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A primeira vitória de Lukas Moraes

maio 16, 2013
Lukas Moraes foi o quinto brasileiro a vencer na F-Abarth

Lukas Moraes foi o quinto brasileiro a vencer na F-Abarth

Tony Kanaan não foi o único piloto brasileiro a ganhar uma corrida no último fim de semana. Enquanto o baiano entrava para a história do automobilismo mundial, ao triunfar nas tradicionais 500 Milhas de Indianápolis, bem longe dali outro piloto do país também recebia a bandeira quadriculada na frente. Falo de Lukas Moraes, de 17 anos de idade, que ganhou a segunda bateria da F-Abarth em Adria.

O resultado do brasileiro não deixa de ser surpreendente. Afinal, na primeira etapa do campeonato, em Vallelunga, ele não foi bem, tendo conquistado apenas a oitava colocação como melhor resultado na rodada tripla.

Em Adria, tudo mudou. Logo no primeiro treino livre, o brasileiro mostrou que seria um fim de semana diferente ao marcar o terceiro melhor tempo da atividade. Mais tarde, na classificação, ele garantiu um segundo e um oitavo lugar no grid de largada.

Curiosamente, na corrida em que partiu da primeira fila foi onde conquistou o pior resultado do fim de semana, terminando na quinta posição. A glória, porém, não demorou a vir. Na segunda bateria, naquela com o grid invertido, Moraes venceu uma boa batalha com o mexicano Luis Michael Dörrbecker antes de receber a bandeira quadriculada na frente, contando ainda com a entrada do safety-car nas voltas finais.

Com o resultado, o paulista se torna o quinto brasileiro na história a já ter vencido uma etapa da F-Abarth. Antes dele, André Negrão, Victor Guerin, Bruno Bonifácio e Nicolas Costa já haviam triunfado.

Para ficar com a vitória, o brasileiro precisou superar Luis Michael Dörrbecker

Para ficar com a vitória, o brasileiro precisou superar Luis Michael Dörrbecker, que compete com o apoio da Marussia

Quem viu apenas a segunda prova em Adria pode até falar que Moraes só venceu por ter largado na primeira fila na corrida com o grid invertido. Mas ainda faltava a terceira bateria. Partindo da oitava posição, o brasileiro foi beneficiado pelos abandonos de Simone Iaquinta e Gabriele Rugin para avançar ao sexto posto, com a entrada do safety-car.

Porém, após a pista ser novamente liberada, Moraes ultrapassou Giada de Zen, se aproveitou de um erro de Federico Pezzolla e Marco Tolama para ganhar as duas posições de uma vez e ainda encontrou tempo para superar Michele Beretta no duelo pela segunda colocação. Faltou só alcançar o líder, Alessio Rovera, que venceu pela quarta vez em seis etapas neste ano.

Com os resultados em Adria, Rovera lider o campeonato, com 101 pontos, enquanto Iaquinta aparece em segundo com 64. Michele Beretta é o terceiro, com 52, e o brasileiro aparece em quarto, empatado com Pezzolla, com 49. A próxima etapa da F-Abarth está marcada para o dia 14 de julho, em Mugello.

Os novos campeões

outubro 1, 2012

Jack Harvey ficou com o título da F3 Inglesa em 2012

Neste último domingo, dia 30 de setembro, tivemos o evento mais importante do ano, o meu aniversário. Em anos passados, aproveitei a data para pesquisar dados curiosos como os pilotos que já haviam vencido corridas no próprio aniversário – que você pode clicar aqui para relembrar – ou então atletas que já haviam conquistado títulos justamente no dia em que ficaram mais velhos – que você pode conferir aqui.

Bom, em 2011, Casey Stoner foi campeão da MotoGP no aniversário dele, em outubro, e acabou quebrando o meu post, mas está valendo mesmo assim.

Dessa vez eu resolvi fazer algo diferente. Não pesquisei absolutamente nada e apenas comi bolo. Aliás, estava muito bom, era um de mousse de chocolate com aquelas power ball (acho que é esse o nome). Recomendo.

Mas como estamos em um blog sobre automobilismo – World of Motorsport – e não World of Cakes ou World of Sobremesas, evidentemente o assunto de hoje não é o bolo e, sim, o que aconteceu no final de semana automobilístico.

Coincidentemente, um monte de categorias tiveram suas decisões neste domingo. Assim, ao invés de falar dos pilotos que foram campeões nos seus aniversários, falo dos atletas que conquistaram títulos no meu aniversário. Algo muito justo, portanto.

O vencedor mais importante desse final de semana, ao menos para nós brasileiros, foi Nicolas Costa, que ficou com as duas taças da F-Abarth. Para quem não lembra, o carioca ganhou destaque no automobilismo nacional ao ser o primeiro campeão da curta história da F-Futuro, em 2010, quando ganhou uma bolsa para competir no certame europeu. É verdade que ele demorou para engrenar por lá, mas voltou forte em 2012.

Nicolas Costa garantiu mais um título para a carreira

Nicolas fez uma temporada bastante regular, mas teve resultados mais fracos que os principais adversários – Bruno Bonifácio e Luca Ghiotto. No entanto, ele renasceu nas etapas finais, conseguiu tirar a diferença e ficou com o título.

A partir de agora é acompanhar o que ele vai fazer no restante da carreira. Ainda neste ano, o piloto pode conquistar um segundo título se disputar as etapas restantes da F3 Sudamericana. Além disso, já afirmou que pretende mudar para a GP3 ou para a Auto GP na próxima temporada.

Outro campeonato do qual eu já havia falado aqui no blog foi a F3 Inglesa, em que Jack Harvey ganhou um empurrãozinho da federação inglesa ao ter uma punição revogada antes da etapa final. O britânico fez bom uso da decisão do tribunal e conquistou o título com duas vitórias nas últimas três corridas.

Lamentavelmente, alguém teve a ideia de fazer a última etapa em Donington Park, um circuito em que ninguém passa ninguém. Então tivemos provas chatíssimas por lá, e a decisão do título não teve nenhuma emoção verdadeira. Ao contrário da F-Abarth, por exemplo, que correu em Monza e até o último momento não se sabia quem seria o campeão.

