Pelo terceiro ano consecutivo, a Honda se deparou com o mesmo problema: precisa substituir Marc Márquez, vetado devido a uma lesão, de corridas na temporada 2022 da MotoGP.

Dessa vez, o que houve com o espanhol hexacampeão do mundo foi o forte acidente sofrido durante o warm-up da etapa da Indonésia. No treino, o piloto perdeu o controle da sua moto e foi arremessado para o alto. Ele até saiu andando, mas depois acabou barrado de disputar a prova pelos médicos devido a uma concussão.

O acidente em Mandalika também fez com que Márquez voltasse a enfrentar problemas em sua visão, que já os tormenta há alguns anos. Como o piloto não consegue ver as coisas nitidamente, muitas vezes de forma duplicada, foi impedido de correr neste fim de semana, na Argentina, até mesmo por uma questão de segurança.

A etapa em Termas de Río Hondo será a 18ª que ele perderá nas últimas três temporadas. Geralmente, seu substituto é o alemão Stefan Bradl, piloto de testes da Honda.

Mas abaixo você confere quatro opções que a montadora japonesa poderia recorrer se quiser mudar de ares.

1) Casey Stoner

Vou começar a lista já com um nome que não tem a menor chance de ser chamado pela Honda. Se a etapa do fim de semana fosse em Phillip Island, seria muito improvável o australiano Stoner aceitar voltar à MotoGP. Na Argentina, então…

Antes de Márquez chegar à MotoGP, Stoner tinha sido o último competidor a ser campeão pela Honda. O australiano levantou a taça em 2011, mas no ano seguinte anunciou que estava se aposentando da categoria.

Desde então, tentou fazer carreira nas quatro rodas, na Supercars, da Austrália e foi piloto de testes tanto da Honda quanto da Ducati, fabricantes pelas quais foi campeão na MotoGP.

Em 2015, ele até foi especulado como substituto do lesionado Dani Pedrosa, justamente para a etapa da Argentina, mas acabou vetado de última hora pela Honda. Hoje, aos 36 anos de idade, dificilmente teria uma chance real de volta a competir.

2) Alex Márquez

Se Stoner é um piloto que praticamente não tem nenhuma chance de voltar à MotoGP, o irmão mais novo de Marc Márquez pode ser considerado uma boa opção para a Honda, caso a ausência do dono da moto número 93 se prolongue.

O mais jovem dos Márquez, na verdade, defendeu a equipe de fábrica da marca japonesa em 2020 e até teve seus momentos de brilho. Foi o segundo colocado em Le Mans e em Aragón e parecia ser questão de tempo para conquistar sua primeira vitória.

O triunfo não veio, e, com a contratação de Pol Espargaró para tomar conta da segunda moto da Honda, Alex acabou relegado à LCR, equipe satélite da fabricante. Não é incomum as montadoras recorrerem aos competidores de seus times B, por isso o mais jovem dos Márquez tem chances, sim, de voltar ao time de fábrica.

Pesa a favor dele saber como a HRC funciona, uma vez que disputou 14 provas pela esquadra.

3) Iker Lecuona

Lecuona foi contratado pela Honda para disputar a temporada 2022 do Mundial de Superbike. Até agora, a parceria tem começado bem. Apesar de a montadora japonesa não estar entre as mais fortes da categoria, o espanhol foi o terceiro colocado nos treinos de pré-temporada em Barcelona e já falou até em brigar por pódios e vitórias.

A chegada à Superbike aconteceu após duas temporadas de pouco brilho na MotoGP, defendendo a KTM. Nesse período, em 30 corridas, seu melhor resultado foi um sexto lugar obtido no Red Bull Ring.

Após deixar a MotoGP, o espanhol reclamou da falta de paciência da KTM com ele. Afinal, foi chamado de última hora em 2020, quando tinha 20 anos de idade, para subir da Moto2 e substituir Johann Zarco, que havia brigado com a montadora. Segundo ele, quando começou a mostrar resultados em meados da temporada passada, não teve seu contrato renovado.

Para o lugar de Lecuona na Tech3, a KTM contratou Remy Gardner e Raúl Fernández, vindos da Moto2. Até agora, a dupla ainda não mostrou a que veio, com o 15º lugar do australiano no Qatar como melhor resultado nas duas etapas realizadas até agora.

4) Danilo Petrucci

Se a Honda estiver buscando por experiência, o italiano de 31 anos de idade pode ser uma boa opção. De 2012 a 2021, Petrucci disputou 169 corridas na MotoGP, conquistando duas vitórias.

No ano passado, defendeu a Tech3, ao lado de Lecuona, mas foi dispensado no fim do ano, quando teve um quinto lugar como melhor resultado, mas penou na maior parte da temporada para andar no top-10.

No começo do ano, Petrucci disputou o rali Dakar, no qual se tornou o primeiro piloto da MotoGP a vencer uma especial. Também está escalado para tomar parte da MotoAmerica, o campeonato de Superbike dos EUA, pela Ducati.

O principal problema para o italiano é ser fisicamente diferente de Marc Márquez. Enquanto o espanhol mede 1,69m, o italiano tem 1,80m de altura. E na MotoGP pilotos menores e mais leves acabam levando vantagem devido à maior facilidade para equilibrar o equipamento.

Independentemente de quem for o escolhido, a Honda pode ficar aliviada. Para 2022, a montadora conseguiu desenvolver uma moto que não é totalmente dependente de Marc Márquez para obter bons resultados, tanto que Espargaró esteve na luta pela vitória no Qatar.

Quanto a Márquez, resta ver quando ele estará de volta. Afinal, em breve precisará negociar um novo contrato com a Honda e até lá terá de mostrar que pode voltar a lutar por títulos.

Confira abaixo o acidente de Marc Márquez na MotoGP 2022: