Atual campeão da Indy, Alex Palou se envolveu em uma enorme polêmica sobre por qual equipe (e em qual campeonato) vai correr em 2023.

No espaço de algumas horas, tanto a Ganassi, escuderia pela qual conquistou o título do ano passado, quanto a McLaren anunciaram que vão contar com o piloto a partir de 2023.

A confusão começou no fim da tarde e início da noite nos EUA, quando a Ganassi enviou um comunicado para a imprensa dizendo que tinha renovado com o espanhol para 2023.

Algumas reportagens apontam que, no fim de 2020, Palou tinha assinado com a Ganassi um contrato de três anos no formato 2+1. Isto é, as duas primeiras temporadas estavam garantidas, enquanto o terceiro ano precisaria ser negociado. A tradicional esquadra americana, assim, teria acionado a cláusula de renovação para assegurar o atual dono do carro número 10 em 2023.

Algumas horas depois, o piloto publicou no Twitter que tinha ficado sabendo do anúncio da Ganassi pela imprensa e que uma frase atribuída a ele no comunicado tinha sido forjada.

Para completar a novela, a McLaren anunciou logo em seguida a contratação de Palou para 2023, sem especificar em qual categoria ele vai correr, levantando especulações sobre o espanhol, na verdade, ser o substituto na F1 de Daniel Ricciardo, que não vem fazendo um bom campeonato até aqui.

E aí, será que Palou vai correr mesmo na F1? A McLaren roubou ele da Ganassi? E esse mistério nos comunicados o que quer dizer?

Palou na McLaren na Indy 2023

Pode parecer uma bagunça enorme, mas situações como essa até que são frequentes no automobilismo e no esporte mundial como um todo.

Palou assinou, no fim de 2020, um contrato muito longo com a Ganassi, cobrindo as três temporadas seguintes. Nessa época, apesar do desempenho promissor, ninguém sabia se o espanhol iria vingar. É comum que vínculos grandes assim para um piloto que esteja em início de carreira na Indy tenham cláusulas que protejam o time e não sejam tão favoráveis ao competidor.

Somente Palou, Ganassi e seus advogados sabem exatamente o que está escrito nesse contrato. Mas eu não ficaria surpreso se o terceiro ano (2023) fosse uma opção (decisão) apenas da equipe, e o espanhol não tenha recebido um reajuste salarial muito grande, mesmo com o título obtido.

O risco de acordos assim é o que estamos vendo. Forçar a renovação de um contrato que beneficia um dos lados arruína a relação. Ou seja, mesmo que Ganassi obrigue Palou a correr para ela em 2023, o espanhol irá embora em 2024.

Em meio a essa polêmica, a McLaren percebeu que tinha uma chance de contratar o espanhol. Para isso, deve ter oferecido um salário maior – condizente a um campeão da Indy – e também a oportunidade de testar pela F1. Não é uma surpresa, portanto, que o piloto tenha aceitado a proposta dos carros alaranjados.

Daí chegamos à polêmica de hoje. Como Palou devia estar forçando a saída da Ganassi, mesmo tendo contrato para 2023, a equipe contra-atacou divulgando sua renovação por mais um ano.

Veja que a resposta do espanhol em nenhum momento questiona esse contrato. O que ele reclama é do comunicado à imprensa (press-release) ter sido publicado sem sua aprovação e com uma frase que foi atribuída a ele sem seu consentimento. Além disso, revela ter dito à Ganassi que não pretende correr pelo time no ano que vem. Mas “pretender” é um verbo muito vago. Eu não pretendia escrever um post hoje, mas estamos todos aqui.

Da mesma forma, a McLaren foi esperta. Em seu anúncio, jamais citou que Palou vai correr ao lado de Pato O’Ward e de Alexander Rossi na Indy em 2023, pois sabe que o espanhol tem, sim, um contrato com a Ganassi.

O comunicado da escuderia britânica abre espaço para que Palou tire um ano sabático em 2023, apenas testando na F1, ou então dispute a Formula E, por exemplo, até o vínculo com a Ganassi acabar e ele estar livre em 2024.

Mas, como o clima já azedou, as chances de Palou continuar na Ganassi em 2023, independentemente do contrato assinado, são mínimas. O que vai acontecer nas próximas semanas é as duas equipes negociarem a liberação do espanhol. Ou seja, a multa rescisória que a McLaren terá que pagar à Ganassi — que também não deve ser muito alta (afinal lá em 2020 ninguém sabia se Palou ia vingar ou não).

Assim, quando esse dinheiro cair na conta da Ganassi, vamos ver a McLaren confirmando o campeão de 2021 ao lado de O’Ward e Rossi na temporada 2023 da Indy.

Pato O'Ward, McLaren, Indy, 2022, agenda da velocidade
Esperando por Palou, a McLaren já vai contar com Pato O’Ward e Alexander Rossi na Indy em 2023 – foto: michael l. levitt/lat/chevy racing/divulgação