Ainda bem que o GP da Áustria da temporada 2022 da F1 foi disputado no Red Bull Ring. Se a pista se chamasse AlphaTauri Ring, as coisas estariam indo de mal a pior.

A 11ª etapa do atual campeonato consolidou o mau momento vivido pela equipe satélite da fabricante de energéticos. Para se ter ideia, desde o GP da Espanha, que marcou o início da perna europeia do calendário de 2022 (apesar de a F1 ter visitado Imola em abril), a AlphaTauri é a segunda pior equipe do grid. Marcou somente 11 pontos nesse período.

Em comparação, a Aston Martin, que está em uma crise brava, e nenhum de seus pilotos consegue pontuar com frequência, obteve 12 nessas mesmas seis corridas. E a Haas, que parecia ter desacelerado após o bom início de ano de Kevin Magnussen, abocanhou 14 só no fim de semana da Áustria.

De uma maneira geral, parte do problema tem sido o desempenho (ou a falta dele) do carro da AlphaTauri.

Os problemas da AlphaTauri na F1 2022

É só ver que Pierre Gasly, líder do time, teve 7,3 de posição média de largada no ano passado. Um ótimo resultado. Neste ano, esse número subiu para 11,7. Em Mônaco, por exemplo, onde tinha sido um dos mais rápidos no treino livre, reclamou que a equipe errou a estratégia no Q1, o que o impediu de dar uma volta rápida e o fez ser eliminado logo no começo do treino.

Na Áustria, deu azar. Foi eliminado, de certa maneira, injustamente no Q2. Era para ter herdado a décima colocação caso Sergio Pérez tivesse sido investigado antes de o Q3 começar. Como o mexicano foi punido só após o treino ter acabado, Gasly não teve chances de brigar por uma posição no meio dos dez primeiros.

Largando no meio do pelotão, as chances de acidente são maiores. E o francês acabou acertado por Lewis Hamilton no começo da corrida sprint. Na prova principal, no domingo, caiu para 15º na classificação final ao ser punido por ter causado a batida com Sebastian Vettel.

Na semana anterior, em Silverstone, a situação foi ainda pior. O francês acabou abandonando ao levar um toque de seu companheiro de equipe, Yuki Tsunoda. Antes disso, mesmo sem querer, Gasly foi um dos protagonistas do forte acidente de Guanyu Zhou, quando teve seu carro ensanduichado pelo chinês e por George Russell na largada.

Falando em Tsunoda, após um bom começo de 2022, quando pontuou em três das primeiras seis corridas, o piloto vem tendo dificuldades para terminar próximo ao top-10. Nas últimas cinco provas, seu melhor resultado foi um 13º posto no Azerbaijão (onde Gasly foi o quinto).

Isso para um piloto que no ano passado já tinha recebido críticas. Enquanto seu companheiro era frequentemente o mais bem colocado após os carros de Red Bull e Mercedes, o nipônico raramente era capaz de pontuar. De qualquer forma, o quarto lugar no GP de Abu Dhabi, que encerrou 2021, tinha dado esperanças que neste ano Tsunoda poderia ter um desempenho melhor, o que não vem acontecendo até agora.

Quem vai correr na AlphaTauri na F1 2023?

Apesar dos problemas neste início de F1 2022, Gasly e Tsunoda não estão tão pressionados assim. O francês, por exemplo, já sabe que tem vaga garantida na AlphaTauri em 2023.

Já o representante do Japão pode receber uma nova chance por falta de opções. Diferentemente do que aconteceu em temporadas anteriores, não há nenhum representante do Red Bull Junior Team próximo da F1.

Os nomes mais óbvios seriam Jehan Daruvala e Liam Lawson, que ocupam a quarta e a décima colocação, respectivamente, na F2 em 2022 e recentemente testaram pela F1. Mas nenhum deles vem mostrando qualquer consistência de resultados. O indiano, por exemplo chegou como favorito ao título por estar em seu terceiro ano na categoria e ter assinado pela Prema (que levou Oscar Piastri ao título do ano passado), mas até agora não venceu nenhuma prova e tem somente um único pódio na corrida longa do fim de semana, na que não depende do grid invertido.

A situação de Juri Vips é um pouco mais complicada. Considerado o primeiro da fila para receber uma chance na F1, o estoniano foi demitido da função de piloto de testes e reserva da Red Bull, recentemente, por causa de comentários racistas que fez na internet. Mas ele continua correndo normalmente na F2 e segue no Junior Team. Ninguém sabe se a fabricante de energéticos estaria disposta a dar uma nova chance a ele. De qualquer forma, também não vem conseguindo bons resultados, com apenas três pódios neste ano e nenhuma vitória.

Mesmo não tendo um piloto do Junior Team se destacando, é bom que Gasly e Tsunoda consigam virar a chave e comecem a, pelo menos, começar a pontuar com frequência. Afinal, já sabemos que a paciência de Helmut Marko (consultor da Red Bull) e da própria fabricante de energéticos tem limite. E não é muito alto.

Neste momento de dificuldades, Gasly talvez possa se inspirar nele mesmo. Em 2020, o francês não vinha tendo uma temporada muito boa (conseguia pontuar com frequência, mas mais pela fragilidade de Haas, Williams e Alfa Romeo) até que venceu o GP da Itália de forma surpreendente. Quem sabe o que pode acontecer na segunda metade da temporada 2022, não é mesmo?

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos do GP da Áustria da F1 2022, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

carro azul e branco de Pierre Gasly , batido, virado para a esquerda, enquanto os demais pilotos fazem curva para a direita na Áustria
Largando no meio do pelotão, Pierre Gasly tem se envolvido em diversos acidentes, como o da largada da corrida sprint no GP da Áustria da F1 2022 – foto: peter fox/getty images/red bull content pool