Ayrton Senna, Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Rubens Barrichello, Gil de Ferran e, mais recentemente, Felipe Nasr e Matheus Leist. A lista de brasileiros que foram campeões da F3 Inglesa é grande, e as chances são boas de crescer ainda mais em 2022.

Neste ano, o campeonato, que passou a ser chamado de GB3, desde meados de 2021, tem o carioca Roberto Faria como um dos favoritos ao título.

Ele vai correr pela poderosa equipe Carlin, que teve um de seus pilotos como campeão em cinco das últimas seis temporadas. Essa será a estreia do brasileiro na esquadra, depois de ter defendido a Fortec desde que fez sua estreia nos monopostos em 2019.

Além de contar com bom equipamento, Faria vai para seu terceiro ano na categoria, e geralmente experiência costuma fazer a diferença nas categorias de acesso da F1.

Desde que estreou na GB3, na metade de 2020, o brasileiro sempre esteve os primeiros colocados. No ano passado, por exemplo, subiu nove vezes ao pódio (incluindo uma vitória), números superados apenas pelo britânico Zak O’Sullivan, o campeão. O brasileiro ficou em quinto lugar na tabela, porque uma série de problemas nas últimas rodadas o tirou da luta pelo vice.

Durante a pré-temporada, Faria foi surpreendentemente anunciado como novo integrante do Sauber Junior Team (fazendo companhia a Theo Pourchaire no programa). Dessa forma, o brasileiro é o único nome do grid da GB3 2022 a fazer parte da academia de uma equipe de F1, o que reforça seu posto de favorito, mas também aumenta a pressão para que conquiste bons resultados.

Como já dizia o ditado, falar é mais fácil do que fazer. Da mesma maneira como Faria é um dos favoritos ao título, ele precisará superar algumas dificuldades para ficar com a taça.

A primeira delas é a chegada do novo carro da GB3, o Tatuus MSV-022, o que diminui um pouco a vantagem da experiência acumulada, uma vez que todos os pilotos e equipes vão praticamente começar do zero o processo de adaptação ao novo equipamento.

O novo carro traz como principal novidade o halo, agora presente em quase todas as categorias de base da F1. Além disso, tem uma turbina lateral, do mesmo jeito que os antigos F3, o que aumenta ligeiramente a potência do motor. Já a aerodinâmica é responsável por aumentar o downforce em 20% em relação ao veículo do ano passado.

A segunda é um grid bastante fortalecido, com outros 20 competidores confirmados para a rodada de abertura em Oulton Park.

Como quatro pilotos da GB3 de 2021 subiram para a F3 neste ano (e O’Sullivan assinou com a academia da Williams), muitos jovens estão enxergando a categoria britânica como uma alternativa de custo menor à lotada F-Regional by Alpine.

Assim, chegamos ao segundo desafio de Faria em 2022: adversários bastante talentosos. Confira abaixo quem são, ao lado do brasileiro, os principais candidatos ao título deste ano.

Os adversários de Roberto Faria na GB3 2022

Luke Browning (Hitech): o britânico de 20 anos de idade tem um estilo parecido ao de Roberto Faria, marcado por muito altos e baixos. Por exemplo, ganhou sua primeira corrida da carreira de F4 por um time semiamador, mesmo correndo contra pilotos de Carlin, Fortec, etc. Foi o campeão da F4 Inglesa em 2020 e no ano passado ganhou provas na mesma GB3, na F4 Italiana e na F4 Austríaca.

Ainda assim, não teve a consistência necessária para lutar por mais títulos na carreira nem para chamar a atenção de times da F1. Também enfrenta problemas de patrocínio, o que o impediu de dar voos mais altos na hora de decidir onde correr neste ano.

Bryce Aron (Hitech): ex-piloto da Carlin e do Team USA, espera aproveitar a ida para a Hitech e a experiência acumulada no ano passado para lutar pelo título em 2022.

Callum Voisin (Carlin): companheiro de Faria na Carlin, o britânico de origem suíça dominou a primeira metade da temporada passada da Ginetta Junior (único campeonato do Reino Unido que permite a presença de competidores de 14 anos de idade) com sete vitórias. Depois, perdeu o gás e fechou em sexto na tabela. É muito promissor, mas resta ver o quão rápido vai se adaptar aos monopostos.

McKenzie Cresswell (Chris Dittmann): um dos muitos que subiram da F4 Inglesa 2021 para a GB3, o britânico foi o terceiro colocado no ano passado, com seis vitórias. O que vale para ele vale para todos vindos da F4: vamos ver como será a adaptação aos carros mais rápidos.

Max Esterson (Douglas): este americano de 19 anos de idade é o piloto para ficarmos de olho na GB3 2022. Ele é um dos que começaram nos games e simuladores e fizeram a transição para as pistas do mundo real, tanto que a plataforma iRacing é um de seus patrocinadores.

No ano passado, foi convocado pelo Team USA e terminou como campeão do Walter Hayes Trophy, uma das competições mais tradicionais de F-Ford do Reino Unido. Recentemente passou a ser patrocinado pela Red Bull, mas (ainda) não integra o Junior Team da escuderia da F1. O problema para ele é que a equipe Douglas não vive seus melhores dias, tanto que terminou 2021 sem vitórias.

Joel Granfors (Fortec): o substituto de Faria na Fortec vem de uma temporada muito boa na F4 Inglesa, quando fechou em quarto, com uma vitória, e chegou a sonhar com o título. É promissor, tendo sido campeão, em 2020, da Fórmula Nordic, campeonato da Escandinávia que equivale a uma F4.

Tom Lebbon (Elite): no ano passado, tanto o britânico quanto a escuderia Elite estavam estreando na GB3. O piloto em nono na tabela de pontos, com um pódio. A expectativa é que, mais experientes, lutem por vitórias e pela taça em 2022.

James Hedley (Elite): campeão da Ginetta Junior em 2019, Hedley começou a temporada passada da F4 Inglesa como favorito, subiu ao pódio nas quatro primeiras do ano, obteve mais duas vitórias e depois…. desapareceu. De líder do campeonato, fechou o ano em quinto, ao acumular mais resultados fora do top-10 que pódios. Busca se recuperar na GB3.

Matthew Rees (JHR): campeão da F4 Inglesa na temporada passada, o representante do País de Gales tem como principal ponto forte as classificações. Tanto que obteve sete poles em 2021. Seu problema para este ano é que continua na equipe JHR, que está voltando à GB3 neste ano e alinha um único carro, o que pode complicar na hora de fazer o acerto do equipamento.

Agora que você conhece os principais candidatos ao título da GB3 neste ano, pode clicar aqui para ver como o grid foi montado.

E clicar aqui para conferir os resultados completos de Roberto Faria na rodada de abertura da GB3 2022, em Oulton Park, (lembrando que tem corrida na segunda-feira), assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Roberto Faria, 2022, GB3, Carlin, F3 Inglesa
Roberto Faria defende a Carlin em sua terceira temporada na GB3 em 2022 – foto: jakob ebrey/digitale