de restrições nas modificações do acerto do carro e praticamente não contar com pneus novos.

Assim, aos poucos os competidores perceberam que essas restrições afetavam o aprendizado e por isso acabaram fugindo. Quem tinha uma opção melhor, acabava optando por F3, GP3 e afins, ao invés de ficarem confinados na F2.

E pensar que um dia a F2 teve no grid os jovens pilotos da Red Bull...

E pensar que um dia a F2 teve no grid os jovens pilotos da Red Bull…

Outro problema da categoria sempre foi a pretensão do próprio nome. Quando foi (re)criada pela FIA e pelo ex-piloto Jonathan Palmer, a entidade planejava reviver os dias de glória da própria F2, sendo um campeonato de acesso à F1. Para isso, eles até contavam com um teste pela Williams dado ao vencedor. No entanto, em termos de performance, a F2 deixava a desejar até mesmo com relação à F3.

Por isso, ao contrário da Star Mazda, o fim desses campeonatos não é algo tanto assim a ser lamentado. O excesso de categorias sempre foi algo conhecido no automobilismo europeu, por isso não é novidade que alguns se extingam, ainda mais em uma época de crise econômica.

Outra coisa que sempre atrapalhou foi o excesso de politicagem. Muitas vezes, os dirigentes estão mais preocupados em garantir a manutenção no cargo e uma grana extra ao lançar um campeonato a realmente estabelecer um certame em que jovens pilotos possam se desenvolver. Isso até pode dar certo por um ano ou outro, mas no fim o próprio mercado acaba escolhendo quais torneios sobrevivem.

Para encerrar, o fim desses certames não é tão ruim. A F3 Inglesa, por exemplo, já anunciou que os carros da irmã Italiana serão aceitos na National Class, em 2013, com os motores precisando passar apenas por uma equalização.  Com isso, naturalmente, o grid do campeonato britânico vai se tornar mais forte.

Da mesma forma, pilotos que pretendiam competir nos dois certames extintos na próxima temporada – se é que há algum – agora vão poder se juntar a outros campeonatos, fortalecendo-os.

As únicas pessoas que não devem ter gostado nada dessas notícias devem ter sido Daniel McKenzie e Axcil Jefferies. Os dois pilotos já estavam praticamente confirmados na F2 em 2013, onde contariam com o apoio da equipe Double R. Agora, a ver se eles conseguem continuar no esporte.

O fracasso da rodada de abertura do automobilismo italiano

abril 2, 2012
F3 Italiana

Esse foi o incrível grid de largada da F3 Italiana em Valência. São 11 carros apenas..

Ao que tudo indica, Felipe Massa deve ter uma semana de folga dos constantes ataques da imprensa italiana, que pede por uma substituição do companheiro de Fernando Alonso. Digo isso por dois bons motivos. O primeiro é a crise no Bahrein, que deve rechear o noticiário da F1, já que a instabilidade no país asiático continua sendo ignorada por Bernie Ecclestone. O segundo é o fracasso da primeira rodada do automobilismo italiano em 2012.

Neste final de semana, a F-Abarth e a F3 Italiana deram os pontapés iniciais dos novos campeonatos no circuito de Valência, na Espanha. Em ambos os certames, apenas 11 pilotos estiveram presentes no grid de largada.  E isso não é tudo. Dos 22 atletas, apenas cinco eram italianos.

Ou seja, enquanto Felipe Massa se diverte no Twitter e visita Maranello para continuar a estudar os fracos desempenhos do ano, os italianos vão ter uma semana para perceberem que o automobilismo acabou por lá. A saída de Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi foram a ponta do iceberg de uma crise que afetou até mesmo as categorias de base de uma forma que ninguém esperava.

A efeito de comparação, a rodada de abertura da F3, em 2010, atraiu 30 pilotos, dos quais 18 tinham nascido por lá. No ano passado, no início da crise, o número caiu para 16 participantes, sendo nove locais. Neste ano, três em 11.

Analisando a curta carreira desses 11 competidores é curioso perceber que nove foram revelados justamente na F-Abarth. Apenas o líder, Henrique Martins, e o canadense Nicholas Latifi, que estreia nos monopostos nesta temporada, não saíram do campeonato criado pela Fiat. Isto é, a Itália não consegue atrair os pilotos de fora.

