Helio Castroneves, que será o único piloto brasileiro em todas as etapas da temporada 2022 da Indy, nunca escondeu que ainda sonhava com a F1 quando decidiu trocar a Europa pelos EUA, no fim da década de 1990.

De fato, ele teve uma oportunidade na principal categoria do automobilismo mundial. Em 2002, foi convidado pela Toyota para participar de um teste na pista de Paul Ricard, na França. O brasileiro pensava que estava sendo avaliado para ser titular da montadora no ano seguinte. Seu desempenho foi bom, mas aí descobriu que a marca já tinha fechado com outro piloto (o compatriota Cristiano da Matta), permaneceu na Indy e nunca mais se aventurou rumo a Europa.

Quando Castroneves testou pela Toyota, já tinha sido bicampeão das 500 Milhas de Indianápolis e lutado pelo título da Indy até a última etapa daquele ano.

Só que, nas últimas temporadas, pelos mais variados motivos, estamos presenciando alguns promissores pilotos brasileiros trocando a carreira nas categorias de base dos EUA pela Europa, mas de uma forma muito mais precoce do que havia acontecido com Castroneves e antes mesmo de se firmarem no automobilismo internacional.

Como resultado, há um único representante do país nas categorias do Road to Indy em 2022: Kiko Porto, atual campeão da USF2000 e que estreará na Indy Pro 2000 pela equipe DEForce. Daí o título deste post, que questiona até que ponto o Brasil será capaz de continuar revelando nomes para um dia correr na Indy.

Enquanto o pernambucano busca manter o legado dos pilotos brasileiros nos EUA, veja abaixo o que aconteceu com os representantes do país que passaram pelo Road to Indy nos últimos anos:

Os pilotos brasileiros no Road to Indy

Enzo Fittipaldi: tomou parte de somente duas etapas da temporada 2021 da Indy Pro 2000, marcadas por problemas mecânicos e acidentes. Logo em seguida aceitou uma proposta para voltar à Europa, na F3, pela Charouz, mesma equipe que hoje defende na F2.

Bruna Tomaselli: foram três anos na USF2000 até migrar para a Europa ao ser aprovada na seletiva da W Series, categoria de que tomou parte no ano passado. Neste ano, vai participar da pré-temporada do campeonato feminino em busca de manter sua vaga no grid.

Igor Fraga: parecia que ia seguir o caminho do Road to Indy até ser descoberto pela Sony e pelo Gran Turismo ao se destacar tanto em corridas no game quanto em pistas reais. O patrocínio do jogo o levou para a Europa, onde disputou com sucesso a F-Regional Europeia. Foi campeão da Toyota Racing Series e chegou a integrar o Red Bull Junior Team, mas um ano ruim na F3, em 2020, fez com que perdesse o apoio tanto da fabricante de energéticos quanto da empresa de games. Não compete desde então.

Dudu Barrichello: o filho de Rubens Barrichello é a exceção dessa lista. De fato, ele começou a carreira nos EUA, tendo participado de uma temporada da F4 USA e de duas na USF2000 antes de migrar para o continente europeu. Só que ele morou nos EUA durante a adolescência, então competir por lá equivalia a um brasileiro dar os primeiros passos no automobilismo do Brasil antes de buscar categorias maiores.

Essa precocidade, porém, não é uma realidade exclusiva dos pilotos brasileiros. Jak Crawford, um dos favoritos ao título da F3 neste ano, começou primeiro no Road to Indy antes de ser levado à Europa pela Red Bull. E Nicholas Latifi, atual titular da Williams, e Jack Aitken, que até mesmo correu pela equipe inglesa em um GP em 2020, também se aventuraram nos EUA antes de continuarem no caminho rumo à F1.

O problema é que está cada vez mais difícil chegar à Indy. O trio de novatos na categoria americana no ano passado contou com um heptacampeão da Nascar, um tricampeão da Supercars da Austrália e um veterano com mais de uma dezena de pódios na F1. Neste ano, entre os estreantes estão o vice-campeão da F2 de 2020 e um piloto que iniciou a F2 no ano passado como um dos favoritos, mas acabou fora da luta pela taça.

Ou seja, quem, pelo motivo que for, não conseguir dar continuidade na carreira e começar a alternar entre EUA e Europa pode acabar no fim tanto longe da F1 quanto da Indy.

Dudu Barrichello, USF2000, vice-campeão, Eduardo, 2020
Dudu Barrichello fez carreira nos EUA antes de ir para a Europa – foto: usf2000/ferraripromo/divulgação