Depois de cerca de 12 meses, o automobilismo brasileiro volta a ter um representante na Academia da Ferrari. É Rafael Câmara, de 16 anos de idade, que conquistou a vaga no programa da equipe de Maranello da F1 ao passar por uma seletiva envolvendo alguns dos jovens pilotos mais promissores da geração.

Câmara é um dos três pilotos que mais se destacaram no kartismo internacional em 2021. Venceu o WSK Champions Cup, o WSK Super Master Series e a Champions of the Future, além de ter sido vice-campeão europeu.

Na seletiva, derrotou Tuuka Taponen, atual campeão Mundial de Kart, e o australiano Jesse Lacey. Também enfrentou o britânico Oliver Bearman, que se tornou o primeiro competidor a levantar a taça da F4 Italiana e da F4 Alemã no mesmo ano. Assim como Câmara, o inglês fará parte da Academia da Ferrari no próximo ano.

Pessoas próximas a Câmara disseram que, como parte do programa de Maranello, o brasileiro vai correr pela Prema na F4 em 2022.

Rafael Câmara na F4 em 2022

Logo de cara, ele terá uma pedreira pela frente, uma vez que a escuderia deverá ter um plantel bastante forte. Entre os pilotos cotados para fazer parte da equipe estão Andrea Kimi Antonelli, companheiro de Câmara no kartismo e que integra a academia da Mercedes, Macéo Capietto, polêmico vice-campeão da F4 Francesa, e Maya Weug, a primeira ganhadora da seletiva Girls on Track, destinada somente a competidoras.

Todos eles já disputaram ao menos meia temporada de F4. Assim, resta ver como Câmara se sairá contra adversários com mais experiência que ele.

Se dentro da Prema a concorrência será pesada, na Academia da Ferrari o brasileiro também não terá vida fácil. Fazer parte desses programas juniores nunca foi certeza de que um competidor chegará à F1. Na Ferrari, há oportunidades, mas não são muitas.

Por exemplo, em 2020, a escuderia de Maranello teve cinco representantes na F2: Mick Schumacher, Robert Shwartzman, Marcus Armstrong, Callum Ilott e Giuliano Alesi.

Schumacher foi campeão, Ilott terminou com o vice e Shwartzman foi o quarto depois de perder desempenho no meio do campeonato, quando parecia que podia levantar a taça.

Deles, apenas o filho de Michael Schumacher – muito por causa do sobrenome e dos patrocinadores ligados à família – conseguiu subir à F1. Ilott passou por carros GT e agora vai se dedicar à Indy, Alesi fez a carreira renascer no Japão, Armstrong deve ficar um terceiro ano na F2 em 2022 e Shwartzman tem o futuro indefinindo.

Ou seja, ainda está muito cedo para dizer se Câmara terá qualquer chance de chegar à F1. Vai depender dos resultados que ele conquistar ao longo da carreira, assim como o desempenho de seus companheiros de Academia.

O lado bom é que ele está ao menos há uns cinco anos, no mínimo, de pensar em subir para a principal categoria do automobilismo mundial. Até lá, pode haver mais equipes (e vagas) no grid ou a situação da economia brasileira pode melhorar, facilitando na hora de arrumar um patrocinador.

Enquanto esse momento não chega, Câmara terá pela frente a desafiadora transição do kartismo para os monopostos. Ao menos, até agora, os resultados estão sendo bons. Liderou as atividades privadas que fez pela Prema, em Adria, e ficou em terceiro nos testes da F4 Italiana 2021, em Monza, quando testou pela pequena Cram.

Oliver Bearman, Van Amersfoort, Fórmula 4, F4, F4 Italiana, F4 Alemã, 2021
Oliver Bearman também fará parte da Academia da Ferrari em 2022 – foto: aci csai/divulgação