Quer dizer, a F-Renault Eurocup teve 38 pilotos dos mais variados tipos na etapa final da temporada de 2011, . Havia novatos, mas também tinha gente que já passou por todas as categorias de base possíveis na carreira. De todos eles, somente um decidiu seguir a carreira na Itália: justamente o brasileiro Henrique Martins.

Henrique Martins

Henrique Martins é um dos dois pilotos da F3 Italiana em 2012 que não foi revelado no automobilismo interno da Itália

Só que também não podemos dizer que essa tenha sido uma mudança brusca para o piloto. Martins competia pela equipe italiana Cram Competition, então a possibilidade de mudar para a F3 não é algo surpreendente.

Mas veja que curioso. O único piloto que não foi revelado pela F-Abarth é justamente o líder do campeonato. E essa não é a primeira vez que acontece algo do tipo. Ano passado, Michael Lewis (revelado na F-BMW) chegou à ultima corrida do ano com chances de ser campeão. O americano, no entanto, cometeu um erro nas últimas voltas da prova decisiva e ficou com o vice-campeonato.

Tanto Lewis quanto Martins, antes de chegarem à Itália, eram vistos com desconfiança em suas carreiras. Os dois já tinham certa rodagem nos campeonatos de base, mas sempre acumulando resultados apenas razoáveis. Ou seja, além de o automobilismo italiano não atrair ninguém de fora, também parece não conseguir desenvolver os garotos  – principalmente na F-Abarth – da melhor maneira possível.

Para piorar a situação, talvez não satisfeita com o número cada vez menor de pilotos inscritos, a organização da F3 Italiana também criou suas medidas polêmicas. Como eu disse antes, a rodada de abertura do torneio aconteceu em Valência, na Espanha.

Eddie Cheever

Eddie Cheever III é um dos três pilotos italianos do certame. Mas ele poderá optar por correr com a licença americana no futuro, dependendo de como seguir com a carreira

Não é novidade que corridas fora do país de origem representam custos maiores para as equipes. Aí eu pergunto, qual a necessidade de levar os jovens pilotos para competir em um circuito como Valência? O que essa viagem agregou na formação de cada um deles? Acredito que nada.

Se for para aumentar os custos, talvez levar os pilotos para lugares como Spa-Francorchamps, Silverstone, Barcelona e até mesmo Paul Ricard me parece mais lógico que um circuito que sequer foi usado na pré-temporada da F1.

Para encerrar, isso não é o mais absurdo da história. A etapa de Valência contou para o que está sendo chamado de “Campeonato Europeu de F3 Italiana”, que faz parte dessa ideia da categoria de expandir o calendário. Talvez para poupar os custos de algumas equipes, eles separaram as etapas que são realizadas na Velha Bota das demais. Assim, alguns times podem escolher correr somente na Itália e, consequentemente, pontuar apenas no italiano, enquanto quem participa dessas provas europeias toma parte também desse novo sistema de pontuação.

Parece uma boa ideia não é mesmo? Claro que não! Por que razão um piloto que tem interesse em disputar um campeonato em toda a Europa iria escolher disputar esse tal Europeu de F3 Italiana ao invés da F3 Euro Series, da F3 Espanhola, da F3 Europeia ou da GP3, que há anos já fazem provas nesses locais?

Assim, ao invés de expandir o mercado, a F3 Italiana acabou entrando em um nicho em que já há uma concorrência muito grande. Vendo por esse aspecto, não é por acaso que o grid da categoria está cada vez menor, não é mesmo?

O fim do jejum para os pilotos brasileiros

março 31, 2012
Oswaldo Negri

Em Daytona, Oswldo Negri encerrou um jejum de vitórias que já durava desde.... ahm... meu deus, fazia tempo hein?

O que Oswaldo Negri, Helio Castroneves, Luiz Razia, Henrique Martins, Nelsinho Piquet e Nicolas Costa têm em comum? Bom, todos são pilotos brasileiros e competem no exterior faz alguns anos. Mas mais do que isso, os cinco seis encerraram longos jejuns de vitórias em 2012.