Além do campeonato inglês, a F3 Alemã também teve o campeão conhecido. Na verdade, a decisão foi na sexta-feira, já que Jimmy Erikson só precisava garantir que Lucas Auer não ficasse com a pole-position para terminar com a taça e foi justamente isso que aconteceu. O sueco marcou o melhor tempo no classificatório, somou os pontos de bônus e garantiu o caneco. Não precisava nem correr, na verdade. Mas o garoto entrou na pista e ganhou as corridas. Fácil.

Como este foi o terceiro ano do sueco na F3, tendo já disputado até mesmo a F3 Euro, de todos os novos campeões, Erikson foi o que menos empolgou. No entanto, ele tem todos os méritos de ter dominado o certame nesta temporada.

Marvin Kirchhöfer é mais um jovem alemão para ficarmos de olho

Ainda na Alemanha, a F-ADAC Masters também conheceu seu vencedor. O jovem Marvin Kirchhöfer venceu as três corridas do final de semana decisivo, em Hockenheim, e conseguiu reverter a vantagem do sueco Gustavo Malja para ficar com a taça. O garoto de 18 anos é mais um daqueles alemães que começaram a correr inspirados no recente sucesso de Michael Schumacher e percebeu-se que ele tem futuro. No kart, teve um currículo amplamente vitorioso e parece ter mantido esse bom desempenho também nos monopostos.

Na F2, Luciano Bacheta, piloto inglês de origem indiana, completou uma temporada muito forte e ficou com a taça de campeão ao superar o jovem Matheó Tuscher, de apenas 15 anos de idade. O resultado foi um pouco surpreendente, já que no início do ano a expectativa era que o título ficasse entre Christopher Zanella e Mihai Marinescu, mas os dois veteranos não conseguiram alcançar o ritmo dos novatos.

Apenas para não deixar passar, o final de semana ainda definiu que os alemães Marc Basseng e Markus Winkelhock foram os campeões do GT1, em uma temporada para esquecer do certame, onde foi uma lição de tudo o que não se deve fazer. Ronnie Quintarelli e Masataka Yanagida ficaram com o título do SuperGT e Scott Pruett e Memo Rojas triunfaram na Grand-Am.

Dois brasileiros na decisão da F-Abarth

setembro 25, 2012

Bruno Bonifácio, Luca Ghiotto e Nicolas Costa são os três pilotos na briga pelo título da F-Abarth

O campeão da temporada 2012 da F-Abarth será conhecido neste fim de semana, em Monza. Ao contrário do último ano, quando Sergey Sirotkin e Patric Niederhauser garantiram os títulos com antecipação, dessa vez três pilotos chegam à etapa final com chances de levantar a taça: o italiano Luca Ghiotto e os brasileiros Nicolas Costa e Bruno Bonifácio.

Após sete etapas e 21 corridas, quem lidera a tabela é Costa, com 244 pontos. Ghiotto aparece em segundo, com 227, e Bonifácio, com 215, é o terceiro. Lembrando que 58 pontos estarão em jogo nessa etapa final.

Obviamente, pela vantagem que tem, Nicolas é o favorito a sair da Itália com mais um título de campeão. No entanto, essa não será uma tarefa fácil. Nos últimos anos, tem sido bastante comum que campeonatos decididos em Monza tenham reviravolta no último momento.

Em 2010, Jack Harvey era o líder da temporada da F-BMW Europeia, mas sabia que dificilmente conseguiria segurar Robin Frijns na etapa decisiva. Porém, o carro do britânico teve um surpreendente bom desempenho, culminando com a pole-position para ambas as corridas. Na primeira prova da rodada dupla, Harvey perdeu algumas posições, mas quando estava próximo de reassumir a liderança foi tocado por Javier Tarancón, abandonando em seguida. Frijns venceu a prova e só precisou administrar na segunda corrida para terminar com o título.

No ano passado, foi a vez de a taça da F3 Italiana mudar de mãos. Na última corrida do campeonato, o então líder Michael Lewis teve um final de semana dominante e parecia que ia conseguir ficar com o título. No entanto, o americano cometeu um erro nas voltas finais da corrida decisiva em Monza, deixando a disputa. Melhor para Sergio Campana, que se tornou campeão.

Nicolas Costa já sabe em qual posição quer terminar o campeonato

Com esse histórico em mente, é claro que o campeonato está aberto. Entretanto, há uma diferença entre Harvey e Lewis para Nicolas Costa. Nenhum tinha uma vantagem tão grande quanto o piloto carioca. No entanto, os outros dois precisaram enfrentar apenas uma rodada dupla. Já o brasileiro terá três corridas pela frente. Em caso de abandono na primeira prova, com vitória de algum dos rivais, já imaginou a pressão que ele terá que lidar? E olha que Monza não é uma pista que costuma perdoar erros.

Mesmo assim, o primeiro campeão da F-Futuro tem algumas vantagens nessa decisão do título. Uma delas é o bom momento que vive. Nas primeiras cinco etapas, o carioca conquistou quatro vitórias, mas foi muito inconstante, abandonando uma prova e terminando quatro vezes fora do top-5. No entanto, nas duas últimas rodadas, em Imola e em Vallelunga, Nicolas completou todas as corridas no pódio.

Esse desempenho é exatamente o contrário do que vive Bruno Bonifácio. O paulista foi o piloto dominante ao longo de toda temporada, com as mesmas quatro vitórias do compatriota. Apesar disso, teve a vantagem de ter subido ao pódio em 13 das primeiras 17 corridas. O problema foram as últimas quatro. O brasileiro conquistou um quinto lugar em Vallelunga como melhor resultado. Depois, somou um nono, um décimo e um péssimo-segundo 12º.

Ser o azarão pode ser uma vantagem para Bruno Bonifácio neste final de semana

Assim, de líder e favorito ao título, Bonifácio passou a perseguidor. Para Monza, a primeira coisa que o paulista precisa fazer é deixar o baque da queda de rendimento para trás e saber que não tem nada a perder. Assim, dos três que disputam a taça, ele é o que pode arriscar mais.

O ideal seria vencer a primeira corrida e a partir daí ver como estão as chances de título. Não é impossível que os adversários abandonem ou tenham corridas ruins. Lembra a F1 em 2010? Comparando apenas a situação, Sebastian Vettel chegou a Abu Dhabi como azarão em um duelo entre Fernando Alonso e Mark Webber. Só que o piloto da Ferrari ficou tão preocupado em marcar o australiano que acabou se esquecendo do alemão.

