Se a Porsche ganhou os holofotes durante o tradicional festival de Goodwood, realizado no Reino Unido, ao apresentar o 963, seu novo protótipo para a disputa da temporada 2023 do WEC e da Imsa, o mesmo não podemos dizer da Formula E.

A categoria de carros elétricos aproveitou o evento britânico para exibir pela primeira em público o Gen 3, equipamento que estreia na próxima temporada, cujo início está previsto para o comecinho de 2023. Só que a primeira apresentação do novo modelo deixou a desejar.

Quer dizer, desde o momento em que foi anunciado pela organização da Formula E, o Gen 3 causava a discórdia.

Teve quem gostou do visual triangular, quase sem asa traseira, que se assemelha a aviões caças de guerra. Outros questionavam o design cheio de linha retas e pouco arrojado. Se o veículo da segunda geração chegou a ser comparado ao do Batmóvel, o da terceira mais parecia um super-Fórmula 4 elétrico.

Em Goodwood, a equipe Mahindra foi a escolhida para operar o Gen 3. A esquadra indiana, então, escalou o veterano Nick Heidfeld – que se aposentou das pistas há quatro temporadas – para a subida da montanha.

Fazendo um parêntese, Heidfeld é um nome histórico de Goodwood. Em 1999, ele quebrou o recorde da competição ao cravar 41s6 a bordo do carro da McLaren da F1 do ano anterior, o MP4/13.

A marca de Heidfeld se manteve por 20 anos, quando Romain Dumas, guiando o protótipo elétrico da Volkswagen, registrou 39s9. Só que o tempo do francês tinha sido obtido durante a classificação, não durante a subida de montanha principal. Por essa razão, havia certa disputa sobre quem de fato era o recordista de Goodwood.

Com o Gen 3, Heidfeld nem teve chances de desempatar. Uma falha elétrica o impediu de terminar o trajeto — foi o único abandono entre os 63 participantes.

Pior que isso, foram as críticas recebidas nas redes sociais. Quem viu o novo carro da Formula E em ação estranhou seu desempenho. Passava a impressão de ser muito lento e pesado (apesar de não passar dos 800 kg). O piloto alemão também teve problemas para se adaptar ao momento de brecar. O Gen 3 tem os discos de freio apenas no eixo dianteiro, o que leva um tempo para os pilotos se acostumarem. Por isso, Heidfeld aparecia travando a roda em praticamente toda curva.

Jornalistas que fazem a cobertura da Formula E tentaram explicar que o desempenho em Goodwood não deveria ser levado em consideração. A própria Mahindra teve somente dez dias para montar o equipamento, período em que foi capaz de realizar um breve shakedown. Além disso, a expectativa é que as corridas sejam boas, afinal um carro menor que o anterior deve sofrer menos nos circuitos de rua apertados.

O novo recordista do Festival de Goodwood em 2022

Só que aí veio o balde de água fria.

Quer saber quem é o novo recordista de Goodwood? Não é Heidfeld, muito menos Dumas. É Max Chilton, o ex-F1 e Indy cravou 39s14, no dia da competição principal, a bordo de um carro elétrico chamado McMurtry (o da foto em destaque).

O veículo foi construído especialmente para competições como as de Goodwood. Ele conta com um ventilador na parte da traseira para gerar downforce de uma maneira muito mais eficiente — faz até lembrar um propulsor. Feito em fibra de carbono, o carro pesa menos de uma tonelada, consegue gerar mais do que isso de downforce e faz de 0 a 100 em 1s5, pode chegar a 240 km/h de velocidade.

Assemelha-se a um microprotótipo do WEC, mas pela cor preta e pelo formato foi comparado ao Batmóvel — aparentemente essa é a única comparação possível no mundo do automobilismo.

Assim, com um carro elétrico sendo chamado de “super Fórmula 4” e o outro batendo o recorde de Goodwood fica a questão: será que a Formula E está indo pelo caminho certo?

Vamos esperar as primeiras corridas do Gen 3 para termos a resposta. Para a categoria, fica a torcida de que a primeira impressão não é a que fica.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos do Festival de Goodwood de 2022.

Confira abaixo o desempenho de Max Chilton e do McMurtry na quebra do recorde:

O Gen 3 da Formula E, que não tem sido uma unanimidade – foto: formula e/divulgação