A temporada 2022 da Imsa começa neste fim de semana com a disputa das tradicionais 24 Horas de Daytona.

Nos últimos anos, os pilotos brasileiros têm conquistados bons resultados na primeira corrida do ano na Imsa. Confira abaixo quem são os seis brasileiros nas 24 Horas de Daytona de 2022 e o que esperar de cada um deles na prova.

Os pilotos brasileiros nas 24 Horas de Daytona

Helio Castroneves (Meyer Shank Acura nº 60): só um maluco neste momento descartaria Castroneves da luta pela vitória nas 24 Horas de Daytona de 2022. Afinal, nos últimos 15 meses o brasileiro foi campeão da Imsa, ganhou a tradicional prova em Daytona e obteve um histórico quarto triunfo nas 500 Milhas de Indianápolis.

A diferença em relação ao ano passado é que agora ele vai correr em Daytona pela Meyer Shank, mesma escuderia que defende na Indy.

Apesar de contar com apoio de fábrica da Acura, a Meyer Shank ainda tenta se encontrar na Imsa. No ano passado, com Dane Cameron e Olivier Pla, o carro 60 conquistou somente dois pódios em 11 etapas.

Para tentar melhorar a sorte, o time vem passando por uma reestruturação. Cameron e Pla deixaram a esquadra, para a chagada dos britânicos Oliver Jarvis e Tom Blomqvist. Castroneves está confirmado nas provas de longa duração, enquanto Simon Pagenaud será o quarto piloto em Daytona.

No restante do ano, Castroneves vai se dedicar à Indy, onde deve participar de todas as etapas do ano pela primeira vez desde 2017.


Pipo Derani (Action Express Cadillac nº 31): campeão. É assim que enfim podemos chamar Derani, após ele e Felipe Nasr terem conquistado o título da Imsa em 2021.

Desde então, muita coisa aconteceu. Nasr deixou a equipe Action Express e assinou com a Porsche. Para seu lugar, chegou o americano Tristan Nunez, com passagem pela Mazda. Ao mesmo tempo, a Cadillac tem investido cada vez mais na Ganassi, a outra escuderia que usa o equipamento da marca americana. Assim, o carro número 31 não tem mais a mesma prioridade de outros momentos.

Derani, portanto, vai acelerar nas 24 Horas de Daytona com a oportunidade de mostrar que pode, sim, liderar a Action Express rumo a mais um título, mesmo após a saída de Nasr. É uma também uma ótima chance de deixar alguns erros cometidos nas últimas duas temporadas da Imsa para trás.

A favor do brasileiro está seu currículo recheadíssimo. Ele já ganhou em Daytona, em 2016, por uma escuderia chamada ESM, que depois fechou as portas. Tem três triunfos nas 12 Horas de Sebring e um na Petit Le Mans.

Além da Imsa, vai correr em algumas etapas do WEC em 2022, novamente com o hipercarro da Scuderia Glickenhaus. A esquadra ainda não anunciou em quais etapas o brasileiro estará presente, mas a tendência é que a estreia seja em Sebring.


Felipe Fraga (Riley Ligier LMP3 nº 74): o campeão da Stock Car em 2016 desembarca nas 24 Horas de Daytona de olho em conquistar a vitória que escapou no ano passado. Em 2021, Fraga teve problemas com o visto americano e não conseguiu participar da tradicional corrida. Mesmo desfalcada do brasileiro, a equipe Riley terminou com a primeira colocação na divisão LMP3.

Fraga retornou ao carro número número 74 na terceira etapa da temporada, em Mid-Ohio, onde largou na pole e venceu. Foi o início de uma sequência de quatro triunfos e um terceiro lugar nas cinco etapas restantes, o que garantiu o título da Riley em 2021.

Para este ano, o brasileiro está confirmado em todas as etapas da temporada ao lado do americano Gar Robinson, um dos pilotos amadores mais consistentes da divisão LMP3. Em Daytona, eles ganham o reforço do holandês Kay van Berlo, que está iniciando a carreira nas provas de longa duração, e do americano Michael Cooper, um veterano do endurance dos EUA, apesar de estreante em um protótipo.

A divisão LMP3 conta com um grid bastante forte, com participação até mesmo da Andretti.

