A Andretti tomou uma decisão para lá de surpreendente ao escolher Oliver Askew como o substituto de Maximilian Gunther na temporada 2022 da Formula E.

Para o ano que vem, a escuderia americana vem passando por uma série de mudanças. A primeira foi a BMW ter deixado a categoria, o que liberou o time para escolher seus pilotos — antes era a marca alemã que definia os titulares. Como consequência, houve a saída de Gunther, novo contratado da Nissan.

A segunda foi a chegada da Avalanche, empresa especializada em criptomoedas e em NFTs, como patrocinadora principal, trazendo à equipe o dinheiro que antes era investido pela BMW.

Pelo acordo com o patrocinador, um dos pilotos titulares da Andretti na Formula E 2022 precisa ser americano.

A opção por Askew, assim, é surpreendente, mas não é como se a escuderia tivesse muitas opções. O outro americano especulado na vaga foi Kyle Kirkwood, atual campeão da Indy Lights, mas que preferiu continuar nos EUA e acertou com a Foyt para andar na Indy.

Logan Sargeant até poderia ser cogitado, mas ele ainda está na F3. Seria um pulo muito grande ser alçado neste momento para os carros elétricos.

O desempenho de Oliver Askew nos EUA

Contra Askew, pesa o fato de ele ainda não ter se firmado em sua carreira profissional. Depois de ter sido campeão da USF2000 e da Indy Lights (quando derrotou Pato O’Ward), tomou parte somente de uma temporada na Indy e ficou muito atrás de O’Ward, que veio a ser seu companheiro de equipe na McLaren.

Enquanto em 2020 o mexicano obteve quatro pódios, uma pole e foi o quarto colocado na tabela, Askew colecionou somente um pódio. Também sofreu um forte acidente nas 500 Milhas de Indianápolis e acabou dispensado antes do fim da temporada, fechando em 19º na classificação final.

Em 2021, ensaiou um retorno à Indy ao participar das últimas três etapas pela RLL, em uma disputa com Santino Ferrucci e com Christian Lundgaard pela terceira vaga na escuderia em 2021.

Obteve um nono lugar em Laguna Seca como melhor resultado, mas na avaliação final acabou bem atrás de Ferrucci (quatro top-10 em cinco corridas, incluindo a Indy 500) e Lundgaard (largou em quarto em sua primeira corrida nos EUA, mal tendo testado o equipamento).

Ou seja, se ele não foi a primeira opção para a McLaren nem para a RLL, curioso a Andretti ter apostado nele para a Formula E, um campeonato que exige habilidades diferentes dos pilotos, como economizar energia e ter bom desempenho em circuitos de rua.

Falando nisso, os melhores resultados de Askew na Indy vieram em ovais, tipo de pista que certamente ele não encontrará nos carros elétricos. Em circuitos mistos e de rua, obteve um único top-10 (em Laguna Seca, pela RLL) em 11 provas disputadas.

Resta ver se uma boa pré-temporada e o suporte da Andretti conseguirão fazê-lo se adaptar rapidamente ao equipamento e retomar a boa forma que mostrou nas categorias de base dos EUA.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da Formula E 2022 foi formado.

foto Maximilian Gunther
A Andretti não terá mais o apoio da BMW na Formula E 2022 – foto: bmw/divulgação