Marcus Ericsson com certeza não é o mais popular entre os vencedores das 500 Milhas de Indianápolis.

Há certo ranço da torcida brasileira com o ganhador da edição de 2022 da tradicional prova, por causa da época em que ele dividia a Sauber, na F1, com Felipe Nasr. Foi um tempo de bastante turbulência. Por levar o dinheiro que mantinha a escuderia funcionando, o sueco exigia ser o primeiro piloto. Já Nasr queria a prioridade, pois era quem obtinha os melhores resultados.

O clima era tão pesado que, em uma reportagem publicada há dois anos, um mecânico brasileiro que trabalhava na Sauber relatou ter visto Nasr ser sabotado pelo próprio time. Como resultado, o piloto brasileiro deixou a esquadra suíça, não arrumou outra vaga na F1 e passou a se dedicar às corridas de longa duração.

Sem resultados expressivos, Ericsson também não durou muito mais na principal categoria do automobilismo mundial. Despediu-se do campeonato no fim de 2018, um ano em que foi facilmente batido pelo novo companheiro de equipe, um novato bastante promissor chamado Charles Leclerc.

Desde então, Ericsson abandonou as polêmicas e seguiu os passos do compatriota Stefan Johansson, que na década de 1990 deixou a F1 para tentar a sorte na Indy.

Nos EUA, o principal mérito de Ericsson foi se concentrar em um trabalho de longo prazo, diferentemente de muita gente que sai da F1 e espera ser competitivo logo de cara.

Por lá, seus resultados melhoraram ano após ano. Ericsson estreou pela equipe de Sam Schmidt na vaga que era de Robert Wickens até o gravíssimo acidente que interrompeu a carreira do canadense. Pelo time, teve um desempenho abaixo do esperado, com um pódio e outros dois top-10 em 16 provas.

Ficou sem vaga para a temporada seguinte quando a esquadra se transformou na McLaren. Ericsson, então, viajou para a Europa para descolar o patrocínio que permitiu fechar com a Ganassi, uma das principais equipes dos EUA.

Aí as coisas começaram a decolar. No primeiro ano na nova casas, terminou entre os dez primeiros em nove das 14 corridas realizadas. Na segunda temporada pelo time, conquistou duas vitórias e outro pódio. Agora, na terceira, é o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 2022 e, de quebra, lidera o campeonato.

E olha que os melhores resultados de Ericsson neste ano tem sido nos ovais, tipo de pista que muita gente vinda do automobilismo europeu se recusa a correr. Além da vitória na Indy 500, tinha sido o segundo colocado no Texas.

Se o sueco um dia poderá lutar pelo título da Indy, isso é outra história.

Como foi a vitória de Marcus Ericsson nas 500 Milhas de Indianápolis

Nas 500 Milhas de Indianápolis de 2022, ele fez o que se espera de todo grande piloto. Tinha o melhor equipamento e se colocou em posição de brigar pela vitória nas voltas finais.

De uma maneira geral, a Ganassi tinha dominado todo o mês de maio, mas os favoritos eram Scott Dixon e Alex Palou. Até se falava em Jimmie Johnson dando a volta por cima e conquistando sua primeira vitória da carreira justamente em Indianápolis, após um início de passagem pela Indy bastante conturbado. Já Ericsson mal era lembrado.

Só que seus companheiros mais cotados foram ficando pelo caminho. Palou deu azar com uma bandeira amarela em meio à janela de paradas nos boxes e foi obrigado a reabastecer mesmo com os pits fechados – e consequentemente ser punido – para evitar uma pane seca. Já Dixon cometeu um erro bobo no fim da prova ao ser flagrado acima da velocidade permitida no pit-lane.

Sem Palou e Dixon acabaram as chances da Ganassi, certo? Errado. Foi aí que Ericsson brilhou. Após sua última parada nos boxes, ultrapassou Pato O’Ward e Felix Rosenqvist, ambos da McLaren.

Para entrar para a história das 500 Milhas de Indianápolis, o sueco ainda levou um susto quando a corrida foi paralisada faltando somente duas voltas devido ao acidente de Johnson. Mesmo com a relargada tardia, foi capaz de segurar O’Ward e cruzar a linha de chegada de tijolos na frente.

Muita gente torceu o nariz para o resultado, é verdade, mas não podemos negar que Ericsson trabalhou os últimos quatro anos para que esse momento chegasse. De patinho feito da Sauber e protagonista do meme do Grosjean na F1 a vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 2022.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da Indy 500, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Marcus Ericsson veio evoluindo ao longo de seus quatro anos na Indy até ganhar as 500 Milhas de 2022 – foto: honda/divulgação