Matheus Morgatto entrou para a história do esporte a motor brasileiro. Aos 18 anos de idade, o piloto foi campeão do Mundial de Kart de 2022, disputado em Sarno, na Itália, encerrando um jejum do país na competição que já durava desde antes mesmo de ele nascer.

Morgatto se juntou a Guga Ribas, Gastão Fráguas e Ruben Carrapatoso como os outros brasileiros que terminaram na frente no principal torneio do calendário do kartismo.

Mas, na prática, o que significa ser campeão Mundial de Kart?

Para responder a essa pergunta, confira abaixo o que aconteceu com os competidores que antecederam Morgatto na hora de levantar a taça do Mundial na principal divisão em disputa – hoje a OK.

Tuukka Taponen (Finlândia – 2021)

Foi uma surpresa Taponen ter sido o campeão de 2021, ano em que o kartismo internacional foi dominado por Andrea Kimi Antonelli, Rafael Câmara e Arvid Lindblad.

Mas o italiano nem sequer disputou o campeonato, o brasileiro abandonou a disputa logo no início — enquanto liderava — e o britânico precisou se contentar com o pódio.

O finlandês, que terminou neste ano como vice de Morgatto, realmente viu portas se abrirem para sua carreira após a conquista de 2021. Foi chamado pela Ferrari para participar da seletiva de sua academia e chegou até a final. Não levou a vaga, mas passou a ser monitorado de perto pela esquadra de Maranello. Não será uma surpresa se ele vestir vermelho no ano que vem.

Callum Bradshaw (Reino Unido – 2020)

O britânico levou para casa o Mundial de 2020 disputado debaixo de muita chuva em Portugal. Aos 19 anos – e correndo contra competidores com 14 e 15 – já era considerado um veterano, o que contribuiu para que sobressaísse na pista molhada. Hoje, continua no kartismo e tem empilhado diversos títulos em competições com equipamento Rotax.

Lorenzo Travissanuto (Itália – 2019/2018)

Último piloto a conseguir defender o título Mundial, Travissanuto iniciou o domínio da fabricante Kart Republic na modalidade.

Em 2018, o italiano fazia parte da equipe de Nico Rosberg, por isso havia quem o apontasse como um futuro piloto da Mercedes na F1. Mas Travissanuto decidiu permanecer no kart, hoje é piloto de fábrica da Parolin e segue entre os ponteiros na divisão KZ, nos equipamentos com marcha.

Danny Keirle (Reino Unido – 2017)

Maior zebra recente na história dos mundiais, Keirle foi campeão correndo em casa aos 20 anos de idade. Retornou ao Mundial em outras duas oportunidades, sempre avançou à final, mas jamais voltou a ser tão competitivo como em 2017. Ensaiou uma ida para os carros de fórmula que nunca se concretizou, seguiu no kartismo e atuou como coach de pilotos.

Pedro Hiltbrand (Espanha – 2016)

Um dos maiores nomes da história recente do kartismo, Hiltbrand também levantou a taça aos 20 anos.

Se, hoje, a divisão OK é composta praticamente apenas por jovens que sonham em um dia chegar à F1 e às demais principais categorias do automobilismo mundial, em meados da década passada as fábricas investiam pesado em veteranos que buscavam fazer carreira na modalidade.

Hiltbrand, por exemplo, foi um dos mais conhecidos e, depois de muito insistir, acabou campeão em 2016. Jamais saiu dos karts e até o ano passado estava na divisão OK. Hoje defende as cores da Birel ART na KZ, nos equipamentos com marcha.

Karol Basz (Polônia – 2015)

Talvez a história mais curiosa de todas seja a deste piloto polonês. Basz também viveu o auge do kartismo dominado pelas equipes de fábrica e conquistou o tão sonhado título em 2015, quando já tinha 24 anos de idade. No ano seguinte, voltou à competição e foi o vice de Hiltbrand.

Agora, se boa parte dessa lista continuou nos karts, o polonês não quis nem saber. Desde 2017 se dedica a corridas de carro GT, defendendo principalmente a Lamborghini. Apesar de não ser um dos principais nomes da marca nas competições internacionais, tem conquistado bons resultados em torneios como o Lamborghini SuperTrofeo, o GT Italiano e o GT Open, campeonato o qual lidera na divisão Pro-Am.

Lando Norris (Reino Unido – 2014)

Norris talvez seja o piloto menos conhecido (contem ironia) dos que já ganharam o Mundial de Kart.

Depois de subir ao degrau mais alto do pódio em 2014, o britânico foi campeão da F4 Inglesa, da F-Renault Eurocup, da F-Renault Norte-Europeia, da Toyota Racing Series e da F3 Euro, além de ter sido vice-campeão da F2. Desde 2019, é titular da McLaren, escuderia pela qual já obteve uma pole e seis pódios.

O mais curioso é que, apesar de os veteranos dominarem o kartismo de sua época, Norris levou o Mundial quando tinha 14 anos de idade e competiu contra figuras que o acompanharam durante sua passagem pelas categorias de base. Naquele ano, o russo Nikita Mazepin terminou com o vice, enquanto o indiano Jehan Daruvala ficou com o terceiro lugar.


Vendo o retrospecto dos pilotos acima, não dá para ter muita certeza do que esperar de Morgatto após o título mundial. Ele ainda é bastante jovem e pode fazer carreira nos monopostos ou nos carros de turismo, do contrário está valorizado e tem todas as condições de seguir competitivo no kartismo se assim desejar.

Mas uma coisa é certeza: independentemente do que optar, Morgatto já entrou para a história do esporte a motor brasileiro.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos do Mundial de Kart de 2022, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Matheus Morgatto foi campeão mundial de kart tendo dominado todo o fim de semana em Sarno – foto: fgcom/divulgação