Quem está acompanhando a temporada 2022 da F2 pelas redes sociais já deve ter visto alguns comentários sobre Felipe Drugovich, que está com a mão na taça, ter sido sortudo neste ano, daí sua enorme vantagem na liderança.

Será que essa afirmação é verdadeira ou está sendo usada para justificar o desempenho abaixo do esperado dos principais adversários do brasileiro (como Theo Pourchaire, Juri Vips, Liam Lawson e Jehan Daruvala) com algo que foge do controle dos pilotos — a sorte?

O desempenho de Felipe Drugovich na F2 2022

Para falar a verdade, quando comecei a pesquisar o que seria essa tal sorte de Drugovich fiquei decepcionado. O argumento mais comum é que o piloto da MP passou mais ou menos ileso pela temporada, enquanto seus principais adversários estão sofrendo com quebras mecânicas e acidentes.

Começando pelos incidentes, não concordo que essa seja uma questão de sorte. O brasileiro tem trabalhado para evitá-los neste ano: tem sido muito conservador, principalmente nas largadas, para não se envolver em toques ou rodadas que o impeçam de pontuar. As exceções foram as corridas curtas em Mônaco (onde abandonou) e na Hungria. Além do mais, acidentes costumam ter uma parcela de responsabilidade dos envolvidos.

Em relação às quebras, é muito difícil falar em sorte sem saber o que está acontecendo nos bastidores. Em que pese o carro da F2 já ser conhecido por sua falta de confiabilidade, como saber quais equipes estão forçando o equipamento além do limite? E quem está economizando na hora de comprar peças novas?

Assim, quanto a problemas mecânicos, de fato Drugovich passou ileso até agora na temporada 2022 da F2. Mas aí também tem o mérito da equipe MP de assegurar a qualidade do equipamento.

Para além de escapar de quebras e acidentes, o brasileiro, alguma vezes, de fato, viu os fins de semana se desenrolaram de uma maneira que o favorecesse. Em Mônaco, por exemplo, bateu na classificação, e a bandeira amarela causada por ele próprio garantiu sua pole-position, impedindo que os adversários melhorassem seus tempos (e quem andou rápido acabou punido).

Em Barcelona, na histórica varrida do titular da MP, ter sido atrapalhado em sua volta rápida na classificação garantiu que ele largasse na parte da frente do grid na prova sprint, o que ajudou em seu duplo triunfo. Já em Hungaroring escapou de um acidente na largada, que acabou prejudicando Theo Pourchaire, deixando-o da fora da zona de pontos.

Mas será que esses lances foram apenas sorte? Além disso, foram tão fundamentais assim para que Drugovich liderasse o campeonato de uma maneira tão dominante?

Para chegar a uma resposta, podemos olhar outra estatística: das 24 corridas realizadas até o fim da rodada dupla da Holanda, o brasileiro terminou no top-5 em 18 delas. Só não pontuou em três oportunidades – sendo que em um delas, na prova curta de Zandvoort, levou para casa o bônus dado ao autor da volta mais rápida.

Na comparação, Pourchaire, o outro piloto com chances de título, tem nove top-5 até agora. Logan Sargeant, o terceiro na tabela, chegou entre os cinco primeiros em seis oportunidades. Jack Doohan e Liam Lawson também acumulam nove top-5 cada um e praticamente o mesmo número de provas fora da zona de pontos.

Vamos dizer que Drugovich não tivesse contado com a sorte nas corridas mencionadas mais acima. Ele ainda teria 14 ou 15 top-5 neste ano, diante de no máximo nove de seus principais adversários.

E olha que nem entramos no mérito de baterias em que ele deu azar, como na corrida longa de Imola, quando era o líder, mas a entrada do safety-car no fim estragou sua estratégia.

Ou seja, é muito difícil falar que um piloto que termina três a cada quatro corridas no top-5 está dependendo da sorte. É com esse tipo de consistência que se conquista campeonatos.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos de Felipe Drugovich na etapa de Zandvoort da F2 2022, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Felipe Drugovich, de macacão laranja e boné, beijando troféu de vencedor na F2 2022 com bandeira do Brasil ao fundo
Além de ser superconsistente, Felipe Drugovich tem cinco vitórias na F2 2022, contra três de Pourchaire, Doohan e Lawson – foto: dutch photo agency/kgcom/divulgação