Por fim, seria um erro descartar Luca Ghiotto. Em primeiro lugar, ele é um italiano correndo em casa, então conhece a pista muito melhor que os dois brasileiros. Aí, vamos supor que Nicolas Costa não esteja em um final de semana bom, como já aconteceu tantas vezes ao longo do ano. Dessa forma, Luca terá uma vantagem considerável sobre Bonifácio.

Antes de encerrar, um detalhe curioso. Ano passado, os três pilotos disputaram a etapa de Monza da F-Abarth. Quem levou a melhor foi Nicolas Costa, que conquistou um quinto e um quarto lugar. Ghitto teve um sétimo – com direito a volta mais rápida da prova – e um abandono e Bonifácio conquistou um nono lugar e abandonou a outra corrida.

A boa fase de Bruno Bonifácio na F-Abarth

junho 13, 2012

Bruno Bonifácio superou a inconsistência de resultados para assumir a liderança da F-Abarth

A temporada 2012 da F-Abarth está sendo bastante emocionante. Ao menos para nós, brasileiros, já que os pilotos do país estão dominando a categoria. Ok, tirando certo exagero, o panorama é bastante diferente dos últimos anos. Até o início da temporada, o Brasil havia vencido apenas duas vezes no campeonato, ambas em 2010, no ano de estreia da categoria. Victor Guerin conquistara a vitória na corrida curta da etapa da Umbria, enquanto André Negrão terminara com a primeira colocação no evento de exibição, em Spa-Francorchamps.

Em 2012, a situação mudou. Já são cinco conquistas. No segundo ano na categoria, Nicolas Costa venceu duas vezes – em Valência e em Hungaroring –, enquanto Bruno Bonifácio já tem três triunfos. Além de ter terminado na primeira colocação por duas vezes na Hungria, o brasileiro também ganhou uma das corridas da etapa de Mugello, no último final de semana.

Aliás, o desempenho do piloto paulista tem sido bastante curioso. Em nove corridas disputadas até aqui, ele abandonou duas vezes. No entanto, subiu ao pódio em todas as demais. Além das três vitórias, Bruno já conquistou dois segundos lugares e dois terceiros, além de duas pole-position.

Como resultado, o brasileiro assumiu a liderança do campeonato com uma vantagem de cinco pontos para o companheiro de equipe Luca Ghiotto. Nicolas Costa, por sua vez, também está na briga, ao ocupar a terceira colocação, com dez pontos a menos que o compatriota.

Considerado um dos favoritos ao título desde a pré-temporada, não havia muitas dúvidas de que Bonifácio se mostraria um piloto rápido. Desde o início do ano, quando disputou a Toyota Racing Series, na Nova Zelândia, o brasileiro já havia liderado treinos competindo com alguns dos pilotos mais badalados das categorias de base, como Raffaele Marciello – da Academia da Ferrari –, Felix Serralles, Hannes Van Asseldonk e Lucas Auer (sobrinho de Gerhard Berger).

O uruguaio Santiago Urrutia é o outro grande destaque da F-Abarth em 2012

A questão era ver ser o brasileiro poderia acumular resultados consistentes. Na Nova Zelândia, uma série de erros – principalmente em largadas e relargadas – acabou custando chances reais de pódios. Na Itália, parece que essa fase ficou para trás. Assim, a partir de agora, o principal desafio de Bruno será manter os bons resultados para começar a pensar em título. Ainda restam cinco rodadas para o final da F-Abarth, e nada está definido.

Apesar de o campeonato ainda estar completamente indefinido, algumas coisas já são possíveis apontar. Por exemplo, no ano passado, Bonifácio se tornou o primeiro piloto da classe Light a marcar uma pole-position na classificação geral da F3 Sudamericana desde João Paulo de Oliveira, em 1999. Se em um primeiro momento era possível questionar o feito, já que a F3 vem sofrendo com a falta de pilotos, agora já começa a ficar mais claro que o paulista não saiu na primeira colocação por acaso.

Para encerrar, Bonifácio é o principal nome desse início de temporada 2012 da F-Abarth, mas não é o único destaque. Quem também vem chamando a atenção é Santiago Urrutia, um raro representante do Uruguai no automobilismo europeu. Com apenas 15 anos de idade, o sul-americano conquistou a primeira vitória da carreira na última semana, em Mugello, ao se aproveitar do grid invertido na corrida curta. Só que o triunfo não veio por acaso. Esse foi o quarto pódio do garoto na temporada.

Por causa dos resultados, Urrutia já vem sendo comparado ao também uruguaio Gonzalo Rodriguez, que morreu em 1999 em uma etapa da Indy em Laguna Seca, correndo pela Penske.

É um certo exagero a comparação Urrutia/Rodrigues, mas a verdade é que não há muitos pilotos do Uruguai para servir de parâmetro. Da mesma fora, também não é certo comparar Bonifácio com João Paulo de Oliveira.  Por outro lado, quem ganha com tudo isso é a F-Abarth. Mesmo em uma temporada com um grid tão esvaziado, a categoria mostra que pode atrair alguns dos principais talentos do automobilismo mundial, algo que os garotos que pretendem sair do kart em 2013 certamente já estão de olho.

Agora resta ver se, primeiro, esses pilotos terão condições de manter o alto nível de desempenho no restante de 2012 e, depois, se eles serão páreo para os rivais vindos de outros campeonatos quando derem prosseguimento às carreiras.

O fracasso da rodada de abertura do automobilismo italiano

abril 2, 2012
F3 Italiana

Esse foi o incrível grid de largada da F3 Italiana em Valência. São 11 carros apenas..

Ao que tudo indica, Felipe Massa deve ter uma semana de folga dos constantes ataques da imprensa italiana, que pede por uma substituição do companheiro de Fernando Alonso. Digo isso por dois bons motivos. O primeiro é a crise no Bahrein, que deve rechear o noticiário da F1, já que a instabilidade no país asiático continua sendo ignorada por Bernie Ecclestone. O segundo é o fracasso da primeira rodada do automobilismo italiano em 2012.

