Gabriel Bortoleto não poderia ter um começo melhor na F3 2023. Afinal, o brasileiro cravou o melhor tempo dos três dias de treino de pós-temporada em Jerez de la Frontera, já de olho no campeonato do ano que vem.

Após esse ótimo desempenho, já podemos cravar Bortoleto como um dos favoritos ao título da F3 em 2023 ou ainda é muito cedo para falarmos sobre isso?

Para dar uma resposta direta, é muito cedo. Ainda nem sabemos quem vai correr por qual equipe. Bortoleto, inclusive, foi o primeiro nome anunciado do grid da F3 2023 ao revelar seu acerto com a Trident na segunda-feira. Além disso, não há um calendário divulgado para o próximo ano, e ainda deve haver mudanças de engenheiros e mecânicos entre os times.

Mas há, sim, motivos para ficar animado com o rendimento do brasileiro em Jerez. Para começar, Bortoleto sempre esteve entre os mais rápidos. Foi o melhor no segundo dia de atividades — tempo que lhe deu a primeira colocação no combinado dos tempos — e fechou com a terceira colocação no sábado.

Fora que a Trident é uma ótima casa na F3. Há alguns anos a escuderia já era conhecida por ganhar sempre as provas com o grid invertido, e seu desempenho só melhorou desde então, a ponto de ter vencido o campeonato de equipes em 2021 e triunfado nas três últimas corridas principais deste ano, com Zane Maloney.

Há, ainda, a vantagem de um piloto que compete pela Trident sofrer uma pressão menor que os da Prema. Geralmente são vistos “correndo por fora” na luta pelo título, daí o que vier pode ser considerado lucro para eles. Diferentemente dos representantes da Prema, que têm “obrigação” de ganhar, devido ao domínio recente da escuderia.

Os brasileiros nos treinos da F3 2023 em Jerez

Bortoleto não foi o único brasileiro a participar dos treinos da pós-temporada da F3. Roberto Faria e Emerson Fittipaldi Jr. também tomaram parte da atividade.

Faria andou pela Van Amersfoort, no primeiro dia de testes, e pela ART nos outros dois. Foi duas vezes 26º e uma 28º na soma dos tempos. É verdade que o pulo da GB3, campeonato que disputa em 2022, para a F3 é muito grande, mas foi um resultado abaixo do esperado para quem teve à disposição o equipamento da esquadra francesa, campeã deste ano com Victor Martins.

Já Emerson Fittipaldi Jr deu azar de ficar com a última colocação na classificação geral. Não que o filho de Emerson Fittipaldi tenha brilhado, mas é que ele andou somente no primeiro dia de testes, quando as condições da pista não eram as ideais — foi o 27º entre os 30 competidores. Como os demais adversários melhoraram nas sessões seguintes, o brasileiro foi empurrado para o último posto.

Aliás, nem dava para esperar muito de Fittipaldi. O piloto corre na F4 Italiana em 2022, onde não vem pontuando com consistência. Ou seja, é um salto de categoria considerável para ele. Será uma surpresa muito grande se ele estiver no grid da F3 em 2023. De qualquer forma, foi uma ótima oportunidade para conhecer o carro e já se preparar para o futuro.

Os líderes dos treinos da F3 2023 em Jerez

Voltando aos líderes dos testes em Jerez, a segunda colocação ficou com Franco Colapinto. O argentino foi um dos destaques de 2022 ao conquistar duas vitórias e outros três pódios, mas quase sempre sobressaindo nas provas com o grid invertido. Por andar pela estreante Van Amersfoort, ficava a impressão que se tivesse um equipamento mais competitivo à disposição poderia até lutar pelo título.

Na Espanha, Colapinto esteve a bordo da MP, esquadra holandesa pela qual correu em boa parte da carreira. Não se trata de um dos grandes times da F3. Mas, de repente, Colapinto pode tentar repetir Felipe Drugovich, que, na F2, se encontrou na esquadra holandesa e foi campeão, mesmo não estando entre os mais cotados à taça no início do ano.

Oliver Goethe, virtual ganhador da Euroformula Open, ficou em terceiro no segundo carro da Trident, confirmando o bom momento da esquadra italiana.

Pepe Martí, espanhol considerado muito promissor, mas que marcou somente dois pontos na F3 neste ano, fechou em quarto, seguido por Gabriele Mini. Tendo a carreira administrada por Nicolas Todt, considerado o principal empresário do paddock da F1, o italiano surpreendeu ao andar pela Hitech, que está em um segundo escalão das esquadras da F3. De qualquer forma, Mini teve um desempenho positivo, tendo sido o mais rápido na primeira das seis sessões de pista.

Falando em favoritos, Zak O’Sullivan foi o sexto, no primeiro carro da Prema. Caso o britânico realmente feche com a esquadra italiana para 2023, estará entre os mais cotados a ficar com a taça, uma vez que deve ser o único veterano no time e já tem uma pole e dois pódios na F3 em seu currículo.

Kaylen Frederick, indo para seu terceiro ano na F3, encerrou em sétimo, seguido por Leonardo Fornaroli, no terceiro carro da Trident. Líder da F-Regional by Alpine, Dino Beganovic foi o nono, enquanto Taylor Barnard completou em décimo.

Um detalhe interessante é que o britânico andou pela esquadra Jenzer, mas carregando adesivos da PHM, equipe que defende na F4 Italiana. Há rumores de que a PHM vá comprar a vaga da escuderia suíça e correrá na F3 em 2023, com Barnard como um de seus pilotos.

Estrear em um campeonato é sempre um momento desafiador para qualquer escuderia, mas o décimo lugar de Barnard pode ser considerado um começo promissor, caso a PHM de fato vá para a F3.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da F3 2023 está sendo formado.

Abaixo, você confere a soma dos tempos dos treinos de pós-temporada em Jerez de la Frontera (clique na imagem para ampliar, se necessário):

Tabela com os resultados dos treinos coletivos da F3 2023