Prova de longa duração mais importante do calendário, as 24 Horas de Le Mans voltam a ser disputadas em 2022 com público e com seis pilotos brasileiros na pista.

Diferentemente do que aconteceu nos últimos anos, dessa vez os representantes do país correm por fora na briga por vitória, tanto na geral, quanto em suas classes. Confira abaixo o que esperar de cada um deles nas 24 Horas de Le Mans de 2022, do WEC.

Os pilotos brasileiros nas 24 Horas de Le Mans

Pipo Derani (Glickenhaus nº 708): as 24 Horas de Le Mans são a grande oportunidade de o piloto brasileiro salvar seu ano de 2022.

Na Imsa, campeonato em que disputa a temporada completa, as coisas não vão bem. Por lá, o carro de Derani é o último colocado entre os seis que participam de todas as etapas entre os protótipos, um desempenho muito diferente do título alcançado no ano passado, ao lado do compatriota Felipe Nasr.

Só que Nasr deixou a equipe Action Express para assinar com a Porsche em 2022. Seu substituto foi o americano Tristan Nunez, que já foi sacado devido à falta de resultados.

Enquanto a AXR busca se encontrar na Imsa, Derani tem a chance de brigar pela vitória na classificação geral das 24 Horas de Le Mans com o carro número 708 da Glickenhaus, que divide com os franceses Olivier Pla (coincidentemente, substituo de Nunez na Imsa) e Romain Dumas.

Essa, aliás, talvez seja a última oportunidade de a Glickenhaus brigar pela primeira posição em Le Mans. O futuro da montadora na categoria não está garantido no próximo, uma vez que o grid dos hipercarros deve ganhar a presença de marcas mais estabelecidas, como Ferrari, Cadillac, Peugeot e Porsche.

De qualquer forma, a Glickenhaus corre por fora, e o favoritismo é todo da Toyota.


André Negrão (Alpine nº 36): a situação de Negrão é bastante parecida com a de Derani: tem chances de brigar pela vitória na classificação geral, pela Alpine, mas o favoritismo é da Toyota.

A diferença para a Glickenhaus é que a a montadora francesa vem tendo um bom desempenho neste início de temporada 2022 do WEC. O carro que o brasileiro divide com os franceses Nicolas Lapierre e Matthieu Vaxivière venceu em Sebring, no início do campeonato, e terminou com a segunda colocação em Spa-Francorchamps.

Em Le Mans, perdeu parte da velocidade de reta no “balance of performance” (a equalização dos carros), mas já recebeu de volta. Vai largar em terceiro, mesma posição em que terminou as 24 Horas do ano passado.

Caso a vitória não venha em 2022, Negrão e a Alpine terão um grande ponto de interrogação pela frente. A montadora já anunciou que vai construir um LMDh (protótipo seguindo as regras da Imsa), mas a estreia só deve acontecer em 2024. Ou seja, em um momento em que Ferrari, Porsche, Peugeot e Cadillac (além da Toyota) já vão ter estreado e vão conhecer bem os segredos de seus equipamentos.

Sempre pela Alpine, Negrão já ganhou duas vezes as 24 Horas de Le Mans na divisão LMP2, em 2018 e 2019, e foi campeão do WEC, na mesma temporada.


Felipe Nasr (Penske Oreca LMP2 nº 5): a Penske estreou no WEC em 2022 e já deixou claro que o objetivo é conhecer a categoria e se preparar para a chegada do novo protótipo da Porsche a partir do ano que vem. Tanto que Le Mans é a última etapa marcada para Nasr, ao lado americano Dane Cameron e do francês Emmanuel Collard neste ano.

Depois deste fim de semana, o foco passa a ser desenvolver o equipamento da Porsche.

Quem coloca a equipe de Roger Penske fora da briga costuma cometer um erro muito grande. Mas, em sua breve passagem pelo WEC, a equipe americana não mostrou o mesmo desempenho das principais esquadras da divisão LMP2, como WRT, Prema e Jota. Tem chances, é claro, mas corre por fora.

De qualquer forma, Nasr está em boa fase. Após deixar a equipe Action Express, pela qual foi bicampeão da Imsa, neste ano, em sua estreia nos carros GT3 pela Porsche, conquistou a vitória da divisão GTDPro nas 24 Horas de Daytona.

Além dos dois títulos da Imsa, Nasr já ganhou uma vez as 12 Horas de Sebring e também a Petit Le Mans.


