Dá para dizer que Ricardinho Gracia é por enquanto o piloto mais rápido do grid para a temporada 2022 da F4 Brasil.

Tão rápido, que o jovem de 16 anos de idade nem esperou o campeonato ser anunciado oficialmente e enviou um comunicado à imprensa, no fim da última semana, dizendo que está confirmado na categoria no ano que vem.

Além de se assegurar no grid de um campeonato que ainda nem existe, o piloto já revelou que os carros usados serão os Tatuus (os mesmos da F4 Italiana), que haverá seis etapas (Interlagos, Goiânia, Brasília, Velocittà e duas visitas a Curitiba) e que as corridas serão transmitidas pelo Bandsports.

Além disso, falou que os equipamentos deverão ser alinhados por quatro equipes diferentes, em vez de uma só escuderia operando todos os veículos, como acontecem com a F4 de Argentina, França e Índia, por exemplo.

Curiosamente, essa não é a primeira vez que a F4 Brasil tem um piloto anunciado antes mesmo de sair do papel.

A saga da F4 no Brasil

Em 2019, um piloto chamado João Pedro Maia, então com 14 anos de idade, disse que iria disputar a F4 Brasil a partir de 2020. Naquela época, algumas pessoas próximas do competidor estavam tentando trazer o campeonato para o país. Após alguns impasses em relação à aquisição dos equipamentos, a categoria não saiu do papel.

Esses anúncios antes de o campeonato ser confirmado oficialmente não são coincidência. É uma forma de aumentar o interesse e também de trazer credibilidade ao projeto. Serve para mostrar aos demais interessados que a categoria é séria, que já tem gente confirmada para correr e que há notícias sobre.

Apesar das dúvidas que cercam as notícias sobre as F4 Brasil nos últimos anos, hoje há bons motivos para ficar otimista com o país voltar a ter uma categoria de base padrão FIA. O principal deles é que há interesse para realizar o campeonato por parte dos pilotos e seus familiares.

A situação econômica brasileira anda complicada. Com dólar acima dos cinco reais e o euro superando os seis, os pais de pilotos perceberam que muitas vezes a única maneira viável de os filhos poderem seguir carreira é se tiver um campeonato aqui no Brasil. Acaba compensando mais investir em um novo equipamento em busca de um patrocinador que levar alguém para andar de F4 na Itália ou na Alemanha.

Nesse período também houve uma mudança política importante na CBA, o órgão máximo do automobilismo brasileiro. A atual gestão – apesar de ser uma continuidade da que estava no poder – é formada por pessoas com sucesso por onde passaram e que já mostraram estarem preocupadas de verdade com o desenvolvimento do esporte a motor no Brasil, o que há muitos anos tinha deixado de ser prioridade na confederação.

Um passarinho me contou (adoro quando as fontes preferem ser chamadas assim) que os carros já foram comprados e estão sendo enviados para o Brasil. A ideia é que o evento de lançamento da F4 Brasil seja feito durante o Mundial de Kart, em Birigui (pista que pertence à família do Ricardinho Gracia), em dezembro. Mas aí vai depender de os equipamento chegarem, uma vez que o transporte marítimo de carga tem enfrentado seguidos atrasos neste ano.

Até lá fica a nossa expectativa para ver se a F4 Brasil realmente sairá do papel em 2022.

Ricardinho Gracia, kart, Europeu de Kart, 2021
Ricardinho Gracia foi um dos brasileiros na divisão OK do Europeu de Kart – foto: rios comunicação/divulgação