Enzo Fittipaldi será, a partir da etapa de Monza, o terceiro piloto brasileiro no grid da F2 em 2021. Ele se juntará a Felipe Drugovich e a Guilherme Samaia, de quem será companheiro na equipe Charouz.

O neto de Emerson Fittipaldi chega à principal categoria de acesso da F1 em meio a um ano bastante movimentado para ele. Começou a temporada com o foco nos Estados Unidos, correndo na Indy Pro 2000, mas deixou o campeonato após duas rodadas conturbadas e cheias de acidentes. Depois, assinou de última hora com a Charouz para fazer um segundo ano na F3. Até agora, participou de 12 corridas, obteve um pódio e ocupa a 16ª colocação na tabela.

Fittipaldi não participou da etapa de Spa-Francorchamps da F3, com o foco já estando na transição para a F2.

Faltando quatro rodadas para o fim da temporada da F2 2021, será que dá tempo de vermos o brasileiro mostrando do que é capaz?

Fittipaldi: novato na F2 2021

Na verdade, o retrospecto indica que é bastante complicado para um piloto sair da F3 direto para a F2 no meio do campeonato. No ano passado, Théo Pourchaire, que foi o vice-campeão da F3, tomou parte das últimas rodadas da categoria maior, ambas no Bahrein, e não foi além da 18ª colocação. Em 2019, Christian Lundgaard passou por situação parecida e obteve um 14º e um 12º lugares na rodada decisiva de Abu Dhabi.

Até mesmo Lando Norris, que tinha acabado de ser campeão da F3 Euro em 2017, não foi bem em sua primeira rodada na F2. O atual titular da McLaren assumiu o carro da Campos para a última etapa e acumulou um abandono e um 13º.

O principal motivo para a falta de desempenho de quem sai da F3 direto para a F2 no meio da temporada é o pouco tempo de adaptação. O competidor precisa se acostumar com pneus de maior degradação (com comportamentos muito diferentes no começo e no fim de cada stint) e também aos pit-stops em apenas 45 minutos de treino livre. Depois, já vem classificação e corrida.

Daí a importância de fazer a pré-temporada (e também a pós-temporada) completa, para começar a conhecer o carro melhor e ver como o equipamento se comporta nas mais variadas condições, como tanque vazio, tanque cheio e com cada composto da Pirelli.

Por esse motivo, a estreia de Enzo Fittipaldi na F2 2021 precisa ser vista como uma forma de adiantar o processo de adaptação ao equipamento de olho em participar de todas as etapas do ano que vem. Dessa forma, sem exigir resultados dele desde já.

No lado positivo, Fittipaldi, por onde passou, já mostrou que costuma ter um forte ritmo de corrida, o que pode ajudá-lo a ganhar posições em suas primeiras provas na F2, conforme vai se acostumando ao equipamento.

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Enzo Fittipaldi conquistou um pódio em sua passagem pela F3 2021 – foto: dutch photo agency/rf1/divulgação