Bruna Tomaselli terá um desafio ainda maior na rodada dupla do Circuito das Américas, que fecha a temporada 2021 da W Series no penúltimo fim de semana de outubro.

A organização do campeonato feminino anunciou que somente as oito primeiras colocadas deste ano terão vaga garantida no grid de 2022 (sendo que Nerea Martí e Irina Sidorkova já estão confirmadas por fazerem parte do chamado junior team da W Series), enquanto da nona à 12ª precisarão passar novamente por uma seletiva para competir no ano que vem.

Neste momento, Tomaselli é a 14ª na tabela, seis pontos atrás da 12ª, a holandesa Beitske Visser, e dez atrás da oitava, a espanhola Belén García. Com 50 pontos em jogo em Austin, nada está definido entre quem serão as oito classificadas para a W Series 2022.

Pensando pelo lado do campeonato, faz todo sentido a W Series limitar o número de participantes asseguradas em 2022. Em relação aos últimos anos, há mais pilotas correndo e se destacando nas categorias de base, como as irmãs Al Qubaisi, Abbi Pulling, Juju Noda e as finalistas da seletiva para a Academia da Ferrari Maya Weug e Dorianne Pin.

A W Series só tem a ganhar caso todas elas tenham interesse pela categoria nos próximos anos.

Lembrando que as pilotas não precisam levar patrocinadores, então uma maior rotatividade no grid também significa que mais competidores vão receber uma chance de tentar fazer a carreira deslanchar.

Essa, aliás, pode ser a maior crítica a ser feita à W Series até agora. Com exceção de Jamie Chadwick, campeã da temporada inaugural em 2019, Visser e Fabienne Wohlwend, as competidoras não estão conseguindo transformar a visibilidade de estar na W Series em novas oportunidades para suas carreiras, mesmo com todas recebendo premiação em dinheiro no fim do campeonato.

Talvez falte à organização pensar em iniciativas como oferecer testes em categorias como F3, WEC e de carros GT3 para as primeiras colocadas.

Bruna Tomaselli no Circuito das Américas pela W Series

Voltando a Tomaselli, apesar de sua situação na tabela ser complicada neste momento, há dois bons motivos para ficar otimista com a rodada dupla nos EUA.

A primeira é que a pista do Circuito das Américas é desconhecida para a maior parte do grid. Enquanto boa parte das competidores já conhecia os traçados europeus, como Red Bull Ring, Silverstone e Spa-Francorchamos, Austin será uma novidade para quase todas, e a experiência não vai valer tanto assim.

A outra é que Tomaselli conquistou seu melhor resultado em 2021 justamente em uma rodada dupla, tendo sido a quinta colocada na segunda bateria do Red Bull Ring, depois de largar em terceira.

Em outros momentos da carreira, como em seus anos de USF2000, a brasileira já mostrou que costuma dar um salto de desempenho quanto mais vai acumulando experiência com um carro. Por isso, disputar uma rodada dupla e poder aplicar no domingo tudo o que aprendeu no sábado pode ajudá-la a tirar a diferença para Belen García e se garantir no grid da W Series 2022.

Você pode clicar aqui para conferir como está o campeonato da temporada 2021 da W Series.

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Bruna Tomaselli teve um quinto lugar no Red Bull Ring como melhor resultado na W Series em 2021 – foto: wngsports/divulgação