Neste final de semana, a F-Abarth e a F3 Italiana deram os pontapés iniciais dos novos campeonatos no circuito de Valência, na Espanha. Em ambos os certames, apenas 11 pilotos estiveram presentes no grid de largada.  E isso não é tudo. Dos 22 atletas, apenas cinco eram italianos.

Ou seja, enquanto Felipe Massa se diverte no Twitter e visita Maranello para continuar a estudar os fracos desempenhos do ano, os italianos vão ter uma semana para perceberem que o automobilismo acabou por lá. A saída de Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi foram a ponta do iceberg de uma crise que afetou até mesmo as categorias de base de uma forma que ninguém esperava.

A efeito de comparação, a rodada de abertura da F3, em 2010, atraiu 30 pilotos, dos quais 18 tinham nascido por lá. No ano passado, no início da crise, o número caiu para 16 participantes, sendo nove locais. Neste ano, três em 11.

Analisando a curta carreira desses 11 competidores é curioso perceber que nove foram revelados justamente na F-Abarth. Apenas o líder, Henrique Martins, e o canadense Nicholas Latifi, que estreia nos monopostos nesta temporada, não saíram do campeonato criado pela Fiat. Isto é, a Itália não consegue atrair os pilotos de fora.

Quer dizer, a F-Renault Eurocup teve 38 pilotos dos mais variados tipos na etapa final da temporada de 2011, . Havia novatos, mas também tinha gente que já passou por todas as categorias de base possíveis na carreira. De todos eles, somente um decidiu seguir a carreira na Itália: justamente o brasileiro Henrique Martins.

Henrique Martins

Henrique Martins é um dos dois pilotos da F3 Italiana em 2012 que não foi revelado no automobilismo interno da Itália

Só que também não podemos dizer que essa tenha sido uma mudança brusca para o piloto. Martins competia pela equipe italiana Cram Competition, então a possibilidade de mudar para a F3 não é algo surpreendente.

Mas veja que curioso. O único piloto que não foi revelado pela F-Abarth é justamente o líder do campeonato. E essa não é a primeira vez que acontece algo do tipo. Ano passado, Michael Lewis (revelado na F-BMW) chegou à ultima corrida do ano com chances de ser campeão. O americano, no entanto, cometeu um erro nas últimas voltas da prova decisiva e ficou com o vice-campeonato.

Tanto Lewis quanto Martins, antes de chegarem à Itália, eram vistos com desconfiança em suas carreiras. Os dois já tinham certa rodagem nos campeonatos de base, mas sempre acumulando resultados apenas razoáveis. Ou seja, além de o automobilismo italiano não atrair ninguém de fora, também parece não conseguir desenvolver os garotos  – principalmente na F-Abarth – da melhor maneira possível.

Para piorar a situação, talvez não satisfeita com o número cada vez menor de pilotos inscritos, a organização da F3 Italiana também criou suas medidas polêmicas. Como eu disse antes, a rodada de abertura do torneio aconteceu em Valência, na Espanha.

Eddie Cheever

Eddie Cheever III é um dos três pilotos italianos do certame. Mas ele poderá optar por correr com a licença americana no futuro, dependendo de como seguir com a carreira

Não é novidade que corridas fora do país de origem representam custos maiores para as equipes. Aí eu pergunto, qual a necessidade de levar os jovens pilotos para competir em um circuito como Valência? O que essa viagem agregou na formação de cada um deles? Acredito que nada.

Se for para aumentar os custos, talvez levar os pilotos para lugares como Spa-Francorchamps, Silverstone, Barcelona e até mesmo Paul Ricard me parece mais lógico que um circuito que sequer foi usado na pré-temporada da F1.

Para encerrar, isso não é o mais absurdo da história. A etapa de Valência contou para o que está sendo chamado de “Campeonato Europeu de F3 Italiana”, que faz parte dessa ideia da categoria de expandir o calendário. Talvez para poupar os custos de algumas equipes, eles separaram as etapas que são realizadas na Velha Bota das demais. Assim, alguns times podem escolher correr somente na Itália e, consequentemente, pontuar apenas no italiano, enquanto quem participa dessas provas europeias toma parte também desse novo sistema de pontuação.

Parece uma boa ideia não é mesmo? Claro que não! Por que razão um piloto que tem interesse em disputar um campeonato em toda a Europa iria escolher disputar esse tal Europeu de F3 Italiana ao invés da F3 Euro Series, da F3 Espanhola, da F3 Europeia ou da GP3, que há anos já fazem provas nesses locais?

Assim, ao invés de expandir o mercado, a F3 Italiana acabou entrando em um nicho em que já há uma concorrência muito grande. Vendo por esse aspecto, não é por acaso que o grid da categoria está cada vez menor, não é mesmo?

Brasil em destaque na F-Abarth

março 21, 2012
Bruno Bonifácio

Bruno Bonifácio renovou com a Prema para 2012 e já mostrou bom desempenho na pré-temporada na F-Abarth

Em 2012, as categorias de base do automobilismo mundial vão ter muito destaque. No entanto, não são todos os campeonatos que vão aproveitar esse momento de evidência, já que apenas a F-Renault deve ficar com todos os créditos.

A verdade é que a categoria fez por merecer. Para a nova temporada, a a F-Renault Europeia, por exemplo, garantiu um grid com cerca de 40 carros, reunindo os jovens pilotos de McLaren, Red Bull, Lotus e Caterham, além de promessas vindas do mundo todo. Em termos de comparação e de equilíbrio, talvez apenas a F1 tenha um grid tão competitivo respeitando, claro, a enorme diferença de experiência entre os competidores.

Para nós aqui no Brasil, há algumas boas razões para ficarmos de olho na F-Renault. Em 2012, uma legião de pilotos brasileiros vai participar do certame: Guilherme Silva, Victor Franzoni, Felipe Fraga, Gustavo Lima, João Câmara e talvez Gabriel Casagrande, que ainda está enrolado pelo cancelamento da F-Renault UK.

No entanto, a chance de algum deles conquistar o título em 2011 é muito baixa, justamente pela qualidade e pela experiência dos adversários. Como todos eles estão debutando em solo europeu, a tendência é que esse ano sirva como aprendizado para que lutem pela taça na próxima temporada.

