Uma das equipes mais tradicionais do automobilismo mundial, a Penske está vivendo uma situação quase que inédita neste mercado de pilotos para a temporada 2022, tanto da Indy quanto da Nascar. Dois de seus competidores, Simon Pagenaud e Brad Keselowski, escolheram não renovar contrato e vão mudar de escuderia.

Normalmente a Penske não costuma mexer em seu plantel. Nas poucas vezes que isso ocorre é porque um piloto é demitido ou se aposentou. Agora, um competidor escolher trocar de time e defender um adversário é uma situação raríssima.

Na Nascar, a última vez que isso aconteceu faz mais de dez anos. No fim de 2008, Ryan Newman anunciou que estava saindo da escuderia para competir pela Stewart-Haas, comandada por Tony Stewart, um dos melhores amigos de Newman nas pistas.

Em relação a resultados, a troca foi questionável. Enquanto o americano venceu 13 vezes em seis temporadas completas na Penske, pela Stewart-Haas foram quatro triunfos em cinco anos. No fim, acabou demitido para a chegada de Kevin Harvick.

Coincidentemente, Keselowski agora deixa a Penske para ir correr pela Roush Fenway e substituir justamente Newman.

A saída de Simon Pagenaud da Penske em 2022

Já na Indy não é tão fácil achar a última vez que a escuderia perdeu um de seus pilotos para uma rival. Helio Castroneves, por exemplo, não escolheu sair. Ele defendeu a esquadra na Imsa, de 2018 a 2020, quando ficou sabendo que não teria seu contrato renovado e estava livre para procurar outro lugar para correr. Foi quando apareceu a Meyer Shank, com a qual conquistou seu quarto título nas 500 Milhas de Indianápolis.

Voltando bastante no tempo, em 1995, há quase 30 anos, a Penske viu Paul Tracy se mandar para a Newman/Haas.

Essa mudança não foi exatamente por escolha do piloto. Tracy tinha defendido a Penske nas três temporadas anteriores e apresentado bom resultado: foram oito vitórias no período. O canadense até mesmo flertou com uma ida para a F1 e ser companheiro de Michael Schumacher na Benetton.

O problema para ele foi ter na Penske Emerson Fittipaldi e Al Unser Jr., dois campeões da Indy e das 500 Milhas, como companheiros. Assim, quando a equipe decidiu voltar a alinhar somente dois carros a partir de 1995, Tracy é que acabou sobrando. Só que a esquadra de Roger Penske tinha a opção de “recontratar” o canadense se achasse necessário, o que acabou acontecendo para 1996.

Antes do canadense, a última vez que um piloto deixou a Penske na Indy para defender uma rival foi Danny Sullivan, em 1991, quando foi para a Patrick, então equipe de fábrica da Alfa Romeo.

Voltando a Pagenaud, apesar de Roger Penske ter declarado que pretendia renovar com o francês, seu desempenho começava a ser questionado. Foram somente quatro vitórias nas últimas quatro temporadas (nenhuma neste ano) e ficado constantemente longe da luta pelo título.

Aí surgiu a oportunidade de liderar a Meyer Shank para a parte da frente do pelotão e formar um dream team com Helio Castroneves (junto venceram cinco 500 Milhas e um título). Pagenaud aceitou a empreitada, em vez de correr o risco de um dia engrossar a lista de demitidos ou aposentados pela Penske.

Agora só o tempo mostrará se ele tomou a decisão correta.

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Brad Keselowski deixará a Penske para correr pela Roush Fenway na Nascar 2022 – foto: penske/divulgação