Nas corridas de longa duração, Fraga integra a equipe de fábrica da Mercedes na Europa e chegou a vencer a divisão GTE-Am das 24 Horas de Le Mans de 2019, mas foi desclassificado por um problema no carro poucas horas depois.


Felipe Nasr (Pfaff Porsche nº 9): o ex-F1 é ao mesmo tempo o atual campeão da Imsa e um novato nas 24 Horas de Daytona de 2022.

O motivo é que, desde que ele estreou na categoria americana, todas as suas provas tinham sido disputadas entre os protótipos, sendo que o bicampeonato foi conquistado na divisão DPi. Mas em Daytona ele vai correr na GTD Pro.

Muita coisa mudou para ele nos últimos meses. Nasr se despediu da Action Express e assinou com a Porsche para defender a Penske na estreia do regulamento GTP em 2023. Até lá, o brasileiro está se aclimatando à nova casa. Acelerar em Daytona, portanto, é uma maneira de se adaptar a como a montadora alemã trabalha. Ele também deve participar das etapas em Sebring, Watkins Glen e da Petit Le Mans.

Além disso, Nasr está confirmado na estreia da Penske na divisão LMP2 do WEC ao lado do americano Dane Cameron e do francês Emmanuel Collard. A ideia é a escuderia americana aproveitar 2022 para conhecer a categoria e acelerar sua adaptação antes da estreia dos novos protótipos no ano que vem.

Além dos dois títulos da Imsa, Nasr já ganhou uma vez as 12 Horas de Sebring e também a Petit Le Mans.


Augusto Farfus (RLL BMW nº 25): bicampeão das 24 Horas de Daytona, Farfus terá em 2022 um de seus maiores desafios nos EUA.

É que a corrida marca a estreia do modelo M4 GT3 nos EUA. Por mais que o carro tenha sido testado ao longo de 2021, ainda restam dúvidas sobre seu desempenho em uma prova real, o que é normal para qualquer equipamento que esteja sendo levado à pista assim tão cedo.

Para piorar, a estreia acontece justamente no primeiro ano da nova divisão GTD Pro, que substitui a antiga GTLM. Se antes havia poucos carros na divisão, dessa vez, além da BMW, há modelos da Lexus, Porsche, Corvette, Mercedes, Lamborghini, Ferrari e Aston Martin competindo.

Com tamanha concorrência, qualquer detalhe pode definir o vencedor.

Para terminar na frente, o trunfo da BMW é a experiência da tripulação do carro número 25. Farfus vai dividi-lo com os americanos John Edwards e Connor De Phillippi e com o finlandês Jesse Krohn, todos bastante experientes na Imsa.

Farfus não fica atrás. Além dos dois triunfos nas 24 Horas de Daytona, foi campeão do IGTC em 2020 e já venceu as 24 Horas de Nurburgring, em 2010, e a Copa do Mundo de carros GT, em Macau, há quatro anos. Caso as fronteiras permitam, deve disputar a temporada completa do Super GT, do Japão, no restante de 2022.


Daniel Serra (Risi Competizione Ferrari nº 62): após um ano na GTD, Serra volta à principal divisão de carros GT da Imsa. Ele está escalado em uma formação peso-pesado da Ferrari, ao lado dos italianos Alessandro Pier Guidi e Davide Rigon e do britânico James Calado.

Se não fosse a forte concorrência da divisão GTD Pro e o pouco apoio que a Ferrari dá a equipes-clientes, Serra poderia ser apontado como um dos favoritos em Daytona.

Aliás, essa pode ser uma das poucas vezes no ano que o veremos a bordo de uma Ferrari. É que ele não vai mais ser titular da montadora italiana no WEC em 2022, sendo substituído pelo italiano Antonio Fuoco.

Com ou sem a Ferrari, Serra já tem um currículo mais do que vitorioso. Além do tri da Stock Car, acumula duas vitórias em Le Mans (ambas na divisão GTE-Pro), além de já ter chegado na frente na Petit Le Mans, nos EUA, e ter poles em Daytona, Sebring e na própria Petit Le Mans.

Agora que você conhece quem são os pilotos brasileiros nas 24 Horas de Daytona de 2022 pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

E abaixo tem todos os carros que tomam parte dessa tradicional prova (clique nas imagens para ampliar, se necessário).

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Confira todos os carros e os brasileiros que vão disputar as 24 Horas de Daytona em 2021 – imagem: andy blackmore