A situação é a oposta da que acontece na F-Abarth. Com menos prestígio e envolvida naquela crise que do automobilismo italiano – assunto de um excelente (até parece) post de alguns meses atrás, que basta clicar aqui para relembrar –, a categoria apoiada pela Fiat vê os pilotos brasileiros em posição de destaque para a nova temporada.

Com a temporada 2012 às vésperas de começar – a rodada de abertura está marcada para o daí 31 de março –, os brasileiros foram protagonistas dos treinos coletivos até aqui. Não é absurdo, nesse momento, dizer que as maiores chances de título para pilotos do país em 2012 vêm justamente deste campeonato.

Até o momento – e acho que a situação não deve mudar – são dois brasileiros confirmados para 2012: Nicolas Costa (primeiro campeão da história da F-Futuro) e Bruno Bonifácio.

Mais experiente, Nicolas assinou com a equipe Euronova, de propriedade do ex-piloto de F1 Vicenzo Sospiri. É maldade dizer, mas talvez o carro da F-Abarth seja mais rápido que o Lola que o agora dirigente italiano pilotou no GP da Austrália da F1 em 1997, mas isso é outra história.

Mesmo com uma carreira breve na F1, Sospiri se tornou um dono de equipe bastante respeitado na Itália. A Euronova, por exemplo, é a atual campeã da categoria, tendo levado o russo Sergey Sirotkin ao título de 2011. O garoto, aliás, segue na equipe e vai disputar a F3 Italiana e a Auto GP neste ano.

Nicolas Costa

Em 2012, Nicolas Costa está de volta à Euronova. Pela esquadra italiana, o brasileiro foi campeão do torneio de inverno da F-Abarth em 2010

Bonifácio, por sua vez, renovou contrato com a Prema e é um dos favoritos ao título. Ao longo da pré-temporada, o paulista foi sempre o segundo colocado. Ora ficando atrás do companheiro Luca Ghiotto, ora perdendo para algum carro da Jenzer, mas constantemente no topo. A efeito de comparação, Nicolas Costa participou apenas da última bateria de testes e ficou com a terceira colocação.

Com os dois brasileiros devidamente apresentados, é curioso notar uma semelhança bem grande entre eles: ambos assinaram com grandes equipes do certame e que estão presentes em categorias respeitadas do automobilismo mundial. Enquanto a Euronova também alinha carros na Auto GP e na F3 Italiana, como citado, a Prema é a atual campeã da F3 Euro Series e também participa da F3 Italiana. Ou seja, a possibilidade de um trabalho bem feito pelos garotos pode significar o próximo passo da carreira no continente europeu.

Dito isso, eu afirmo que o grande atrativo da F-Abarth, nesse momento de concorrência com a F-Renault, é a presença desses times. Salvo a Fortec (F3 Inglesa) e a Tech 1 (World Series by Renault), nenhum dos times do campeonato rival tem presença tão grande no automobilismo de base. Assim, os garotos já terminam a temporada com a preocupação de buscar um novo contrato com outro time caso considerem a hipótese de mudar de campeonato para seguir carrerira.

Na F-Abarth, essa angústia é menor. Além da Prema e da Euronova, a BVM Target (World Series e F3 Italiana), a Jenzer (GP3) e a JD (F3 Italiana) também estão em outros certames. Ou seja, um piloto que se destaque pode ficar tranquilo e pensar em um projeto a longo prazo. Não é por coincidência que os dois campeões de 2011, Patric Niederhauser e Sirotkin se mantiveram nas mesmas equipes para o novo ano. Com o russo já apresentado, resta falar que o suíço segue na Jenzer para correr na GP3.

Com essa avaliação feita, vale ressaltar que a F-Abarth não é menor que essas equipes. É claro que é muito importante esse atrativo para os pilotos, mas caso os times presentes no campeonato não tivessem ramificações pelo mundo das categorias de base, acredito que o certame continuaria existindo normalmente.

P.S.: clique aqui para ver os tempos do penúltimo dia de treinos da F-Abarth e aqui para ver o último dia

P.S.2: o terceiro brasileiro a competir na F-Abarth pode ser o catarinense Yukio Duzanowski, que testou pela JD durante a pré-temporada. Só não digo que o negócio está fechado porque ainda não houve anúncio oficial

Para entender a crise no automobilismo italiano

fevereiro 17, 2012
Jarno Trulli

Jarno Trulli não se mostrou muito animado quando soube que deixaria a F1. Sem ele, a categoria não tem mais italianos

No início da semana, o site Italiaracing, por meio da revista eletrônica, publicou entrevistas feitas com Gabriele Lucidi e Antonio Ferrari, dono das equipes italianas Lucidi e Eurointernational, respectivamente.

Em comum os dois dirigentes desistiram de fazer parte do automobilismo italiano em 2012 e devem inscrever as equipes nos certames da Alemanha – embora Lucidi tenha decidido ter um ano sabático. Cada um por seus motivos, os dois criticaram a organização do esporte a motor na velha bota.

Lucidi, dono de uma das maiores equipes da F3 Italiana, afirmou que o campeonato se tornou pouco atraente para os times. A CSAI – a CBA da Itália – optou por não adotar o novo carro da Dallara na F3, o F312, nesta temporada por uma questão de redução de custo. As equipes e os engenheiros chiaram bastante, pois queriam trabalhar com o que há de mais moderno na modalidade.

Até aí, parece uma reclamação justa. Com a crise econômica tão presente, é natural que as federações sejam obrigadas a tomar decisões para manter essas categorias vivas e nem sempre acabam agradando a todos. No entanto, a CSAI criou um “campeonato europeu de F3 Italiana”, por mais bizarro que o nome pareça. Isto é, além das corridas na Itália, haverá um torneio paralelo disputado nas pistas da Europa pelos mesmos competidores. Além das pistas italianas, haverá rodadas em Barcelona, Hungaroring e Spa-Francorchamps (que já fazia parte do calendário).

Ou seja, a categoria optou por não adotar o novo carro, mas os times serão obrigados a gastar mais dinheiro para participar de um “campeonato europeu de F3 Italiana” e viajarem para Hungria e Espanha.

