Amor ou ódio. Assim dá para resumir como foi a primeira corrida da Indy no circuito de rua de Nashville, que fez sua estreia na categoria em 2021.

A prova disputada no fim de semana foi para lá de estranha em muitos sentidos. Começou com Marcus Ericsson decolando na traseira de Sébastien Bourdais – causando o abandono do piloto da Foyt – e terminou com o mesmo Marcus Ericsson recebendo a bandeira quadriculada em primeiro.

Críticos da Indy vão dizer que esse é o típico resultado que não deveria ocorrer. Afinal, o sueco acabou beneficiado por justamente ter se envolvido no acidente. Ele precisou fazer um pit-stop logo no começo da prova, para consertar o equipamento danificado no lance com Bourdais, e também para se recuperar do drive-through que recebeu como punição.

A partir daí, Ericsson estava em uma janela alternativa de parada e, com base na estratégia da Ganassi, foi ganhando posições conforme seus rivais iam aos boxes. Dessa forma, assumiu a liderança da corrida nas voltas finais sem precisar fazer grandes esforços.

Mas o principal problemas de Nashville não foi a zebra no final. Foi o excesso de bandeiras amarelas em uma pista em que em algumas partes mal cabiam dois carros lado a lado.

Os problemas da Indy 2021 em Nashville

Para quem não assistiu à corrida, dá para resumir o traçado da seguinte forma: são duas retas paralelas que levam e trazem os carros por cima de uma ponte, que lembram um pouco o último setor de Baku, casa do GP do Azerbaijão da F1. Em cada margem do rio há algumas curvas, que servem para os competidores fazerem o retorno e voltarem para os trechos de reta.

Em uma margem, estão o pit-lane e a linha de chegada. Nessa parte, até por ser nos arredores do estádio do Tennessee Titans, da NFL, são avenidas e ruas mais largas, que praticamente não permitem ultrapassagens, mas também não oferecem grande desafio aos competidores. O problema está na outra margem, onde mal passa um carro nas curvas. O que dirá dois deles brigando por posição.

Como resultado, ao longo de 80 voltas de corrida, foram nove bandeiras amarelas. Ao todo, 33 giros foram completados atrás do safety-car. E esse número só não foi maior porque a bandeira vermelha foi acionada duas vezes, permitindo que os carros ficassem nos boxes enquanto a pista era limpa.

Como a prova já começou tarde para não haver choque de horário com a Nascar, uma vez que a mesma emissora é responsável por exibir ambas as categorias nos EUA, havia até mesmo o risco de precisar ser encerrada mais cedo por falta de luz natural, tamanho o número de interrupções.

Se há quem critique etapas travadas como a de Nashville, há também quem goste de ver provas que permitam zebras no resultado. E Ericsson jamais esteve entre os favoritos à primeira colocação, ainda mais após o acidente com Bourdais.

Outros que se aproveitaram da jornada bizarra foram James Hinchcliffe e Ryan Hunter-Reay, ameaçadíssimos na Andretti, que conquistaram o primeiro top-5 na temporada. Já Ed Jones, que deve ficar a pé para 2022, obteve seu segundo top-10 de 2021. Até Felix Rosenqvist, que não se firmou na McLaren, andou bem.

E sejamos justos. Apesar das inúmeras bandeiras amarelas, quase não houve interrupções no trecho final da prova, com Colton Herta, com pneus mais novos, tentando escalar o pelotão até ir parar no muro enquanto desafiava Ericsson pela vitória.

No fim, o balanço foi positivo. Segundo a imprensa americana, a audiência da prova só na região do Tennessee (onde a cidade de Nashville está localizada) foi muito maior que o da corrida da Nascar no oval de Nasvhille, realizada em junho. E é raríssimo o campeonato de monopostos levar a melhor no “ibope” por lá.

Como o sucesso comercial deve indicar uma nova edição da etapa no ano que vem, seria bom a Indy aprender com os erros deste fim de semana. Um primeiro passo seria alargar algumas curvas, mesmo que isso signifique reformular todo o trecho de uma das margens do rio. Outro seria evitar que um piloto punido acabe levando tanta vantagem que acabe ganhando a prova.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa da Indy em Nashville, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Marcus Ericsson foi de punido a ganhador no circuito de rua de Nashville na Indy 2021 – fotos do post: honda/divulgação