Pietro Fittipaldi (Inter Europol Oreca LMP2 nº 44): último brasileiro a ter disputado um GP de F1 até agora, o neto de Emerson Fittipaldi vai fazer sua estreia nas 24 Horas de Le Mans em 2022, após ter ensaiado tomar parte da tradicional prova francesa nos últimos anos.

Em 2021, por exemplo, ele estava confirmado na corrida, mas desistiu de participar porque a etapa acabou adiada de junho para agosto, quando tinha um choque de datas com outro compromisso.

Antes, em 2018, sofreu um forte acidente em Spa-Francorchamps enquanto fazia sua estreia nas provas de longa duração.

Depois de se dedicar quase que exclusivamente à função de reserva da Haas nos últimos anos, Fittipaldi em 2022 voltou a disputar um campeonato completo.

Ele toma parte da ELMS, pela própria equipe Inter Europol, ao lado do suíço Fabio Scherer e do veterano dinamarquês David Heinemeier-Hansson, que andava afastado das pistas. Após duas etapas, o trio ocupa a 12ª colocação na tabela, com o nono lugar em Imola como melhor resultado até agora.

Ao menos em termos de desempenho, a esquadra polonesa ainda não mostrou o mesmo ritmo que Jota, WRT, United e Prema, as favoritas da divisão LMP2


Daniel Serra (AF Corse Ferrari GTE-Pro nº 51): o tricampeão da Stock Car talvez seja o piloto brasileiro com mais chances de conquistar a vitória nas 24 Horas de Le Mans de 2022.

Afinal, ele divide o principal carro da Ferrari com o italiano Alessandro Pier Guidi e com o britânico James Calado, dupla atual vencedora da prova.

Além disso, o próprio brasileiro está em boa fase, tendo triunfado na etapa de Paul Ricard da GTWC Endurance no último fim de semana, também pela Ferrari.

Ainda contribui para ele que a divisão GTE-Pro, em seu último ano de existência, está esvaziada em Le Mans. São dois Corvette, dois Porsche e três Ferrari competindo, o que aumenta consideravelmente a chance de ao menos um pódio.

Mas neste momento o balance of performance parece ter sido mais gentil com as fabricantes adversárias. Resta ver se a Ferrari conseguirá compensar na corrida.

Apesar de não estar disputando a temporada completa do WEC neste ano, tendo perdido a vaga que ocupava em 2021, Serra é um dos competidor bastante vitoriosos em provas de longa duração. Acumula duas vitórias em Le Mans (ambas na divisão GTE-Pro), além de já ter chegado na frente na Petit Le Mans, nos EUA, e ter poles em Daytona, Sebring e na Petit Le Mans, todas da Imsa.


Felipe Fraga (Riley Ferrari GTE-Pro nº 74): novo contratado da Red Bull para o DTM (onde já conquistou um pódio), Fraga é a surpresa brasileira do grid das 24 Horas de Le Mans.

Ele vai disputar a prova pela Riley, tradicional equipe americana que ele próprio defendeu por alguns anos na Imsa. Só que, em vez de ser na divisão GTE-Am, onde o time costuma andar, será entre os profissionais.

O brasileiro compõe um verdadeiro dream team ao lado de Sam Bird (vindo da Formula E) e de Shane van Gisbergen (atual campeão e líder do campeonato da Supercars, na Austrália).

O problema é que a Riley é uma equipe privada, diferente da AF Corse (onde corre Serra), que conta com o apoio de fábrica da Ferrari. Mas, como não são muitos carros na divisão GTE-Pro, quem sabe o time não consegue beliscar um pódio?

Falando em Le Mans, Fraga chegou a vencer a divisão GTE-Am em 2019, mas foi desclassificado por um problema no carro poucas horas depois. Neste ano, levou a melhor nas 24 Horas de Daytona na divisão LMP3.

Agora que você conhece quem são os pilotos brasileiros nas 24 Horas de Le Mans de 2022 pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

E abaixo tem todos os carros que tomam parte dessa tradicional prova (clique nas imagens para ampliar, se necessário).

Imagem com os desenhos dos carros dos pilotos brasileiros que vão disputar as 24 Horas de Le Mans de 2022
Imagem com os desenhos dos carros dos pilotos brasileiros que vão disputar as 24 Horas de Le Mans de 2022
Confira todos os carros e os brasileiros que vão disputar as 24 Horas de Daytona em 2022 – imagem: mateusz grosiak/daily sportscar