F-Abarth

Depois de ter pré-classficação em 2010, a F-Abarth sofreu para ter um grid competitivo no ano passado

Ferrari, dono da Eurointernational, por sua vez, afirmou que a equipe dele foi prejudicada pela CSAI – propositalmente ou não – em diversas ocasiões nos dois últimos anos. O dirigente disse que, em 2010, a entidade se recusou a fazer uma equalização do equipamento da Dallara com os Mygale usados pelo time. No ano seguinte, a Eurointernational – equipe que revelou Felipe Nasr – participou da F-Abarth, e Ferrari afirmou que a equipe foi prejudicada pela organização em diversas oportunidades com punições questionáveis em vários momentos da temporada.

Se já não bastassem os problemas internos enfrentados pelo automobilismo italiano, nesta sexta-feira, dia 17, veio o golpe final. A Caterham dispensou Jarno Trulli para ter Vitaly Petrov na F1 em 2012.

Do ponto de vista técnico, parece uma boa troca. Trulli vinha fazendo temporadas bastante lamentáveis, tomando tempo de Heikki Kovalianen e abandonando com problemas hidráulicos corrida sim, outra também. Petrov não é um piloto ruim. Foi vice-campeão da GP2 e sofreu na F1 tendo Robert Kubica como companheiro de equipe quando ainda era um novato e, depois, com um carro ruim no ano passado.

Só que com a saída de Trulli, os italianos perceberam que não tem mais nenhum piloto do país na F1. Nos últimos anos, os transalpinos contaram com o nosso amigo defenestrado, com Vitantonio Liuzzi e com a eterna promessa Giancarlo Fisichella. Embora todos eles tenham passado por um ou outro bom momento na carreira, estavam afastados da luta pelas vitórias há alguns anos.

Como qualquer piloto, eles tiveram os momentos de auge, conseguiram certo destaque e depois se apagaram, andando em equipes menores. Agora, sem representantes na F1, os italianos se voltam para as categorias de base do automobilismo para tentar entender o que aconteceu.

Luca Filippi

Luca Filippi é o recordista de participações na GP2, mas deixou de ser cogitado na F1 faz algum tempo

Recentemente, aqui no Brasil também passamos por uma situação parecida. Com o futuro de Felipe Massa, Bruno Senna e Rubens Barrichello indefinido na F1, a GP2 ganhou algum destaque, mas os resultados do Luiz Razia não empolgaram. Fora o baiano, até a chegada de Nasr não tínhamos mais nenhum representante.

Só que o nosso problema foi a entressafra de pilotos. A geração de Bruno Senna, Lucas Di Grassi e Nelsinho Piquet chegou à F1 e depois disso houve um buraco até a entrada de Nasr. Mas não é esse o problema com os italianos, eles sempre tiveram pilotos na GP2. Para você ter ideia, a Itália é o país com mais competidores na história do certame, com 14.

O que complicou foi que os representantes na categoria de acesso estagnaram na carreira. Não conseguiram subir para a F1 – seja por falta de dinheiro ou de talento –, mas também não largaram o osso da GP2.

O resultado é bastante conhecido. O piloto com mais participações no campeonato menor é Luca Filippi, com 108 provas disputadas. Caso compita a temporada toda de 2012, Davide Valsecchi se tornará o segundo dessa lista (tem 72 e chegaria a 96). O quarto é Giorgio Pantano. Porém, o campeão da temporada 2008 tem 106 participações se contar também a F3000 (que não tinha rodada dupla). Desses, apenas Pantano chegou a participar da F1, pela Jordan (!) no distante ano de 2004.

Edoardo Mortara

Edoardo Mortara abandonou os monopostos e arrumou companhia melhor no DTM

Aí aconteceu aquele efeito dominó. Não houve renovação dos italianos na F1. Como consequência, também não houve na GP2. Os poucos garotos promissores, como Edoardo Mortara, disputaram uma única temporada e foram obrigados a mudar de categoria porque não tinham apoio financeiro. Valia mais investir nos incansáveis Pantano e Filippi que apostar em gente talentosa como Mortara, Giacomo Ricci ou Davide Rigon.

Assim, esses meninos entupiram categorias como a F2 e a AutoGP. Enquanto isso, a CSAI achava que a F3 Italiana era a salvação para tudo. Gente como Mirko Bortolotti e Daniel Zampieri, campeões da categoria, foram elevados a um status de grandes promessas do esporte a motor, mas não correspondiam na pista essas expectativas. Quando a entidade viu que algo estava errado, resolveu fazer as mudanças e deu no que deu.

A efeito de comparação, a F-Abarth teve, em 2010, pré-classificação e mais de 40 carros em algumas etapas. No ano seguinte, algumas corridas não chegaram a 20 competidores. O mesmo pode ser dito da F3 Italiana. Em apenas um ano, o grid passou de 30 para 15 (ou menos) carros. Assim fica difícil falar em renovação.

E não há grandes sinais de melhoras. Se tudo der errado, em 2012 a situação vai continuar a mesma. Vamos supor que Davide Valsecchi confirme o favoritismo e seja campeão da GP2. Com 96 corridas disputadas na categoria de acesso, a tendência é que ele só consiga uma vaga na F1 se levar um caminhão de dinheiro para Caterham, Marussia ou HRT. Se ele chega à F1, vai ser o mesmo paliativo que vinha acontecendo com Trulli e Liuzzi: vai correr por um time pequeno, mas os italianos vão continuar dizer ‘opa, mas temos pilotos na categoria’. Enquanto isso, pode ser que nada mude nas categorias de base.

2012: Nick Cassidy e a fábrica neozelandesa de pilotos

dezembro 18, 2011
Nick Cassidy

Nick Cassidy é o próximo nome na lista de pilotos saídos da Nova Zelândia

Dando continuidade à série Promessas de 2012, apontando que garotos podem se destacar no automobilismo na próxima temporada, hoje é dia de falar de um dos mercados mais promissores no esporte a motor: a Nova Zelândia.

Também conhecida como Austrália B – que maldade –, o pequeno país do outro lado do mundo ganhou importância na última década por revelar uma série de pilotos a rodo. Em questão de anos, surgiu Chris van der Drift, Johnny Reid, Brandon Hartley e Earl Bamber. Todos tiveram destaque na Europa, mas nenhum foi capaz sequer de se estabelecer na GP2.

