Bruno Michel, chefão da F2 (e também da F3), indicou que a principal categoria de acesso para a F1 deverá ter mudanças nas regras para 2022.

Sem nenhuma surpresa, as alterações devem ser feitas no calendário e no formato do fim de semana, atualmente com um confuso sistema em que o grid invertido é aplicado duas vezes e a corrida principal fica no domingo.

Com o mantra de cortar custos, a F2 saiu das 12 rodadas duplas de 2020 para oito rodadas triplas na atual temporada. O problema é que essas etapas estão espalhadas ao longo de nove meses. Como resultado, houve um intervalo de dois meses entre as provas do Bahrein e de Mônaco. Estamos em um novo hiato de dois meses entre Silverstone e Monza e, no fim do ano, ainda deverá haver uma pausa de quase dois meses e meio entre Rússia e Arábia Saudita.

Esse cronograma bizarro já fez o polêmico Dan Ticktum, atual quarto colocado na tabela, dizer de forma irônica que em 2021 virou um streamer de games profissional que corre na F2 no tempo livre, uma vez que o tempo de pista tem ficado cada vez mais raro para ele.

Os problemas do calendário da F2 2021

O principal problema de um calendário longo e com pausas enormes é que a F2 acaba perdendo o interesse. Essas pausas prejudicam o storytelling do campeonato. O legal é acompanhar a categoria e ver os pilotos que estão evoluindo e os que estão perdendo espaço. E ter corridas mais próximas ajuda a manter o engajamento dos fãs.

Para se ter ideia, quando a F2 correu em Silverstone, mal alguém lembrava que uma das principais histórias naquele momento era Théo Pourchaire que saiu de vencer uma corrida em Mônaco para quase ficar de fora da etapa inglesa em decorrência de uma lesão.

Da mesma forma, quando a categoria chegar à Monza, vai ser preciso puxar das profundezas da memória que Guanyu Zhou, um dos favoritos ao título, passou por uma má recente má fase e precisará mostrar que está recuperado.

Situação diferente da que aconteceu no ano passado. Por causa da pandemia, o calendário da F2 ficou condensado e teve 12 etapas realizadas em cinco meses. Em média, uma a cada 15 dias. Era muito mais fácil para acompanhar a evolução de Mick Schumacher e de Yuki Tsunoda, as constantes polêmicas de Nikita Mazepin, Callum Ilott levando a briga até o fim e os brilhos de Felipe Drugovich em uma equipe do meio do pelotão.

Outro problema de ter tão poucas etapas neste ano é que fica mais difícil para o público menos aficionado entender o novo sistema de classificação, uma vez que a tomada de tempo vale para a pole do domingo, e a partir daí acontecem duas inversões do grid para montar a ordem dos carros na provas do sábado.

Além disso, há o fato de que os competidores não vão correr em circuitos tradicionais como Spa-Francorchamps, Barcelona e no Red Bull Ring no calendário de 2021.

Quanto ao corte de custos, ainda resta ver se foi efetivo. Uma reportagem publicada pelo site RaceFans estima que uma temporada completa na F2 pode custar até US$ 3 milhões. Não que esse valor todo seja repassado aos pilotos, mas boa parte do orçamento das equipe é, sim, trazida pelos competidores, o que indica que não há tanta economia assim.

A tendência é que a organização anuncie as novas regras da F2 para 2022 em breve, sendo que o fim das rodadas triplas e a volta de duas baterias por fim de semana sendo as mais cotadas. Também é previsto que o campeonato passe a ter uma agenda mais tradicional, com menos intervalo entre as provas, mas para isso precisará esperar até que a F1 divulgue seu próprio calendário antes.

Até lá seguimos acompanhando os pilotos da F2 no videogame, nas redes sociais e, de vez em nunca, nas pistas.

foto do topo: prema/divulgação

Guilherme Samaia é um dos brasileiros na F2 2021 – foto: dutch photo agency/p1/divulgação