O primeiro a comemorar foi Negri, que triunfou nas tradicionais 24 Horas de Daytona ao lado de John Pew, AJ Allmendinger e Justin Wilson, ainda no início de fevereiro. Competindo pela equipe de Michael Shank, o quarteto era avaliado como o candidato que corria por fora diante do favoritismo dos novos Corvette DP.

No entanto, na corrida, os carros com motores Chevrolet foram ficando pelo caminho, enquanto Negri e Allmendinger, com pilotagens muito agressivas, garantiram a conquista do Ford de número 60. Essa foi a primeira vitória do brasileiro desde o dia 31 de agosto de 2008, quando triunfou ao lado de Mark Patterson na etapa de New Jersey na GrandAM.

Depois, as vitórias de Razia, Castroneves e Nelsinho, na última semana, foram separadas por apenas algumas horas. O primeiro a triunfar foi o piloto baiano, na madrugada da última sexta-feira, já tarde de sábado na Malásia.

Largando da segunda colocação na abertura da temporada 2012 da GP2, Razia ultrapassou o favorito Davide Valsecchi na saída e assumiu a liderança da prova. A partir daí, o brasileiro só precisou economizar os pneus e administrar a vantagem para o antigo companheiro de equipe até receber a bandeira quadriculada.

Razia não estava entre os favoritos para a GP2 em 2012, mas deixou Sepang na liderança do campeonato. O triunfo, aliás, foi o primeiro desde o fim de 2009, quando ganhou a corrida curta da rodada de Monza do mesmo certame. Para comemorar o fim da seca, os malaios deixaram o hino nacional tocar por longos 3min10s. Uma eternidade “deitado eternamente em berço esplêndido”.

Helio Castroneves

Depois de um 2011 muito irregular e completamente ofuscado pelo companheiro Will Power, Helio Castroneves voltou a vencer na Indy

Algumas horas depois da vitória do baiano, foi a vez de Nelsinho Piquet comemorar a primeira conquista nos Estados Unidos. Como convidado na etapa de abertura da East Series, o ex-piloto de F1 dominou todas as atividades em Bristol e segurou o promissor Ryan Blaney para receber a bandeira quadriculada na frente.

O jejum de vitórias de Piquet era tão grande, que provavelmente você não lembra quando foi a última. Na verdade, foi em 2010. Nem faz tanto tempo, não é mesmo? Só que o triunfo tinha acontecido em uma etapa do International GT Open, o equivalente ao GT Brasil da Espanha. Na ocasião, o brasileiro tinha sido convidado pela equipe lusa Aurora Racing a disputar a etapa da Catalunha ao lado do português Álvaro Parente em uma Ferrari.

Sem maiores dificuldades, os dois ex-pilotos da GP2 dominaram a primeira corrida do final de semana catalão e ficaram com a vitória. Em 2010, Piquet já havia disputado algumas corridas da Truck Series e da ARCA, mas não tinha feito a temporada integral nos Estados Unidos. Se não fosse essa conquista peculiar, a última conquista do brasileiro havia sido em 2006, ainda na GP2.

No último domingo, Helio Castroneves também encerrou um jejum de vitórias na Indy ao ultrapassar Scott Dixon e J.R. Hildebrand para vencer pela terceira vez em São Petersburgo. Depois de uma temporada muito irregular em 2011, o piloto da Penske, obviamente, é o líder do campeonato e finalmente conseguiu tirar um pouco da atenção dada a Will Power nos circuitos mistos.

A última vez que Castroneves pôde exibir a tradicional comemoração do Homem Aranha havia sido em 2010, quando o piloto vencera de forma consecutiva as etapas do Kentucky e de Motegi da Indy. Curiosamente, as duas em ovais.

Henrique Martins

Henrique Martins venceu logo na rodada de estreia na F3 Italiana

O último penúltimo dos cinco seis brasileiros a encerrar a seca de vitórias foi Henrique Martins. Neste sábado, dia 31, o piloto de apenas 19 anos de idade ganhou a segunda corrida da rodada de abertura da F3 Italiana, em Valência, ao se beneficiar da regra do grid invertido. Essa foi a estreia de Martins na competição.

