A etapa de Atlanta, a quinta da temporada 2022 da Nascar, era uma das mais aguardadas pelos fãs para este ano. O motivo? O oval que antes era palco de corridas sem graça e de poucas ultrapassagens na briga pela liderança prometia respirar novos ares, os mesmos de Daytona e de Talladega.

Nos últimos meses, uma polêmica reforma transformou a pista, até então um tradicional oval intermediário de 1,5 milha, em um mini-superspeedway. Suas curvas passaram de 24 para 28 graus de inclinação, a reta principal foi alargada, mas a reta oposta perdeu largura.

Os primeiros minutos do único treino livre mostrou que a reforma atingiu seus objetivos. Atlanta passou a ter tudo o que Daytona e Talladega sempre entregaram: corrida com duas filas de carros lado a lado com poucos segundos separando do primeiro ao último colocado e uma forte tendência a batidas e big-ones.

A prova foi digna de recordes. Ao todo, 20 pilotos lideraram ao menos um giro, sendo 46 trocas de liderança (quando o competidor que termina uma volta é diferente do que estava em primeiro na volta anterior) e 141 ultrapassagens valendo a ponta.

Em comparação, a etapa de março do ano passado, no oval de Atlanta antes da reforma, teve 11 mudanças valendo a primeira colocação, seis pilotos lideraram, e Kyle Larson esteve na ponta por 267 das 325 voltas.

Ross Chastain, da nova equipe Trackhouse, foi o principal exemplo de como a corrida deste fim de semana foi imprevisível. O piloto era o primeiro colocado quando bateu no muro por causa de um pneu furado. Nos boxes, perdeu duas voltas enquanto sua equipe consertava o equipamento. Ainda assim, conseguiu retornar à pista, recuperar os giros perdidos e receber a bandeirada na segunda posição, após a punição a Christopher Bell.

Só que, se de um lado houve mais emoção, também existiram as críticas à etapa de Atlanta.

Os problemas da etapa da Nascar 2022 em Atlanta

A primeira delas é que não se trata de uma nova versão de Daytona e Talladega, e, sim, de um superspeedway reduzido. Com menos espaço, ficou mais difícil ultrapassar, e os competidores do meio do pelotão precisavam recorrer à estratégia nos boxes para subir para os primeiros lugares. Da mesma forma, ficou mais complicado escapar dos acidentes. No domingo, foram 11 bandeiras amarelas, que duraram 65 voltas.

O excesso de batidas – típico de um superoval – tornou a corrida muito longa. Foram quase quatro horas de duração. Situação complicada para os pilotos, que precisavam fazer mais curvas que em Daytona e em Tallageda devido ao número maior de voltas (o que aumentou o desgaste físico) e também para fisgar a atenção dos fãs por tanto tempo.

Uma solução para o futuro poderia ser cortar 100 das 500 milhas da prova, embora a Nascar tenha relutado a diminuir a duração de algumas corridas (e o tempo de exposição dos patrocinadores na TV) no passado.

O novo calendário da Nascar

A reforma do oval de Atlanta faz parte de uma tendência da Nascar e dos promotores das etapas de tornar as corridas mais emocionantes. Ovais de 1,5 milha (ou mais) costumavam ser criticados por terem provas longas, mas monótonas. Era comum um competidor liderar centenas de voltas e dominar os três segmentos.

Nesse processo, pistas de 1,5 milha, como Chicagoland e Kentucky, foram limadas do calendário. Charlotte perdeu a All-Star Race e reativou o Roval para manter sua data nos playoffs. Já Atlanta foi reconfigurada como uma Mini-Daytona.

Com a Nascar explorando novos locais para correr, como o Coliseu de Los Angeles e um circuito de rua em Chicago, não será uma surpresa se outros ovais de 1,5 milha que se recusarem a se modernizar forem excluídos da agenda ou sejam obrigados a pagar taxas cada vez maiores para manter suas corridas.

Agora, para responder à pergunta do título deste post, se a etapa da Nascar 2022 em Atlanta foi boa, depende de quem você questionar. Os pilotos costumam se dividir na hora de responder. Quem terminou o fim de semana no muro criticou o estilo mini-superspeedway de Atlanta. Agora, quem estava na briga pela vitória não vê a hora de retornar ao oval em julho para a segunda etapa do ano por lá.

Mas, se teve um ponto em que boa parte dos competidores concordou foi para que mais nenhum oval de 1,5 milha siga os passos de Atlanta e também seja transformado em um superspeedway. Para eles, três (contando também Daytona e Talladega) já está de bom tamanho.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Nascar em Atlanta, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Daytona (nesta imagem acima) agora é um dos três superovais da Nascar – foto: toyota/divulgação