Vale fazer de tudo para aumentar as chances de conquistar um bom resultado em uma corrida? Até mesmo perder posições de propósito? Foi o que fez Clément Novalak na primeira bateria da etapa de Zandvoort da F3 2021.

O francês ocupava a oitava colocação e permitiu que três concorrentes o ultrapassassem. O motivo? Por causa da regra do grid invertido, ele estava de olho em largar nas primeiras colocações na segunda prova do fim de semana.

Com essa tática, Novalak recebeu a bandeira quadriculada em 11º na corrida 1, o que o colocou na segunda posição do grid na bateria disputada algumas horas depois. O francês contou que só não foi o 12º (que se tornaria pole), porque havia muitos pilotos próximos na luta pelo 12º lugar, então havia o risco, sim, de a tática falhar.

Na segunda prova da rodada, a estratégia de certa forma deu certo. Novalak largou em segundo e rapidamente ultrapassou o pole, o israelense Ido Cohen. A partir daí, liderou boa parte das voltas, mas acabou superado pelo compatriota Victor Martins, da MP. Ainda assim, o segundo lugar na bandeirada tinha sido seu melhor resultado na F3 em 2021 até então.

Desde que a regra do grid invertido foi inventada, vez ou outra aparecem rumores de competidores que perdem posições de propósito para largar na pole na bateira seguinte.

Só que normalmente quem adota esse tipo de tática são pilotos e equipes do meio para o fim do pelotão, desesperados para chamar a atenção, de um potencial patrocinador ou de outra escuderia, com uma vitória ou pódio.

É que na maior parte do tempo, a diferença de pontos não compensa perder uma posição em uma corrida, mesmo que seja para largar melhor na próxima. Quanto mais abrir mão de três colocações, como foi o caso de Novalak.

Só que as novas regras da F3 para 2021 parecem ter sido criadas no improviso, o que abriu espaço para táticas menos ortodoxas.

As regras polêmicas da F3 2021

Se tivesse terminado em oitavo na primeira corrida do fim de semana, Novalak teria marcado três pontos e largaria em quinto na segunda bateria. Muita coisa poderia acontecer nessa prova, então fica complicado especular em qual posição o francês chegaria. Mas, caso repetisse o quinto posto, somaria mais dez pontos, totalizando 13.

Quem vence as corridas do sábado da F3 soma 15 pontos. Ou seja, a lógica para o representante da Trident é que compensava, sim, largar na frente do grid na segunda bateria, onde há menos riscos de se envolver em acidente e ainda poder contar com o ar limpo, e abrir mão do resultado da primeira prova. Ainda mais em Zandvoort, uma pista onde muitos acreditavam que haveria poucas ultrapassagens.

São duas as brechas no regulamento que permitem esse tipo de estratégia. A primeira é que as duas provas do sábado agora têm o mesmo peso e distribuem o mesmo número de pontos. Até o ano passado, a primeira corrida de cada etapa dava 160% pontos a mais que a segunda, então o prejuízo era maior ao entregar uma posição para um adversário.

A segunda é que somente os dez primeiros pontuam nas baterias da F3 deste ano, mas a inversão do grid envolve o top-12. Isto é, do décimo ao 12º lugar um piloto é literalmente beneficiado por perder posições.

No fim, quase deu certo para Novalak. O piloto cruzou a linha de chegada da segunda corrida na vice-liderança, 0s3 atrás de Martins, somando, assim, mais 12 pontos no campeonato.

Como só resta mais uma etapa para o fim da temporada 2021, em Sochi, e a imprensa europeia apontando que o regulamento da F3 será alterado para 2022, a brecha explorada por Novalak em breve deve deixar de existir, e esta polêmica deverá acabar.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da F3 2021 em Zandvoort, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Clément Novalak repetiu a segunda colocação na terceira bateria da etapa de Zandvoort da F3 2021 – foto: dutch photo agency/red bull content pool