O curioso é que o garoto jamais havia vencido nos monopostos, então o jejum de conquistas devia durar desde o kart. Apesar disso, Henrique foi o campeão da F3 Sudam na divisão Light, em 2009, quando foi nove vezes o piloto mais bem classificado entre os que corriam com o antigo Dallara F301. Conta como vitória, é verdade, mas imagino que o triunfo deste sábado tenha sido especial.

Com esses pilotos tendo um desempenho tão bom em 2012, depois de momentos de baixa nas respectivas carreiras, acho que Felipe Massa e Rubens Barrichello têm em quem se inspirar para voltarem a brigar pelas primeiras colocações em suas respectivas categorias. Afinal, o quinteto acima mostrou que nunca se deve afirmar que um piloto não tem chances de vitória.

P.S.: Desde que eu comecei a contabilizar as vitórias dos pilotos brasileiros, em 2010, acho que essa é o primeiro ano com tanta gente vencendo as corridas de abertura dos seus campeonatos.

P.S.2: Neste domingo, Nicolas Costa, o primeiro campeão da história da F-Futuro venceu uma das três provas da rodada de abertura da F-Abarth em 2012, também em Valência. O carioca não triunfava desde 2010, quando vencera tanto no torneio de inverno da F-Abarth quanto na própria F-Futuro.

Para entender a crise no automobilismo italiano

fevereiro 17, 2012
Jarno Trulli

Jarno Trulli não se mostrou muito animado quando soube que deixaria a F1. Sem ele, a categoria não tem mais italianos

No início da semana, o site Italiaracing, por meio da revista eletrônica, publicou entrevistas feitas com Gabriele Lucidi e Antonio Ferrari, dono das equipes italianas Lucidi e Eurointernational, respectivamente.

Em comum os dois dirigentes desistiram de fazer parte do automobilismo italiano em 2012 e devem inscrever as equipes nos certames da Alemanha – embora Lucidi tenha decidido ter um ano sabático. Cada um por seus motivos, os dois criticaram a organização do esporte a motor na velha bota.

Lucidi, dono de uma das maiores equipes da F3 Italiana, afirmou que o campeonato se tornou pouco atraente para os times. A CSAI – a CBA da Itália – optou por não adotar o novo carro da Dallara na F3, o F312, nesta temporada por uma questão de redução de custo. As equipes e os engenheiros chiaram bastante, pois queriam trabalhar com o que há de mais moderno na modalidade.

Até aí, parece uma reclamação justa. Com a crise econômica tão presente, é natural que as federações sejam obrigadas a tomar decisões para manter essas categorias vivas e nem sempre acabam agradando a todos. No entanto, a CSAI criou um “campeonato europeu de F3 Italiana”, por mais bizarro que o nome pareça. Isto é, além das corridas na Itália, haverá um torneio paralelo disputado nas pistas da Europa pelos mesmos competidores. Além das pistas italianas, haverá rodadas em Barcelona, Hungaroring e Spa-Francorchamps (que já fazia parte do calendário).

Ou seja, a categoria optou por não adotar o novo carro, mas os times serão obrigados a gastar mais dinheiro para participar de um “campeonato europeu de F3 Italiana” e viajarem para Hungria e Espanha.

F-Abarth

Depois de ter pré-classficação em 2010, a F-Abarth sofreu para ter um grid competitivo no ano passado

Ferrari, dono da Eurointernational, por sua vez, afirmou que a equipe dele foi prejudicada pela CSAI – propositalmente ou não – em diversas ocasiões nos dois últimos anos. O dirigente disse que, em 2010, a entidade se recusou a fazer uma equalização do equipamento da Dallara com os Mygale usados pelo time. No ano seguinte, a Eurointernational – equipe que revelou Felipe Nasr – participou da F-Abarth, e Ferrari afirmou que a equipe foi prejudicada pela organização em diversas oportunidades com punições questionáveis em vários momentos da temporada.

