Uma das maiores polêmicas do automobilismo mundial, a categorização de pilotos entre profissionais, amadores e meio-termo pode estar com os dias contados.

Nas últimas semanas, a SRO, promotora dos principais campeonatos de carros GT3 do mundo, e a FIA deram declarações indicando que a maneira como os pilotos são agrupados deve mudar e que as novidades podem chegar já no ano que vem.

Hoje, os competidores são divididos de quatro maneiras: platinum, gold, silver e bronze.

Todos com passagem pela F1 ou que defendem alguma equipe de fábrica são considerados platinum.

No grupo dos gold, entram os competidores profissionais que há alguns anos militam em campeonatos de GT3 ou de provas de longa duração.

E no bronze estão os amadores que começaram a carreira após completarem 30 anos de idade (em boa parte das vezes beeem depois dos 30).

O problema mesmo fica nos silver. Nessa divisão, são considerados desde os jovens que estão fazendo a transição dos monopostos (mesmo os com currículo recheados de título) para o GT3 e endurance aos amadores mais experientes, geralmente de menor idade e que conseguem dedicar mais tempo ao esporte a motor.

A polêmica acontece, justamente, porque alguns campeonatos, como é o caso da divisão LMP2, no WEC, e da GTD, na Imsa, exigem que os times tenham ao menos um piloto silver.

Como entre os silver é possível ter um jovem piloto que se destacou nas categorias de base, então algumas equipes, na verdade, acabam inscrevendo somente profissionais, o que acaba levando vantagem contra as que contam com algum amador.

Quem não gosta dessa “gambiarra”, digamos assim, são os amadores de verdade. Afinal, são eles que pagam para correr, compram equipamentos das montadoras e, de certa forma, fazem os campeonatos existir.

Para tentar agradar esses gentleman drivers, o WEC até mesmo chegou a criar uma divisão Pro-Am dentro da LMP2 (que deveria ser Pro-Am desde o começo), mas o que se viu foi o aumento do grid muito mais por causa da chegada de jovens profissionais endinheirados. Na verdade, em campeonatos como o GT World Challenge e ELMS, o número de gentleman drivers vem diminuindo a cada temporada.

O risco é que jovens pilotos profissionais não costumam ter tanto dinheiro para pagar para correr por muito anos, diferentemente dos amadores. Além disso, eles também correm o risco de ser promovidos para a gold e deixar suas equipes na mão.

A nova categorização dos pilotos para 2022

No começo do mês de outubro, a SRO propôs uma solução a esse problema, sugerindo fundir as atuais divisões platinum e gold, ambas voltadas a profissionais. Os pilotos vindos dos monopostos é que assumiriam uma nova versão da categoria gold, enquanto silver e bronze ficariam destinadas somente a amadores. Os mais velozes e vitoriosos seriam silver, os demais, bronze.

A promotora de corridas, inclusive, disse que pode fazer as mudanças já para 2022, mesmo que não seja seguida por outros campeonatos.

A resposta da FIA veio nesta semana, com o responsável pela categorização de pilotos, Frederic Bertrand, concordando com os argumentos da SRO e dizendo que a própria entidade estuda fazer suas modificações.

A tendência é que o plano proposto pela SRO, de platinum e gold para profissionais (incluindo quem está deixando os monopostos) e de silver e bronze para amadores deve seguir, junto com um maior foco nas regras para campeonatos verdadeiramente Pro-Am.

Só fica a dúvida de por que a FIA só resolveu agir depois que a SRO ameaçou criar sua própria categorização. Afinal, foi a própria federação internacional que por anos ignorou os apelos dos amadores por revisões de regras e que criou o confuso sistema atual.

Confira abaixo (em inglês) um resumo das mudanças propostas pela SRO (clique na imagem para ampliar, se necessário):

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