Felipe Drugovich quase foi o primeiro piloto brasileiro a conquistar uma vitória na temporada 2022 do automobilismo mundial.

Cerca de uma semana antes de Gabriel Bortoleto se tornar o primeiro representante do Brasil a subir no degrau mais alto do pódio neste ano, o piloto da F2 terminou na frente nas 24 Horas de Le Mans, competindo ao lado do britânico Oliver Rowland e de Jeffrey Rietveld e Michal Smidl.

Só que o triunfo de Drugovich foi no mundo virtual. A exemplo do que já tinha acontecido em 2020, os organizadores das 24 Horas de Le Mans realizaram a prova em um simulador, bem longe das pistas e do asfalto do mundo real e atraindo nomes do calibre de Max Verstappen e Juan Pablo Montoya.

Apesar de não contar como a primeira vitória brasileira em 2022, ainda assim foi um ótimo resultado para Drugovich. 

Pela falta de corridas no mundo real neste começo do ano, muita gente acaba prestando atenção no que aconteceu no virtual, e o brasileiro impressionou. Não que a vitória no simulador tenha grande impacto no futuro de Drugovich ou que o torne favorito ao campeonato da F2, mas nunca se sabe o que pode acontecer.

Por exemplo, na primeira edição da prova virtual, lá em 2020, um dos ganhadores foi o suíço Louis Délétraz, que também estava na F2. Desde então, o piloto passou a se dedicar às provas de longa duração, foi campeão da ELMS no ano passado e só não triunfou nas 24 Horas de Le Mans reais, na divisão LMP2, porque o carro em que estava teve um problema mecânico inacreditavelmente na última volta da prova.

Outro que tinha se destacado no ambiente digital em 2020 era Ye Yifei, que foi companheiro de Délétraz tanto no título da ELMS quanto na decepção em Le Mans e agora é piloto de fábrica da Porsche.

Resta ver se, no caso de Drugovich, mais portas vão se abrir.

Como foram as 24 Horas de Le Mans virtual

Voltando às 24 Horas de Le Mans digitais, Drugovich correu pela Redline, que é uma das principais equipes do mundo virtual. Normalmente, essa escuderia entra como favorita. Não por acaso que atraiu Max Verstappen, entre outros grandes nomes das pistas reais.

Drugovich, que já tinha se destacado nos games e simuladores em 2020, estava entre os favoritos, mas tinha outros fortes concorrentes à vitória, incluindo Verstappen no outro carro da Redline.

Além disso, de acordo com o regulamento, as equipes eram obrigadas a alinhar quartetos, mesclando dois pilotos do mundo real com dois especialistas em games e simuladores. 

Geralmente, os pilotos do mundo virtual levam alguma vantagem, pois contam hardware de última geração, sabem acertar um carro com detalhes e conhecem alguns macetezinhos nos softwares em que as corridas são disputadas.

Por isso, o pulo do gato de algumas equipe é inscrever competidores que começaram primeiro no virtual e fizeram a transição para o mundo real, como “pilotos do mundo real”, permitindo que outros dois especialistas em games e simuladores fossem adicionados ao quarteto.

Foi o que aconteceu na divisão GTE, em que o carro vencedor (também da Redline) contava com o holandês Rudy van Buren, que em 2017 conquistou o título de World Fastest Gamer (gamer mais rápido do mundo, na tradução) e hoje em dia disputa a Porsche Cup da Alemanha. Além dele, a tripulação era composta por Isaac Gillissen e por Eamonn Murphy, vindos do mundo virtual.

Na divisão principal, nesse quesito, a principal ameaça a Drugovich era o protótipo da Veloce, com James Baldwin na tripulação. O piloto britânico foi o campeão do World Fastest Gamer de 2019 e disputou o mundial do game da F1 no ano seguinte, quando também tomou parte do campeonato inglês de carros GT pelo time de Jenson Button, por isso entrou na cota de pilotos das “pistas reais”.

De fato, os carros de Verstappen e da Veloce é que disputaram a liderança nas primeiras horas das 24 Horas de Le Mans, apesar de o quarteto de Drugovich ter largado na pole.

Só que Verstappen cometeu um erro e bateu na chicane da Ford, na sétima hora, abandonando ali mesmo a disputa. Já o carro da Veloce, enfrentou umproblemas mecânicos e recebeu um drive-through por um toque em outro competidor, o que o tirou da disputa. No fim, abandonou.

O quarteto de Drugovich já estava na liderança quando o equipamento da Veloce começou a ter problemas. Aí, com seus dois principais adversários fora da disputa, o grupo precisou apenas manter a ponta e evitar qualquer contratempo para conquistar a importante vitória virtual.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos das 24 Horas de Le Mans virtual.

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Felipe Drugovich está de volta à equipe MP na temporada 2022 da F2 – foto: dutch photo agency/kgcom/divulgação