Se já não bastassem os problemas internos enfrentados pelo automobilismo italiano, nesta sexta-feira, dia 17, veio o golpe final. A Caterham dispensou Jarno Trulli para ter Vitaly Petrov na F1 em 2012.

Do ponto de vista técnico, parece uma boa troca. Trulli vinha fazendo temporadas bastante lamentáveis, tomando tempo de Heikki Kovalianen e abandonando com problemas hidráulicos corrida sim, outra também. Petrov não é um piloto ruim. Foi vice-campeão da GP2 e sofreu na F1 tendo Robert Kubica como companheiro de equipe quando ainda era um novato e, depois, com um carro ruim no ano passado.

Só que com a saída de Trulli, os italianos perceberam que não tem mais nenhum piloto do país na F1. Nos últimos anos, os transalpinos contaram com o nosso amigo defenestrado, com Vitantonio Liuzzi e com a eterna promessa Giancarlo Fisichella. Embora todos eles tenham passado por um ou outro bom momento na carreira, estavam afastados da luta pelas vitórias há alguns anos.

Como qualquer piloto, eles tiveram os momentos de auge, conseguiram certo destaque e depois se apagaram, andando em equipes menores. Agora, sem representantes na F1, os italianos se voltam para as categorias de base do automobilismo para tentar entender o que aconteceu.

Luca Filippi

Luca Filippi é o recordista de participações na GP2, mas deixou de ser cogitado na F1 faz algum tempo

Recentemente, aqui no Brasil também passamos por uma situação parecida. Com o futuro de Felipe Massa, Bruno Senna e Rubens Barrichello indefinido na F1, a GP2 ganhou algum destaque, mas os resultados do Luiz Razia não empolgaram. Fora o baiano, até a chegada de Nasr não tínhamos mais nenhum representante.

Só que o nosso problema foi a entressafra de pilotos. A geração de Bruno Senna, Lucas Di Grassi e Nelsinho Piquet chegou à F1 e depois disso houve um buraco até a entrada de Nasr. Mas não é esse o problema com os italianos, eles sempre tiveram pilotos na GP2. Para você ter ideia, a Itália é o país com mais competidores na história do certame, com 14.

O que complicou foi que os representantes na categoria de acesso estagnaram na carreira. Não conseguiram subir para a F1 – seja por falta de dinheiro ou de talento –, mas também não largaram o osso da GP2.

O resultado é bastante conhecido. O piloto com mais participações no campeonato menor é Luca Filippi, com 108 provas disputadas. Caso compita a temporada toda de 2012, Davide Valsecchi se tornará o segundo dessa lista (tem 72 e chegaria a 96). O quarto é Giorgio Pantano. Porém, o campeão da temporada 2008 tem 106 participações se contar também a F3000 (que não tinha rodada dupla). Desses, apenas Pantano chegou a participar da F1, pela Jordan (!) no distante ano de 2004.

Edoardo Mortara

Edoardo Mortara abandonou os monopostos e arrumou companhia melhor no DTM

Aí aconteceu aquele efeito dominó. Não houve renovação dos italianos na F1. Como consequência, também não houve na GP2. Os poucos garotos promissores, como Edoardo Mortara, disputaram uma única temporada e foram obrigados a mudar de categoria porque não tinham apoio financeiro. Valia mais investir nos incansáveis Pantano e Filippi que apostar em gente talentosa como Mortara, Giacomo Ricci ou Davide Rigon.

Assim, esses meninos entupiram categorias como a F2 e a AutoGP. Enquanto isso, a CSAI achava que a F3 Italiana era a salvação para tudo. Gente como Mirko Bortolotti e Daniel Zampieri, campeões da categoria, foram elevados a um status de grandes promessas do esporte a motor, mas não correspondiam na pista essas expectativas. Quando a entidade viu que algo estava errado, resolveu fazer as mudanças e deu no que deu.

A efeito de comparação, a F-Abarth teve, em 2010, pré-classificação e mais de 40 carros em algumas etapas. No ano seguinte, algumas corridas não chegaram a 20 competidores. O mesmo pode ser dito da F3 Italiana. Em apenas um ano, o grid passou de 30 para 15 (ou menos) carros. Assim fica difícil falar em renovação.

