Após participar de somente duas etapas da temporada 2021 da F2, Gianluca Petecof voltou às pistas no fim de semana. Ainda não foi para correr. O piloto brasileiro tomou parte de um teste pela Porsche Cup brasileira no que curiosamente foi sua estreia no autódromo de Interlagos. Consequência de quem fez toda a carreira no exterior até agora.

Mas mais importante que o treino foi uma entrevista que ele deu à versão brasileira do site Motorsport dizendo que seu foco é buscar patrocinadores para disputar a F3 em 2022, por uma equipe que lhe dê condições de andar na frente do pelotão.

Alguém até pode questionar, se o plano desde o começo era andar na F3, por que Petecof aceitou subir direto para a F2 em 2021, correr em somente duas etapas e ter um desempenho marcado por quebras e acidentes.

É que a situação ideal nunca existiu para o brasileiro. A primeira turbulência que ele enfrentou foi em meados de 2020, quando liderava a temporada da F-Regional Europeia, com três etapas realizadas. Naquele momento, Petecof perdeu o apoio de seu principal patrocinador – que estava com ele desde o kartismo – e corria o risco de nem mesmo conseguir terminar o campeonato.

Isto é, num período em que os pilotos costumam iniciar negociações para o ano seguinte, Petecof precisava correr contra o tempo e garantir o orçamento para fechar 2020.

A primeira parte deu certo. Petecof encontrou dois patrocinadores que o permitiram terminar a temporada da F-Regional Europeia.

O título de Gianluca Petecof

As corridas finais foram marcadas pela falta de desempenho da Prema, equipe para a qual o brasileiro competia. Ainda assim, conseguiu segurar a pressão de Arthur Leclerc, irmão mais novo do piloto da F1, e garantir o título por 16 pontos “contra tudo e contra todos”, como ele mesmo definiu.

Só que, por tudo o que aconteceu no mundo, o campeonato acabou muito tarde. Petecof só conquistou o título no início de dezembro, momento em que as principais vagas para a F3 2021 já tinham sido tomadas. E o brasileiro nem teve tempo de tentar entrar na briga por alguma delas. Seu foco em 2020 tinha sido arrumar o dinheiro para terminar o campeonato, não para o próximo passo da carreira.

Ainda assim, ele recebeu alguns convites para 2021. Um era para disputar a F-Regional by Alpine por uma escuderia do meio pelotão – que no fim acabou nem mesmo participando da categoria. O outro foi o da equipe Campos para a F2, onde ele não precisava levar patrocínio em um primeiro momento, mas em que era preciso completar o orçamento para poder correr a temporada.

A F2 tem transmissão na TV paga, tanto no Brasil quanto na Europa. Era uma atrativo a mais na hora de buscar por algum investidor. Mas aí os resultados não vieram e não deu tempo de encontrar um potencial patrocinador. Assim, Petecof perdeu a vaga logo após a etapa de Mônaco.

Por isso que agora faz sentido ele passar o restante de 2021 em busca dos patrocinadores para correr na F3 em 2022 (para onde ele deveria ter ido desde o começo), mesmo que isso signifique ficar afastado das pistas por mais alguns meses.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da F2 em Silverstone, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: aci csai/divulgação