Com um domínio praticamente de ponta a ponta, Felipe Fraga conquistou sua primeira vitória no DTM em 2022, na segunda bateria da etapa de Norisring. De quebra, encerrou um jejum que já durava nove temporadas. A última vez que um piloto brasileiro havia triunfado na categoria tinha sido em 2013, com Augusto Farfus, então na BMW.

O êxito veio em um momento no qual Fraga começava a receber pressão para mostrar resultado no DTM. Afinal, ele foi o escolhido da Red Bull para, em 2022, substituir Liam Lawson, grande destaque do campeonato passado e que neste ano optou por se dedicar apenas à F2, depois de ter sido derrotado de forma polêmica no torneio alemão.

Norisring foi a quarta etapa da temporada 2022 do DTM. No ano passado, passadas as mesmas oito primeiras corridas, Lawson já tinha se firmado como um dos favoritos ao título, tendo obtido uma vitória e outros três pódios. Já Fraga havia conquistado um único segundo lugar antes do triunfo do fim de semana.

Para falar a verdade, o problema do brasileiro não era o rendimento em si. Era a falta de sorte. Nas oito primeiras corridas de 2022, já contando com a vitória em Norisring, acumulou um triunfo, um segundo lugar, cinco abandonos e nem sequer conseguiu participar da classificação para uma das baterias de Lausitzring devido a um problema mecânico em sua Ferrari.

Ou seja, sempre que Fraga recebia a bandeira quadriculada o resultado final era bastante positivo. Tanto que, tendo completado somente 25% das provas realizadas até agora, é o sexto colocado na tabela, na frente de nomes como Maximilian Gotz, atual campeão do DTM, Kelvin van der Linde, grande protagonista da polêmica de 2021 (e desafeto de Lawson), e Marco Wittmann, bicampeão do campeonato alemão.

Como foi a vitória de Felipe Fraga no DTM

Mas, em um primeiro momento, não parecia que a sorte do brasileiro ia mudar no famoso circuito de rua alemão, por isso o título deste post sobre uma vitória improvável.

Quem começou o fim de semana muito forte foi seu novo companheiro de equipe, o turco Ayhancan Guven, emprestado pela Porsche para a Red Bull. Ele entrou na vaga de Nick Cassidy, pois o outro titular da esquadra priorizou a Formula E no choque de datas que houve.

Guven foi quarto e oitavo nos dois treinos livres em Norisring, enquanto Fraga jamais foi além da 15ª colocação. Para a primeira bateria do fim de semana, o piloto turco obteve a terceira posição no grid de largada, nove posições à frente do brasileiro. Mas ambos abandonaram em uma prova cheia de acidentes (somente 11 dos 27 carros cruzaram a linha de chegada), marcada por problemas nos freios ABS de boa parte dos competidores.

Na segunda bateria, Fraga deu o troco. Cravou a pole, enquanto Guven abria a quarta fila. Na corrida, o brasileiro não deu chances para ninguém e recebeu a bandeirada quase 3s na frente de Mirko Bortolotti, da Lamborghini, o novo líder do campeonato. Não deixa de ser um presente de aniversário, afinal Fraga tinha completado 27 anos de idade no sábado.

O resultado deixa o piloto da Red Bull podendo sonhar com o campeonato. Está 39 pontos atrás de Bortolotti, com 232 ainda em jogo. Mais do que isso, serviu para tirar a má fase das últimas etapas e devolver a confiança para ele.

Isso que o grid do DTM deste ano é considerado mais difícil que o do ano passado. Em relação a 2021, houve a chegada de Lamborghini de forma oficial – trazendo Bortolotti, por exemplo -, da Porsche e também o retorno de René Rast, tricampeão do categoria e que estava na Formula E. Com isso, o número de carros por etapa passou de cerca de 20 para quase 30.

Por isso a comparação com os resultados de Lawson em 2021 não era tão justa, e a vitória ajudou a tirar a pressão do brasileiro neste momento.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos do DTM em Norisring, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Ferrari
Essa foi a primeira vitória da Ferrari da Red Bull na temporada 2022 do DTM – foto: julian kroehl/red bull content pool