E não há grandes sinais de melhoras. Se tudo der errado, em 2012 a situação vai continuar a mesma. Vamos supor que Davide Valsecchi confirme o favoritismo e seja campeão da GP2. Com 96 corridas disputadas na categoria de acesso, a tendência é que ele só consiga uma vaga na F1 se levar um caminhão de dinheiro para Caterham, Marussia ou HRT. Se ele chega à F1, vai ser o mesmo paliativo que vinha acontecendo com Trulli e Liuzzi: vai correr por um time pequeno, mas os italianos vão continuar dizer ‘opa, mas temos pilotos na categoria’. Enquanto isso, pode ser que nada mude nas categorias de base.

A indefinida F3 Italiana

setembro 13, 2011
Brandon Maisano

Brandon Maisano, da Ferrari, é o quarto colocado na temporada 2011 da F3 Italiana

A F3 Italiana encontrou a redenção em 2010. Aproveitando-se de custos menores, da derrocada da F3 Euro Series e do envolvimento cada vez maior da Ferrari no certame, a categoria conseguiu reunir nomes como Cesar Ramos, Stéphane Richelmi, Andrea Caldarelli, Frédéric Vervisch, Gianmarco Raimondo, Jesse Krohn, Christopher Zanella e Gabby Chaves.

O que aconteceu ficou razoavelmente conhecido por aqui: Cesar Ramos ganhou o título com três vitórias ao longo do ano e ficou valorizado, indo parar na World Series by Renault. De todos esses citados acima, apenas Krohn ficou para disputar a temporada 2011.

Se Cesar venceu o torneio com grids variando de 25 a 30 carros, foi uma surpresa bastante negativa para os organizadores da competição apenas 13 pilotos terem disputado a etapa de Adria da atual temporada, realizada no dia 4 de setembro.

Os pilotos que disputam o campeonato também mudaram. Todo aquele pessoal com certo prestígio internacional deixou a competição e foi substituída por uma série de jovens, com destaque para Brandon Maisano e Raffaele Marciello, ambos da Ferrari. Eu escrevi no início da temporada um preview sobre a F3 Italiana em 2011, basta clicar aqui para ver.

Raffaele Marciello

Raffaele Marciello é o outro piloto da Ferrari na F3 Italiana

Apesar do grid menos famoso, após cinco rodadas o campeonato tem visto disputas empolgantes e está completamente indefinido. Prova disso é olhar a tabela de pontos. A diferença do líder Sergio Campana para Eddie Cheever III, o oitavo colocado, é de apenas 30 pontos, lembrando que um piloto pode marcar 36 por rodada.

Cheever, no entanto, está 11 pontos distante de Kevin Giovesi, o sétimo. Isso significa que a vantagem de Campana para o monegasco é de 19 pontos somente. Entre eles se encontra Maxime Jousse (1 ponto atrás do líder), Marciello (-7), Maisano (-9), Edoardo Liberati (-14) e Michael Lewis (-16).

Lewis, aliás, sentiu na pele esse campeonato disputado. O americano era o líder do certame após ter vencido a primeira corrida da etapa de Spa-Francorchamps, mas uma sequência de três resultados ruins o derrubou para o sexto posto, muito embora ele pode retomar a ponta na próxima rodada, dependendo de uma combinação de resultados.

Ainda faltam três etapas para que o campeão da temporada 2011 da F3 Italiana seja conhecido – Vallelunga, Mugello e Monza – e seria bom para a categoria se a disputa continuasse apertada assim. Até porque está em jogo o teste com a Ferrari para os três primeiros.

Se a F3 Italiana é um campeonato de importância muito menor que o inglês, por exemplo, na pelo menos em termos de diversão saiu na frente em 2011. Não é novidade nenhuma que no Reino Unido a disputa foi decidida com duas rodadas de antecipação.

