A temporada 2021 do DTM foi histórica para a categoria alemã. Afinal, marcou a estreia do regulamento GT3 e do foco em equipes-clientes após décadas de protagonismo de montadoras e times de fábrica.

Além disso, o título só foi definido nas últimas voltas da etapa final, em Norisring, quando Maximilian Gotz levou a melhor sobre Liam Lawson e Kelvin van der Linde, mas com certa dose de polêmica.

Muita coisa deu certo com a chegada das novas regras, mas também há pontos em que o DTM pode melhorar já pensando em 2022. Abaixo você confere um balanço da temporada 2021:

O que deu certo no DTM 2021?

A MUDANÇA PARA CARROS GT3

Desde a primeira etapa da temporada 2021, o DTM reuniu um grid maior que o do ano passado. Se, em 2020, 16 competidores tomaram parte do campeonato, com a chegada dos modelos GT3, foram 19 logo na primeira corrida do ano, em Monza, e um pico de 23 em Nurburgring.

Para 2022, a expectativa é que o número continue a crescer. Há conversas para que a Porsche entre na categoria, após participar de somente uma etapa neste ano, além de um aumento no número de carros da BMW. Em 2021, a montadora estava focada em testar e promover o modelo M4 GT3, que será lançado no ano que vem. Por isso, na próxima temporada, ela deve vir com tudo.

BALANCE OF PERFORMANCE

Chefão do DTM, o ex-piloto de F1 Gerhard Berger sempre foi um crítico ferrenho ao balance of performance, como é chamada a equalização dos equipamentos.

Mas não dá para negar que o campeonato de 2021 foi bem equilibrado. Os quatro primeiros da tabela defenderam montadoras diferentes: Gotz, o campeão, correu pela Mercedes, Lawson estava à bordo de uma Ferrari, Kelvin van der Linde competiu pela Audi e Marco Wittmann, pela BMW.

Isso sem falar que a McLaren foi competitiva nas corridas de que Christian Klien participou como convidado, assim como a Lamborghini, em especial na única aparição de Mirko Bortolotti.

O que deu errado no DTM 2021?

Corridas pouco competitivas

Muitas corridas da temporada 2021 do DTM não tinham uma briga de verdade pela vitória e, em algumas delas, nem mesmo no meio do pelotão. As poucas ultrapassagens eram nos momentos de parada nos boxes, em que os competidores iam se reorganizando na pista conforme voltavam do pitlane.

De uma forma resumida, a principal estratégia era ir aos boxes logo que a janela de paradas fosse aberta, para proteger o undercut e evitar ser prejudicado pela entrada do safety-car. Com a troca de pneus feitas, não havia mais outras grandes oportunidades para o piloto perder a posição.

Os pit-stops também foram alvo de polêmica. Neste ano, a Ferrari desenvolveu uma técnica inovadora para fazer a troca de pneus. A tática envolve o mecânico que está com a pistola primeiro afrouxar tanto a roda dianteira quanto a traseira e depois prender os pneus novos. Pelo método tradicional, o mecânico trabalha em um eixo por vez (afrouxa o dianteiro, prende o dianteiro, afrouxa o traseiro, prende o traseiro).

Essa estratégia foi apontada como um dos segredos do bom desempenho de Lawson, que obteve dez pódios neste ano.

A Mercedes copiou o método desenvolvido pela Ferrari, mas Audi e BMW não tinham equipamentos capazes de fazer o mesmo. As duas marcas alemãs reclamaram com a organização do campeonato, mas não houve nenhuma mudança no regulamento.

Além da polêmica nos boxes, um problema das corridas do DTM em 2021 foi o alto número de abandonos causados por toques e acidentes em algumas provas. Na segunda bateria de Nurburgring, nove pilotos não completaram, enquanto seis ficaram de fora da corrida 1 de Assen, por exemplo.

JOGO DE EQUIPE

Até o ano passado, o DTM era famoso pelo jogo de equipe. Afinal, as montadoras gastavam dezenas de milhões de euros para competir e buscavam garantir os resultados de todas as formas possíveis.

Não era raro que, a partir da segunda metade do campeonato, as marcas passassem a priorizar um piloto, com estratégias melhores, peças novas e, é claro, com inversão de posições.

Com o DTM mudando o foco para equipes-cliente em 2021, a expectativa era que o jogo de equipe não fosse tão recorrente. De certa maneira, diminuiu. Mas o título foi definido a partir de ordens da Mercedes.

É que após o acidente entre Lawson (da Ferrari) e Kelvin van der Linde (da Audi) no começo da corrida decisiva em Norisring, Gotz seria campeão desde que ganhasse a prova. Com cinco voltas para o fim, o alemão estava em terceiro, quase 20s atrás do então líder Lucas Auer. A Mercedes nem pensou duas vezes. Ordenou que tanto o austríaco quanto Phillip Ellis tirassem o pé e permitissem que Gotz passasse.

Apesar do anticlímax e do jogo de equipe descarado, é difícil criticar a Mercedes. Era a última corrida do ano e valendo o título. Pior seria ver uma concorrente comemorar.

Mas a situação vale de alerta para que o jogo de equipe não volte a ser recorrente como acontecia até a temporada passada, o que contribuiu para a crise enfrentada pela categoria.

Agora que você ficou por dentro dos pontos positivos e negativos do DTM 2021, pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa de Norisring, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Liam Lawson foi o destaque do DTM 2021, mas terminou com o vice-campeonato – foto: julian kroehl/red bull content pool