O resultado da primeira prova sprint da história da F1, no GP da Inglaterra de 2021, não foi uma surpresa para quem acompanha campeonatos com corrida de classificação, como é o caso do GP de Macau de F3, ou como era a GTWC há alguns anos.

Nessas categorias, as provas de classificação não são muito animadas. Há alguma disputa nas voltas iniciais, mas depois os pilotos preferem ser mais cautelosos. Geralmente o risco de se envolver em um acidente – e comprometer todo o resto do fim de semana – não compensa o ganho de uma ou outra colocação.

Foi exatamente o que aconteceu em Silverstone. Com exceção da briga entre Max Verstappen e Lewis Hamilton na primeira volta e da largada fantástica de Fernando Alonso, que ganhou sete posições, houve pouca ação no sábado. O maior destaque foi Carlos Sainz, que escalou o pelotão após se envolver em um toque com George Russell logo no início.

De resto, a previsão de que a novidade beneficiaria pilotos que são fortes em ritmo de corrida, mas não tão bons em tomadas de tempo foi acertada. Alonso, Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen, por exemplo, vão largar em posições melhores do que a obtida na classificação da sexta. Já Antonio Giovinazzi e George Russell (que também levou uma punição pelo lance com Sainz) andaram para trás.

A exceção foi Sergio Pérez, outro conhecido pelo forte ritmo de corrida. Se a expectativa era o mexicano da Red Bull até mesmo ameaçar a dupla da Mercedes, a realidade é que ele rodou sozinho, foi o único a abandonar e vai largar do pit-lane no domingo.

Talvez Silverstone não tenha sido uma boa escolha para a estreia das sprint, uma vez que não é tão fácil ultrapassar por lá. Mesmo com a asa traseira móvel ativada, as retas são muito curtas para os atuais carros da F1, o que contribuiu para não haver tanta emoção.

Como a prova de sábado deve voltar em Monza e também em Austin ou em Interlagos, resta ver se haverá mais brigas nessas pistas. Do contrário, talvez seja a F1 começar a pensar em colocar alguma variável para que o resultado delas seja menos previsível.

Há quem defenda para apimentar as coisas o grid invertido, velho conhecido das categorias de acesso, mas polêmico por premiar competidores que em situação normal não seriam competitivos.

Como melhorar as corridas sprint da F1 2021?

Mas talvez a solução tenha sido dada por Alonso. O espanhol foi um dos poucos a arriscar correr com o pneu mais macio, que é mais rápido nas primeiras voltas, mas perde rendimento rapidamente. Como resultado, passou os adversários como um trator na largada, mas depois foi ficando longe dos líderes e foi obrigado a defender sua posição com um carro mais lento que o de seus desafiantes.

Ou seja, se a Pirelli, a fornecedora de pneus da F1, conseguir acertar nos compostos que levará para as corridas sprint, em que o desgaste do mais macio não seja tão catastrófico, essa pode ser a variável necessária. Pode acabar compensando para os pilotos do meio do pelotão arriscar a tática de Alonso em Silverstone para ganhar algumas posições para o grid do domingo.

Para sua estreia, a novidade da F1 trouxe uma emoção diferente para os sábados. A disputa foi boa e até deixou um gosto de “quero mais” para o domingo. Mas talvez ela não funcione para todas as etapas do calendário. Em locais como Barcelona e Paul Ricard, conhecids por poucas ultrapassagens, pode acabar tendo o efeito oposto: de espantar os espectadores após um sábado de poucas emoções.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da primeira corrida sprint da história da F1, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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A estratégia de pneu foi um dos trunfos de Fernando Alonso na corrida sprint da F1 2021 em Silverstone – fotos do post: alpine/divulgação