Para quem acompanha a Indy, o grande assunto do momento é quem vai pilotar o carro número 10 da Ganassi em 2023. O atual titular, Alex Palou, mesmo tendo vínculo com a tradicional escuderia, assinou um polêmico contrato com a McLaren para o ano que vem e, os próximos passos de sua carreira estão indefinidos.

Enquanto eu pesquisava sobre o assunto, tinha decidido que o tema deste post seria mostrar que o momento não é lá muito favorável para a Ganassi, uma vez que muitos dos principais nomes disponíveis no mercado já fecharam ou estão em vias de assinar com outra equipe.

Se a Ganassi preferir buscar alguém dentro da própria Indy, vai ficar com a terceira ou quarta opção disponível. Alexander Rossi, o principal piloto que fica sem contrato no fim de 2022, já acertou com a McLaren, enquanto Kyle Kirkwood (muito badalado nas categorias de base, mas que não vem fazendo um bom ano) será o substituto na Andretti.

Fora da Indy, o mercado está ainda mais agitado. Com a Formula E estreando o carro da terceira geração em 2023, boa parte do grid do ano que vem já está definida, mesmo que ainda não tenha sido anunciada. Além disso, nas corridas de longa duração do WEC e da Imsa, deve haver um boom na participação de protótipos, puxado pela estreia do regulamento LMDh e do retorno de marcas como Ferrari e Peugeot. Ou seja, com um monte de vaga competitiva sendo aberta, quem em outras épocas pudesse ter interesse em fazer carreira na Indy agora pode preferir continuar no endurance.

Sendo assim, a Ganassi talvez precise se contentar com um piloto tapa-buracos em 2023 antes de buscar algum “nomão” no mercado para o ano seguinte.

Agora, se tem um piloto que seria um match perfeito com a Ganassi, seria Fernando Alonso.

Não tem nenhuma informação nesse post. É só uma especulação da minha cabeça.

Fernando Alonso poderia correr na Indy pela Ganassi?

Quando deixou a McLaren, no fim da temporada 2018 da F1, o espanhol dizia que buscava façanhas quase inéditas no automobilismo. Seu principal objetivo era ser o segundo competidor na história (após Graham Hill) a conquistar a chamada Tríplice Coroa. Isto é, vencer o GP de Mônaco, as 24 Horas de Le Mans e as 500 Milhas de Indianápolis.

Alonso já tinha levado a melhor no Principado e, nesse período longe da principal categoria do automobilismo mundial, ganhou duas vezes em Le Mans pela Toyota.

Em Indianápolis, ele não vem dando sorte. Até agora, sua melhor participação nas 500 Milhas foi em 2017, pela Andretti, quando liderou 27 voltas e abandonou devido a um problema de motor. Nas duas tentativas seguintes, com a McLaren, nem sequer conseguiu se classificar para uma delas e foi somente o 21º em outra.

Pela Ganassi, Alonso teria chances reais de conquistar a Tríplice Coroa. Afinal, o time venceu a edição das 500 Milhas de 2022 com Marcus Ericsson e foi a segunda colocada, no ano passado, com Palou. Ou seja, equipamento competitivo o espanhol teria.

Mas, voltando para o mundo real, há inúmeros problemas para que a contratação de Alonso pudesse acontecer.

Em primeiro lugar, o espanhol não tem um bom relacionamento com a Honda, devido às críticas públicas que fazia na época que defendia a McLaren (equipada com os motores japoneses) na F1 e por ter corrido pela arquirrival Toyota em Le Mans. A Honda já vetou a presença dele em suas equipes da Indy no passado, como é o caso da Ganassi.

O outro é que a Tríplice Coroa é um mito que não existe. Não é organizada por nenhuma entidade do automobilismo mundial. É uma história antiga que ficou esquecida por décadas e só renasceu porque Alonso buscava uma justificativa para deixar a F1 em uma época na qual não vinha conseguindo bons resultados.

Hoje, a situação do espanhol é oposta. Tem sido constantemente o melhor piloto do grid da F1, se não contarmos Ferrari, Red Bull e McLaren. Brigou pela pole na Austrália e no Canadá. Neste fim de semana, na França, na casa da Alpine, equipe pela qual compete, foi o quinto. Ou seja, por qual razão ele deixaria a principal categoria do automobilismo mundial e resgataria a história da Tríplice Coroa, se neste momento vem tendo seu talento e sua habilidade frequentemente reconhecidos?

Além do mais, a própria Alpine já falou que a tendência é, quando Alonso decidir se aposentar novamente da F1, ele integrar o time da montadora no WEC e nas 24 Horas de Le Mans. Ou seja, a Indy está longe de seus planos.

Mas não deixa de ser uma pena. Seria bem legal vermos pela segunda vez na história um piloto levar a Tríplice Coroa.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos do GP da França da F1, da Indy em Iowa e das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Carro número 10 da Ganassi, branco e azul, com patrocínio da American Legion,
O carro número 10 da Ganassi deverá ter um novo dono na temporada 2023 da Indy – foto: honda/divulgação