Você sabia que a Formula E só conseguiu sobreviver porque foi salva pela Liberty Media, a atual dona da F1?

Quem revelou essa história foi o jornalista Sam Smith, especializado na cobertura da categoria de carros elétricos. Ele está lançando o livro Formula E, Racing For The Future, que conta a história de como o campeonato foi criado, inclusive os problemas enfrentados no começo da jornada.

Para divulgar o livro, o jornalista liberou o print de uma das páginas (veja mais abaixo), justamente sobre a crise financeira que tomou conta dos primeiros dias da Formula E.

Quem já empreendeu sabe que, antes de uma empresa começar a operar (e, portanto, de ter receita), gasta-se muito dinheiro para organizar e colocar toda a operação de pé. Esse dinheiro vem de investidores (podendo ser os próprios fundadores) ou se tornar dívidas.

Com a Formula E não foi diferente. Quando a categoria foi criada, em 2014, foi necessário gastar muito dinheiro para desenvolver e construir os carros, organizar as etapas, fazer o marketing etc.

Só que esse caixa acabou após a etapa de Punta del Este, a terceira da temporada inaugural. Para piorar a situação, já estava chegando o momento de pagar as dívidas, na casa de US$ 25 milhões. E os próprios criadores do campeonato estavam precisando pagar o transporte dos carros do próprio bolso.

A crise financeira da Formula E

Nesse momento a Formula E passou a viver um dilema. De um lado, havia grupos de investidores interessados, o que acabaria com o problema da falta de dinheiro. Do outro, o empresário Enrique Bañuelo, do ramo imobiliário e que até já investiu no Brasil, não estava querendo perder a fatia majoritária que tinha na categoria. Bañuelo era sócio de Alejandro Agag, criador da Formula E, e principal investidor do campeonato até então.

Em Punta de Este, conforme a crise financeira se agravava, os dois sócios brigaram, e Bañuelo chegou a até mesmo demitir Agag da liderança da competição.

Agag respondeu que a categoria poderia acabar ali mesmo se houvesse essa repentina troca de comando, uma vez que poderia afugentas as equipes, montadoras e potenciais parceiros. Para acalmar os ânimos, a solução de Bañuelo foi “rebaixar” o sócio para o posto de CEO, onde sua única função seria encontrar um novo investidor que pudesse salvar a Formula E.

Alguns dias depois, Agag de fato encontrou alguém interessado: a Liberty, que cerca de três anos mais tarde se tornaria a dona da F1.

Em fevereiro de 2015, a empresa americana anunciou ter adquirido 24% da Formula E, garantindo o dinheiro que o campeonato precisava para pagar suas dívidas, continuar operando e sobreviver.

Desde então, a Formula E se firmou como pioneira em carros elétricos no automobilismo, Agag segue no comando e a Liberty é uma das empresas mais poderosas do esporte a motor mundial, principalmente depois da aquisição da F1.

foto do topo: maurizio cefariello/formulae/CC BY 2.0

A Formula E não só sobreviveu a crise como em 2021 está realizando sua oitava temporada – foto: michael kunkel/audi/divulgação