A temporada 2021 da F1 teve um dia bastante esquisito em Spa-Francorchamps, com o GP da Bélgica tendo somente uma volta realizada.

Nem dá para dizer que foi uma volta de disputa, porque o giro foi atrás do safety-car, antes de a corrida ser novamente interrompida com a bandeira vermelha.

Mas, afinal, o que aconteceu para a F1 ter escolhido uma solução tão incomum e que irritou de uma vez só, pilotos, jornalistas e torcedores?

A resposta óbvia é que choveu demais. Mas isso não explica toda a história. Quando uma tempestade atinge um circuito, uma alternativa pode ser iniciar a prova, porque os carros em movimento vão aos poucos tirando o excesso de água do asfalto. Além disso, conforme as voltas vão se passando, os competidores vão se espalhando pela pista, o que diminui o problema da visibilidade e, consequentemente, os riscos envolvidos.

Só que Spa-Francorchamps é uma pista que nos últimos anos vem enfrentando uma sequência de crises, e uma soma de fatores contribuiu para que a direção de prova nem sequer cogitasse dar a largada neste domingo.

O que evidenciou os problemas enfrentados pelo circuito belga foi o acidente fatal de Anthoine Hubert, na temporada 2019 da F2.

Naquela corrida, Giuliano Alesi perdeu o controle do carro na Raidillon (parte do circuito que muita gente chama de Eau Rouge), bateu contra o muro de proteção e voltou para a pista. Hubert tentou desviar do compatriota, mas também acertou a barreira de pneus do outro lado da pista e, após ricochetear, foi atingido por Juan Manuel Correa.

A crise de Spa-Francorchamps

Acidentes muito semelhantes a esse voltaram a se repetir nos últimos meses. Nas 24 Horas de Spa-Francorchamps deste ano, realizadas no fim de julho, o ex-F1 Jack Aitken bateu no começo da prova no mesmo ponto: seu Lamborghini voltou à pista e causou um acidente com outros três competidores. Até hoje o britânico está afastado das corridas para se recuperar das lesões, assim como o italiano Davide Rigon, da Ferrari, que o atingiu.

E na F1 Lando Norris perdeu nesse mesmo local o controle da McLaren durante o Q3, no sábado, quando era o favorito para a pole. No caso dele, as consequências só não foram piores porque se tratava de uma classificação, com menos carros participando e maior espaçamento entre eles. Fosse em uma corrida, a situação poderia ter sido bem diferente.

Além disso, na sexta-feira, nesse mesmo ponto do traçado, houve um engavetamento na definição do grid de largada da W Series, com seis pilotas se envolvendo e com duas delas indo parar no hospital para alguns exames.

No caso da W Series, a batida impressionou porque envolveu mais competidoras, mas não teve o agravante de os carros voltarem para a pista, como nos casos de Norris, Alesi e Aitken.

Outro ponto é que Spa-Francorchamps tem enfrentado constantes problemas de chuva na região, que volta e meia danifica as estruturas da pista e alaga o paddock. Em junho, toda a descida até a Eau Rouge se transformou em um enorme rio de lama, enquanto um mês depois as águas destruíram vias de acesso ao autódromo, usada pelas equipes e por funcionários do lugar.

Ou seja, além do problema dos acidentes constantes na Raidillon, havia o agravante dos danos causados pelas chuvas e eventualmente de alguma falha na reconstrução das estruturas, como, por exemplo, o surgimento de bumps no asfalto.

Isso tudo sem falar no assassinato de Nathalie Maillet, CEO do circuito, no mês passado.

Como existe a tensão de a qualquer momento um novo grave acidente acontecer na Raidillon e levando em conta todos os problema recentes do circuito belga, a F1 preferiu ser conservadora e nem sequer tentar largar para o GP da Bélgica de 2021. Se fosse outra pista, talvez a decisão pudesse ter sido outra.

Enquanto isso, fica a expectativa de que as reformas que vão acontecer em Spa (que voltará a ter brita em vez de asfalto na área de escape na Eau Rouge/Raidillon) consigam deixar o circuito mais seguro para a prática do esporte a motor por lá.

Você pode clicar aqui para ver os resultados do GP da Bélgica da F1 2021, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

A chuva na Eau Rouge e na Raidillon de Spa-Francorchamps no GP da Bélgica da F1 2021 – foto: daimler/divulgação