A F1 — e o mundo do esporte como um todo — está de luto com a morte de Dietrich Mateschitz, fundador da Red Bull, aos 78 anos de idade.

Mateschitz, na década de 1980, já era um executivo respeitado e tinha viajado à Ásia em busca de ampliar o mercado de uma marca de pasta de dente da empresa em que trabalhava. Em uma ida à Tailândia, conheceu uma bebida local, chamada Krating Daeng, que era usada para tratar o jetlag, aquele cansaço após longas horas de viagem de avião, e também para dar mais energia aos trabalhadores no dia a dia.

O executivo ficou impressionado com o efeito do líquido e resolveu comercializá-lo na Europa com o nome de Red Bull — e com algumas adaptações na receita. Em vez de quem sofria de jetlag e trabalhadores, seu público alvo eram os jovens baladeiros.

Misturar bebida alcoólica com Red Bull se tornou um costume nas festas, e Mateschitz, especialista em marketing, resolveu promover ainda mais sua bebida, investindo em esportes radicais e, mais tarde, na F1.

Sua grande mágica foi diminuir o custo de produção de cada latinha ao mesmo tempo em que poderia colocar o preço que quisesse no energético, uma vez que durante muito tempo praticamente não teve concorrentes, o que levou a lucros enormes — na casa dos bilhões de euros.

Por transformar uma bebida até então desconhecida em uma megapotência esportiva e de marketing, Mateschitz pode ser considerado um dos grandes empresários da história. Quando uma figura dessa importância morre, é normal surgir questionamentos sobre o que vai acontecer com o império que ele criou, no caso, com a Red Bull.

Uma das curiosidades da fabricante de energéticos é que Mateschitz nunca foi o sócio majoritário. O dono da maior parte das ações era o tailandês Chaleo Yoovidhya, que vendia o tal Krating Daeng, na Ásia, e se tornou sócio de Mateschitz na expansão da bebida para a Europa.

Yoovidhya sabia que não conhecia o mercado europeu. Por isso, delegou ao sócio a função de tornar o Red Bull um sucesso no ocidente. Não era alguém que intervisse no dia a dia da empresa. O tailandês morreu em 2012 e foi seu filho, Chalerm Yoovidhya, que herdou sua participação.

Por isso, mesmo com a morte de Mateschitz, é improvável que Chalerm Yoovidhya decida agora tomar as rédeas da empresa e promover mudanças profundas — como diminuir os gastos com marketing e com esportes, por exemplo.

Ainda resta ver quem será o sucesso de Mateschitz e comandará o império rubro-taurino, mas a tendência é que nos próximos anos não haja nenhuma supermudança na empresa.

Como acontece em qualquer grande companhia, os planos costumam ser de longo prazo, por isso o legado de Mateschitz ainda deve durar por muitos anos.

Dá para traçar um paralelo com a Apple: mesmo com a morte de Steve Jobs, em 2011, a fabricante continuou a desenvolver e vender produtos que haviam sido projetados por ele. Até hoje não houve mudanças drásticas nos iPhone, iMac e iPad nem em como a companhia atua.

O futuro da Red Bull na F1

No caso da Red Bull, os planos para os próximos anos, em suas diferentes divisões, já estão definidos. É só vermos o caso da equipe da F1. Max Verstappen tem contrato até 2028, e a esquadra acabou de investir em sua fábrica de motores, pensando na chegada do novo regulamento em 2026. Além disso, a escuderia segue em busca de formar uma parceria com alguma montadora, depois que a negociação com a Porsche não deu em nada — o mais provável neste momento é um retorno da Honda.

Para a escuderia, é até mais urgente pensar até quando Helmut Marko (que completa 80 anos em 2023) e o projetista Adrian Newey (de 63), que foram fundamentais para os títulos conquistados até agora, estarão na ativa.

Por outro lado, no longo prazo, é possível, sim, que haja mudanças maiores na empresa Red Bull. Mas dificilmente irá diminuir o investimento que faz em marketing e nos esportes. Afinal, foi assim que Mateschitz transformou um energético na potência que é hoje.

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Não espere grandes mudanças na equipe Red Bull na F1 nos próximos anos – foto: getty images/red bull content pool