A F3 Inglesa acabou. Um dos campeonatos mais tradicionais do automobilismo mundial foi obrigado a mudar de nome, no começo de agosto de 2021, e agora se chama GB3.

Essa rebatizagem aconteceu porque a FIA passou a determinar que apenas as categorias que usam o equipamento da F3 internacional podem ser nomeadas F3. E o campeonato onde correm Caio Collet e Enzo Fittipaldi é o único no mundo que cumpre esse requisito.

Na verdade, já faz algum tempo que a FIA vinha apertando o cerco contra as outras F3. Como parte dessa restrição, em 2014, a European F3 Open passou a ser conhecida como Euroformula Open, enquanto no ano passado a F3 Japonesa se tornou a Super Fórmula Lights.

Havia, porém, algumas exceções. A F3 Asiática tinha conseguido manter seu nome original – apesar de ser disputada com equipamento F-Regional – e a F3 Inglesa renovava seu contrato anualmente para poder ser chamada assim. Agora, porém, não houve acordo, e o projeto britânico teve de mudar de nome.

Levando a regra ao pé da letra, a determinação da FIA faz sentido. Apenas o equipamento com o qual Collet e Fittipaldi competem é homologado (pela própria FIA) como um F3, então apenas esse campeonato deveria se chamar a F3.

A história da F3 Inglesa

Mas no fim é um grande desrespeito da FIA com a história do automobilismo. Enquanto a F3 internacional mal revelou algum piloto (até por ser muito recente), a F3 Inglesa foi onde nomes como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Mika Hakkinen e Rubens Barrichello começaram. A categoria merecia, portanto, mais consideração que ser obrigada a mudar seu nome da noite para o dia no meio da temporada.

Alguém pode argumentar que a F3 Inglesa deste ano estava longe de ser a que um dia revelou Fittipaldi, Piquet e Senna e estava mais para uma super-F4. Além disso, ela também não era tão antiga. Tinha sido recriada pelo ex-piloto de F1 Jonathan Palmer, em 2016, a partir do espólio da que um dia teve os brasileiros.

Isso tudo é verdade. Mas a própria história da F3 Inglesa não foi tão linear assim. De 1970 a 1973, a cada ano foram disputadas três versões diferentes do campeonato. A unificação só aconteceu em 1979 (quando o brasileiro Chico Serra foi campeão) e durou até 2014, ano em que a categoria morreu ao ter em média seis pilotos por etapa.

É claro que o torneio de Palmer ser chamado de F3 Inglesa tinha uma pegada de marketing ao usar justamente essa marca tradicional para atrair pilotos interessados. Como consequência, o grid nunca foi ruim, mas também nunca reuniu a mesma qualidade da F3 internacional. Em sua história, os competidores de maior destaque foram Lando Norris (hoje na F1), Colton Herta e Matheus Leist (com passagem pela Indy) e Jamie Chadwick (atual campeã da W Series).

Mas agora tudo isso fica no passado, e a geração formada por Zak O’Sullivan, Reece Ushijima e pelo brasileiro Roberto Faria vai disputar o primeiro título da história da GB3.

E a primeira etapa da nova GB3 está marcada já para este primeiro fim de semana de agosto em Snetterton. Será esse o início de uma nova tradição?

foto do topo: jakob ebrey/divulgação

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Zak O’Sullivan lidera a temporada 2021 da nova GB3 e é considerado o favorito ao título – foto: brokengearbox/own work/CC BY-SA 4.0