Na atual década, a fábrica de pilotos continua, e o país já conta com Richie Stanaway e Mitch Evans como os principais expoentes. Evans já era considerado uma promessa desde que saiu do kart, tanto é que Mark Webber percebeu o talento do garoto e o levou para morar na Inglaterra. Em 2011, pela MW Arden, o piloto venceu uma corrida na GP3 e chegou até a liderar o campeonato, mesmo sendo o atleta mais jovem da categoria.

Stanaway, por sua vez, sempre ficou à sombra de Evans, mesmo sendo mais velho. Só que desde a transição para Europa, o garoto passou a se destacar. Enquanto Evans deixou a Oceania para viver na Inglaterra – algo deveras comum –, Stanaway foi competir na Alemanha pela equipe ma-con, na recém criada ADAC Masters.

O piloto esteou no fim de 2009, quando chamou a atenção, mas a glória veio no ano seguinte com a taça conquistada de forma dominante – terminou todas as corridas menos uma entre os dois primeiros colocados. Depois, o neozelandês mudou-se para a F3 Alemã ao assinar com a Van Amersfoort, um dos principais times do certame, mas conhecido por trabalhar apenas com garotos vindos dos Países Baixos. Evidentemente, Stanaway não se importou com isso e foi campeão ao vencer 13 das 18 corridas. O piloto ainda arrumou tempo para estrear na GP3 pela Lotus ART e vencer a corrida curta da etapa em que debutou. Esse sucesso fez com que a Gravity notasse o garoto e o incluísse como um dos mais promissores em sua extensa carta de atletas.

Com Evans e Stanaway já firmados na Europa, a questão que fica é se a Nova Zelândia será capaz de continuar com a fábrica de pilotos, afinal, já está na hora de saber qual será o novo grande nome do país. Aí chegamos ao próximo nome da lista: Nick Cassidy. Aos 17 anos, o piloto é, na verdade, apenas dois meses mais novo que Evans, mas devido à precocidade do compatriota, Nick está mais atrás na carreira.

Cassidy e Evans, aliás, sempre foram grandes rivais no kartismo neozelandês, mas mesmo assim conseguiram se tornar amigos.

Nick Cassidy

Nick Cassidy logo se aventurou pela Alemanha a exemplo dos compatriotas

Com isso, Nick pôde se aproveitar da trilha aberta pelos compatriotas na Europa para dar os próximos passos na carreira. O piloto foi convidado a participar da penúltima etapa da ADAC Masters de 2011 pela mesma ma-con onde Stanaway havia competido. Cassidy terminou duas provas entre os dez primeiros, marcando cinco pontos. Menos impressionante que o debute do compatriota, há dois anos.

O piloto também testou pela F-Abarth na Itália em um carro preparado pela Ferrari, assim como Evans já havia feito no ano anterior. Andou entre os primeiros contando apenas os novatos e com isso ganhou o convite da Composit para fazer algumas etapas no certame ainda em 2011. O desempenho não foi diferente da ADAC Masters.

Cassidy, portanto, tem bons motivos para ficar animado com o futuro na Europa. Fã assumido de Scott Dixon, o piloto já testou na Alemanha e na Itália e pode escolher tranquilamente onde competir no próximo ano. Apesar disso, também ficou claro que ao contrário de Evans e Stanaway, ele deixa a Nova Zelândia sem estar formado como piloto, precisando se desenvolver nessas categorias de base para ter o mesmo rendimento dominante dos compatriotas.

Assim, a fábrica de pilotos da Nova Zelândia conta com Nick Cassidy para manter a tradição de revelar bons atletas saídos do kart. Quanto ao piloto, resta  a responsabilidade de manter o patamar estabelecido pelos antecessores.

Para ver os outros pilotos da série Promessas 2012, basta clicar aqui.

O milagre da multiplicação na F-Abarth

setembro 22, 2011
F-Abarth

De alguma forma, o grid da F-Abarth aumentou em quase 50% em um teste

Grids cada vez menores não é um privilégio do automobilismo brasileiro. Ainda que aqui a F3 Sudamericana e a F-Futuro sobrevivam com menos de dez pilotos participando das provas, a situação não é muito melhor em mercados mais tradicionais. Na Itália, por exemplo, o ano de 2011 foi marcado por uma recessão no número de competidores das categorias-escola ainda que a presença da Ferrari nesses campeonatos tenha aumentado cada vez mais.

O post de hoje fala da F-Abarth, que chegou a ter cerca de 30 participantes em 2010 – com algumas etapas tendo até mesmo pré-classificação –, mas viu esse número cair para quando muito 18 garotos na atual temporada.

Tudo bem que esse grid ainda é maior que os da F-Futuro e F3 juntos, mas a diminuição foi quase de 50% em relação ao ano anterior. Nem mesmo a vaga na Academia da Ferrari serviu para inflar o número de competidores.

Ainda assim, a categoria conseguiu atrair nomes como Sergey Sirotkin, Gerrard Barrabeig, Michael Heche, Robert Visoiu – todos da mesma geração de kart de Nyck de Vries, Carlos Sainz Jr e Daniil Kyvat –, além dos asiáticos Dustin Sofyan e Yoshitaka Kuroda, fora Nicolas Costa, vencedor da bolsa dada ao campeão da F-Futuro de 2010.

Até aqui, nada anormal para um campeonato antes essencialmente italiano, mas que parece ter resolvido dar um passo maior que a perna ao criar uma versão europeia em 2011. A parte estranha começa agora. Nesta quinta-feira, dia 22, a F-Abarth se reuniu no circuito de Mugello para um dia de treino coletivo visando às três últimas etapas da atual temporada.

Surpreendentemente, o número de participantes saltou dos 18 da temporada regular para 28 (!) relembrando os bons momentos da categoria no ano anterior. Se houver algum segredo para essa multiplicação de pilotos, creio que qualquer campeonato no mundo queria essa solução.

Piada à parte, o motivo para o aumento do grid é óbvio. Muitos pilotos já estão se acertando com as equipes da categoria de olho na temporada de 2012, ou ao menos querem ganhar quilometragem em solo europeu antes de decidir o que fazer no próximo ano.

Além disso, o treino ainda ficou mais cheio devido aos campeonatos de F-Abarth na China e na parte hispânica da América Latina, que tentam se consolidar nas próximas temporadas. Assim, pilotos vindos desses campeonatos tentam se consolidar na Europa, enquanto outros foram para a Itália para se prepararem para esses certames.

