Sergio Sette Câmara reencontrou um velho conhecido nesta reta final de temporada 2021 da Formula E: o sueco Joel Eriksson, seu novo companheiro de equipe na Dragon Penske.

Eriksson entra na vaga de Nico Müller, que estava na escuderia americana desde o começo do campeonato passado e já anunciou que não renovará seu contrato por não estar contente com problemas de desorganização e falta de evolução da esquadra nesse tempo. Ao menos por enquanto, deverá focar no DTM, onde também compete, e deve ser um dos nomes cotados pela Audi para o retorno da marca às corridas de longa duração a partir de 2023.

Seu substituto, Eriksson, não é um desconhecido para a Dragon Penske. Pelo contrário. Já tinha testado pela esquadra no Treino dos Novatos da Formula E de 2020, mas não tinha ido bem: ficou em 18º. Em comparação Sette Câmara, no outro carro do time, foi o vice-líder.

Assim, enquanto o brasileiro foi promovido à vaga de titular da esquadra, Eriksson acabou contratado como piloto de testes e reserva de escuderia.

Antes de ser efetivado como novo companheiro de Sette Câmara, Eriksson já tinha disputado a rodada dupla de Puebla, em junho, no lugar de Müller, que estava no DTM. Assim como o brasileiro, teve uma etapa marcada por muitas punições e conquistou um 15º como melhor resultado.

Joel Eriksson e Sergio Sette Câmara na F3

Só que esses dois pilotos já se conheciam muito antes da empreitada na Formula E.

Em 2016, eles dividiram a equipe Motopark na antiga F3 Euro. Naquele ano, Sette Câmara era apontado como um dos favoritos ao título por integrar o Red Bull Junior Team. Já Eriksson estreava na esquadra depois de dois bons anos correndo de F4.

Sette Câmara teve um campeonato de altos e baixos. De um lado, foi um dos mais rápidos ao longo do ano em classificações. Teria anotado ao menos três poles, mas acabou punido em todas elas por situações fora de seu controle. Eram problemas mecânicos, troca de motores ou o carro não era aprovado na inspeção técnica. Acabava obrigado a largar na parte de trás do pelotão.

De outro lado, nas etapas em que não enfrentou punições, também não andou bem. Ao todo, subiu ao pódio somente duas vezes no ano. Se a expectativa era de brigar pelo título, Sette Câmara encerrou o campeonato em 11º, muito, muito distante da luta pelo título.

E a comparação com Erikson só piorou a situação do brasileiro. Apesar de novato e correndo pela mesma Motopark, o sueco brigou constantemente na parte da frente do pelotão, acumulou dez pódios, incluindo uma vitória, e foi o quinto na classificação final.

Mas, a partir daí, a carreira desses dois pilotos tomou rumos bastante diferentes. Dispensado pela Red Bull pelos fracos resultados, Sette Câmara decidiu subir para a F2, onde conquistou uma vitória logo em sua temporada inicial. Ficou na categoria por mais dois anos, obtendo mais duas primeiras colocações. O título não veio, mas o bom desempenho abriu portas na F1, onde foi retornou à Red Bull na função de reserva e foi piloto de testes da McLaren.

Sem oportunidades na categoria principal, o brasileiro se mudou para a Formula E.

Já Eriksson saiu da F3 Euro – onde ficou por mais uma temporada – direto para o DTM, sendo um dos principais recrutas da BMW na época. Em um campeonato cada vez mais dominado pela Audi, ele jamais estourou. Após somente duas temporadas, foi dispensado pela marca e passou a se dedicar a corridas de carro GT3, onde também não vem sobressaindo.

Foi quando surgiu a oportunidade na Dragon Penske, onde ele reencontra Sette Câmara. Dessa vez, os papéis são opostos. Enquanto Sette Câmara vem em alta após sua passagem pela F1 como reserva e pelo bom desempenho na etapa da Árabia Saudia, Eriksson é quem precisa dar a volta por cima e mostrar que seu rendimento nos anos de F3 Euro eram a regra, não a exceção.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Formula E em Nova York, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: dragon penske/quick comunicação/divulgação

Sergio Sette Câmara, 2016, Red Bull Junior Team, F3 Euro, Motopark
Sergio Sette Câmara não foi bem em sua passagem pela F3 Euro – foto: f3 euro/divulgação