Menos de seis meses atrás, a Mercedes era considerada a favorita para conquistar o título da F1 (mais uma vez) e também da Formula E em 2021. Mas bastou chegar o segundo semestre do ano para que o desempenho da montadora alemã desandasse nesses dois campeonatos.

Na F1, a equipe começou a temporada credenciada por ter sido campeã em todos os anos desde o início da era híbrida em 2014.

Com poucas mudanças nos carros em relação a 2020 – como uma forma de corte de custos em um período de crise econômica – o que poderia sair errado? Bom, até agora, praticamente tudo.

A crise da Mercedes na F1 2021

A Mercedes enfrenta um jejum de cinco corridas sem vitória – inédito de 2014 para cá. Nesse período, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas também não largaram da pole-position. Foram quatro vitórias de Max Verstappen (que abandonou a outra corrida quando estava liderando) e uma de Sergio Pérez.

Como resultado, Verstappen disparou na tabela, com 182 pontos, contra 150 do britânico. Ou seja, mesmo que o holandês não pontue em Silverstone, ainda assim sairá do Reino Unido na primeira colocação do Mundial.

Na verdade, dá para dizer até que a vantagem do piloto da Red Bull poderia ser maior. Verstappen foi derrotado na abertura do campeonato, no Bahrein, por ultrapassar Hamilton fora do famigerado limites da pista e tendo sido obrigado a devolver a posição. Em Barcelona, só perdeu na base da estratégia e, em Imola, viu Hamilton se recuperar do acidente e terminar no segundo lugar por causa do timing do acidente de Bottas com George Russell.

Mas os números não mentem. Verstappen já liderou 403 voltas nas primeiras nove corridas da F1 2021, contra 122 de Hamilton – mais que o triplo do principal rival.

Mas o que saiu errado para a Mercedes na F1?

É uma combinação de vários episódios. Em primeiro lugar, a Mercedes foi proibida de usar o DAS (aquele sistema em que os pilotos empurravam e puxavam o volante para alterar a cambagem das rodas) em 2021. Ao mesmo tempo, a FIA fez uma mudança no regulamento, diminuindo o assoalho dos carros, o que prejudicou veículos com rake mais baixo, como a própria marca alemã e a Aston Martin.

E justamente no momento em que precisava criar novas soluções para compensar essas desvantagens a marca passou por mudanças em seu staff com James Allison deixando o posto de diretor-técnico.

Por fim, ainda houve a demora para definir a renovação de contrato de Hamilton para 2021, o que virou uma distração quando o foco deveria ser melhorar o carro.

Já na Formula E parece que a bateria descarregou. Se a Mercedes venceu três das cinco primeiras corridas com Nyck de Vries e Stoffel Vandoorne, nas seis últimas etapas, seus representantes só pontuaram uma vez, com o belga em sétimo e o holandês em nono na primeira bateria de Puebla.

A crise da Mercedes na Formula E 2021

Parte do problema está no regulamento da Formula E. Como De Vries conquistou duas vitórias muito cedo na temporada, isso significou que ele disparou na classificação, mas que, ao mesmo tempo, passou a fazer parte do primeiro grupo da classificação, aquele que vai à pista quando as condições do asfalto não estão boas. Assim, o holandês tem sido obrigado a largar na parte de trás do pelotão, onde é mais fácil se envolver em acidentes.

Só que ele também tem sua parcela de responsabilidade: foi somente o quarto mais rápido entre os cinco pilotos de seu grupo no qualifying.

Vandoorne, na outra Mercedes, também enfrenta os altos e baixos. Em Roma, por exemplo, se acidentou em uma das baterias, mas venceu a outra. E agora, em Nova York, tocou no muro na classificação da primeira bateria, o que comprometeu seu desempenho no sábado.

No caso da Formula E, dá para entender a frustração dos representantes da Mercedes com as regras do campeonato, que praticamente impedem que qualquer piloto seja consistente ao longo de toda a temporada. O líder de 2021, Sam Bird, não pontuou em seis das 11 etapas realizadas até agora.

Mas o regulamento, justo ou não, é o mesmo para todos os competidores. E nele a Mercedes está sendo superada pelas adversárias.

Agora resta ver se, tanto na F1 quanto na Formula E, a montadora conseguirá recuperar seu domínio antes que seja tarde demais para lutar pela taça.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa de Nova York da Formula E, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Nyck de Vries começou a temporada 2021 da Formula E como forte candidato ao título, mas foi perdendo desempenho – fotos do post: daimler/divulgação