Vicky Piria

Eu queria colocar uma foto do Nick Cassidy no carro da Ferrari, mas foi impossível achar. Então achei prudente ilustrar o post com a Vicky Piria, assim por acaso

Entre esses novatos, Bruno Bonifácio, que já havia disputado a última rodada no Red Bull Ring, voltou a aparecer em um carro da Prema. O brasileiro, porém, não foi o único piloto debutante vindo da América do Sul. Ele teve a companhia do uruguaio Santiago Urrutia, da Tomcat, e do argentino Eric Lichtestein, ex-Top Race e que atualmente compete na versão chinesa da F-Abarth.

Na classificação geral, experientes e novatos ficaram bem destacados na tabela. Os 13 primeiros foram justamente aqueles que competem na categoria de forma regular, enquanto os dez novos nomes apareceram a partir daí em um bloco quase seguido. No final, o suíço Patric Niederhauser foi o mais rápido ao superar Sergey Sirotkin em 0s2.

Os brasileiros não foram bem. Nicolas Costa  terminou somente na 13ª colocação (+1s5 atrás do líder), tomando tempo de pilotos os quais está acostumado andar na frente, como Vicky Piria, Mario Marasca,  Lorenzo Camplese e Riccardo Agostini.

Bruno Bonifácio, por sua vez, embora tenha sido o terceiro melhor entre os novatos, perdendo apenas para o italiano Raffaele Gianmaria e para Santiago Urrutia, terminou atrás de Piria, também da Prema, de quem andara na frente durante a etapa austríaca.

Ainda assim, o resultado do garoto de 16 anos não é de todo ruim. Com a experiência de quem tinha apenas competindo na Áustria, Bruno terminou na frente do neozelandês Nick Cassidy que alinhou em um carro inscrito pela, pasme, Ferrari. (Sim! A própria!). Nick é contemporâneo de Mitch Evans, um dos destaques da GP3 nesta temporada, e de Richie Stanaway, campeão da F3 Alemã. O piloto, declaradamente fã de Scott Dixon, é o próximo nome kiwi a chegar na Europa.

A categoria volta a Mugello no dia 2 de outubro para a oitava etapa da temporada 2011. Clicando aqui, você pode ver o resultado completo deste dia de treinos coletivos.

O paradeiro de Bruno Bonifácio

agosto 26, 2011
Bruno Bonifacio

Bruno Bonifacio surpreendeu ao nao aparecer para correr na F3 Sudamericana em Campo Grande. O piloto se mandou e foi para a F-Abarth

Quando a organização da F3 Sudamericana anunciou que Luir Miranda, um dos destaques da F-Futuro, iria participar da rodada de Campo Grande competindo em um carro da Cesário na divisão Light parecia que a categoria não só trabalhava para novamente preencher o grid como novos talentos como também teria pela primeira vez no ano (salvo Interlagos) uma verdadeira disputa na Light.

Para a tristeza de quem esperava por isso, Bruno Bonifácio, líder da Light até o momento, não apareceu para correr no Mato Grosso do Sul. O piloto de apenas 16 anos parece ter se enchido de competir sozinho na subdivisão, resolveu arrumar as coisas e se mandou para buscar novos ares na carreira.

Com o título da Light praticamente garantido, Bruno surpreendeu ao aparecer na Áustria nesse final de semana, onde a F-Abarth disputa a rodada do Red Bull Ring. O brasileiro se juntou à equipe Prema – a mesma que lidera a F3 Italiana, Euro Series e International – para competir em terras rubro-taurinas.

No primeiro treino, o brasileiro terminou na oitava colocação. Ficou 0s3 atrás do companheiro Luca Ghioto, mas superou a bela Vicky Piria. De quebra, foi o melhor entre os três pilotos que estreiam na categoria na Áustria. O destaque, porém, foi sido quase 1s mais rápido que Nicolas Costa, que teve problemas.

Na segunda sessão de treinos livres, Bruno caiu para a décima colocação, sendo 0s7 mais lento que Ghioto, mas continuou como melhor entre os três novatos. O piloto, aliás, voltou a ser o melhor representante do Brasil, já que Nicolas mais uma vez teve problemas e só completou quatro voltas. O treino classificatório será realizado neste sábado, dia 27, assim como a primeira corrida do final de semana.

A F3 Sudamericana merece um monte de críticas, mas esses dois episódios em separado (a entrada de Luir e a saída de Bruno) mostram que ela ainda funciona no que é mais importante, revelar pilotos. É curioso ver que a categoria pode se tornar um pólo para aqueles que competiram na F-Futuro, mas ainda não têm condições – financeiras e/ou técnicas – para deixar o Brasil.

Em Campo Grande, por exemplo, além de Luir, Ricardo Landucci e Guilherme Silva, que correm normalmente no campeonato de Felipe Massa, estão no grid da F3. São 3/8 ou 37,5%, um número bem expressivo. Pode ser o início de uma tendência curiosa onde a categoria maior se aproveitou da criação da menor para tentar prosperar.

Na outra história, Bruno Bonifácio, que mesmo competindo sozinho na Light disputava de igual para igual com os carros da divisão principal, mostra que aprendeu o que precisava correndo por aqui. O desempenho dele na Áustria não foi excelente, mas esteve longe de ser fraco. É necessário lembrar que ele nunca tinha visto o carro da F-Abarth antes, enquanto vários dos adversários estão no segundo ano na categoria.

Bruno é o segundo piloto do Brasil a correr na F-Abarth nas últimas etapas. Além do habitué Nicolas Costa, Victor Franzoni – também da F-Futuro – correu na etapa de Spa-Francorchamps. Será que com essas histórias o automobilismo de base no Brasil começa a dar certo, ou Luir, Victor e Bruno ainda são exceções?

UPDATE: no Red Bull Ring, Bruno abandonou a primeira corrida após um acidente com o romeno Robert Visoiu quando disputava posições dentro do top-10. Na segunda prova, o brasileiro teve um resultado melhor. Terminou em sétimo, 0s5 atrás do companheiro de equipe Luca Ghioto. Nicolas Costa, em comparação, foi o nono, mas prejudicado por um acidente na primeira volta.


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