Christian Lundgaard foi a grande surpresa entre os 28 participantes da segunda passagem da temporada 2021 da Indy pelo misto de Indianápolis.

Integrante da academia de jovens pilotos da Alpine, o dinamarquês aproveitou o estranho calendário da F2 – que está em um intervalo de dois meses entre as etapas de Silverstone e de Monza – para ganhar quilometragem nos EUA, correndo pela equipe RLL.

Lundgaard, na verdade, não vem tendo um bom ano na F2. Considerado um dos favoritos ao título (ao lado de Robert Shwartzman, Guanyu Zhou e Felipe Drugovich) após obter duas vitórias em 2020, ele é somente o 12º na tabela. Obteve dois pódios até agora, mas sempre aos sábados. Nas corridas longas, do domingo, seu melhor desempenho foi um nono lugar em Baku. Nas demais, nem sequer pontuou.

Para piorar a situação do dinamarquês, seus colegas de academia da Alpine estão no topo da classificação. Oscar Piastri, estreante na F2, é o líder, com 108 pontos, cinco a mais que Zhou. Isto é, caso a marca francesa decida promover algum de seus pupilos para a F1, dificilmente Lundgaard será o escolhido com base nos resultados até agora.

Por isso a ida do dinamarquês para a Indy pode significar tanto uma oportunidade para acumular quilometragem e tentar reverter o fraco desempenho na F2 quanto uma possibilidade de futuro para ele no esporte a motor.

Seja qual for o motivo, não é comum um piloto que começa a temporada da principal categoria de acesso da F1 como favorito ir para os EUA menos de 12 meses depois.

Do atual grid da Indy, boa parte teve uma passagem anterior pela Europa, mas nenhum competidor com o mesmo destaque que Lundgaard.

Josef Newgarden, por exemplo, chegou a obter uma pole-position na GP3 (como a F3 era chamada na época), mas ainda não tinha se firmado por lá quando decidiu voltar aos EUA. Colton Herta foi considerado o principal rival de Lando Norris quando disputaram a F4, mas o americano só ficou mais uma temporada no continente europeu depois disso. E é verdade que Felix Rosenqvist foi campeão da F3 Euro, mas o sueco estava seu quinto ano no campeonato, tanto que jamais foi cogitado na F3 ou na F2.

Quem mais deixou a Europa rumo à Indy

É preciso voltar entre o fim dos anos 1990 e o início dos 2000 para encontrar quem começou a temporada cotado para subir à F1, mas que teve na Indy seu destino.

Quatro dos cinco campeões da F3000 (que antecedeu a F2 como principal categoria de acesso da F1) entre 1998 e 2002 acabaram indo parar nos EUA: Juan Pablo Montoya, Bruno Junqueira, Justin Wilson e Sébastien Bourdais. Nesse período, o único que conseguiu ficar na Europa foi Nick Heidfeld, que contava com o apoio da McLaren no começo da carreira.

Do quarteto acima, só o saudoso Wilson chegou a subir para a F1. Campeão da F3000 em 2001, o britânico defendeu Minardi e Jaguar, em 2003, antes de seguir para os EUA logo depos.

Já Bourdais e Montoya foram campeões na categoria americana, receberam uma nova chance na F1, não se firmaram e voltaram aos EUA em diferentes momentos da carreira.

Desde então, principalmente após o fim da F3000 e a criação da GP2 e, posteriormente, da F2, o fluxo de pilotos formados no automobilismo europeu para os EUA diminuiu, e campeonatos como o DTM, a Formula E e o WEC se tornaram as principais opções para quem não conseguia subir para a F1.

A situação parece estar mudando agora. O sucesso de Romain Grosjean (segundo colocado na prova de Indianápolis) e da McLaren parece ter aberto os olhos dos europeus para os EUA. Da mesma forma, as fronteiras fechadas no Oriente fizeram com que a Super Formula, do Japão, deixasse de ser uma opção à F2.

Agora resta ver se a passagem de Lundgaard pela Indy será apenas uma aparição em meio às férias de verão da F1 ou se o piloto realmente pode se dedicar ao automobilismo dos EUA.

Até porque sua estreia em Indianápolis teve o apoio da Alpine, o que indica que ele não está completamente fora dos planos da montadora. Assim, correr nos EUA pode até ser uma forma de ele se manter na ativa e competitivo enquanto aguarda uma oportunidade na F1 ou até mesmo no WEC, onde a marca deverá construir um hipercarro para competir a partir de 2023.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da etapa da Indy no misto de Indianápolis, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: honda/divulgação

Sébastian Bourdais, ChampCar, 2003, Newman-Haas
Sébastian Bourdais foi campeão da F3000 em 2002 e seguiu para os EUA sem chance de subir para a F1 – foto: martin lee/CC BY-SA 2.0