Há menos pilotos brasileiros correndo nas grandes categorias do exterior em 2021 por uma série de motivos. Um deles é que alguns, como Rafael Câmara e Matheus Morgatto, decidiram ficar mais uma temporada no kartismo em vez de fazer a transição para os monopostos. Mas o principal é econômico. Com dólar acima de R$ 5 e euro, de R$6, fica mais complicado pagar o orçamento necessário para competir nos EUA e na Europa.

E a crise econômica enfrentada por muitas empresas desde o início do ano passado, por tudo o que está acontecendo no mundo, só piorou a situação para os representantes do país nas pistas.

Como reflexo da crise, o número de brasileiros correndo diminuiu de 2020 para 2021. Felipe Drugovich e Guilherme Samaia permaneceram na F2, enquanto Roberto Faria se manteve na F3 Inglesa. Já Kiko Porto segue como o representante do país na USF2000. Na F3, Enzo Fittipaldi assinou contrato de última hora com a Charouz, a pior equipe do grid, após ensaiar uma ida para os EUA, enquanto Caio Collet subiu para a categoria após um bom ano na F-Renault Eurocup.

De resto, nomes promissores como Igor Fraga e Gianluca Petecof perderam patrocinadores e precisaram, ao menos por enquanto, abandonar as pistas, assim como Pedro Piquet.

Já a F-Regional by Alpine é lar em 2021 de dois brasileiros promissores: Dudu Barrichello, que neste ano está fazendo a transição para a Europa após o vice na USF2000, e Gabriel Bortoleto, considerado um dos principais nomes do país desde a época do kartismo.

Até agora, o campeonato de ambos vem sendo complicado. O único que pontuou foi Bortoleto, tendo obtido um nono lugar na rodada de abertura em Imola. Nas últimas etapas, ambos têm se aproximado do top-10, mas ainda não conseguiram encaixar uma corrida dentro da zona de pontos.

Neste ano, a F-Regional by Alpine tem sido dominada por pilotos mais experientes. E como os dois brasileiros são novatos o ideal seria que eles continuassem nela em 2022.

Só que agora há indicações de que eles podem não seguir na Europa no próximo ano e se dedicar ao automobilismo brasileiro. Em Cascavel, Barrichello fez sua estreia na Stock Car e está confirmado também para a segunda etapa de Curitiba, que será realizada no Dia dos Pais. A ideia é que ele divida as pistas com o pai, Rubens Barrichello, na data comemorativa. Já Bortoleto, que é filho do dono da categoria, está fazendo sua estreia na Stock Light neste fim de semana.

Dudu Barrichello e Gabriel Bortoleto na Stock 2021

Participar de uma só etapa de outro campeonato, até como forma de se manter na ativa, não significa que um piloto está pensando em mudar de categoria. Por exemplo, antes de estrear na F1, Stoffel Vandoorne tomou parte de uma corrida da carros GT, mas jamais cogitou ir para essa modalidade. E Nyck de Vries foi campeão da F2, em 2019, em um ano no qual também estava andando no WEC.

Mas ao mesmo tempo a gente não vê os principais concorrentes ao título da F-Regional by Alpine nem os pilotos que estão perto de chegar à F1 em outros campeonatos, ainda mais os que não são disputados por monopostos.

É claro que essas participações no Brasil podem não indicar nada, e Barrichello e Bortoleto acabem brilhando na Europa em 2022. Mas que há motivos para imaginar que o futuro deles esteja longe do automobilismo internacional, isso há.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Stock Light em Curitiba, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: quick comunicação/divulgação

Dudu Barrichello estreou na Stock Car 2021 em Cascavel e deve correr também em Curitiba – foto: duda bairros/ferraripromo/divulgação