A W Series é uma categoria de base? Essa não é uma resposta tão simples assim para o campeonato cuja temporada 2022 começa no fim de semana em Miami.

De um lado, a categoria se comporta, sim, como se fosse de base. Nos últimos anos, vem selecionando competidoras vindas da F4, como Belén Garcia e Nerea Martí ou mesmo Juju Noda e Abbi Pulling, que estreiam neste ano.

Além disso, oferece pontos na superlicença, requisito para quem deseja um dia chegar à F1, e premiação em dinheiro para que as primeiras colocadas possam dar seu próximo passo na carreira.

Do outro lado, é difícil justificar competidoras como Emma Kimilainen (de 32 anos) e Alice Powell (de 29, e que acaba de ser contratada como “olheira” da academia da Alpine) em um campeonato de base.

Mas a principal crítica feita à W Series neste momento – e que tem tudo a ver com a pergunta do início deste post – é que, após duas temporadas, ainda não conseguiu revelar pilotas para campeonatos maiores.

A desconfiança aumentou nos últimos meses quando Jamie Chadwick, campeã dos dois primeiros anos, anunciou que voltaria à W Series em 2022 para defender sua taça.

A volta de Jamie Chadwick à W Series 2022

O problema é que a britânica já tinha dito, no fim de 2021, que não planejava continuar na categoria e que pretendia aplicar a premiação recebida na busca por uma vaga na F3 ou na F2. O objetivo, claro, é se aproximar cada vez mais da F1, campeonato no qual pode se tornar a primeira mulher no grid desde que Giovanna Amati tentou se classificar para três GPs em 1992.

Chadwick chegou a ser especulada na F3 na Hitech, mas não conseguiu levantar o orçamento necessário para fechar com a equipe e optou por não andar em times da parte de trás do pelotão. Também não acertou com nenhuma escuderia do Mundial de Endurance, o WEC, como alguns rumores apontaram. Para não ficar a pé em 2022, mudou de ideia e aceitou voltar à W Series.

Seu retorno gerou críticas de algumas de suas adversárias. Quem saiu em defesa da britânica foi a CEO do campeonato, Catherine Bond Muir. Ela justificou que Chadwick acompanhando as corridas pelo sofá não era uma situação boa para ninguém, por isso abriu a possibilidade de a pilota continuar por um terceiro ano.

Não é só a bicampeã que está enfrentando problemas para dar o próximo passo da carreira. Quando olhamos o grid das duas primeiras temporada da W Series, quase não há exemplos de quem chegou a alguma categoria top do automobilismo internacional após passar pelo campeonato feminino. Na verdade, o único exemplo é Esmee Hawkey, que hoje defende a Lamborghini da equipe T3 no DTM.

Entretanto, a britânica foi somente a 15ª colocada em 2019 e já sabia que não iria fazer parte do grid da W Series na temporada seguinte quando acertou sua ida ao DTM. Já outras competidoras, como Powell e Beitske Visser, têm feito uma ou outra aparição em corridas de longa duração, mas até agora nada de calendário completo para elas.

Ao mesmo tempo, Sophia Floersch tem conseguido se destacar. Conhecida por ser uma das maiores críticas da W Series, a alemã vem se firmando em sua carreira profissional. No ano passado, por exemplo, dividiu-se entre o DTM e o WEC, embora com poucos bons resultados.

Já sua passagem pela ELMS foi bem melhor. A estreia aconteceu na última corrida de 2021, quando dividiu a equipe Algarve Pro com Ferdinand Habsburg e o veterano Richard Bradley, terminando na terceira posição.

Neste ano, ela estava escalada para competir pela G-Drive, mas a equipe russa deixou a competição por causa da Guerra na Ucrânia. Floersch, então, foi absorvida pela Algarve Pro (que operava os carros da G-Drive) e abriu a temporada com um pódio em Paul Ricard. O carro que ela divide com o holandês Bent Viscaal (ex-F2) — uma das poucas duplas competindo em meio a diversos trios — ficou com a segunda posição na etapa de abertura.

A gente não deve pegar o sucesso relativo da alemã para diminuir a importância da W Series. Ela é uma exceção e tomou decisões ao longo da carreira para conseguiu se firmar o quanto antes no automobilismo mundial. Mas o retrospecto de Floersch coloca, sim, pressão para que a W Series comece a dar resultados mais concretos no quesito revelar competidores, caso continue se posicionado como uma categoria de base que está preparando suas representantes para voos maiores.

Você pode clicar aqui para ver como está o grid da temporada 2022 da W Series – que conta com a presença da brasileira Bruna Tomaselli.

E clicar aqui para conferir os resultados completos da rodada de Miami da W Series, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Nerea Martí foi uma das competidoras de destaque na última temporada da W Series – foto: w series/divulgação