F3 Italiana 2011

maio 12, 2011
Victor Guerin

Victor Guerin é o representante brasileiro na F3 Italiana

Não é exagero dizer que dentre todos os campeonatos de F3, o italiano e o espanhol seriam os mais fracos (isso se não contarmos o histórico recente do sudamericano). No entanto, a temporada 2010 parecia ser a redenção da F3 Italiana. Com a implosão da F3 Euro Series, o certame da Velha Bota conseguiu atrair pilotos e equipes de uma maneira nunca vista antes chegando até mesmo a alinhar 30 carros na etapa de abertura em Misano.

Em 2010, vindos da F3 Europeia estavam Cesar Ramos, Andrea Caldarelli e Christopher Zanella. A eles se juntaram pilotos como Stéphane Richelmi, Frederic Vervisch (campeão da F3 Alemã em 2008), Tom Dillmann (atual campeão da F3 Alemã), Daniel Mancinelli (campeão da F-Renault Italiana), Jesse Krohn (protegido de Mika Salo), Gianmarco Raimondo e Gabby Chaves (campeão da F-BMW Americas em 2009).

Esse salto tanto no número de pilotos quanto na qualidade não só foi proporcionado pela derrocada da F3 Euro Series como também por um momento em que a Ferrari começava a montar a academia para jovens pilotos. Então, era de interesse de todos esses jovens ficarem perto da equipe de Maranello. Apesar disso, a história no final já conhecemos. Cesar Ramos foi campeão ao superar Richelmi por oito pontos, mas nenhum desses conseguiu uma vaga na Ferrari.

No final de 2010, a maior parte desses pilotos mudou de categoria. Ramos e Richelmi foram para a World Series by Renault; Zanella, à F2; Vervisch está na Superleague; Caldarelli, na F-Nippon; e Chaves e Dilmann; na GP3. Apenas Mancinelli e Krohn (que curiosamente agora são companheiros na RP) permaneceram na categoria.

Reflexo disso foi a diminuição no número de participantes. Dos 30 carros da abertura de 2010, apenas 16 estão inscritos para o novo campeonato. Entre os pilotos, a internacionalização iniciada no último encerrou. De todos os inscritos, apenas seis não são italianos (embora seja possível considerar Kevin Giovesi monegasca e Eddie Cheever americano).

É curioso pensar os motivos que levaram o campeonato a encolher. A F-Abarth, por exemplo, que também corre na Italia, passou de mais de 40 carros em 2010 para cerca de 15 este ano. Talvez seja uma recessão na Itália, ou então uma diminuição do apoio de fábricas e montadoras em relação aos jovens pilotos. Esse achatamento do número de inscritos não confirma o bom momento dos campeões da categoria. Nos últimos anos, Mirko Bortolotti, Daniel Zampieri e Cesar Ramos tiveram a oportunidade de disputar os principais campeonatos europeus e não fizeram tão feio assim. Logo, a categoria continua em alta.

O lado bom é que um grid tão enxuto é mais fácil de apresentar. A BVM/Target perdeu o campeão Cesar Ramos, mas buscou o italiano Sergio Campana (5º colocado em 2010) para liderar a equipe. As demais vagas do time de Minardi são dos franceses Maxime Jousse e Brandon Maisano, sendo o segundo, integrante da Academia da Ferrari. Maisano, aliás, não é o único piloto de Maranello no certame. Raffaele Marciello, da Prema, é o outro.

Marciello terá como companheiros o compatriota Andrea Roda (22º em 2010) e o americano Michael Lewis, destaque da pré-temporada depois de fazer péssimas temporadas na F-BMW europeia. O outro norte-americano é Eddie Cheever III, filho do ex-piloto de F1 e Indy homonimo, mas que corre com a bandeira italiana. Cheever é um dos pilotos da Lucidi, que contou com Richelmi/Campana/Raimondo, e agora terá Kevin Giovesi e o brasileiro Victor Guerin. Para terminar, destaque também para a dupla da RP já citada acima (Jesse Krohn e Daniel Mancinelli), além dos pilotos da ARCO (antiga Ghinzani do ex-piloto de F1 Piercarlo Ghinzani): o argentino Facu Regalia e o italiano Edoardo Liberati (9º em 2010).

