temporada 2021 da Formula E chegou ao fim com os dois pilotos brasileiros – Lucas di Grassi e Sergio Sette Câmara – em momentos diferentes.

Enquanto Di Grassi venceu corridas e até sonhou com o título, Sette Câmara fez seu primeiro ano completo na categoria e sofreu com um equipamento que constantemente o deixava na mão.

Abaixo você pode conferir como foi o desempenho dos dois brasileiros da Formula E 2021:

Lucas di Grassi na Formula E 2021

Ainda bem que Di Grassi ganhou uma das baterias da etapa decisiva em Berlim. Teria sido um anticlímax muito grande caso seu último momento de protagonismo pela Audi tivesse sido a questionável decisão de passar pelos boxes em Londres, com quando o safety-car estava na pista, para ganhar as posições.

Para quem não assistiu à corrida britânica, o carro de segurança trafegava em uma velocidade menor que a do pit-lane. Assim, o brasileiro foi para os boxes, simulou uma parada e voltou a pista, conseguindo pular de oitavo para primeiro.

Só acabou punido por uma tecnicalidade: precisava ter parado o veículo completamente nos pits, mas o sensor mostrou que as rodas nunca ficaram totalmente travadas.

Além de Berlim e de Londres, ao longo da campanha, Di Grassi ganhou uma das baterias em Puebla – após Pascal Wehrlein da Porsche ser punido – e estava liderando em Roma até um problema mecânico, quando faltavam cinco minutos para o fim, o impedir de cruzar a linha de chegada na frente.

Se o título ficou distante – o brasileiro terminou o campeonato em sétimo -, as quatro chances de vitória mostraram que ele continua afiadíssimo e que merece um lugar na categoria mesmo após a saída da Audi. Di Grassi, aliás, já foi especulado na Nissan, mas seu destino mais provável é a Venturi, no lugar de Norman Nato, que fechou em primeiro a última corrida do ano.

Do lado negativo, estão as punições excessivas. Londres foi o caso mais emblemático. Mas em Berlim, se a primeira bateria terminou em vitória, na segunda Di Grassi recebeu um drive-through por acertar António Félix da Costa em uma briga no meio do pelotão. Em Puebla, houve uma situação semelhante. Primeiro lugar para o brasileiro no sábado e punição no domingo por bater Nyck de Vries (que terminaria como o campeão).

Mas é difícil dizer que esses pontos pudessem ter feito a diferença na classificação final, uma vez que as regras da Formula E agem no sistema de compensação. Isto é, os pilotos que estão mais atrás na tabela têm a chance de na classificação ir à pista quando o asfalto está em melhores condições, aumentando as chances de um bom resultado. Por isso que, no campeonato de carros elétricos, nem sempre estar entre os primeiros é bom.


Sergio Sette Câmara na Formula E 2021

É difícil avaliar como foi o desempenho de Sette Câmara em seu primeiro ano completo na Formula E, tamanho a fragilidade do equipamento da Dragon Penske.

A equipe iniciou a temporada com o carro do ano passado, então não havia boas expectativas de bons resultados até que o novo equipamento estreasse.

Na verdade, após alguns atrasos, o novo carro se mostrou pior que o antecessor. Tanto que Nico Müller, que começou o campeonato como companheiro de equipe do brasileiro, não aguentou a bagunça na esquadra americana e rescindiu o contrato no meio do ano para se dedicar somente ao DTM.

Para seu lugar, a Dragon Penske trouxe Joel Eriksson, um antigo conhecido de Sette Câmara, que só conseguiu pontuar uma única vez: com o décimo lugar em Londres.

O principal problema da Dragon era a eletrônica. O motor gastava muita energia, o que obrigava seus pilotos a tirar o pé na reta final das etapas para economizar e não serem desclassificados. Como resultado, despencavam na classificação nas última voltas.

Tanto que os melhores desempenhos da Dragon Penske vieram em provas que “não tiveram final”. Em Ad Diriyah, a bandeira vermelha interrompeu a prova quando ainda faltavam dois minutos mais uma volta em decorrência do acidente de Alex Lynn. Dessa maneira, não houve a tradicional queda de rendimento, e Sette Câmara fechou em quarto, enquanto Müller foi o quinto. Já em Valência, o suíço foi ao pódio em uma corrida bizarra, em que quase todo mundo ficou sem energia.

Apesar dos problemas da Dragon, Sette Câmara precisa de corridas mais consistentes. Em Berlim, por exemplo, terminou a segunda bateria atrás de Eriksson, mesmo tendo largado cerca de dez posições na frente do companheiro.

Para o ano que vem, caso o brasileiro permaneça na Dragon Penske, a expectativa pode ser de melhores resultados, uma vez que a esquadra fechou uma parceira com a Bosch para desenvolver o motor elétrico, o que pode evitar os problemas de 2021.

Outro ponto positivo para Sette Câmara foi seu bom ritmo nas classificações. É verdade que ele constantemente foi beneficiado por ir à pista quando o asfalto estava nas melhores condições, mas avançou à superpole com muito mais frequência que seus companheiros. Sua posição média de largada foi 14,06 – com destaque para o segundo lugar na Arábia Saudita e o quarto posto em Londres. Na comparação, a posição média de largada de Müller foi de 16,8 e a de Eriksson, 19,6.

Ou seja, se não fosse o problema no equipamento, Sette Câmara teria condições de pontuar com muito mais frequência em 2021.

Agora que você sabe como foi o desempenho dos brasileiros ao longo do ano, pode clicar aqui para ver a classificação final do campeonato.

E você pode clicar aqui e conferir os resultados completos da última etapa da Formula E 2021, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Sergio Sette Câmara, Formula E, 2021, Dragon Penske, Berlim
Sergio Sette Câmara teve uma temporada de altos e baixos na Formula E 2021, mas muito positiva para um estreante – foto: spacesuitmedia/dragon penske/quickcomunicação/divulgação