Se tem um piloto que chega pressionado para a disputa do GP do Azerbaijão é Mick Schumacher. Afinal, o alemão ainda não pontuou na temporada 2022 da F1, enquanto Kevin Magnussen, seu companheiro de Haas que estava afastado da categoria há um ano, já somou 15, com direito a um quinto lugar na abertura no Bahrein.

Tão preocupante quanto estar zerado é que Schumacher vem se envolvendo em fortes acidentes.

Há cerca de 15 dias, em Mônaco, o piloto partiu sua Haas ao meio em uma batida entre as curvas da Tabacaria e da Piscina.

Schumacher explicou que, no lance, perdeu o controle do carro ao passar em cima de uma poça de água, o que fez a roda girar em falso, fazendo o veículo virar para a direção do guard-rail.

Só que essa é a terceira vez em cerca de um ano e meio que a gente vê uma Haas partida ao meio.

Os fortes acidentes da Haas na F1 viraram rotina

O próprio piloto alemão já tinha destruído o carro de número 47, no fim de março, no GP da Arábia Saudita, durante a classificação. Em Jeddah, ele perdeu o controle ao passar em cima de uma zebra em um “S” de alta velocidade e foi parar com violência no muro. Como resultado, o germânico foi vetado pelos médicos e não pôde participar da corrida.

Já a terceira vez foi o famigerado acidente de Romain Grosjean, no GP do Bahrein de 2020, em que seu equipamento perfurou o guard-rail e formou-se uma enorme bola de fogo.

Por que os carros da F1 partem ao meio?

Para falar a verdade, os carros de F1 são construídos realmente para partir ao meio (ou em mais pedaços) no caso de uma batida muito forte, como forma de absorver o impacto e diminuir a energia que seja passada ao piloto.

Para isso, diferentemente do que muita gente pensa, os veículos da F1 não são uma estrutura física única. São um monte de peças encaixadas umas nas outras, como tanque de combustível, bateria, motor, radiador, caixa de câmbio, etc., tudo tampado pela carenagem e com o assoalho abaixo. A exceção é justamente a célula de sobrevivência (onde fica o piloto), que não pode ser danificada.

Apesar de as três batidas da Haas serem bastante preocupantes (afinal, a gente não costuma ver um carro partido ao meio com frequência), cada uma teve uma dinâmica bem diferente.

No caso de Mônaco, que é um circuito de baixa velocidade — e os acidentes tendem a ser mais leves –, o mais provável é que o carro de Schumacher tenha acertado o muro justamente numa área próxima ao encaixe entre a caixa de câmbio e o motor, por isso o eixo traseiro da Haas saiu do resto do equipamento.

Já o que explica o acidente de Grosjean no Bahrein é a inércia. Como a célula de sobrevivência (dianteira do equipamento) ficou presa no guard-rail, a traseira continuou se movimentando em alta velocidade na mesma direção que a pista, por isso foi arrancada. Uma batida muito mais grave por causa das forças envolvidas.

Ou seja, é uma coincidência a Haas estar sempre envolvida nos incidentes em que o equipamento é dividido em dois. Mas que há consequências para a escuderia, isso há.

A primeira é no bolso. Cada acidente é um dinheirão gasto, que pode fazer falta depois para o desenvolvimento do equipamento. Além disso, com o mundo inteiro enfrentando problemas de logística, os times têm cada vez menos peças sobressalentes à disposição.

A outra é que o futuro de Schumacher na F1 passa a ser questionado. Se o alemão começou a temporada 2022 em alta, por causa do (relativo) bom desempenho no fim do ano passado e pela vaga de reserva na Ferrari, agora ele começa a ficar marcado como um piloto que bate demais e não consegue pontuar.

Resta ver como ele se sairá no Azerbaijão, um circuito de rua de alta velocidade, bem diferente de Mônaco, mas onde os acidentes também são comuns.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da F1 2022 no Azerbaijão, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Relembre abaixo os graves acidentes da Haas na F1:

Acidente de Romain Grosjean no Bahrein
Acidente de Mick Schumacher em Mônaco