Em um comentário geral, mesmo com os pilotos da Ferrari, o nível da F3 Italiana caiu muito. Grids extensos são sempre mais interessantes porque estisticamente a chance de sair alguém bom é maior. Esse não é o caso de 2011. Embora os pilotos tenham certo currículo na carreira, a geração como um todo parece mais fraca que a anterior. O que é sempre preocupante se levarmos em conta que esses jovens vão disputar as vagas na World Series e na GP2 com meninos – talvez mais preparados – vindos das demais F3 do mundo, além da GP3. Eu não acredito em um bicampeonato brasileiro, agora com Victor Guerin. Mesmo que o piloto brasileiro tenha boas chances de assegurar o campeonato, vejo outros três ou quatro piloto (Mancinelli, Campana, Regalia e Marciello) em situações melhores nesse momento.

Jules Bianchi realmente quer o título da GP2 Asia

março 12, 2011

 

Jules Bianchi

Jules Bianchi quer ser campeão da GP2 Asia de qualquer jeito

A crise política no Bahrein e o consequente cancelamento das etapas restantes da GP2 Asia no país ergueram um enorme ponto de interrogação sobre a categoria. Seria Jules Bianchi campeão depois de disputar apenas duas corridas em Abu Dhabi? E seria esse o campeonato mais curto, mais sem graça e com menos ultrapassagens da história?

Pois bem, para responder algumas dessas perguntas, a organização da GP2 Asia decidiu expandir o calendário um pouco mais para que não o título ficasse resumido a apenas duas provas. Só que a brilhante decisão acabou sendo fazer uma rodada extra na pista de Ímola, na Itália (!), onde é quase tão difícil ultrapassar quanto em Abu Dhabi. Quer dizer, o campeonato já começou todo errado e vai terminar tão errado quanto.

Ciente das limitações geográficas da pista, Jules Bianchi resolveu se preparar para poder consumar o título que, de certa forma, lhe foi tirado. Como as categorias de acesso à F1, em sua maioria, sofrem de uma padronização quanto aos circuitos em que correm, quase nenhum dos pilotos da GP2 participou de alguma prova na pista italiana. Por conta disso, o francês da ART acabou tomando uma decisão importante: iria voltar à F3 para participar de uma sessão de treinos coletivos coincidentemente marcada para a antiga sede do GP de San Marino.

Apesar de curioso, não é algo completamente novo isso de retroceder campeonatos para conhecer uma pista. Quanto a etapa de Valência estreou na F1 – e consequentemente na GP2 –, muitos dos pilotos que disputavam o certame de acesso foram participar de uma etapa da F3 Espanhola para se habituarem à pista. Se a minha memória não falha, o vencedor da corrida foi Jaime Alguersuari.

Se voltar uma categoria não é algo estranho, então quer dizer que eu só fiz esse post por falta total de assunto? Não! Bianchi arrumou uma vaga em um dos carros da Prema, da F3 Italiana, para participar do treino. Os pilotos da categoria já tinham andado um dia de testes e estavam aclimatados à pista. Mesmo assim, lá foi o francês. Resultado: foi o mais veloz colocando 0s8 no segundo colocado, o brasileiro Victor Guerin, e 1s4 em Raffaele Marciello, companheiro no Ferrari Driver Academy e que vai disputar a F3 em 2011.

A efeito de comparação, Stefano Coletti e Michael Herck, também da GP2, seguiram Bianchi e foram participar dos treinos. O primeiro foi apenas o décimo, cerca de 3s2 mais lento, enquanto o segundo terminou quatro colocações depois e terminou quase 5s, vou repetir só para dar ênfase 5s (!!!) atrás do líder. Herck tomou tempo até da F-Abarth, um carro levemente mais veloz que um F-Renault. 5s!!!

Aí certamente alguém pode dizer que o Bianchi estava mais leve e fez volta de classificação para marcar esse tempo. Certo ele. A pista é estreita e quem largar na pole-position da primeira corrida tem grandes chances de receber a bandeira quadriculada. Então Bianchi não fez mais que a obrigação em se acostumar a andar o mais rápido possível, nem que seja por apenas uma volta. Dêem logo a taça ao rapaz.

P.S.: Clicando aqui você pode encontrar os resultados completos dos treinos em Ímola.


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