Não dá para entender a F2 em 2021. A principal justificativa da categoria para ter adotado neste ano o bizarro formato de calendário com rodadas triplas (com duas provas com grid invertido) e intervalos de meses entre cada uma delas era o corte de custos. Era uma forma de proteger pilotos e equipes da crise econômica global consequência de tudo o que estamos vivendo.

Mas, às vésperas das duas últimas etapas da temporada 2021, na Arábia Saudita e em Abu Dhabi, três competidores anunciaram que não vão participar das corridas decisivas por falta de patrocínio: Lirim Zendeli, Richard Verschoor e David Beckmann.

Quem saiu da F2 2021 nas últimas etapas?

Beckmann é quem vem tendo o ano mais atípico. Começou o campeonato na Charouz até que foi substituído por Enzo Fittipaldi após quatro etapas. Ainda assim, descolou uma vaga na Campos para as duas rodadas seguintes, mas agora deixa a escuderia espanhola para a chegada do britânico Olli Caldwell.

Já Zendeli e Verschoor, que desde o começo do ano vinha renovando seu contrato de etapa em etapa, foram companheiros na MP, que de uma vez só mudará seus dois pilotos. No lugar do holandês, chega Jack Doohan, que lutou pelo título da F3 2021 até as etapas finais, enquanto Zendeli cederá o carro a Clément Novalak, que já está assegurado na MP em 2022.

Há ainda a estreia de Logan Sargeant na HWA, no posto que já havia sido de Matteo Nannini, Jack Aitken (lesionado após um grave acidente nas 24 Horas de Spa-Francorchamps) e Jake Hughes.

Nannini, inclusive, é um dos pilotos que esperavam disputar a temporada completa da F2 neste ano, mas ficou sem patrocínio logo nas primeiras etapas.

E isso tudo sem falar em Gianluca Petecof, que deu um salto da F-Regional Europeia para a F2 em 2021, mas tinha orçamento apenas para as duas primeiras corridas do ano. Em meio a acidentes e problemas mecânicos, não conseguiu se firmar no campeonato e perdeu a vaga que ocupava na Campos.

Era evidente que desde o início da ideia das rodadas triplas com intervalos gigantescos nunca houve o interesse da F2 de cortar custos de forma efetiva.

Mas houve um agravante em 2021. Por causa da “brilhante” ideia de F2 e F3 praticamente não correr nos mesmos fins de semana, a temporada da F3 já acabou, enquanto a da F2 ainda tem mais seis corridas pela frente. Assim, pilotos endinheirados que buscam dar o salto de uma para a outra em 2022 estão tendo a oportunidade de comprar vaga para as provas finais e acelerar o processo de transição e adaptação.

Quando a gente pensava que o regulamento da F2 2021 não dava para ficar pior, agora surge esse problema de dança das cadeiras impulsionada.

O lado bom é que a organização do campeonato já anunciou o retorno de um formato mais tradicional para 2022, com rodadas duplas, intervalo menor entre as provas e mais etapas com F2 e F3 na pista.

Gianluca Petecof, 2021, F2
Gianluca Petecof foi um dos pilotos que ficaram no meio do caminho da F2 2021 por falta de patrocínio – foto: aci csai/divulgação