George Russell é um dos destaques deste início de temporada 2022 da F1. Enquanto a Mercedes tem sofrido com diversos problemas no carro, o britânico vem conseguido sobressair. Nas cinco corridas disputadas até agora, terminou todas dentro do top-5.

Em comparação, Lewis Hamilton, sete vezes campeão do mundo, obteve um décimo lugar na Arábia Saudita e um 13º em Melbourne no outro carro da Mercedes.

Em Miami, deu para ver como Russell já está à vontade na equipe germânica. No meio da prova, um rádio mostrou o piloto sugerindo ao seu engenheiro para retardar a parada obrigatória nos boxes nas esperança de que o safety-car (ou o virtual) fosse acionado para ele acabar beneficiado.

Na corrida, Russell vinha de uma classificação ruim, tendo sido eliminado no Q2, e apostou na estratégia de começar a prova com o pneu duro para fazer um primeiro stint mais longo e tentar recuperar posições.

Aí a ideia era aproveitar que, em caso de o carro de segurança ser acionado, os adversários estariam mais devagar para perder menos tempo no pit-lane e dar o pulo do gato.

A tática de Russell fazia todo sentido. Afinal, Miami é um circuito de rua, tipo de pista na qual os acidentes costumam ser mais comuns. Tanto que houve bandeira vermelha em cada um dos três treinos livres da etapa.

E foi justamente o que aconteceu. O safety-car foi chamado por causa do acidente entre Lando Norris e Pierre Gasly, permitindo que o piloto da Mercedes fosse aos boxes nesse momento e retornasse em sexto. Depois, com pneus em melhores condições, ainda superou Hamilton na luta pelo quinto lugar.

Não dá para colocar todo o sucesso em Miami na conta de Russell. Afinal, por uma única fala no rádio, não sabemos se a estratégia de postergar a parada já tinha sido conversada com o engenheiro, seja mais cedo durante a corrida, seja em alguma reunião sobre a tática da prova.

Mas sabemos que a manobra foi genial, porque deu certo.

Caso o safety-car não tivesse sido acionado, de repente a discussão poderia ser como o britânico jogou fora uma corrida de recuperação ao inventar de fazer a parada mais tarde.

Semelhante ao que aconteceu com Lando Norris no GP da Rússia do ano passado. O piloto liderava a prova com certa vantagem para Lewis Hamilton, quando a McLaren o chamou para os boxes para colocar o pneu para pista molhada, uma vez que um dilúvio se aproximava de Sochi.

O azar de Lando Norris no GP da Rússia de 2021

Norris bateu o pé e decidiu permanecer na pista até o fim. Apostava que em menos de dez minutos a corrida acabaria – ou que o safety-car fosse acionado pelo erro de algum adversário – para assegurar a primeira colocação. Não houve nada disso. A tormenta chegou, o britânico perdeu ritmo e não só foi ultrapassado por Hamilton como também caiu para a sétima posição na bandeirada.

É verdade que, com a tecnologia que existe hoje, é mais fácil prever com precisão se vai chover que a eventual entrada de um safety-car.

Mas é curioso como, por uma questão de sorte, Russell recebeu elogios, e Norris, críticas ao apostar em uma estratégia mais arriscada.

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Lando Norris ficou no quase no GP da Rússia de 2021. Já pensou se a tática de não parar tivesse dado certo? – foto: lukas raich/own work/CC BY-SA 4.0