Três corridas é muito pouco tempo para avaliar o desempenho de qualquer piloto da F1, mas, desde que a Alpine anunciou a renovação de contrato de Esteban Ocon, o desempenho do francês tem sido horrível em 2021.

Após ter seu novo vínculo divulgado, na semana do GP da França, Ocon disputou três etapas até agora e teve como melhor resultado o 14º lugar. Nas duas provas no Red Bull Ring, foi eliminado ainda no Q1 da classificação. E por largar no fim do pelotão acaba tendo mais chances de se envolver em acidentes, como o que resultou em seu abandono ainda na primeira volta do GP da Áustria.

Enquanto isso, Fernando Alonso, seu companheiro na Alpine e que estava afastado da F1 desde o fim de 2018, está em uma sequência de quatro corridas consecutivas marcando pontos. O espanhol soma 20 neste ano contra 12 do francês.

Mas não estou dizendo que a Alpine deveria ter dispensado Ocon. Pelo contrário. Desde que a Renault (como a esquadra era chamada até o ano passado) voltou à F1, em 2016, em todos os anos houve ao menos uma troca de pilotos. Por isso, era importante manter a dupla para 2022 e enfim poder ter alguma continuidade no trabalho, sem precisar estar sempre recomeçando.

O problema é que Ocon renovou por mais três anos, até o fim de 2024. Vínculos grandes assim costumam ser oferecidos somente a estrelas da F1 ou para pilotos que serão o alicerce das equipes para os próximos anos. E o francês até agora não mostrou desempenho suficiente para justificar a aposta a longo prazo nele feita pela Alpine.

Desde que foi contratado pelo time francês, Ocon só terminou duas corridas no top-5: o GP da Bélgica e o louco GP de Sakhir, disputado no anel externo do Bahrein, onde ficou em segundo depois do acidente da largada entre Max Verstappen e Charles Leclerc e as trapalhadas da Mercedes nos boxes – ambos no ano passado. Em situação normal, o mais comum tem sido Ocon, em seus melhores dias, beliscar um sétimo ou um oitavo lugar.

Os jovens da Alpine rumo à F1

O novo vínculo de Ocon também pode bloquear a chegada dos pilotos da Academia da Alpine à F1. E na F2 eles estão se destacando. Após três etapas realizadas neste ano, Guanyu Zhou é o líder do campeonato, enquanto Oscar Piastri, novato e atual campeão da F3, é o vice-líder. Isso sem falar em Christian Lundgaard, considerado um dos favoritos ao título, mas que vem tendo uma temporada bastante complicada.

Zhou, por exemplo, já é especulado na Williams na F1 em 2022. E, caso ele realmente assine com a equipe britânica, todo o investimento feito pela Alpine/Renault nele será perdido.

Já Piastri está em boa fase desde 2019 e poderia, sim, ser o piloto que a Alpine precisa para dar o salto de qualidade e passar a brigar por top-5 de forma constante na F1.

E há, ainda, o efeito dominó nos pupilos da Academia da Alpine na F3 – Victor Martins e o brasileiro Caio Collet -, que podem ter sua jornada rumo à F1 prejudicada pela falta de vagas.

No começo do ano, a escuderia francesa fez barulho ao contratar Davide Brivio, que tinha sido o responsável por levar a Suzuki ao título da MotoGP em 2020. E um dos segredos de seu sucesso na montadora japonesa foi ter promovido jovens talentosos que estavam se destacando nas divisões menores, como Maverick Viñales e o atual campeão Joan Mir.

Mas na F1 ele precisará esperar mais alguns anos para colocar essa filosofia em prática, uma vez que Alonso e Ocon estão garantidos por mais algumas temporadas.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos do GP da Áustria da F1, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial neste fim de semana.

foto do topo: alpine/divulgação

Mesmo se for campeão da F2 em 2021, Oscar Piastri dificilmente terá vaga na F1 no próximo ano – foto: prema/divulgação